segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nada a Destacar


Assisti apenas o primeiro jogo do dia, a esperada estréia da Holanda, apontada por vários como candidata ao título e achei decepcionante. Sem Robben, o treinador Bert Van Marwijk colocou Van der Vaart aberto na esquerda, Kuyt pela direita, Sneijder centralizado e Van Persie enfiado na área, para ser a referência. Não funcionou, pela boa marcação dos dinamarqueses, e pela falta de uso efetivo dos extremos do campo – principalmente Van der Vaart afunilava muito pelo meio, embolando com Sneijder.
Não sei como seria o segundo tempo, se não fosse o gol contra de Simon Poulsen logo a 40 segundos. Com a vantagem, a Holanda se tranqüilizou, a Dinamarca se abriu, e mais chances laranjas surgiram, principalmente depois da entrada de Elia, que foi efetivamente jogar aberto pela esquerda, passando a criar os ataques mais perigosos. O gol de Kuyt (foto) sacramentou uma vitória tranqüila no placar, mas uma atuação apenas razoável, pouco para quem pretende o título.
Não vi os jogos seguintes, mas esperava que Camarões fosse aproveitar a estréia para encaminhar a classificação, o que não aconteceu. Pelos resultados de hoje, acho que o segundo lugar da chave deve ser mesmo da Dinamarca.
Sobre a Itália, difícil opinar sem ver o jogo na íntegra, mas os comentários e o resultado dão conta de que os italianos começaram como sempre: jogando pouco, arrancando com um resultado apenas razoável. Só vamos saber do que os italianos são capazes a partir da próxima fase.

domingo, 13 de junho de 2010

Bom e Mau Futebol

Foi um dia de extremos: dois jogos ruins e a melhor apresentação de uma seleção até aqui. Começou em um horroroso Argélia x Eslovênia, o pior jogo do mundial até aqui. Duas seleções sem qualidade e sem ambição, tentando trocar passes laterais e arricando pouquíssimo. Apenas uma chance clara no primeiro tempo, com o argelino Halliche subindo atrás do goleiro esloveno para cabecear para fora. No começo do segundo tempo, o treinador argelino Rabah Sadene, na tentativa de mudar o panorama do jogo, colocou em campo Ghezzal, atacante do Siena, mas a única coisa que ele conseguiu foi levar um cartão amarelo por puxar um defensor esloveno pela camisa, seguido do vermelho por dominar acintosamente com o braço um lançamento em sua direção. Deu pena ver a cara de frustração do treinador.
Mesmo com um mais, nada de pressão por parte da Eslovênia. Aos 36, porém, o meio Koren arriscou de fora da área e contou com a colaboração do goleiro argelino para fazer o único gol jogo, e foi só. Mesmo com 3 pontos já conquistados, a classificação eslovena não será fácil – os Estados Unidos parecem melhores. Na próxima rodada, os dois devem decidir a segunda vaga, e como os americanos empataram com a Inglaterra, a Eslovênia já não fica tão confortável empatando, pois poderia perder na última rodada para o English Team e ficar atrás dos EUA, já que eles devem vencer a Argélia.
Gana x Sérvia apresentou pouca emoção, mas um pouco mais de qualidade em relação ao primeiro jogo do dia. Os africanos foram aquilo que eu esperava: uma equipe bem organizada, de força física e saída rápida para o contrataque. Os sérvios não foram absolutamente nada do que se falava – lentos, conformados com o empate em 0x0, não pareciam ter nenhuma vondade de sair da letargia. Também perderam um jogador em expulsão boba quando Lukovic levou seu segundo amarelo, mas a bobagem maior veio quando Kuzmanovic subiu com os dois braços abertos, errou a cabeçada e colocou a mão na bola. Pênalti aos 40 do segundo tempo, bem batido pelo bom atacante Gyan, que ainda chutaria uma trave (já havia cabeceado outra) no finalzinho. A vitória de Gana premiou a iniciativa, encaminhando a seleção africana às oitavas.
Mais tarde, a grande surpresa. Não a vitória alemã, que seria lógica, mas o futebol apresentado. Uma Alemanha veloz e objetiva, trocando passes na direção do gol, pressionando o tempo inteiro, chegando à primeira goleada da Copa. Armada numa espécie de 4-2-3-1, onde o lateral direito Lahm sai bastante e o esquerdo Badstuber fica mais fixo, a equipe de Joachim Low construiu pela direita sua vitória parcial de 2x0, com os avanços de Lahm se juntando a Muller, o mais aberto da linha de três meias, e com substancial ajuda de Ozil, um habilidoso canhoto que eu até então não conhecia. Por ali, saíram os cruzamentos para Podolksi (jogando bem aberto pela esquerda) e Klose (foto) marcarem. No segundo tempo, com um a mais (Cahill foi expulso direto aos 11), os alemães continuaram acelerando o jogo e chegaram à goleada, com Muller e Cacau, que entrou no lugar de Klose. Mais do que os argentinos, os alemães mostraram muito jogo coletivo, e serão candidatos ao título.
O senão da partida foi o juiz. O mexicano Marco Rodriguez não influenciou no resultado, mas nos dois lances mais discutíveis, interpretou em favor da camisa mais pesada. Não marcou pênalti em lance de bola na mão do zagüeiro Mertesacker, que estava com o braço mais ou menos colado no corpo. Depois, expulsou Cahill, que não tinha nem amarelo, ao dar carrinho por trás. Talvez por arrependimento, deixou de expulsar Valeri, este sim já amarelado e que também entrou duro por trás – preferiu não deixar a batida Austrália com nove. Importante destacar que os bandeirinhas foram muito bem, dando acertadamente condições a vários ataques alemães muito reclamados, mas em que não existia impedimento.
Amanhã, a curiosidade é pela estréia de Holanda e Itália. No grupo E, acredito em classificação tranqüila dos laranjas, e uma briga entre Dinamarca e Camarões pela segunda vaga. Mais uma vez, vou usar a teoria da tabela para apostar no time de Eto´o, que pode sair da primeira rodada já com 3 pontos. No Grupo F, acho que dá dobradinha européia, Itália e Eslováquia. O Paraguai deve sentir a falta de Cabañas.

O Grupo D


Apenas para deixar registrada minha opinião antes dos jogos de amanhã (ou de hoje, pois já passou da meia noite): o grupo da Alemanha é, para mim, uma das incógnitas desta Copa. Claro que espero a classificação dos alemães em primeiro, da forma habitual, jogando um futebol mecânico, por vezes eficiente, com a camiseta pesando na hora que for preciso. A dúvida é sobre a segunda vaga. Fala-se muito na Sérvia, a “surpresa dos malandros” – todo mundo que acredita estar melhor informado aponta a seleção do Leste Europeu como uma das que vão assustar os favoritos – mas tenho minhas dúvidas. Fizeram ótima Eliminatória? Claro, mas na chave da França, que até agora não mostrou nada...
Eu apostava em Gana, que vi fazer boas partidas na Copa Africana, no início do ano, sem a presença de Essien (foto), machucado. Como eu achava que o craque do Chelsea estaria recuperado para o mundial, esperava uma equipe ainda mais forte para a Copa, mas Essien acabou ficando de fora. Mesmo assim, aposto em uma seleção de Gana bem armada, capaz de jogar mais fechadinha, explorando os contrataques com os experientes Amoah e Gyan. Pode ser a “espada” dos africanos neste mundial.
Não dá para esquecer, também, a Austrália, que no mundial passado ficou com o segundo lugar na chave do Brasil, eliminando a Croácia. Tem jogadores rodados, atuando nos principais campeonatos europeus, e fez bons amistosos pré-copa, mesmo que isso não seja a melhor das referências.Resumindo, Alemanha em primeiro, qualquer um em segundo. Indo contra a opinião geral, acho que a Sérvia vai decepcionar.

O Dia de Green


Na hora do almoço, eu já estava pensando que iria escrever sobre “o dia de Messi” e a estréia vitoriosa da Argentina. Tudo mudou com um despretensioso chute do americano Dempsey e com o frangaço do goleiro inglês Green...
O dia havia começado com a tranqüila vitória da Coréia do Sul sobre a Grécia. Bem organizados e mais experientes, os coreanos ainda tiveram a felicidade de sair na frente logo aos 6 minutos, em um lance de bola parada, que teoricamente seria a maior virtude dos gregos. A falta cobrada quase da marca do escanteio cruzou toda a pequena área e encontrou o zagueiro Jung-Soo livre para escorar com o pé e abrir o placar. O primeiro tempo foi de completo domínio da Coréia do Sul, que perdeu uma chance claríssima com Chu-Young, e teve dois erros de arbitragem que a impediram de ampliar – um pênalti não marcado e a marcação de uma falta inexistente quando Park roubou a bola de um defensor grego e iria ficar na cara do gol. O neozelandês Michael Hester foi, assim, responsável pela primeira arbitragem ruim da Copa, e não só pelos erros capitais.
A Coréia resolveria o jogo logo no início do segundo tempo, quando Park (aquele do Manchester United) roubou a bola dominada na canela pelo grego Vyntra e arrrancou em direção ao gol para fazer 2x0. Até os 20 do segundo, os coreanos continuaram dominando e pareciam caminhar para a goleada, mas acabaram relaxando um pouco e a Grécia, animada pelas entradas de Salpingidis e Kapetanos, tentou reagir, perdendo três boas chances, mas acabou mesmo sem fazer seu primeiro gol em Copas. Passo importante para que a Coréia do Sul avance às oitavas. Os gregos parecem destinados a tentar um pontinho, ou no mínimo um golzinho de honra no mundial.
Aí veio a estréia Argentina, de ótimo primeiro tempo, com um gol logo aos 6 minutos (Heinze, de cabeça) e mais quatro chances claríssimas desperdiçadas, duas delas por Higuain, que pode ser artilheiro no Real Madrid, mas destoa da parceria na seleção. Recebendo espaço para dominar e arrancar para o gol, Messi foi o nome não só do primeiro tempo, mas também do segundo, apesar da queda de produção de alguns de seus compatriotas. Como os argentinos, em um misto de cansaço e administração de resultado, passavam a oferecer menos perigo, a Nigéria se soltou a partir da segunda metade da etapa final, e teve chances para empatar, mas os hermanos conseguiram ficar com a bola no pé a partir dos 40 e garantir a primeira vitória.
Ouvi comentários divergentes sobre a vitória da Argentina, alguns elogiando a quantidade de chances criadas, outros dizendo que o brilho argentino foi exclusividade do melhor do mundo, e que o restante da equipe mostrou. Efetivamente, houve atuações abaixo da crítica, especialmente Higuain e Verón (errou muitos passes), mas a Argentina mostrou que tem time para brigar pelo título, mesmo que seja “somente Messi” até o final – não esqueçamos que já fomos campeões assim, montando um esquema para ser “só Romário” em 94...
Da Inglaterra, o que dizer? Mais uma vez, chegaram com status de favoritos. Mais uma vez, formaram “uma das melhores seleções de todos os tempos”, cheia de nomes consagrados. Mais uma vez, mostraram serem capazes de bons lampejos – o gol marcado logo aos 3 minutos, em rápida troca de passes, com Gerrard aparecendo por traz da zaga, foi um exemplo. Mais uma vez, parecem mostrar que vão ficar no “quase”. Não pelo empate, afinal levaram um gol fortuito quando dominavam o jogo, um chute rasteiro, sem força, quase da intermediária. Dempsey, depois de girar duas vezes em cima do capitão Gerrard, arriscou e contou com a colaboração imensa do goleiro. A cena que repetida ao longo de toda a Copa, e das retrospectivas que virão ao longo do anos: o chute, Green levando as mãos à bola, mas com o corpo de lado, a Jabulani, tão criticada, escapando, ele pulando para traz para tentar evitar a tragédia, o gol, a cara de velório. No The Sun que chamou-o de “calamity keeper” - mesma expressão, aliás, utilizada no Daily Mirror - há um ótimo (embora curto - apenas 3 fotos) slide show(http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/sport/football/worldcup2010/3012012/Robert-Green-has-vowed-to-bounce-back.html), . Ali, dá para ver claramente que a bola do mundial não teve culpa, foi um erro de fundamentos do arqueiro inglês.
A Inglaterra decepcionou, na verdade, pela incapacidade de buscar a vitória sobre um Estados Unidos bem organizado, mas apenas mediano. Criou apenas duas grandes chances no segundo tempo, com Heskey perdendo na cara do goleiro e Lampard desperdiçando um contrataque de quatro contra dois. Quando o tempo começou a ficar escasso, foi a mesma coisa de sempre: chama o Peter Crouch e mete bola na área...
Os ingleses poderão avançar até as quartas, em função dos cruzamentos, mas não estarão entre os reais candidatos ao título. Os americanos conseguiram resultado importante para irar à segunda fase, por onde devem parar, caso cheguem.
Por enquanto, o melhor futebol da Copa veio do Rio da Prata.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nenhum Ganhador


Pela primeira vez em 28 anos, não consegui ver o jogo de abertura da Copa ao vivo. Aliás, tudo que vi hoje foi em replay, mas não acho que perdi grande coisa em termos de espetáculo. Os anfitriões estiveram muito perto da vitória, pois dominavam o jogo após o golaço de Tshabalala (foto), mas acabaram cedendo o empate para os mexicanos em uma linha de impedimento mal feita, em que um zagueiro não saiu e deixou em condições três mexicanos - Rafa Marques dominou sozinho e teve a tranqüilidade necessária para marcar. Não gostei do México, sem objetividade, sem força ofensiva. Giovani dos Santos tentou criar alguns lances de perigo, e foi só. A pobreza mexicana ficou mais evidente quando Javier Aguirre recorreu ao veterano Blanco, que mesmo com 37 anos, entrou e melhorou a produção da equipe.
No único jogo entre dois campeões mundiais na primeira fase, ainda mais pobreza. Um Uruguai armado para garantir o 0x0, e uma França burocrática, sem nenhuma criatividade. Hoje, ficou que Ribery é um ótimo jogador, mas apenas isso, nunca um craque capaz de levar nas costas um time mediano, como Zidane fez na Copa passada. Ribery pode até brilhar muito como coadjuvante, mas não tem bola para resolver sozinho os problemas da França. Os franceses conseguiram pouco mais de 10 minutos de pressão a partir dos 35 do segundo tempo, depois que Lodeiro, que havia entrado aos 17, levou o segundo amarelo, deixando a Celeste com dez homens. Uma pressão desordenada e incapaz de furar o bloqueio ferrenho dos uruguaios, no entanto.Por incrível que possa parecer, o melhor futebol do primeiro dia foi apresentado pela África do Sul. Bem montada por Parreira, a seleção da casa mostrou que sabe imprimir bastante velocidade ao jogo, mesmo sem ter grandes valores individuais. Mantendo apenas Mphela centralizado na frente, mas com a saída rápida de Modise pela direita e Tshabalala pela esquerda, os bafana bafana foram os mais objetivos em uma rodada sem grande brilho e perderam duas grandes chances de sair com a vitória, justamente com Modise enquanto ainda venciam, e com Mphela chutando na trave aos 45. Mostraram que podem conquistar a sonhada vaga na segunda fase. Ainda aposto na França como dona de um lugar nas oitavas, pois acredito que o empate na estréia deva tirar da letargia uma equipe que tem bons nomes, mas que não consegue mostrar bom futebol há tempos. O Uruguai precisa mudar a postura se quiser ir adiante, arrumando um companheiro para Forlan. Já o México, que eu já havia apontado como o time com a pior tabela no grupo, terá que melhorar muito para conseguir alguma coisa contra franceses e uruguaios. O Grupo A termina sua primeira rodada totalmente indefinido, e se ontem falei em nivelamento “pelo meio”, já começo a acreditar que o equilíbrio é mais por baixo mesmo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vai Começar


Vai começar a tão esperada Copa do Mundo em continente africano. Pena que os deuses do futebol tenham sido cruéis com os africanos, desfalcando suas principais seleções de seus maiores astros. Costa do Marfim sem Drogba, Gana sem Essien, Nigéria sem Obi Mikel, restou apenas Eto´o em Camarões, já que a seleção anfitriã não possui nem craque de nível internacional. Ironia do destino, na Copa africana, pouca gente aposta em uma participação destacada de alguma seleção africana.
Amanhã, começa o Grupo A, o mais difícil, o mais nivelado. Não por baixo, nem por cima, talvez nivelado “no meio” – nenhuma seleção é completamente desprezível, nenhuma inspira confiança. Mesmo com a bolinha curta que vem mostrando, acho que a França ganha do Uruguai. Nos últimos dias, falou-se muito que a Celeste tem um time experiente que vai brigar por vaga nas oitavas, mas eu ainda lembro das Eliminatórias, então não posso acreditar que aquele mesmo time que penou para eliminar a Costa Rica vai ter melhorado muito. Confirmando-se a vitória francesa, o jogo de abertura entre África do Sul e México irá decidir o andamento da chave. Vencendo o México, os donos da casa enfrentarão um Uruguai desesperado e uma França provavelmente classificada, tendo assim chances de conseguir a sonhada classificação. Se o México ganha o jogo, pode enfrentar os franceses buscando um empate conveniente para ambos, para provavelmente enfrentar os uruguaios precisando de apenas outro empate. Se o jogo de abertura terminar empatado, todos estarão bem vivos na segunda rodada. Tudo isso, claro, confirmando-se a vitória francesa. Em resumo, acredito em favoritismo leve dos franceses, e acho que o México tem o segundo melhor time, mas a tabela numa seqüência complicada, podendo então ser eliminado pelos donos da casa. Para a Celeste, reservo o papel de zebra possível.
No Grupo B, acredito em classificação tranqüila da Argentina, vencendo seus 3 jogos. A briga pela segunda vaga é equilibrada. Os nigerianos tem contra si a provável derrota na estréia, que faz aumentar a pressão, além da falta do seu principal jogador. Além disso, não gostei deles na Copa Africana de Nações, e acho que eles ficarão mesmo pela primeira fase. Minha aposta para segundo é a Coréia do Sul, que vem se firmando como a maior força do futebol asiático. Para que eles avancem, no entanto, é fundamental uma vitória na estréia, já que enfrentam os argentinos na segunda rodada. A Grécia irá apostar na retranca e na força física, mas é a zebra do grupo.
O Grupo C deve classificar a Inglaterra em primeiro, e meu palpite é uma segunda vaga para a Eslovênia, por ter a vantagem de pegar os ingleses apenas na última rodada. Os Estados Unidos podem também brigar pela classificação, enquanto os argelinos devem ficar com a lanterna entre os africanos.
O Grupo D, que começa só no domingo, eu comento depois, junto com os demais.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Últimas do Turfe

Com a Copa do Mundo começando, deixarei o turfe em segundo plano. Já não comentei o Belmont Stakes, não mencionei os derbys francês e de Epsom (vitória espetacular de Workforce), e também não irei escrever sobre o reaparecimento de Rachel Alexandra, que ocorrerá no próximo sábado em Churchill Downs. Após ser injustamente eleita horse of the year 2009, ela fracassou nas duas atuações em 2010, e tenta apagar a impressão de castigo divino. Dizem que está tinindo, quebrando os relógios nas matinais, voltando ao seu melhor estado. Veremos no sábado...
No turfe nacional, a mesma tristeza. Elogiei aqui Too Friendly, o ganhador mais impressionante de uma prova de grupo 1 na semana do São Paulo.... foi pego no anti-doping. Mais uma triste mancha no turfe brasileiro, cada vez mais deprimente. O cavalo do Santa Maria de Araras não foi o único flagrado, a égua Ladyttore, terceira colocada no Osaf também "dançou". Com certeza, vários outros animais também tomaram substâncias proibidas e acabaram escapando por sorte, porque seus materiais coletados não foram sorteados para exame, ou por haverem tomado medicações mais modernas. O treinador Roberto Morgado Neto, aliás, a família Morgado, é ultrareincidente no assunto, como são também outros renomados profissionais que vivem eternamente no ciclo punição-usar nome de laranja-volta triunfal-punição... No caso específico dos Morgado, é laranjada em família: pai-filho-neto-filho-pai... Por sinal, se colocarmos no Google "Roberto Morgado Neto", a primeira notícia que aparece é "CC suspende Roberto...", datada de 28/12/2005, por medicação no cavalo Martino, também do Araras.
Chega por uns tempos, vou me concentrar na África do Sul.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Volta Triunfal de Luiz Duarte

O São Paulo 2010 foi de Luiz Duarte, de volta ao Brasil depois de vários anos montando no Sudeste Asiático. Ele levou três clássicos, incluindo as duas provas principais. Deve ter calado definitivamente a boca dos seus críticos cariocas, já que ganhou o páreo principal e a milha com cavalos de proprietários do Rio...
As provas de Grupo 1 começaram no sábado com a vitória de Que Milionária no Osaf, um páreo que “não tinha ganhador”. A pupila do Petrochinski agradeceu a grama leve, que a possibilitou correr desferrada para conquistar a maior vitória da sua campanha. Em segundo chegou Hostellerie, outra égua de 4 anos que até então não havia brilhado em provas de grupo. A favorita Top Note, largando pela baliza 18, fez esforço inicial para conseguir fazer a diagonal no final da reta oposta e sumiu na reta final.
No ABCPCC, a prova de velocidade, muito trabalho para a comissão de corridas, que teve que analisar por mais de 15 minutos a reta de frente para decidir o resultado final. Ganhou Jeton de Luxo, potro preparado no Paraná, que vinha de duas vitórias em ótimos tempos. Apanhando boa partida, livrou luz e foi levado para a cerca externa por Altair Domingos, vencendo com firmeza, mas gerando a reclamação de Gallian, o segundo na corrida, que largava pela última baliza. A comissão considerou (acertadamente) que o vencedor tinha luz quando cruzou a frente do seu adversário e confirmou a sua vitória. Gallian é que acabou desclassificado para quinto, já que no lance com o ganhador, acabou vindo para dentro e se chocando com Tick Tock, que acabou em quinto, apenas meio corpo atrás do segundo. Assim, a ordem de chegada oficial estabeleceu Jaguarão em segundo, Última Palavra em terceiro (eram os dois que estavam nas balizas internas, longe da confusão), e o reclamante Tick Tock em quarto, com Gallian fora da quadrifeta.
No domingo, o Juliano Martins teve a vitória de Xin Xu Lin, potro que tinha apenas uma atuação (vitoriosa) em março, em 1000 metros. Trazido para a milha, acompanhou em segundo o ritmo imposto por Armas e Flores para dominar bem na reta, possibilitando a segunda vitória de grupo 1 da carreira da aprendiz Jeane Alvez. O ponteiro acabou em quarto, suplantado por Uareoutlaw e Calling Elvis, dois dos mais cotados. Mais uma vitória, também, para Estanislau Petrochinski, único treinador de São Paulo a vencer provas de grupo na semana máxima paulista.
Na milha do Presidente da República, um passeio do favorito Too Friendly. O único trabalho do Duarte foi faze-lo sair, em menos de 200 metros de corrida, da incômoda baliza 18 para a cerca interna, dosando, a partir daí, o ritmo do pupilo do Santa Maria de Araras até o disco. Depois de vencer o Juliano Martins em 2009, Too Friendly leva seu segundo grupo 1 em Cidade Jardim, novamente de ponta a ponta.
No GP São Paulo, muita emoção na chegada e o mérito inegável de Luiz Duarte. Nos 300 finais, Rockwell dominou e parecia ter liquidado a fatura, quando Sal Grosso, que havia avançado sempre pelas balizas internas, foi arrancado pelo Duarte por fora do ponteiro para dominar e agüentar a carga violentíssima de Hong Kong e Moryba, que voavam baixo mais abertos. Cem metros antes da chegada, Sal Grosso estava perdendo, e provavelmente 30 metros depois teria entrado terceiro, mas no disco, quem levou foi ele, evidenciando o cálculo de percurso perfeito do Duarte. A vitória do bom potro do TNT, ganhador da primeira prova da tríplice coroa carioca e bem colocado nas outras duas, foi a sexta consecutiva de um animal de 3 anos no São Paulo, conseqüência natural do êxodo dos melhores cavalos para o Hemisfério Norte – que deve ser o destino de Sal Grosso no segundo semestre.A parte ruim da festa foi o movimento de apostas, de R$ 1.003.915, 6% abaixo do ano passado e 13% abaixo de 2008. Em valores nominais, foi o pior resultado dos últimos 8 anos. Se aplicarmos correção pelo IPCA nos números de anos anteriores, o movimento do São Paulo foi o pior da história, 76% abaixo do que se apostou em 1995, o melhor ano da história recente. Ou seja, se o turfe brasileiro não achar um novo caminho, tende a morrer aos poucos.

sábado, 15 de maio de 2010

Grandes Dias


É um fim de semana de grandes festas turfísticas. Por aqui, o GP São Paulo e seu festival de clássicos começando hoje, com os tradicionais GPs Osaf (éguas) e ABCPCC (velocidade). Nos Estados Unidos, a segunda prova da tríplice coroa.
O Preakness tem perdido progressivamente, como todo mundo vem comentando, seu brilho e qualidade técnica. Apenas duas semanas depois do Kentucky Derby (como sempre foi), ele acaba sendo cada vez mais apenas o passo intermediário do derby winner rumo à coroa, enfrentando um campo sempre mais vazio e menos qualificado do que o derrotado em Churchill Downs. Geralmente, o resultado do Preakness apenas alimenta a expectativa no Belmont Stakes, aí sim com fatos novos – distância maior, animais preparados apenas para a terceira prova, etc. Nos últimos 40 anos, 16 ganhadores do Derby repetiram na segunda prova, o que torna Super Saver óbvio favorito para hoje. Parece que apenas o azarado Lookin At Lucky e o tordilho Paddy O´Prado podem ser inimigos. Apenas três candidatos, panorama bem diferente do que escrevi semana retrasada.
Em São Paulo, o Osaf costuma ser bem equilibrado, e como eu já não acertava muito quando acompanhava de perto as corridas de Cidade Jardim, agora, que eu não tenho assistido muita coisa, fica difícil dar palpite. Entre as mais novas (são várias com chances), Top Note parece ser a melhor – vem de ganhar em 119´1. Entre as mais velhas, é bom respeitar Hope, que sempre chega.
No velocidade, Última Palavra busca o bi e Jaguarão tenta a desforra do ano passado, ambos largando lado a lado nas balizas internas. Bem por fora, larga o potro Gallian (foto), com sua espetacular ficha de 5 vitórias e um segundo nas seis apresentações da sua curta campanha. A dúvida é a grama, que ele encara pela primeira vez. Para mim, ele não vai estranhar e deve conquistar seu primeiro grupo 1.
Amanhã, comento o São Paulo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Caminho Mais Curto


Mais uma vez Calvin Borel, a terceira em quatro anos. De novo, pelo caminho mais curto, aproveitando tudo junto à cerca para liquidar a fatura na entrada da reta. O Kentucky Derby é de Super Saver, que havia perdido o Arkansas Derby no detalhe, mas chegou pronto na hora que importava. Mesmo considerando o péssimo estado da raia, o tempo foi fraco 124´4, quase dois segundos pior do que Mine That Bird marcou em condições semelhantes, no ano passado, e o pior tempo dos últimos 40 anos em pista sloppy. No fim das contas, parece ser uma geração nivelada, que dificilmente proporcionará um tríplice coroado.
Na segunda posição, chegou voando baixo Ice Box, o que mais corria no final. Pagou o preço de ter ficado exagerademente longe, na penúltima posição em quase todo o percurso. Anotem o nome dele para o Belmont Stakes, com reta mais longa e 400 metros a mais. Em terceiro, o tordilho Paddy O´Prado, perdendo a dupla no último pulo. Na quarta colocação, Make Music For Me, que mesmo corrido em último, fez a curva final quase na arquibancada do Churchill Downs. Não se ouviu falar em Stately Victor na carreira, Line Of David e American Lion figuraram apenas nos primeiros metros, e Sidney´s Candy acompanhou em segundo o trem movido por Conveyance, mas já demonstrava não ter mais nada a fazer na seta dos 1000 finais. Lookin At Lucky de novo sofreu grandes prejuízos, desta vez na partida, mas uma análise mais isenta obrigatoriamente tem que destacar que Ice Box estava do seu lado e sofreu praticamente a mesma coisa. Como diz um amigo meu, enquanto alguns terminam com o dinheiro, outros ficam com as histórias...
Em duas semanas, teremos o Preakness, com um campo menos numeroso, mas igualmente um páreo em aberto.

sábado, 1 de maio de 2010

Mais Uma Briga Pelas Rosas


Chegamos ao primeiro sábado de maio, dia do centenário Kentucky Derby. Assim como no ano passado, quando não tivemos Quality Road, a principal estrela acabou ficando de fora – Eskenderya, o impressionante ganhador do Wood Memorial, sofreu lesão no boleto e teve sua ausência anunciada na semana passada. Desta vez, ao contrário do que falei em 2009 (errando, como todo mundo, já que ninguém poderia prever a vitória de Mine That Bird), vejo muitos candidatos à vitória.
Quem mais me impressionou nas preparatórias foi Sidney´s Candy, fácil ganhador do Santa Anita Derby. Acredito que o ganhador do Kentucky Derby costuma ser um potro que vem evoluindo e chega em Churchill Downs no último furo, e este parece ser o caso de Sidney´s Candy (foto), que vem numa seqüência de três vitórias, correndo cada vez mais. Fala-se que o favorito deve ser o Eclipse Award winner Lookin At Lucky, muito prejudicado no derby californiano, quando finalizou em terceiro. Contra ele, a estatística contundentemente negativa de apenas um campeão juvenil ter vencido o Kentucky Derby nos últimos 30 anos (Street Sense, em 2007). Parece também que Lookin At Lucky é um potro azarado, sempre tendo algo contra nos grandes dias, vide a sua derrota na BC Juvenille (e a de Santa Anita também, é claro). Além disso, quem viu a sua última corrida é obrigado a concordar que naquele dia ele não venceria Sidney´s Candy, com ou sem prejuízos.
Além dos californianos, o leque de opções para hoje é bastante amplo. Entre os front runners, deveremos ter American Lion, firme ganhador do Illinois Derby, agüentando sempre os ataques do favorito Yawanna Twist. Outro que ganhou preparatória brigando contra tudo e contra todos foi Line Of David, que resistiu no Arkansas Derby aos ataques de Super Saver e Dublin, também inscritos hoje, para vencer por meia cabeça, depois de ter imprimido parciais fortes em todo o percurso.
No grupo dos atropeladores, estão o ganhador do Florida Derby, Ice Box, e o campeão do Louisiana Derby, Mission Impazible. Outro que arrematou correndo muito foi o surpreendente vencedor do Blue Grass Stakes (a preparatória de Churchill Downs), Stately Victor. Hoje, ele não deve pagar os mesmos 40/1, e terá muita chance de aproveitar a provável briga na frente.
Falam ainda da potranca Devil May Care, cujo sucesso eu duvido. Para uma fêmea derrotar os machos, tem que ser uma força dominante entre as do seu sexo, o que não é o caso de DMC. Acho que ela teria chance no Oaks de ontem, espetacularmente vencido por Blind Luck, a californiana que perdeu a BC Juvenille e o título de campeã juvenil, mas que veio se redimir em Churchill Downs com uma violenta atropelada. Hoje, o páreo deve ser mesmo dos machos. Difícil é saber qual deles.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Champions League na Reta Final


Hoje, com uma goleada fora de casa, o Bayern de Munique garantiu vaga na decisão da Champions League. Não vi os 3x0 sobre o Lyon, e assisti apenas pedaços do jogo de ida, mas mesmo com a ótima fase de Robben e Ribery, aposto que o campeão sai da semifinal de amanhã.
O Barcelona terá missão difícil: reverter os 3x1 que levou da Inter em Milão, quando José Mourinho deu um verdadeiro banho tático em Guardiola. No jogo de ida, a equipe espanhola não conseguiu jogar, amarrada pela fortíssima marcação dos milaneses. O Globo Esporte alardeou que “Lúcio botou Messi no bolso”, mas quem parou mesmo o argentino foi outro brasileiro, Tiago Motta, sempre auxiliado por Cambiasso. Não só o melhor do mundo, mas todo o Barça encontrou muita dificuldade para achar espaços. O time da Inter está correndo (e marcando) muito.
Guardiola ajudou quando resolveu, na metade do segundo tempo, sacar um apagado Ibrahimovic para colocar em campo o lateral Abidal, fazendo Messi ser o atacante mais centralizado. Se já estava difícil furar o bloqueio da Inter, piorou sem uma referência na grande área...Amanhã, aposto na eliminação do atual campeão, baseado principalmente no que vi na primeira semifinal, mas também no jogo de volta da Inter contra o Chelsea nas oitavas. Com apenas um gol de vantagem, os italianos conseguiram levar o jogo sem grandes sustos, mostrando grande capacidade defensiva. A diferença desta Inter atual para as equipes que tanto critiquei em anos anteriores é que o time de Mourinho defende bem, mas sabe atacar quando precisa. Sneijder tem jogado muito e sido o principal articulador da equipe, bem assessorado por Pandev. Os atacantes Milito e Eto´o também vivem boa fase e tem feito gols decisivos. O brasileiro Maicon (foto) também tem contribuído com gols importantes. É, enfim, um time completo, meu favorito ao título, mesmo com a grande pressão que sofrerá amanhã.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Campeão


Estou escrevendo este post atrasado, pois estou de férias no Estados Unidos, e o tempo tem sido curto.
O turfe brasileiro está em festa com a sua maior conquista em todos os tempos: Glória de Campeão levou a Dubai World Cup de forma sensacional, brigando com a polícia e resistindo até o disco para ganhar por toque de focinho o maior prêmio já obtido por um cavalo brasileiro (a vantagem fica clara na imagem do espelho, na parte de cima da foto ao lado). Foi uma vitória da ousadia somada ao bom planejamento. Sonhar grande é fundamental e dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno, mas o que diferencia os realizadores dos meros sonhadores é a capacidade de planejar passo a passo como chegar lá, executando o planejamento com disciplina e tendo autocrítica para corrigir rumos quando necessário.
O fato curioso da World Cup ficou por conta da comemoração do jóquei de Lizard's Desire, segundo colocado, focalizado pela tv durante quase dois minutos, até que o fotochart revelasse a pequena vantagem do cavalo brasileiro. Correram pouco o americano Gio Ponti e o francês Vision D'Etat.
Não consegui assisitir a maioria dos páreos, e consegui escapar do prejuízo graças ao horário de abertura do Turf. Como a agência ainda estava fechada, não joguei nos dois cavalos que achava as indicações mais firmes do festival. California Flag perdeu a Al Quoz Sprint no final, depois de pontear com folga. Desert Party fracassou inapelavelmente na Godolphin Mile, pagando o preço da fórmula longa inatividade + reaparecimento em páreo fraco + inscrição logo em seguida em páreo mais forte e distância maior.
A partir daí, o Turf abriu e consegui assistir dois páreos antes de tomar o rumo de outros compromissos. Coincidentemente, foram os únicos dois páreos que acertei no festival. No UAE Derby, deu a dobradinha de Mike De Kock, com a vitória do favorito Musir, secundado pela sua companheira Raihana. Na Golden Shaheen, venceu o americano Kinsale King, com Rocket Man em segundo. Achei muito ruim a condução dada ao representante de Singapura, que pulou bem, mas foi recolhido na metade da curva, ficando no bloco intermediário. Quando tentou buscar a vitória, encontrou tráfego e só conseguiu deslanchar nos últimos 100 metros, perdendo por meio corpo. O favorito Gayego mostrou mais uma vez que "não gosta de dinheiro", pois sempre decepciona nas grandes ocasiões.
Não assisti a Duty Free, vencida por Al Shemali, e só vi a Sheema Classic em replay. Na primeira, se confirmou a minha previsão de indicar cinco cavalos e não colocar nenhum no placê. Na segunda, venceu Dar Re Mi, mas também acho que houve uma má condução decisiva, a da japonesa Red Desire, segunda colocada. Com melhor percurso, teria vencido.
A festa se encerrou, então, com a comemoração brasileira. Parabéns a Stephan Friborg, proprietário corajoso, e a Tiago Josué Pereira, jóquei iniciado no Cristal, e que muitas vitórias já teve pela minha blusa.
Quando retornar ao Brasil, tento incluir o vídeo do páreo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dubai 2010


Muito já falei sobre o carnival de Dubai nos anos anteriores, então fica desnecessário explicar o que significa para o mundo do turfe. Este ano, duas novidades: um páreo a mais no programa, e as disputas no recém inaugurado hipódromo de Meydan, em pista sintética, ao invés da areia de Nad Al Sheba, o que muda bastante as principais provas. Além disso, shows de Santana e Elton John – os sheiks não tem limites quando o assunto é mostrar poder econômico.
O páreo “novidade” é o segundo, o Al Quoz Sprint, em 1200 grama, após a tradicional abertura com cavalos árabes. Todos sabem que gosto de favoritos, e aqui tem um que me agrada muito, o tordilho Califórnia Flag, fácil ganhador da Breeders Cup Turf Sprint, e depois quinto na Cathaway Pacific Hong Kong Sprint, a menos de dois corpos do ganhador. Tem a melhor ficha, e os americanos costumam dominar as provas de velocidade em Dubai. Só perde se estranhar muito alguma coisa (raia diferente, viagem, etc.).
Na Godolphin Mile, vou acreditar novamente em Desert Party, favoritão do UAE Derby do ano passado, que acabou perdendo para seu companheiro Regal Ransom. Depois disso, fracassou no Kentucky Derby e veio reaparecer apenas em 4/3, já em Meydan, ganhando páreo em 1200. Não é exatamente o planejamento de campanha que eu faria, voltar depois de dez meses em 1200, para ser inscrito 23 dias depois numa milha, em turma bem mais forte, mas acho que ele é bem superior à turma e ganha igual. Se perder, nunca mais leva o meu.
No UAE Derby, acho que a prova está entre 3 animais. Impossível não respeitar duas inscrições do sul-africano Mike De Kock, o favorito Musir, ganhador do UAE 2000 Guineas, e a potranca Raihana, ganhadora do Oaks, ambos originários do país da copa, mas já defendendo as cores de um membro da família Maktoum. A campanha na origem credencia mais o potro, ganhador de grupo 1 por lá, enquanto a potranca tinha campanha comum em seu país. O inimigo está em família, o invicto Mendip, da Godolphin, com vitória na estréia em Kempton Park e duas em Meydan. Irão participar também os brasileiros Oroveso e Uncle Tom, que tentarão colocações.
A Golden Shaheen costumava ser o paraíso dos americanos enquanto era corrida no dirt. No sintético, teremos um páreo duro, com três forças aparentes. Deve ser favorito o sempre esperado Gayego, quarto na BC Sprint em chegada incrível, mas que reapareceu em Meydan com um apenas razoável segundo lugar. De Santa Anita, vem Kinsale King, credenciado por duas vitórias recentes em provas de grupo, como grande rival. Impossível desprezar, também, Rocket Man, dono de oito vitórias (inclusive grupo 1) e um segundo em Singapura, sem escolher raia. Páreo duro.
A Dubai Duty Free, como sempre, é um dos páreos mais complicados do festival. Vou falar em cinco cavalos e tenho chance de não colocar nenhum nem no placê. Imbongi, cotado a 9/2, tem boa campanha na Inglaterra e parece adaptado à grama de Meydan. Good Ba Ba, criado pelo Santa Maria de Araras, ganhou em dezembro a HK Mile, e mesmo tendo corrido menos nas duas últimas e já sendo um cavalo de 8 anos, parece ser uma opção viável. Courageous Cat vem dos Estados Unidos com um segundo para ninguém menos que Goldikova na BC Mile. Alexandros, da Godolphin, já teve seus bons momentos em pistas inglesas. Presvis, favorito de 4/1, foi segundo para Gladiatorus na Duty Free passada, e também tem grande chance. Ou seja, prefiro não opinar.
Na Sheema Classic, o páreo de 2.400 metros, grama, outra pedreira. Reaparece o campeão do ano passado Eastern Anthem, depois de campanha produtiva na Alemanha, inclusive com segundo no Prix Von Baden. O seu escoltante em 2009 também está aqui – Spanish Moon, depois de perder por focinho a Sheema passada, ganhou duas de grupo na França, fez bom quarto na BC Turf e voltou a perder páreo incrível na HK Vase, novamente por focinho. O incansável Youmzain, pessimamente corrido no ano passado, volta com Kieren Fallon no dorso, uma melhora significativa em relação a Richard Hills, seu jóquei de várias “ensacadas”. É um cavalo que já entrou para a história do turfe, pelo simples fato de ter secundado Zarkava e Sea The Stars em dois Arcos memoráveis. Parece, entretanto, que ele não gosta de ganhar – sua última vitória foi junho de 2008. A Godolphin acredita aqui em Cavalryman, terceiro no Arco, muito próximo de Youmzain. Meu voto, no entanto, é para Presious Passion, que larga e prende o pé. Como todos os citados antes correm de trás, ele pode conseguir o que quase fez na BC Turf – largar e acabar (perdeu para Conduit por meio corpo).
Na World Cup (a foto acima é da taça), os americanos costumam dominar, mas a mudança para o sintético pode transformar tudo. Ainda me obrigo a indicar Gio Ponti, que após ter secundado Zenyatta na BC Classic, descansou e levou uma carreira para chegar em Dubai no último furo. Conseqüentemente, é preciso respeitar muito Twice Over, terceiro na mesma BC, e ganhador de grupo 1 na Inglaterra. Há muita fé em Gitano Hernando, com boas vitórias em hipódromos ingleses secundários e grupo 1 em Santa Anita. Vision D´Etat é outro de grande categoria – após fracassar no Arco, levou a HK Cup. Fala-se ainda na japonesa Red Desire, ganhadora do preparatório – se ela tem chance, não podemos esquecer do nosso guerreiro Glória de Campeão, alcançado por ela no último pulo...Enfim, acho que será um festival mais categorizado do que no ano passado – melhores cavalos, mais emoções.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Arbitragens - Mais Uma...

Esta notícia saiu no site da ESPN, colocando “em dúvida” uma partida do Campeonato Italiano:

“Apostas acima do normal para Chievo e Catania, que se enfrentaram nesse domingo pelo Campenato Italiano, geraram suspeitas sobre a partida. É o que publica nesta segunda-feira o jornal inglês 'The Sun'.
A casa de apostas britânica 'Betfair' percebeu que havia uma quantidade de negócios muito grande – 2 milhões de libras, ou mais de R$ 5 milhões - para uma partida que não envolvia nenhuma equipe de destaque e decidiu encerrar os palpites.
"A quantidade de dinheiro era incrivelmente alta para a posição que os times ocupam na tabela e, além disso, o jogo não foi sequer televisionado", explicou ao jornal um apostador profissional da Inglaterra. O Chievo é o 13° colocado do Calcio e o Catania é o 15°.
Um dos apostadores colocou 217 mil libras – cerca de R$ 580 mil - no empate por 1 a 1, justamente o placar final do confronto. O lance que gerou o gol de empate do Catania, que perdia até os 28 minutos do segundo tempo, aliás, é duvidoso.
O atacante Maxi López, ex-Grêmio, tropeça nas próprias pernas e o juiz dá pênalti. O próprio Maxi converteu a penalidade em gol. O técnico do Chievo, Domenico di Carlo, ainda reclamou de um "pênalti claro" não dado para seu time.
No final, sete portais se viram obrigados a retirar Chievo x Catania de seus quadros e devolver o dinheiro dos clientes. A Federação Italiana de Futebol já requisitou mais informações sobre o caso e deve investigá-lo.”


Vendo as imagens, não é preciso ser nenhum Sherlock Holmes para concluir algo elementar: o jogo estava arrumado para dar 1x1 e quebrar as bancas. Mas os bookies ingleses não tem nada de bobos, melaram as apostas e escaparam do prejuízo, que poderia superar os 10 milhões de libras (acertar um resultado exato, mesmo que seja um bastante normal, como 1x1, rende pelo menos seis vezes o valor apostado).
As apostas esportivas pela internet continuam crescendo, estimulando cada vez mais tentativas de armação. O futebol parece ser um dos “mercados” mais promissores para os manipuladores, visto que a influência do árbitro pode ser gigantesca em um resultado – é muito mais fácil “amolecer” uma pessoa do que um time inteiro. Na Itália, então, que já tivemos jogadores de seleção presos e clubes tradicionais sendo rebaixados por manipulação de resultados, nada parece surpreender...

quinta-feira, 18 de março de 2010

As Americanas e Uma Brasileira


As fêmeas dominaram o turfe americano em 2009, com Rachel Alexandra reinando soberana em sua geração (e também vencendo os machos de mais idade), e Zenyatta esmagando todos que apareceram em seu caminho, fechando o ano com a histórica vitória na Breeders Cup Classic. Rachel acabou eleita horse of the year, uma escolha injusta, já que ela fugiu do confronto máximo na BC. Os proprietários de Zenyatta arriscaram e foram campeões nas pistas, os de Rachel Alexandra “ficaram na moita” e foram aclamados pela crítica...
No fim de semana passado, as duas estrelas reapareceram, em hipódromos diferentes. Zenyatta manteve sua invencibilidade, conquistando uma fácil 15ª vitória. Rachel Alexandra acabou decepcionando e sendo derrotada pela brasileira Zardana (foto), colocando um ponto de interrogação ainda maior no seu Eclipse Award. Foi a primeira vez desde 1998 que o horse of the year perdeu em sua primeira atuação após o título – com a devida ressalva, é claro, de que a maioria não corre mais depois da consagração, pois vai para a reprodução.
O histórico feito da égua brasileira acontece no seu melhor momento nos Estados Unidos, após ela ter vencido um grupo 2 em dezembro passado. Zardana prova, assim, que tem muita categoria, e não apenas a precocidade que havia mostrado no Brasil. Rachel Alexandra passa a ter a continuidade de sua campanha posta em dúvida – seus responsáveis afirmam que não há previsão de quando ele voltará a correr. O duelo das máquinas parece cada vez mais distante de acontecer nas pistas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As Primeiras Coroas


Vi as provas de abertura das tríplices coroas cariocas, e fiquei com a impressão de que poderemos até ter uma potranca coroada, mas certamente não teremos um potro.
Nas fêmeas, venceu firme Dolly Max, em condução muito segura de Dalton Duarte. Para não sofrer percalços, ele colocou a ganhadora bem por fora já na entrada da reta, com caminho livre para arrancar para o disco de forma convincente. Foi a sua quarta vitória consecutiva, e a pergunta parece ser em relação a sua capacidade de continuar vencendo em distâncias maiores. Como seu pedigree inclui Roi Normand e St. Chad na linha baixa, acho que dá para ter esperanças. Dear Natti, que a secundou no Possolo, é a “chegadora” da geração, sempre bem colocada nos clássicos, mas até agora sem ameaçar uma grande vitória. Sua companheira de cocheiras Inchatillon, quinta colocada em carreira, elevada para a quarta colocação por uma reclamação, teve um percurso péssimo, totalmente encerrada em praticamente toda a reta. Como sua corrida não valeu, poderia ser a grande pedra no caminho da tríplice coroa, mas por ser uma filha de Inexplicable, tudo leva a crer que não gostará dos 2.000 metros. Ou seja, Dolly Max pode vir a ser tríplice coroada por falta de adversárias.
Nos machos, venceu em forte atropelada Sal Grosso (foto), do Stud TNT, que até então era ganhador de apenas uma corrida comum. A segunda prova promete fortes emoções, pois os escoltantes do ganhador tem motivos para acreditar em resultado diferente no próximo GP. Too Friendly, o segundo colocado, brilhante ganhador do Juliano Martins (G1) no ano passado, e que havia reaparecido de razoável inatividade em janeiro, teve tudo contra. Largou parado, virou a reta por dentro e com um verdadeiro paredão na sua frente, teve que ser arrancado praticamente para dentro da tribuna especial, e chegou voando, a meio corpo do ganhador. Vupt Vapt, o terceiro, e também já ganhador de grupo 1, teve a desvantagem de largar pela baliza 19, o que obrigou seu piloto a fazer a curva sempre por fora. Não se deve esquecer também Timeo, o quarto colocado, que já venceu grupo 1 em 2000 metros, e fez segundo no Derby Paulista, mostrando, portanto, que vai bem na distância. A tríplice coroa dos potros está, portanto, aberta a vários candidatos.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Voltando ao Turfe Brasileiro


Nos últimos seis meses, escrevi sobre o turfe brasileiro apenas duas vezes, ambas falando de doping. Resolvi voltar para “o lado bom da força” e falar sobre a tríplice coroa carioca, que começa hoje a sua versão feminina, com GP Henrique Possolo.
Nesta prova, costuma brilhar a estrela do Haras Santa Maria de Araras, que ganhou 10 das últimas 30 edições (uma delas, apenas como criador – Smile Jenny, no ano passado), mas, curiosamente, nunca conseguiu ter uma tríplice coroada. Esta honra coube apenas a três grandes éguas, Virginie e Be Fair, ambas do São José e Expedictus, e Indian Chris, do Mondesir. Na lista das ganhadoras, no entanto, há muitas outras grandes corredoras, como a ganhador do GP Brasil Anilité, e as ganhadoras do GP São Paulo Canzone e Bretagne, entre outras.
Hoje, parece que a taça vai ficar com as conexões Alvarenga, já que as favoritas são Inchatillon, do Stud Alvarenga, e Dolly Max, da Coudelaria Alvarenga Desejada, que chegaram escassamente separadas na preparatória, com vantagem para a última (foto acima). A principal inimiga parece ser Simply The Best, do TNT, terceira colocada na preparatória, mas que antes havia vencido duas provas de grupo 2 contra as mais velhas. Terá contra si a baliza em que larga, a 18, Além disso, suas grandes vitórias foram em 2400 metros, e hoje é apenas uma milha.
Estou curioso também com a corrida de Morena Matte, que vi vencer no dia do Brasil de forma impressionante, algo que ela repetiu na segunda atuação – somadas as diferenças, ela deixou os rivais a 38 corpos. O problema é que ela teve forte hemorragia na aparição seguinte, quando enfrentou os machos em um clássico. Não corre desde então (08/11), e estará, ainda, experimentando a grama pela primeira vez, sendo sua filiação toda voltada para a raia de areia – Shudanz em mãe Midnight Tiger. De qualquer modo, merece ser observada.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Egito, Mais Uma Vez


Terminou ontem a Copa Africana de Nações, com mais um título do Egito, o terceiro seguido, o sétimo da história. Na final, uma vitória por 1x0 contra Gana, com um gol aos 40 do segundo tempo, marcado por Gedo, que conseguiu a façanha de ser o artilheiro da competição, mesmo tendo começado todas as partidas no banco. Segundo todas as análises, o título egípcio foi merecido, já que foi a equipe que apresentou o melhor futebol do campeonato.
Na final, o Egito realmente procurou mais o gol, que acabou acontecendo justamente quando Gana crescia e vivia o seu melhor momento na partida. Por sinal, um golaço, uma grande tabelinha entre Gedo e Zidan, e uma conclusão de muita categoria do goleador.
Gana sai fortalecida da CAN 2010, tendo chegado à final mesmo com 7 desfalques, entre eles Essien, a estrela do time. Apresentou algo raro no futebol africano, muita disciplina tática. Só acho que o esquema era defensivo demais, muitas vezes deixando o atacante Gyan isolado na frente. Quando saía para jogar, Gana mostrava que tinha potencial para render mais. Na Copa do Mundo, vai brigar por classificação para a segunda fase.
A Costa do Marfim foi a grande decepção da CAN, não passando das quartas de final. Seu treinador, o bósnio Vahid Halilhodzic, saiu criticando a equipe pela “passividade nos momentos decisivos”, e fala em pedir demissão – dizem que ele está, na verdade, se antecipando à decisão da Federação de manda-lo embora. Precisará jogar bem mais para ter alguma chance na Copa.
Dos demais classificados para o mundial, não gostei. Camarões depende demais de Eto´o e tem uma defesa fraca, não acredito que avance na Copa. O time da Argélia é limitado, embora tenha eliminado os favoritos marfinenses, mas pegou chave difícil em junho. A Nigéria, vi pouco, então prefiro não cravar nenhum palpite. E o melhor time da competição não vai para a Copa...

domingo, 10 de janeiro de 2010

A Copa Africana


A Copa Africana de Nações começa hoje, em Angola, e já virou notícia pelo atentado terrorista contra a delegação de Togo, cujo ônibus foi metralhado por rebeldes separatistas do país anfitrião. O continente africano continua sendo palco de disputas milenares entre etnias, mas será, a partir das 17:00, palco de disputas esportivas de bom nível. Serão 15 seleções (Togo desistiu), com a presença de quase todos os classificados para a Copa do Mundo, já que a qualificação para a Copa Africana foi considerada pelo resultado dos grupos das eliminatórias do mundial. Além dos 5 ganhadores de vaga na África do Sul-2010, os segundos e terceiros dos cinco grupos disputam o torneio continental. Assim, não consegui descobrir se a África do Sul está fora do torneio africano porque perdeu a vaga no campo, ou porque não participou das eliminatórias, já que é o país sede do mundial.
O grupo A começa com o jogo de abertura entre a dona da casa Angola e Mali. É uma partida fundamental para o desfecho do grupo, o mais equilibrado do torneio. Os angolanos não têm um grande retrospecto na CAN, nunca tendo chegado além das quartas de final, mas na competição africana, o fator local costuma pesar. Além disso, possuem um grupo experiente, que conseguiu dois empates na última Copa do Mundo, só perdendo para Portugal por 1x0. Seus destaques são Flávio, aquele que fez gol no Inter no Mundial de Clubes de 2006, e hoje joga na Arábia Saudita, e Mantorras, há muitos anos jogando no Benfica. Mali tem um time fortíssimo no papel, com suas estrelas jogando em times de primeira linha da Europa – Diarra (Real Madrid), Keitá (Barcelona), Kanouté (Sevilha) e Sissoko (Juventus) são alguns exemplos, mas nunca conseguiu resultados relevantes. É o grande ponto de interrogação da CAN. Completam o grupo a Argélia, que já foi campeã em 1990 e estará no mundial, e a zebra Malawi, que chega à competição africana apenas pela segunda vez em 27 edições, trazendo um retrospecto de 5 derrotas nas últimas 6 partidas. Com 3 candidatos para duas vagas, esta chave é a que promete mais emoção.
O grupo B, com a desistência de Togo, ficou restrito a três equipes, e Burkina Fasso deve dançar, pois tem o time mais inexperiente, e pegou dois classificados para o mundial. Gana, que já ganhou quatro CANs, vem comandada por Essien, do Chelsea, mantendo a mesma base que chegou às oitavas no último mundial. Costa do Marfim tem o time mais badalado, com Drogba, Kalou e cia. No mundial da Alemanha, foi a única seleção a ter todos os 23 convocados atuando fora do seu país. A partir de amanhã, poderemos conferir nosso adversário na Copa.
O grupo C também tem duas forças destacadas. A Nigéria, que levou duas CANs e tem a tradição de ter se classificado para 4 das últimas 5 Copas do Mundo, e vem comandada por mais um jogador do Chelsea, Obi Mikel. O Egito é o maior ganhador da competição africana, com seis títulos, sendo atual bicampeão. Vem tentar uma reabilitação após ter perdido a vaga para Copa do Mundo para a rival Argélia em jogo extra. Completam o grupo o Moçambique, que nunca passou da primeira fase na CAN e tem um grupo em que a maioria dos jogadores (13) atua em equipes africanas, e Benin, que chega pela terceira vez à fase final da competição, e cujos jogadores, em sua maioria, atuam em equipes de pequeno porte da França.
No grupo D, o favoritismo é de Camarões, do artilheiro Eto´o. Na briga pelo seu quinto título, os camerunenses enfrentarão Gabão, que tem como maior destaque Cousin, do Hull City, da Inglaterra, na estréia. No outro jogo da chave, a tradicional Tunísia, que esteve nas três últimas Copas do Mundo, busca sua reabilitação, depois de perder a vaga para o Mundial da África e trocar de técnico. Seu adversário é o país com a história mais triste, a Zâmbia, que viu sua geração de ouro morrer em desastre de avião, em 93, vitimando 18 jogadores e a comissão técnica. Naquele ano, mesmo tendo que remontar o time, a equipe comandada pelo astro Kalusha Bwalya, autor de 3 dos 4 gols na histórica goleada sobre a Itália (nas Olimpíadas de 88), que não estava no fatídico vôo, chegou ao último jogo das eliminatórias precisando apenas de um empate contra o Marrocos fora de casa, mas acabou derrotada por 1x0. Diz a lenda que houve um pênalti claro não marcado para o time de Bwalya no finalzinho do jogo, mas o fato é que eles acabaram mesmo fora do mundial. Agora, possuem uma equipe menos talentosa, onde o mais conhecido é Christopher Katongo, que joga no Arminia Bielefeld, da Alemanha.
Os dois primeiros de cada chave avançam para as quartas de final, onde já deveremos ter cruzamentos “quentes”, e uma boa prévia das possibilidades africanas no Mundial.