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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mais Um Papelão


Hoje foi a vez da Itália. Ao contrário da França, sem crise, sem boicote dos jogadores, sem problemas internos. A Itália está fora da Copa por pura ruindade – não conseguiu ganhar um jogo sequer em um grupo que terminou com a Nova Zelândia invicta, a fraca Eslováquia classificada, e o mediano Paraguai em primeiro. Os dois finalistas da Copa anterior saem, então, na primeira fase, fato inédito na história dos mundiais.
A eliminação italiana teve drama, gol anulado, zagueiro eslovaco salvando em cima da linha (ou dentro do gol, ficou difícil definir com certeza), chegou a dar impressão que a Itália conseguiria o empate salvador, mas quando Kopunek recebeu na cara do goleiro uma bola vinda de arremesso lateral para fazer o terceiro gol da Eslováquia, o caixão italiano estava fechado. Nem time de várzea levaria um gol assim (parênteses necessário – que Copa desastrosa do Cannavaro, eleito o melhor jogador do mundo em 2006).Nos jogos da tarde, a Holanda confirmou tranquilamente o primeiro lugar do seu grupo, e o Japão me surpreendeu e passou bem pela Dinamarca. Ontem, também teve bastante emoção, com os Estados Unidos conseguindo uma justa classificação aos 45 do segundo, e a Sérvia furando o palpite de muitos estudiosos ao perder para a Austrália e deixar a vaga com Gana. Infelizmente, o trabalho me impediu de ver a rodada final da fase de grupos, onde houve emoção, pelo menos. Assisti muito jogo chato e não vi os mais emocionantes. Quem sabe nas oitavas tenho mais sorte.

sábado, 19 de junho de 2010

Primeiro Classificado, Primeiro Eliminado


O segundo sábado da Copa terminou com a primeira seleção matematicamente classificada para as oitavas, a Holanda, que hoje venceu o Japão jogando do mesmo jeito que na estréia: muita posse de bola (61% no total, 69% no primeiro tempo) e grande dificuldade de furar a retranca do adversário. Um chute com certo efeito de Sneijder e uma colaboração do goleiro japonês, 1x0 no placar, 100% de aproveitamento, defesa invicta, mas futebol que não impressionou, este é o resumo da seleção holandesa. O Japão, que eu ainda não tinha visto, me surpreendeu positivamente, e como vai jogar por um empate na última rodada, pode chegar nas oitavas.
No segundo jogo do dia, Gana saiu perdendo para a Austrália, empatou, ficando com um mais no lance do pênalti que originou o 1x1 (Kewell salvou com a mão em cima da linha), mas não teve força para virar, complicando sua situação. É curioso, mas é isso mesmo, o líder da chave se complicou – quem observou a reação dos jogadores no fim do jogo percebeu que eles saíram com a mesma sensação. O problema é que Gana enfrenta a Alemanha na última rodada, e mesmo a vantagem do empate não parece suficientemente reconfortante. Como a Sérvia enfrenta a Austrália, os africanos podem acabar fora, caso sejam derrotados pelos alemães.
O dia foi encerrado com um dos jogos mais movimentados da Copa até aqui. Dinamarca x Camarões teve os dois times tentando ganhar, e as duas defesas errando muito, receita perfeita para uma partida com muitas chances de gol. Camarões saiu na frente, com Eto´o aproveitando uma bola entregada pela defesa dinamarquesa, mas os europeus viraram em duas escapadas pela direita. Na primeira, em uma ligação direta da defesa, Rommedahl (foto) recebeu às costas do lateral e cruzou forte para Bentdner marcar. No segundo, o próprio Rommedahl resolveu ir para cima do marcador, cortou para o meio e bateu colocado para fazer 2x1. Camarões teve chances de empatar, o veterano Tomasson perdeu na cara do goleiro a oportunidade de ampliar, mas o resultado não mudou mais, e a primeira seleção eliminada é do continente africano. A Dinamarca vai precisar de nova vitória na última rodada, já que tem saldo inferior ao Japão.
Por enquanto, temos a Copa da marcação, e da maior parte das melhores seleções tendo imensas dificuldades de furar os bloqueios defensivos. Com apenas 49 gols em 26 jogos, a Copa 2010 tem, até aqui, a pior média da história, apenas 1,88 gols por partida.

domingo, 13 de junho de 2010

Bom e Mau Futebol

Foi um dia de extremos: dois jogos ruins e a melhor apresentação de uma seleção até aqui. Começou em um horroroso Argélia x Eslovênia, o pior jogo do mundial até aqui. Duas seleções sem qualidade e sem ambição, tentando trocar passes laterais e arricando pouquíssimo. Apenas uma chance clara no primeiro tempo, com o argelino Halliche subindo atrás do goleiro esloveno para cabecear para fora. No começo do segundo tempo, o treinador argelino Rabah Sadene, na tentativa de mudar o panorama do jogo, colocou em campo Ghezzal, atacante do Siena, mas a única coisa que ele conseguiu foi levar um cartão amarelo por puxar um defensor esloveno pela camisa, seguido do vermelho por dominar acintosamente com o braço um lançamento em sua direção. Deu pena ver a cara de frustração do treinador.
Mesmo com um mais, nada de pressão por parte da Eslovênia. Aos 36, porém, o meio Koren arriscou de fora da área e contou com a colaboração do goleiro argelino para fazer o único gol jogo, e foi só. Mesmo com 3 pontos já conquistados, a classificação eslovena não será fácil – os Estados Unidos parecem melhores. Na próxima rodada, os dois devem decidir a segunda vaga, e como os americanos empataram com a Inglaterra, a Eslovênia já não fica tão confortável empatando, pois poderia perder na última rodada para o English Team e ficar atrás dos EUA, já que eles devem vencer a Argélia.
Gana x Sérvia apresentou pouca emoção, mas um pouco mais de qualidade em relação ao primeiro jogo do dia. Os africanos foram aquilo que eu esperava: uma equipe bem organizada, de força física e saída rápida para o contrataque. Os sérvios não foram absolutamente nada do que se falava – lentos, conformados com o empate em 0x0, não pareciam ter nenhuma vondade de sair da letargia. Também perderam um jogador em expulsão boba quando Lukovic levou seu segundo amarelo, mas a bobagem maior veio quando Kuzmanovic subiu com os dois braços abertos, errou a cabeçada e colocou a mão na bola. Pênalti aos 40 do segundo tempo, bem batido pelo bom atacante Gyan, que ainda chutaria uma trave (já havia cabeceado outra) no finalzinho. A vitória de Gana premiou a iniciativa, encaminhando a seleção africana às oitavas.
Mais tarde, a grande surpresa. Não a vitória alemã, que seria lógica, mas o futebol apresentado. Uma Alemanha veloz e objetiva, trocando passes na direção do gol, pressionando o tempo inteiro, chegando à primeira goleada da Copa. Armada numa espécie de 4-2-3-1, onde o lateral direito Lahm sai bastante e o esquerdo Badstuber fica mais fixo, a equipe de Joachim Low construiu pela direita sua vitória parcial de 2x0, com os avanços de Lahm se juntando a Muller, o mais aberto da linha de três meias, e com substancial ajuda de Ozil, um habilidoso canhoto que eu até então não conhecia. Por ali, saíram os cruzamentos para Podolksi (jogando bem aberto pela esquerda) e Klose (foto) marcarem. No segundo tempo, com um a mais (Cahill foi expulso direto aos 11), os alemães continuaram acelerando o jogo e chegaram à goleada, com Muller e Cacau, que entrou no lugar de Klose. Mais do que os argentinos, os alemães mostraram muito jogo coletivo, e serão candidatos ao título.
O senão da partida foi o juiz. O mexicano Marco Rodriguez não influenciou no resultado, mas nos dois lances mais discutíveis, interpretou em favor da camisa mais pesada. Não marcou pênalti em lance de bola na mão do zagüeiro Mertesacker, que estava com o braço mais ou menos colado no corpo. Depois, expulsou Cahill, que não tinha nem amarelo, ao dar carrinho por trás. Talvez por arrependimento, deixou de expulsar Valeri, este sim já amarelado e que também entrou duro por trás – preferiu não deixar a batida Austrália com nove. Importante destacar que os bandeirinhas foram muito bem, dando acertadamente condições a vários ataques alemães muito reclamados, mas em que não existia impedimento.
Amanhã, a curiosidade é pela estréia de Holanda e Itália. No grupo E, acredito em classificação tranqüila dos laranjas, e uma briga entre Dinamarca e Camarões pela segunda vaga. Mais uma vez, vou usar a teoria da tabela para apostar no time de Eto´o, que pode sair da primeira rodada já com 3 pontos. No Grupo F, acho que dá dobradinha européia, Itália e Eslováquia. O Paraguai deve sentir a falta de Cabañas.

O Grupo D


Apenas para deixar registrada minha opinião antes dos jogos de amanhã (ou de hoje, pois já passou da meia noite): o grupo da Alemanha é, para mim, uma das incógnitas desta Copa. Claro que espero a classificação dos alemães em primeiro, da forma habitual, jogando um futebol mecânico, por vezes eficiente, com a camiseta pesando na hora que for preciso. A dúvida é sobre a segunda vaga. Fala-se muito na Sérvia, a “surpresa dos malandros” – todo mundo que acredita estar melhor informado aponta a seleção do Leste Europeu como uma das que vão assustar os favoritos – mas tenho minhas dúvidas. Fizeram ótima Eliminatória? Claro, mas na chave da França, que até agora não mostrou nada...
Eu apostava em Gana, que vi fazer boas partidas na Copa Africana, no início do ano, sem a presença de Essien (foto), machucado. Como eu achava que o craque do Chelsea estaria recuperado para o mundial, esperava uma equipe ainda mais forte para a Copa, mas Essien acabou ficando de fora. Mesmo assim, aposto em uma seleção de Gana bem armada, capaz de jogar mais fechadinha, explorando os contrataques com os experientes Amoah e Gyan. Pode ser a “espada” dos africanos neste mundial.
Não dá para esquecer, também, a Austrália, que no mundial passado ficou com o segundo lugar na chave do Brasil, eliminando a Croácia. Tem jogadores rodados, atuando nos principais campeonatos europeus, e fez bons amistosos pré-copa, mesmo que isso não seja a melhor das referências.Resumindo, Alemanha em primeiro, qualquer um em segundo. Indo contra a opinião geral, acho que a Sérvia vai decepcionar.