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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espanha Campeã



Acabou ganhando a favorita. A Espanha, favorita dos sites de apostas, favorita da crônica, jogou melhor e foi conseguir seu gol do título no finalzinho da prorrogação. Iniesta, coroando sua grande Copa do Mundo, marcou o gol histórico.
Foi uma final de muitas faltas e alguma violência (a voadora de De Jong, na foto abaixo, mereceu só amarelo) dos holandeses, tolerada pelo fraquíssimo inglês Howard Webb – em uma Copa de arbitragens ruins, a final acabou não sendo diferente. Foi uma final que não desempatou a briga pela artilharia, com David Villa apagado e Sneijder tendo um ou dois lampejos de craque, e só. Foi uma final em que o técnico holandês mudou mal, tirando o amarelado De Jong para colocar Van der Vaart, abrindo seu meio de campo e passando a oferecer uma chance atrás da outra para os espanhóis, enquanto Vicente Del Bosque mexeu bem, colocando Navas no lugar de um apagado Pedro, e assim ganhando mais efetividade pela ponta, e Fábregas no lugar de Xabi Alonso, também com acréscimo de qualidade.
Foi, enfim, uma vitória merecida dos espanhóis, embora Robben tenha perdido uma chance incrível de consumar o “crime” no segundo tempo. Ganhou a seleção que cresceu na hora certa, que não levou nenhum gol na fase de mata-mata, que sempre teve mais posse de bola e mais finalizações do que seus adversários. Ganhou o melhor.

domingo, 11 de julho de 2010

Um Campeão Inédito


Ao contrário das minhas previsões, a Copa do Mundo 2010 coroará um campeão inédito. A Holanda, que passou pela semifinal sem jogar uma grande partida, tem a sua terceira chance de consagração. A Espanha, que dominou amplamente a badalada Alemanha na outra semi, chega pela primeira vez.
O time holandês fez, até aqui, uma Copa baseada na solidez defensiva, com o bom goleiro Stekelenburg protegido por uma defesa forte fisicamente e por dois volantes que marcam duro – Van Bommel, aliás, parece ter um “salvo conduto” dos juízes para bater e não levar cartão, na liberdade para Sneijder criar e no jogo pelas pontas, com Robben aberto na direita e Kuyt na esquerda. Acredito em uma Holanda mais recuada, esperando no seu campo para tentar sair no contrataque. O título holandês dependerá muito da atuação de Wesley Sneijder.
A Espanha, que até então vinha ganhando sem convencer plenamente, fez uma grande semifinal contra os alemães. A entrada de Pedro no lugar de Fernando Torres deu mais velocidade e mais opção pelo flanco ao time espanhol, que venceu a Alemanha também no duelo psicológico. Ao começar o jogo partindo para cima, os espanhóis assustaram os alemães, que recuaram demais e não conseguiram sair no contrataque com a mesma desenvoltura dos jogos anteriores. Talvez pelo peso da decisão, a Alemanha errou muitos passes, Ozil pouco apareceu e o suspenso Thomas Muller fez muita falta. Os espanhóis ficaram sempre com a bola, criaram várias oportunidades, mas acabaram ganhando em lance de bola parada. Puyol, por sinal, fez grande partida, não apenas pelo gol decisivo. Imagino uma Espanha comandando as ações, liderada por Iniesta, que tem sido o grande craque da Fúria até aqui. David Villa é o artilheiro decisivo, também fundamental, mas o meia do Barcelona é o grande articulador da equipe de Vicente Del Bosque. Bem assessorado por Xavi e Xabi Alonso, e protegido por Busquets, que fica mais fixo na frente da zaga, é Iniesta tem criado as ações ofensivas da Espanha. Na parte de trás, um Casillas muito firme, dois laterais voluntariosos e dois zagueiros que não me inspiram confiança.
No balanço geral, acho que a Espanha vai finalmente cravar o seu nome no grupo das potenciais mundiais (em seleções, pois seus clubes já estão na elite mundial há muito tempo). O polvo Paul também acha, e tem acertado tudo até aqui.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Alemanha x Espanha

Um time objetivo, que chega ao gol adversário em poucos passes. Um adversário que procura valorizar a posse de bola.
Uma Alemanha que chegou pouco comentada, mas que parece ter sido muito bem montada, sendo a melhor definição do termo “equipe” na Copa. Uma Espanha que chegou badalada, mas até agora não impressionou – mesmo assim, continua sendo a favorita de alguns sites de apostas. Os alemães sentirão falta de Thomas Muller, suspenso por um cartão amarelo injusto. Os espanhóis ainda esperam por Fernando Torres, enquanto Villa vai respondendo por quase todos os gols do time. Acho que o campeão do mundo sai da semifinal de quarta. Aposto nos alemães.

domingo, 4 de julho de 2010

Cruel Emoção


Uruguai e Gana podem não ter equipes capazes de ganhar a Copa, mas fizeram ontem um jogo de grandes emoções. Nos 90 minutos, períodos de domínio para os dois lados, um gol de Gana (Muntari) em falha do goleiro Muslera, o empate uruguaio em falta cobrada por Forlan, sempre ele. Na prorrogação, os africanos, com maior preparo físico, passaram a dominar os extenuados uruguaios e pareciam mais perto da vitória, até que veio, no último minuto, o momento crucial, um bate-rebate na pequena área uruguaia, em que o centroavante Suarez salvou duas vezes, a primeira com o pé, a segunda com as mãos. Pênalti no último lance, a chance de Gyan marcar mais uma vez e colocar o continente africano em uma inédita semifinal. O herói de Gana, no entanto, não mostrou a mesma calma dos outros pênaltis que cobrou. Desta vez, ele bateu forte e alto, ao contrário das suas cobranças anteriores, quando esperou a movimentação dos goleiros adversários e colocou nos cantos opostos. Bola na trave, fim da prorrogação, decisão por pênaltis.
Obviamente, o momento psicológico passou a ser totalmente uruguaio. Gyan ainda converteu o seu, mas o capitão Mensah e Adyiah perderam. Loco Abreu bateu com a sua tradicional cavadinha e colocou a Celeste em uma semifinal depois de 40 anos. Deu pena ver o choro dos africanos, que fizeram uma Copa consistente e poderiam entrar para a história. Com Gyan, que vinha sendo fundamental para Gana, o destino foi especialmente cruel.
Agora, o Uruguai terá missão difícil contra a Holanda, principalmente pelos desfalques certos de Fucile (que seria o marcador do Robben) e Suarez, além da provável ausência de Lugano. A Celeste tem, até aqui, uma defesa sólida, protegida por dois bons volantes (Arevalo e Perez), e dois atacantes decisivos, Forlan e Suarez, mas carece de criatividade no meio campo. Se conseguir anular Sneijder, pode tentar um crime no contrataque.

sábado, 3 de julho de 2010

Hora do Adeus


Depois de fazer um belo primeiro tempo, o Brasil entrou em tilt na segunda etapa e permitiu a virada holandesa, fato raro no histórico brasileiro em mundiais (havia acontecido apenas duas vezes – Uruguai em 50, Noruega em 98).
No começo, tudo parecia estar sob controle. Michel Bastos, com a permanente ajuda de Felipe Melo, surpreendentemente anulava Robben. Sneijder, atuando próximo da área brasileira, era bem marcado pelos volantes, principalmente por Gilberto Silva. A seleção brasileira estava “encaixada”, e a Holanda não conseguia achar uma solução. Robinho já havia feito o primeiro, em grande passe de Felipe Melo. Kaká e Maicon quase haviam ampliado.
Veio a segunda etapa, e Bert Van Marwijk fez o que se espera de um treinador: enxergou os defeitos do seu time e mudou. Adiantando a marcação e com Sneijder vindo buscar o jogo no círculo central (e assim passando a ter liberdade), o sinal de alerta estava claro: a Holanda voltava diferente. Aos 8, a falha de Julio César e o empate desestabilizaram emocionalmente o Brasil. Robben passou a ter o auxílio de Van Persie, menos fincado na área, e do lateral Van Der Wiel, que passou a se soltar mais. Como Michel Bastos já tinha levado um amarelo injusto, a coisa começou a se complicar pelo lado esquerdo da defesa brasileira. Com a entrada de Gilberto para evitar a expulsão eminente do lateral esquerdo, a coisa piorou. O segundo gol, aos 22, veio de um escanteio onde a zaga brasileira, supostamente o melhor setor do time, sofreu um apagão. A expulsão de Felipe Melo foi a pá de cal em um jogo que já se mostrava perdido.
A velha mania brasileira de eleger um culpado nas derrotas em Copas aflorou rapidamente, e sobrou para Dunga e Felipe Melo. É muito simplista depositar todo o peso nos ombros desses dois, já que até o goleiro, tido como o melhor do mundo, falhou na hora da verdade. Jogadores importantes renderam pouco contra os holandeses. O treinador pagou, sim, pela teimosa insistência em fechar o seu grupo, convocando apenas os seus seguidores leais. As críticas que pipocavam em todos os meios de imprensa se mostraram proféticas: na hora da verdade, não havia um substituto para Kaká, no caso de ele não estar 100%. Os dois jogadores que Dunga levou para a lateral esquerda já não atuavam por ali há tempos, e o fracasso do Gilberto foi a prova cabal disso. Supostamente, pelo menos segundo Dunga, Grafite seria o atacante alto e forte para a opção de bola aérea no momento do desespero, mas nem o próprio comandante brasileiro acreditou na sua escolha, preferindo fazer apenas mais uma substituição, a entrada do Nilmar. O resumo é que o “grupo fechado” chegou exatamente na mesma fase que a “falta de compromisso” de 2006.
Não se ganha Copa do Mundo só com união e motivação.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Hora da Verdade

Chegou a hora da verdade para Dunga. Se ganhar amanhã, embala rumo ao título – não que seja garantido que vai levar, mas ganha moral para chegar como força em uma final.
Se perder, a grande maioria dos jornalistas e torcedores vai descer o pau, lembrar da ausência do Ganso, do Neymar, do Ronaldinho Gaúcho, periga lembrarem até do Ronalducho...
Vai ser um jogo duro. Em 94, tínhamos o jogo na mão, sofremos o empate em duas indecisões do Taffarel, e o Branco tirou um coelho da cartola. Em 98, quem tem alguma memória deve lembrar do horror que foi o primeiro tempo, com os holandeses sempre com a bola no pé – naquele tempo não havia estatística de posse de bola – e o Brasil dentro da sua intermediária até fazer o gol no início do segundo tempo. Depois, o empate deles no finalzinho, a prorrogação com chances incríveis de lado a lado e o Taffarel defendendo os pênaltis – grande vitória, grandes atuações individuais do Ronaldo e do Rivaldo. Apostei forte que a Copa não terá um campeão inédito, e uma vitória do Brasil praticamente decide a minha aposta amanhã.
Acredito na vitória, e acho que a grande questão tática será como marcar Robben, e não vai ser o Michel Bastos que vai conseguir. Grudar alguém no Sneijder até não é tão difícil, o problema é equacionar o lado esquerdo da nossa defesa. Por outro lado (literalmente), o Brasil tem mais força ofensiva pela direita, com Maicon, Elano (até então, pois agora vai ser Daniel Alves amanhã, e talvez Ramires no fim) e ajuda do Robinho. Parece, observando de véspera, que é mais natural e tranqüila a marcação da Holanda sobre o Brasil do que ao contrário. Então, Dunga vai ter que mostrar que é mais do que um aglutinador do grupo. É a hora da verdade.

domingo, 27 de junho de 2010

Vergonha Recorrente

A Copa 2010 começou a mostrar uma cara diferente: melhores jogos, mais emoções, e arbitragens vergonhosas, possivelmente mudando o destino do mundial.
No sábado, não consegui assistir Uruguai x Coréia do Sul na íntegra, mas a qualidade celeste acabou prevalecendo na hora da definição. Suarez fez um golaço que colocou os uruguaios nas quartas, algo que não acontecia desde 1970. A Coréia do Sul poderia ter incomodado mais, não fosse a má pontaria de seus atacantes.
No jogo da tarde, Gana eliminou os Estados Unidos aproveitando os erros dos americanos. No lance do primeiro gol, o volante Clark perdeu a bola, armando o contrataque dos africanos e sendo crucificado com uma substituição ainda no primeiro tempo, mas o que ninguém comentou foi que a bola foi passada “na fogueira” pelo filho do treinador. Prince Boateng, o mesmo que tirou Ballack da Copa, colocou Gana em vantagem. Logo no início da prorrogação, o bom atacante Gyan aproveitou um balão da sua defesa para ganhar no corpo e na velocidade da zaga americana e encher o pé para classificar Gana para uma inédita participação nas quartas de final. Como eu falei aqui em outras oportunidades, Gana é um time certinho, disciplinado taticamente, que sabe se fechar. Gyan é um ótimo atacante que tem enfrentado bem o problema de ficar muito isolado. Não gosto muito da zaga de Gana, os elogiados John e Jonathan Mensah são limitados tecnicamente, apesar de serem fortes e rápidos. O goleiro Kingson, que ontem fez boa partida, já entregou um gol contra a Austrália, não merecendo confiança. No meio de campo, que sente a falta de Essien, me agrada o volante Annan, que está longe de ser craque, mas marca bem e sempre garante uma saída de bola com qualidade. Uruguai x Gana vai ser um duelo interessante – ainda acho que a experiência dos uruguaios vai prevalecer.
Nos jogos de hoje, a Fifa merece toda a responsabilidade pela vergonha dos erros de arbitragem. Os velhos caquéticos da International Board continuam resistentes ao uso de tecnologia como auxílio nas arbitragens, então a Copa do Mundo reflete o que acontece nos campeonatos ao redor do mundo: juizes, bons ou ruins, errando como qualquer ser humano, e prejudicando clubes e seleções, alterando drasticamente o destino de inúmeras competições. Por sinal, o que esperar de um órgão que garante cadeira cativa para os representantes da Inglaterra (a única Copa que ganhou foi em casa), Escócia (só pode ganhar campeonato de uísque), Irlanda e Pais de Gales!
Hoje, um ótimo Alemanha x Inglaterra ficou manchado pelo gol de Lampard não confirmado (na foto, a brincadeira com a linha que recua), no momento que os ingleses, que até então levavam um banho da Alemanha, haviam descontado e podiam empatar, mudando todo o aspecto psicológico da partida. Indo para o intervalo com a vantagem no placar, os alemães exploraram o contrataque no segundo tempo para chegar à goleada histórica. Volto a dizer, é a seleção que tem jogado o melhor futebol coletivo, e fará um jogo duríssimo contra os argentinos.
Os hermanos também foram beneficiados pelo juiz, o italiano Roberto Rosetti (foto). Após Tevez marcar o primeiro gol completamente impedido e sair para comemorar, tivemos a cena mais patética desta Copa, e possivelmente a pior de todas as Copas envolvendo arbitragem. O bandeirinha, após ver no telão do estádio (como comprovou a filmagem da ESPN Brasil) o seu erro grotesco, chamou o juiz e informou a pataquada que tinha feito, mas Rosetti resolveu confirmar a injustiça – se volta atrás com auxílio da tecnologia, provavelmente nunca mais apita nenhum jogo importante pela Fifa. A partir do 1x0, a Argentina dominou, ampliou, tomou pressão do México e venceu por 3x1. Hoje, concordei com PVC quando ele afirmou que os argentinos ainda não acertaram um time, tendo, na verdade, um conjunto de ótimos jogadores. Coletivamente, a seleção Argentina ainda tem defeitos, mas quem tem Messi e cia continua candidato, obviamente.
Amanhã, espero uma moleza para o Brasil, e tenho curiosidade na atuação da Holanda. No fim das contas, vai ser mais um Brasil x Holanda decisivo.

sábado, 26 de junho de 2010

Mudança no Mapa


Com o Chile confirmando sua classificação (foto), o mapa da Copa acabou definido com a pior participação européia desde que o mundial tem oitavas de final. A partir de 1986, sempre tivemos 10 seleções européias entre os 16 melhores, com a única exceção em 2002, quando 9 seleções do Velho Continente chegaram lá. Desta vez, serão só 7, um recorde negativo.
O destaque positivo é para o continente americano, com inéditos 5 classificados da América do Sul (o máximo, até então, havia sido 4), além do México e dos Estados Unidos. Os africanos mantiveram a tradição de sempre ter um (e sempre apenas um) representante nas oitavas, enquanto os asiáticos também igualaram seu recorde de 2002 ao colocar Japão e Coréia do Sul no mata-mata – só que desta vez eles não estavam jogando em casa.
Já escrevo sabendo que o Uruguai está nas quartas, mas mesmo antes já imaginava nossos vizinhos com caminho aberto até a semi – eles agora pegarão Gana ou Estados Unidos na próxima fase. Quando chegarem lá, devem encarar Brasil ou Holanda.
Do outro lado da chave, Argentina, Alemanha e Inglaterra ficaram no mesmo bloco, enquanto Espanha e Portugal fazem o duelo que deve estabelecer um semifinalista, já que Paraguai e Japão, que fazem a outra disputa das oitavas, devem parar mesmo nas quartas.
Embora pouco provável, a Copa 2010 pode ter uma fase semifinal totalmente sulamericana.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mais Um Papelão


Hoje foi a vez da Itália. Ao contrário da França, sem crise, sem boicote dos jogadores, sem problemas internos. A Itália está fora da Copa por pura ruindade – não conseguiu ganhar um jogo sequer em um grupo que terminou com a Nova Zelândia invicta, a fraca Eslováquia classificada, e o mediano Paraguai em primeiro. Os dois finalistas da Copa anterior saem, então, na primeira fase, fato inédito na história dos mundiais.
A eliminação italiana teve drama, gol anulado, zagueiro eslovaco salvando em cima da linha (ou dentro do gol, ficou difícil definir com certeza), chegou a dar impressão que a Itália conseguiria o empate salvador, mas quando Kopunek recebeu na cara do goleiro uma bola vinda de arremesso lateral para fazer o terceiro gol da Eslováquia, o caixão italiano estava fechado. Nem time de várzea levaria um gol assim (parênteses necessário – que Copa desastrosa do Cannavaro, eleito o melhor jogador do mundo em 2006).Nos jogos da tarde, a Holanda confirmou tranquilamente o primeiro lugar do seu grupo, e o Japão me surpreendeu e passou bem pela Dinamarca. Ontem, também teve bastante emoção, com os Estados Unidos conseguindo uma justa classificação aos 45 do segundo, e a Sérvia furando o palpite de muitos estudiosos ao perder para a Austrália e deixar a vaga com Gana. Infelizmente, o trabalho me impediu de ver a rodada final da fase de grupos, onde houve emoção, pelo menos. Assisti muito jogo chato e não vi os mais emocionantes. Quem sabe nas oitavas tenho mais sorte.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Confirmações, com Alguma Emoção


Hoje, tudo mais ou menos dentro do esperado. Uruguai e México, sabendo que mesmo uma derrota dificilmente eliminaria o perdedor, lutaram pelo primeiro lugar da chave - o "jogo de compadres" temido por muitos não aconteceu. A emoção apareceu no grupo A quando a África do Sul abriu 2x0 na França e ficou com um jogador a mais. No intervalo dos jogos, com a vitória parcial do Uruguai, bastava que mais dois gols aparecessem para o time de Parreira chegar às oitavas. Só que o gol saiu para o lado errado. Malouda fez o único gol francês na Copa, esfriando o ímpeto e selando a eliminação dos Bafana Bafana. Uruguai em primeiro de forma justa, México em segundo "arranhando", África do Sul confirmando as palavras proféticas do Galvão Bueno no jogo de abertura, lamentando muito a bola na trave do Mphela contra os mexicanos. A França, para encerrar a sucessão de papelões, ainda teve a patética recusa de Domenech em cumprimentar Parreira no fim do jogo (foto).
No Grupo B, os argentinos pouparam jogadores e voltaram a vencer. Ainda sem o gol de Messi, o craque da Copa até aqui. Coréia do Sul e Nigéria fizeram um jogo de reviravoltas, e os coreanos aguentaram a pressão final e ficaram com a vaga. Os nigerianos, talvez os representantes africanos com mais chances na última rodada, ficaram de fora - quem perde as chances que eles perderam, não pode reclamar. O lance do Yakubu desviando sem goleiro para fora vai entrar naquelas coletâneas tipo Fifa Fever, com certeza.
Nos próximos cruzamentos, acredito em vitórias tranquilas (dentro do possível para uma fase de mata-mata) de Argentina e Uruguai. Coréia do Sul e México já foram longe demais.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Copa América



A Copa do Mundo virou Copa América. O sulamericanos estão invictos e mandando nos seus grupos, e apenas o Chile, apesar de ser líder da chave, corre risco concreto de ficar fora das oitavas. No domingo, enquanto a Itália amargava um histórico empate com a Nova Zelândia, o Paraguai vencia a fraquíssima Eslováquia. Com quatro pontos e pegando a Nova Zelândia no último jogo, os paraguaios devem confirmar o primeiro lugar da chave e um confronto com Dinamarca ou Japão nas oitavas.
O domingo teve também a boa vitória do Brasil, que mandou no jogo depois que Luis Fabiano fez o primeiro – até então, o jogo estava enrolado. O time do Dunga é pragmático, faz o que precisa fazer para ganhar dos adversários que está pegando. Vamos ver quando enfrentar equipes melhores...
O maior fiasco dominical não foi italiano, mas francês. Enquanto a delegação trocava xingamentos e os jogadores se negavam a treinar, o juiz Stephane Lannoy fazia uma arbitragem condescendente com a violência da Costa do Marfim até ter um súbito acesso de rigor e expulsar o Kaká. Piada.
Hoje, o dia começou com o massacre português em cima da Coréia do Norte. Não dá para comparar com Brasil x Coréia, porque a postura coreana foi bem diferente hoje. No segundo tempo, eles simplesmente resolver jogar uma pelada, atacando com 6 ou 7, desguarnecendo assustadoramente a retaguarda e atingindo a história marca de apenas 3 faltas cometidas em 90 minutos. Com inúmeras oportunidades de contratacar com 3 contra 3, 2 contra 2 e por aí vai, e consciente da importância de fazer saldo para encaminhar a classificação, Portugal chegou fácil aos 7x0.
A festa sulamericana continuou com a vitória do Chile sobre a Suíça. Depois de muito insistir contra um time com dez homens que só tentava agüentar o 0x0, os chilenos chegaram ao gol apenas aos 29 do segundo, com Gonzales. Prêmio para a equipe que jogou pra ganhar, mas um jogo com influência direta de Khalil Al Ghamdi, o juiz saudita. Ele expulsou corretamente Behrami, o suíço que no mesmo lance atingiu dois jogadores chilenos com “braçadas”, ao tentar proteger a bola. Quando o segundo movimento acertou o rosto de Vidal, Al Ghamdi puxou o vermelho. O problema é que ele não usou o mesmo critério quando o chileno Medel deu um tapa no rosto de um suíço no empurra-empurra de um escanteio. Para a Suíça, vermelho; para o Chile, apenas amarelo. Além disso, o gol chileno começou em lance que tinha impedimento de Paredes – ele entrou sozinho, driblou o goleiro e cruzou para a cabeçada de Gonzáles, definindo o jogo.
De novo, o Chile perdeu muitas chances, gols que podem fazer falta no saldo, critério que pode definir o grupo. Com as duas vitórias magras, os chilenos só ficam tranqüilos se pelo menos empatarem com a Espanha na última rodada. Ou seja, se não garantirem o primeiro lugar, tem boas chances de ficarem também sem o segundo.
O dia terminou com a tranqüila vitória da Espanha sobre Honduras. 2x0, dois gols de David Villa, que ainda errou um pênalti. Foi um jogo parecido com o de Portugal, a diferença foi a postura de Honduras, que tentou jogar, mas não se desarrumou em campo. Os portugueses enfrentaram um time de pelada, enquanto os espanhóis enfrentaram um time fraco. Na próxima sexta, a definição dos cruzamentos entre os dois grupos pode colocar Brasil x Espanha já nas oitavas, ou um duelo Portugal x Espanha cheio de rivalidade. Seja qual for o adversário (se passarem), os espanhóis precisaram acertar mais o pé.

sábado, 19 de junho de 2010

Primeiro Classificado, Primeiro Eliminado


O segundo sábado da Copa terminou com a primeira seleção matematicamente classificada para as oitavas, a Holanda, que hoje venceu o Japão jogando do mesmo jeito que na estréia: muita posse de bola (61% no total, 69% no primeiro tempo) e grande dificuldade de furar a retranca do adversário. Um chute com certo efeito de Sneijder e uma colaboração do goleiro japonês, 1x0 no placar, 100% de aproveitamento, defesa invicta, mas futebol que não impressionou, este é o resumo da seleção holandesa. O Japão, que eu ainda não tinha visto, me surpreendeu positivamente, e como vai jogar por um empate na última rodada, pode chegar nas oitavas.
No segundo jogo do dia, Gana saiu perdendo para a Austrália, empatou, ficando com um mais no lance do pênalti que originou o 1x1 (Kewell salvou com a mão em cima da linha), mas não teve força para virar, complicando sua situação. É curioso, mas é isso mesmo, o líder da chave se complicou – quem observou a reação dos jogadores no fim do jogo percebeu que eles saíram com a mesma sensação. O problema é que Gana enfrenta a Alemanha na última rodada, e mesmo a vantagem do empate não parece suficientemente reconfortante. Como a Sérvia enfrenta a Austrália, os africanos podem acabar fora, caso sejam derrotados pelos alemães.
O dia foi encerrado com um dos jogos mais movimentados da Copa até aqui. Dinamarca x Camarões teve os dois times tentando ganhar, e as duas defesas errando muito, receita perfeita para uma partida com muitas chances de gol. Camarões saiu na frente, com Eto´o aproveitando uma bola entregada pela defesa dinamarquesa, mas os europeus viraram em duas escapadas pela direita. Na primeira, em uma ligação direta da defesa, Rommedahl (foto) recebeu às costas do lateral e cruzou forte para Bentdner marcar. No segundo, o próprio Rommedahl resolveu ir para cima do marcador, cortou para o meio e bateu colocado para fazer 2x1. Camarões teve chances de empatar, o veterano Tomasson perdeu na cara do goleiro a oportunidade de ampliar, mas o resultado não mudou mais, e a primeira seleção eliminada é do continente africano. A Dinamarca vai precisar de nova vitória na última rodada, já que tem saldo inferior ao Japão.
Por enquanto, temos a Copa da marcação, e da maior parte das melhores seleções tendo imensas dificuldades de furar os bloqueios defensivos. Com apenas 49 gols em 26 jogos, a Copa 2010 tem, até aqui, a pior média da história, apenas 1,88 gols por partida.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Favoritos Patinando


Depois de impressionar na estréia, a Alemanha perdeu para a Sérvia, que havia iniciado a Copa com derrota e atuação muito abaixo da crítica. Não vi o jogo, mas antes que comecem a desmerecer os alemães, é importante destacar que eles ficaram com um a menos no primeiro tempo, e perderam um pênalti no segundo. Lamentei, porque tinha apostado no 1x1 (antes do início da Copa) em todos os bolões que estou participando.
O primeiro grande erro de arbitragem aconteceu em Eua 2 x 2 Eslovênia, uma inexplicável anulação do gol da virada americana no finalzinho. O responsável foi Koman Coulibaly, juiz de Mali – castigo para Fifa, que insiste em escalar árbitros de paises sem nenhuma tradição.
O pior do dia foi ver mais uma atuação lamentável da Inglaterra. Lenta, burocrática, sem força, sem mecânica de jogo, tudo que se falar dos ingleses é pouco. Lampard e Gerrard lutaram bastante, mas erraram demais, até mesmo em lances triviais. Rooney (foto), então, coitado, parece sofrer do mesmo mal que aflige outros famosos, a falta de ritmo de jogo, conseqüência de lesão pré-copa. Não conseguiu acertar nada, sendo eleito o pior em campo pelos leitores da edição online do The Guardian (o mesmo da entrevista do Sócrates), com média 2,3. A Inglaterra ainda pode avançar, desde que vença a Eslovênia, mas vai precisar jogar muito mais, e não parece ter soluções no banco – não adianta apelar para o Peter Crouch...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Definição no Grupo A


Trabalhando, viajando, só consegui ver o segundo tempo de Grécia x Nigéria, que foi, aliás, bem movimentado. O destaque do dia, no entanto, foi México 2x0 França. Os bleus estão virtualmente fora da copa, repetindo 2002. Neste caso, as eliminatórias e os amistosos foram referência - a França não vinha jogando nada, e continuou muito mal na Copa, dando razão aos críticos do treinador Domenech. Seria justiça divina pela mão de Henry? O fato é que o empate entre Uruguai e México serve para classificar ambos, e mesmo uma derrota por um gol deve servir para o perdedor do jogo. Ou seja, França e África do Sul dependem de um milagre para seguir na Copa.
No grupo B, a Argentina fez 4x1 na Coréia do Sul, que tinha deixado boa impressão na estréia. Hoje, os hermanos confirmaram para todo mundo ver aquilo que eu já havia visto contra a Nigéria. São candidatos, e muito.
Contra os nigerianos com dez homens desde o primeiro tempo, a Grécia conseguiu sua primeira vitória em Copas, mas deve mesmo ficar de fora, por pegar a Argentina na última. A Coréia do Sul precisa de um empate, e mesmo a Nigéria ainda tem chances, pois caso vença, só estaria fora se a Grécia pelo menos empatar com os argentinos.
Está pintando Argentina x Alemanha nas quartas, como em 2006. Se acontecer, será um grande jogo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dia de Decepções


Duas grandes frustrações nesta quarta feira: a badaladíssima Espanha perdeu para a Suiça, e a dona da casa África do Sul, abrindo a segunda rodada, foi goleada e ficou em situação dificílima no grupo A.
Assisti na íntegra apenas o primeiro jogo do dia, Chile x Honduras. Uma boa atuação chilena, considerando, é claro, o nível de expectativa que se tem com uma seleção com histórico de figurante em Copas do Mundo. O Chile adotou uma postura ofensiva, mostrou toque de bola e velocidade no ataque, poderia ter vencido por bem mais de 1x0. Honduras parece destinada a sair da Copa sem marcar pontos. O problema para a classificação chilena foi o resultante seguinte, a surpreendente vitória da Suiça sobre a Espanha, que deve embolar a briga pelas vagas. Como os espanhóis podem e devem tentar uma recuperação, a diferença de apenas um gol conseguida pelos chilenos pode decidir contra eles a passagem para as oitavas.
Não vi a estréia da Fúria, mas ouvi comentários desabonadores, principalmente sobre o primeiro tempo, em que os espanhóis tiveram grande dificuldade de criar alguma coisa frente à muralha suiça. Levando um gol aos 6 do segundo, os espanhóis se atiraram ao ataque, deram bola na trave, levaram bola na trave, e começam o mundial confirmando o velho paradigma: amistosos e campanha nas eliminatórias não são referência, na Copa crescem as grandes seleções, e os espanhóis, por enquanto, estão sob a sombra de mais uma vez chegarem badalados e sairem como decepção. Apenas para lembrar, em oitenta anos de Copa, eles chegaram apenas uma vez entre os quatro!
Na abertura da segunda rodada, um banho de água fria no entusiasmo da África do Sul. Um Uruguai tranquilo, bem estruturado e modificado em relação ao primeiro jogo (com a inclusão de mais um atacante e o recúo de Foran para o meio), chegou à goleada de 3x0. O placar elástico até foi um castigo excessivo, e complicou demais a vida do time de Parreira. A esperança dos Bafana Bafana é um empate entre França e México amanhã, que poderia deixar a classificação ao alcance de uma vitória simples contra os franceses na última rodada, desde que o México não vença o Uruguai. Parece um otimismo até ingenuo, no entanto, imaginar que os donos da casa consigam vencer os franceses. Aliás, pelo que mostrou a África do Sul hoje, imagino que o México, que teve muitas dificuldades contra eles, também deva sofrer contra França (por pior que tenha sido a estréia) e Uruguai.
Foi uma quarta feira de mudança nas previsões, e que pode ter começado a desenhar um Brasil x Espanha nas oitavas de final.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Estréia Razoável


Desnecessário comentar lances que todo mundo assistiu, então vou direto ao ponto: a estréia do Brasil na Copa foi razoável, com pontos positivos e defeitos preocupantes.
O primeiro tempo deixou muito a desejar, e os principais defeitos da seleção de Dunga saltaram aos olhos. A saída de bola do Brasil é muito lenta, resultado de uma escalação com Felipe Melo e Gilberto Silva nas duas primeiras funções do meio, o que, aliás, não é novidade. Como Kaká está visivelmente sem ritmo (assim como Luis Fabiano), o Brasil teve muita dificuldade de armar seus ataques, criando quase nada para sair do 0x0. Mesmo com seu principal jogador crescendo durante a Copa, o Brasil pode ser um time fácil de ser marcado nas fases decisivas, e isso é o que mais preocupa.
No lado bom da balança, a disposição de Robinho, que muitas vezes veio buscar jogo para tentar “desenrolar” a Seleção e foi o jogador que mais produziu. Foi bom também ver que Dunga parece ter uma alternativa para uma possível lesão de Kaká, que é justamente recuar Robinho e colocar Nilmar na frente, como ele fez no fim do jogo. Outro destaque positivo foi a participação, se não tanto em qualidade, mas pelo menos em quantidade, do Michel Bastos, em quem eu não acreditava. Além disso, Maicon confirmou a fase e fez um gol inteligente, batendo no contra pé do goleiro. Acho que o Brasil, no fim das contas, pode e vai jogar mais.
Antes da nossa estréia, um Portugal x Costa do Marfim onde a tônica foi o medo de perder. Ninguém arriscou nada, e o resultado de 0x0 só esteve ameaçado pelo grande lance de Cristiano Ronaldo no início e pela leve pressão que os marfinenses ameaçaram fazer no finalzinho. Drogba entrou aos 20 do segundo, dando a impressão que ainda está se poupando.
Mais cedo, um resultado que me surpreendeu muito, o empate da Eslováquia com a semi-amadora Nova Zelândia. A equipe européia vai se complicar com esses pontos perdidos.
Para domingo, espero um jogo duro para o Brasil. A Costa do Marfim mostrou hoje muita disciplina tática e força na marcação. Sven Goran Eriksson deve posicionar seu time, como fez hoje, todo atrás da linha de meio de campo, então vamos precisar um pouco mais de rapidez, um pouco mais de inspiração e um pouco mais de Kaká para conseguir a segunda vitória.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nada a Destacar


Assisti apenas o primeiro jogo do dia, a esperada estréia da Holanda, apontada por vários como candidata ao título e achei decepcionante. Sem Robben, o treinador Bert Van Marwijk colocou Van der Vaart aberto na esquerda, Kuyt pela direita, Sneijder centralizado e Van Persie enfiado na área, para ser a referência. Não funcionou, pela boa marcação dos dinamarqueses, e pela falta de uso efetivo dos extremos do campo – principalmente Van der Vaart afunilava muito pelo meio, embolando com Sneijder.
Não sei como seria o segundo tempo, se não fosse o gol contra de Simon Poulsen logo a 40 segundos. Com a vantagem, a Holanda se tranqüilizou, a Dinamarca se abriu, e mais chances laranjas surgiram, principalmente depois da entrada de Elia, que foi efetivamente jogar aberto pela esquerda, passando a criar os ataques mais perigosos. O gol de Kuyt (foto) sacramentou uma vitória tranqüila no placar, mas uma atuação apenas razoável, pouco para quem pretende o título.
Não vi os jogos seguintes, mas esperava que Camarões fosse aproveitar a estréia para encaminhar a classificação, o que não aconteceu. Pelos resultados de hoje, acho que o segundo lugar da chave deve ser mesmo da Dinamarca.
Sobre a Itália, difícil opinar sem ver o jogo na íntegra, mas os comentários e o resultado dão conta de que os italianos começaram como sempre: jogando pouco, arrancando com um resultado apenas razoável. Só vamos saber do que os italianos são capazes a partir da próxima fase.

domingo, 13 de junho de 2010

Bom e Mau Futebol

Foi um dia de extremos: dois jogos ruins e a melhor apresentação de uma seleção até aqui. Começou em um horroroso Argélia x Eslovênia, o pior jogo do mundial até aqui. Duas seleções sem qualidade e sem ambição, tentando trocar passes laterais e arricando pouquíssimo. Apenas uma chance clara no primeiro tempo, com o argelino Halliche subindo atrás do goleiro esloveno para cabecear para fora. No começo do segundo tempo, o treinador argelino Rabah Sadene, na tentativa de mudar o panorama do jogo, colocou em campo Ghezzal, atacante do Siena, mas a única coisa que ele conseguiu foi levar um cartão amarelo por puxar um defensor esloveno pela camisa, seguido do vermelho por dominar acintosamente com o braço um lançamento em sua direção. Deu pena ver a cara de frustração do treinador.
Mesmo com um mais, nada de pressão por parte da Eslovênia. Aos 36, porém, o meio Koren arriscou de fora da área e contou com a colaboração do goleiro argelino para fazer o único gol jogo, e foi só. Mesmo com 3 pontos já conquistados, a classificação eslovena não será fácil – os Estados Unidos parecem melhores. Na próxima rodada, os dois devem decidir a segunda vaga, e como os americanos empataram com a Inglaterra, a Eslovênia já não fica tão confortável empatando, pois poderia perder na última rodada para o English Team e ficar atrás dos EUA, já que eles devem vencer a Argélia.
Gana x Sérvia apresentou pouca emoção, mas um pouco mais de qualidade em relação ao primeiro jogo do dia. Os africanos foram aquilo que eu esperava: uma equipe bem organizada, de força física e saída rápida para o contrataque. Os sérvios não foram absolutamente nada do que se falava – lentos, conformados com o empate em 0x0, não pareciam ter nenhuma vondade de sair da letargia. Também perderam um jogador em expulsão boba quando Lukovic levou seu segundo amarelo, mas a bobagem maior veio quando Kuzmanovic subiu com os dois braços abertos, errou a cabeçada e colocou a mão na bola. Pênalti aos 40 do segundo tempo, bem batido pelo bom atacante Gyan, que ainda chutaria uma trave (já havia cabeceado outra) no finalzinho. A vitória de Gana premiou a iniciativa, encaminhando a seleção africana às oitavas.
Mais tarde, a grande surpresa. Não a vitória alemã, que seria lógica, mas o futebol apresentado. Uma Alemanha veloz e objetiva, trocando passes na direção do gol, pressionando o tempo inteiro, chegando à primeira goleada da Copa. Armada numa espécie de 4-2-3-1, onde o lateral direito Lahm sai bastante e o esquerdo Badstuber fica mais fixo, a equipe de Joachim Low construiu pela direita sua vitória parcial de 2x0, com os avanços de Lahm se juntando a Muller, o mais aberto da linha de três meias, e com substancial ajuda de Ozil, um habilidoso canhoto que eu até então não conhecia. Por ali, saíram os cruzamentos para Podolksi (jogando bem aberto pela esquerda) e Klose (foto) marcarem. No segundo tempo, com um a mais (Cahill foi expulso direto aos 11), os alemães continuaram acelerando o jogo e chegaram à goleada, com Muller e Cacau, que entrou no lugar de Klose. Mais do que os argentinos, os alemães mostraram muito jogo coletivo, e serão candidatos ao título.
O senão da partida foi o juiz. O mexicano Marco Rodriguez não influenciou no resultado, mas nos dois lances mais discutíveis, interpretou em favor da camisa mais pesada. Não marcou pênalti em lance de bola na mão do zagüeiro Mertesacker, que estava com o braço mais ou menos colado no corpo. Depois, expulsou Cahill, que não tinha nem amarelo, ao dar carrinho por trás. Talvez por arrependimento, deixou de expulsar Valeri, este sim já amarelado e que também entrou duro por trás – preferiu não deixar a batida Austrália com nove. Importante destacar que os bandeirinhas foram muito bem, dando acertadamente condições a vários ataques alemães muito reclamados, mas em que não existia impedimento.
Amanhã, a curiosidade é pela estréia de Holanda e Itália. No grupo E, acredito em classificação tranqüila dos laranjas, e uma briga entre Dinamarca e Camarões pela segunda vaga. Mais uma vez, vou usar a teoria da tabela para apostar no time de Eto´o, que pode sair da primeira rodada já com 3 pontos. No Grupo F, acho que dá dobradinha européia, Itália e Eslováquia. O Paraguai deve sentir a falta de Cabañas.

O Grupo D


Apenas para deixar registrada minha opinião antes dos jogos de amanhã (ou de hoje, pois já passou da meia noite): o grupo da Alemanha é, para mim, uma das incógnitas desta Copa. Claro que espero a classificação dos alemães em primeiro, da forma habitual, jogando um futebol mecânico, por vezes eficiente, com a camiseta pesando na hora que for preciso. A dúvida é sobre a segunda vaga. Fala-se muito na Sérvia, a “surpresa dos malandros” – todo mundo que acredita estar melhor informado aponta a seleção do Leste Europeu como uma das que vão assustar os favoritos – mas tenho minhas dúvidas. Fizeram ótima Eliminatória? Claro, mas na chave da França, que até agora não mostrou nada...
Eu apostava em Gana, que vi fazer boas partidas na Copa Africana, no início do ano, sem a presença de Essien (foto), machucado. Como eu achava que o craque do Chelsea estaria recuperado para o mundial, esperava uma equipe ainda mais forte para a Copa, mas Essien acabou ficando de fora. Mesmo assim, aposto em uma seleção de Gana bem armada, capaz de jogar mais fechadinha, explorando os contrataques com os experientes Amoah e Gyan. Pode ser a “espada” dos africanos neste mundial.
Não dá para esquecer, também, a Austrália, que no mundial passado ficou com o segundo lugar na chave do Brasil, eliminando a Croácia. Tem jogadores rodados, atuando nos principais campeonatos europeus, e fez bons amistosos pré-copa, mesmo que isso não seja a melhor das referências.Resumindo, Alemanha em primeiro, qualquer um em segundo. Indo contra a opinião geral, acho que a Sérvia vai decepcionar.

O Dia de Green


Na hora do almoço, eu já estava pensando que iria escrever sobre “o dia de Messi” e a estréia vitoriosa da Argentina. Tudo mudou com um despretensioso chute do americano Dempsey e com o frangaço do goleiro inglês Green...
O dia havia começado com a tranqüila vitória da Coréia do Sul sobre a Grécia. Bem organizados e mais experientes, os coreanos ainda tiveram a felicidade de sair na frente logo aos 6 minutos, em um lance de bola parada, que teoricamente seria a maior virtude dos gregos. A falta cobrada quase da marca do escanteio cruzou toda a pequena área e encontrou o zagueiro Jung-Soo livre para escorar com o pé e abrir o placar. O primeiro tempo foi de completo domínio da Coréia do Sul, que perdeu uma chance claríssima com Chu-Young, e teve dois erros de arbitragem que a impediram de ampliar – um pênalti não marcado e a marcação de uma falta inexistente quando Park roubou a bola de um defensor grego e iria ficar na cara do gol. O neozelandês Michael Hester foi, assim, responsável pela primeira arbitragem ruim da Copa, e não só pelos erros capitais.
A Coréia resolveria o jogo logo no início do segundo tempo, quando Park (aquele do Manchester United) roubou a bola dominada na canela pelo grego Vyntra e arrrancou em direção ao gol para fazer 2x0. Até os 20 do segundo, os coreanos continuaram dominando e pareciam caminhar para a goleada, mas acabaram relaxando um pouco e a Grécia, animada pelas entradas de Salpingidis e Kapetanos, tentou reagir, perdendo três boas chances, mas acabou mesmo sem fazer seu primeiro gol em Copas. Passo importante para que a Coréia do Sul avance às oitavas. Os gregos parecem destinados a tentar um pontinho, ou no mínimo um golzinho de honra no mundial.
Aí veio a estréia Argentina, de ótimo primeiro tempo, com um gol logo aos 6 minutos (Heinze, de cabeça) e mais quatro chances claríssimas desperdiçadas, duas delas por Higuain, que pode ser artilheiro no Real Madrid, mas destoa da parceria na seleção. Recebendo espaço para dominar e arrancar para o gol, Messi foi o nome não só do primeiro tempo, mas também do segundo, apesar da queda de produção de alguns de seus compatriotas. Como os argentinos, em um misto de cansaço e administração de resultado, passavam a oferecer menos perigo, a Nigéria se soltou a partir da segunda metade da etapa final, e teve chances para empatar, mas os hermanos conseguiram ficar com a bola no pé a partir dos 40 e garantir a primeira vitória.
Ouvi comentários divergentes sobre a vitória da Argentina, alguns elogiando a quantidade de chances criadas, outros dizendo que o brilho argentino foi exclusividade do melhor do mundo, e que o restante da equipe mostrou. Efetivamente, houve atuações abaixo da crítica, especialmente Higuain e Verón (errou muitos passes), mas a Argentina mostrou que tem time para brigar pelo título, mesmo que seja “somente Messi” até o final – não esqueçamos que já fomos campeões assim, montando um esquema para ser “só Romário” em 94...
Da Inglaterra, o que dizer? Mais uma vez, chegaram com status de favoritos. Mais uma vez, formaram “uma das melhores seleções de todos os tempos”, cheia de nomes consagrados. Mais uma vez, mostraram serem capazes de bons lampejos – o gol marcado logo aos 3 minutos, em rápida troca de passes, com Gerrard aparecendo por traz da zaga, foi um exemplo. Mais uma vez, parecem mostrar que vão ficar no “quase”. Não pelo empate, afinal levaram um gol fortuito quando dominavam o jogo, um chute rasteiro, sem força, quase da intermediária. Dempsey, depois de girar duas vezes em cima do capitão Gerrard, arriscou e contou com a colaboração imensa do goleiro. A cena que repetida ao longo de toda a Copa, e das retrospectivas que virão ao longo do anos: o chute, Green levando as mãos à bola, mas com o corpo de lado, a Jabulani, tão criticada, escapando, ele pulando para traz para tentar evitar a tragédia, o gol, a cara de velório. No The Sun que chamou-o de “calamity keeper” - mesma expressão, aliás, utilizada no Daily Mirror - há um ótimo (embora curto - apenas 3 fotos) slide show(http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/sport/football/worldcup2010/3012012/Robert-Green-has-vowed-to-bounce-back.html), . Ali, dá para ver claramente que a bola do mundial não teve culpa, foi um erro de fundamentos do arqueiro inglês.
A Inglaterra decepcionou, na verdade, pela incapacidade de buscar a vitória sobre um Estados Unidos bem organizado, mas apenas mediano. Criou apenas duas grandes chances no segundo tempo, com Heskey perdendo na cara do goleiro e Lampard desperdiçando um contrataque de quatro contra dois. Quando o tempo começou a ficar escasso, foi a mesma coisa de sempre: chama o Peter Crouch e mete bola na área...
Os ingleses poderão avançar até as quartas, em função dos cruzamentos, mas não estarão entre os reais candidatos ao título. Os americanos conseguiram resultado importante para irar à segunda fase, por onde devem parar, caso cheguem.
Por enquanto, o melhor futebol da Copa veio do Rio da Prata.