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domingo, 27 de junho de 2010

Vergonha Recorrente

A Copa 2010 começou a mostrar uma cara diferente: melhores jogos, mais emoções, e arbitragens vergonhosas, possivelmente mudando o destino do mundial.
No sábado, não consegui assistir Uruguai x Coréia do Sul na íntegra, mas a qualidade celeste acabou prevalecendo na hora da definição. Suarez fez um golaço que colocou os uruguaios nas quartas, algo que não acontecia desde 1970. A Coréia do Sul poderia ter incomodado mais, não fosse a má pontaria de seus atacantes.
No jogo da tarde, Gana eliminou os Estados Unidos aproveitando os erros dos americanos. No lance do primeiro gol, o volante Clark perdeu a bola, armando o contrataque dos africanos e sendo crucificado com uma substituição ainda no primeiro tempo, mas o que ninguém comentou foi que a bola foi passada “na fogueira” pelo filho do treinador. Prince Boateng, o mesmo que tirou Ballack da Copa, colocou Gana em vantagem. Logo no início da prorrogação, o bom atacante Gyan aproveitou um balão da sua defesa para ganhar no corpo e na velocidade da zaga americana e encher o pé para classificar Gana para uma inédita participação nas quartas de final. Como eu falei aqui em outras oportunidades, Gana é um time certinho, disciplinado taticamente, que sabe se fechar. Gyan é um ótimo atacante que tem enfrentado bem o problema de ficar muito isolado. Não gosto muito da zaga de Gana, os elogiados John e Jonathan Mensah são limitados tecnicamente, apesar de serem fortes e rápidos. O goleiro Kingson, que ontem fez boa partida, já entregou um gol contra a Austrália, não merecendo confiança. No meio de campo, que sente a falta de Essien, me agrada o volante Annan, que está longe de ser craque, mas marca bem e sempre garante uma saída de bola com qualidade. Uruguai x Gana vai ser um duelo interessante – ainda acho que a experiência dos uruguaios vai prevalecer.
Nos jogos de hoje, a Fifa merece toda a responsabilidade pela vergonha dos erros de arbitragem. Os velhos caquéticos da International Board continuam resistentes ao uso de tecnologia como auxílio nas arbitragens, então a Copa do Mundo reflete o que acontece nos campeonatos ao redor do mundo: juizes, bons ou ruins, errando como qualquer ser humano, e prejudicando clubes e seleções, alterando drasticamente o destino de inúmeras competições. Por sinal, o que esperar de um órgão que garante cadeira cativa para os representantes da Inglaterra (a única Copa que ganhou foi em casa), Escócia (só pode ganhar campeonato de uísque), Irlanda e Pais de Gales!
Hoje, um ótimo Alemanha x Inglaterra ficou manchado pelo gol de Lampard não confirmado (na foto, a brincadeira com a linha que recua), no momento que os ingleses, que até então levavam um banho da Alemanha, haviam descontado e podiam empatar, mudando todo o aspecto psicológico da partida. Indo para o intervalo com a vantagem no placar, os alemães exploraram o contrataque no segundo tempo para chegar à goleada histórica. Volto a dizer, é a seleção que tem jogado o melhor futebol coletivo, e fará um jogo duríssimo contra os argentinos.
Os hermanos também foram beneficiados pelo juiz, o italiano Roberto Rosetti (foto). Após Tevez marcar o primeiro gol completamente impedido e sair para comemorar, tivemos a cena mais patética desta Copa, e possivelmente a pior de todas as Copas envolvendo arbitragem. O bandeirinha, após ver no telão do estádio (como comprovou a filmagem da ESPN Brasil) o seu erro grotesco, chamou o juiz e informou a pataquada que tinha feito, mas Rosetti resolveu confirmar a injustiça – se volta atrás com auxílio da tecnologia, provavelmente nunca mais apita nenhum jogo importante pela Fifa. A partir do 1x0, a Argentina dominou, ampliou, tomou pressão do México e venceu por 3x1. Hoje, concordei com PVC quando ele afirmou que os argentinos ainda não acertaram um time, tendo, na verdade, um conjunto de ótimos jogadores. Coletivamente, a seleção Argentina ainda tem defeitos, mas quem tem Messi e cia continua candidato, obviamente.
Amanhã, espero uma moleza para o Brasil, e tenho curiosidade na atuação da Holanda. No fim das contas, vai ser mais um Brasil x Holanda decisivo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mais Um Papelão


Hoje foi a vez da Itália. Ao contrário da França, sem crise, sem boicote dos jogadores, sem problemas internos. A Itália está fora da Copa por pura ruindade – não conseguiu ganhar um jogo sequer em um grupo que terminou com a Nova Zelândia invicta, a fraca Eslováquia classificada, e o mediano Paraguai em primeiro. Os dois finalistas da Copa anterior saem, então, na primeira fase, fato inédito na história dos mundiais.
A eliminação italiana teve drama, gol anulado, zagueiro eslovaco salvando em cima da linha (ou dentro do gol, ficou difícil definir com certeza), chegou a dar impressão que a Itália conseguiria o empate salvador, mas quando Kopunek recebeu na cara do goleiro uma bola vinda de arremesso lateral para fazer o terceiro gol da Eslováquia, o caixão italiano estava fechado. Nem time de várzea levaria um gol assim (parênteses necessário – que Copa desastrosa do Cannavaro, eleito o melhor jogador do mundo em 2006).Nos jogos da tarde, a Holanda confirmou tranquilamente o primeiro lugar do seu grupo, e o Japão me surpreendeu e passou bem pela Dinamarca. Ontem, também teve bastante emoção, com os Estados Unidos conseguindo uma justa classificação aos 45 do segundo, e a Sérvia furando o palpite de muitos estudiosos ao perder para a Austrália e deixar a vaga com Gana. Infelizmente, o trabalho me impediu de ver a rodada final da fase de grupos, onde houve emoção, pelo menos. Assisti muito jogo chato e não vi os mais emocionantes. Quem sabe nas oitavas tenho mais sorte.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Favoritos Patinando


Depois de impressionar na estréia, a Alemanha perdeu para a Sérvia, que havia iniciado a Copa com derrota e atuação muito abaixo da crítica. Não vi o jogo, mas antes que comecem a desmerecer os alemães, é importante destacar que eles ficaram com um a menos no primeiro tempo, e perderam um pênalti no segundo. Lamentei, porque tinha apostado no 1x1 (antes do início da Copa) em todos os bolões que estou participando.
O primeiro grande erro de arbitragem aconteceu em Eua 2 x 2 Eslovênia, uma inexplicável anulação do gol da virada americana no finalzinho. O responsável foi Koman Coulibaly, juiz de Mali – castigo para Fifa, que insiste em escalar árbitros de paises sem nenhuma tradição.
O pior do dia foi ver mais uma atuação lamentável da Inglaterra. Lenta, burocrática, sem força, sem mecânica de jogo, tudo que se falar dos ingleses é pouco. Lampard e Gerrard lutaram bastante, mas erraram demais, até mesmo em lances triviais. Rooney (foto), então, coitado, parece sofrer do mesmo mal que aflige outros famosos, a falta de ritmo de jogo, conseqüência de lesão pré-copa. Não conseguiu acertar nada, sendo eleito o pior em campo pelos leitores da edição online do The Guardian (o mesmo da entrevista do Sócrates), com média 2,3. A Inglaterra ainda pode avançar, desde que vença a Eslovênia, mas vai precisar jogar muito mais, e não parece ter soluções no banco – não adianta apelar para o Peter Crouch...

domingo, 13 de junho de 2010

O Dia de Green


Na hora do almoço, eu já estava pensando que iria escrever sobre “o dia de Messi” e a estréia vitoriosa da Argentina. Tudo mudou com um despretensioso chute do americano Dempsey e com o frangaço do goleiro inglês Green...
O dia havia começado com a tranqüila vitória da Coréia do Sul sobre a Grécia. Bem organizados e mais experientes, os coreanos ainda tiveram a felicidade de sair na frente logo aos 6 minutos, em um lance de bola parada, que teoricamente seria a maior virtude dos gregos. A falta cobrada quase da marca do escanteio cruzou toda a pequena área e encontrou o zagueiro Jung-Soo livre para escorar com o pé e abrir o placar. O primeiro tempo foi de completo domínio da Coréia do Sul, que perdeu uma chance claríssima com Chu-Young, e teve dois erros de arbitragem que a impediram de ampliar – um pênalti não marcado e a marcação de uma falta inexistente quando Park roubou a bola de um defensor grego e iria ficar na cara do gol. O neozelandês Michael Hester foi, assim, responsável pela primeira arbitragem ruim da Copa, e não só pelos erros capitais.
A Coréia resolveria o jogo logo no início do segundo tempo, quando Park (aquele do Manchester United) roubou a bola dominada na canela pelo grego Vyntra e arrrancou em direção ao gol para fazer 2x0. Até os 20 do segundo, os coreanos continuaram dominando e pareciam caminhar para a goleada, mas acabaram relaxando um pouco e a Grécia, animada pelas entradas de Salpingidis e Kapetanos, tentou reagir, perdendo três boas chances, mas acabou mesmo sem fazer seu primeiro gol em Copas. Passo importante para que a Coréia do Sul avance às oitavas. Os gregos parecem destinados a tentar um pontinho, ou no mínimo um golzinho de honra no mundial.
Aí veio a estréia Argentina, de ótimo primeiro tempo, com um gol logo aos 6 minutos (Heinze, de cabeça) e mais quatro chances claríssimas desperdiçadas, duas delas por Higuain, que pode ser artilheiro no Real Madrid, mas destoa da parceria na seleção. Recebendo espaço para dominar e arrancar para o gol, Messi foi o nome não só do primeiro tempo, mas também do segundo, apesar da queda de produção de alguns de seus compatriotas. Como os argentinos, em um misto de cansaço e administração de resultado, passavam a oferecer menos perigo, a Nigéria se soltou a partir da segunda metade da etapa final, e teve chances para empatar, mas os hermanos conseguiram ficar com a bola no pé a partir dos 40 e garantir a primeira vitória.
Ouvi comentários divergentes sobre a vitória da Argentina, alguns elogiando a quantidade de chances criadas, outros dizendo que o brilho argentino foi exclusividade do melhor do mundo, e que o restante da equipe mostrou. Efetivamente, houve atuações abaixo da crítica, especialmente Higuain e Verón (errou muitos passes), mas a Argentina mostrou que tem time para brigar pelo título, mesmo que seja “somente Messi” até o final – não esqueçamos que já fomos campeões assim, montando um esquema para ser “só Romário” em 94...
Da Inglaterra, o que dizer? Mais uma vez, chegaram com status de favoritos. Mais uma vez, formaram “uma das melhores seleções de todos os tempos”, cheia de nomes consagrados. Mais uma vez, mostraram serem capazes de bons lampejos – o gol marcado logo aos 3 minutos, em rápida troca de passes, com Gerrard aparecendo por traz da zaga, foi um exemplo. Mais uma vez, parecem mostrar que vão ficar no “quase”. Não pelo empate, afinal levaram um gol fortuito quando dominavam o jogo, um chute rasteiro, sem força, quase da intermediária. Dempsey, depois de girar duas vezes em cima do capitão Gerrard, arriscou e contou com a colaboração imensa do goleiro. A cena que repetida ao longo de toda a Copa, e das retrospectivas que virão ao longo do anos: o chute, Green levando as mãos à bola, mas com o corpo de lado, a Jabulani, tão criticada, escapando, ele pulando para traz para tentar evitar a tragédia, o gol, a cara de velório. No The Sun que chamou-o de “calamity keeper” - mesma expressão, aliás, utilizada no Daily Mirror - há um ótimo (embora curto - apenas 3 fotos) slide show(http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/sport/football/worldcup2010/3012012/Robert-Green-has-vowed-to-bounce-back.html), . Ali, dá para ver claramente que a bola do mundial não teve culpa, foi um erro de fundamentos do arqueiro inglês.
A Inglaterra decepcionou, na verdade, pela incapacidade de buscar a vitória sobre um Estados Unidos bem organizado, mas apenas mediano. Criou apenas duas grandes chances no segundo tempo, com Heskey perdendo na cara do goleiro e Lampard desperdiçando um contrataque de quatro contra dois. Quando o tempo começou a ficar escasso, foi a mesma coisa de sempre: chama o Peter Crouch e mete bola na área...
Os ingleses poderão avançar até as quartas, em função dos cruzamentos, mas não estarão entre os reais candidatos ao título. Os americanos conseguiram resultado importante para irar à segunda fase, por onde devem parar, caso cheguem.
Por enquanto, o melhor futebol da Copa veio do Rio da Prata.