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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Goldikova Tri


Na metade da curva, parecia que ela estava um pouco longe dos ponteiros, e Oliver Peslier já estava tendo que se mexer. A possibilidade de fracasso sumiu da cabeça de todos logo na entrada da reta, quando Goldikova “largou dali” e destruiu a parceria. Ganhou na hora e da forma que quis, marcando ainda mais seu lugar na história. Gio Ponti veio no final para fazer segundo – corre muito, mas deu azar de pegar Zenyatta pela frente num ano, e Goldikova no outro. O terceiro foi de The Usual Q.T. e o quarto foi de Paco Boy, que corria bastante no final, mas nunca ameaçou a dupla.
Antes do clímax da BC, ainda houve a Mile vencida por Dakota Phone, uma pule de 38,70, que livrou um focinho gordo sobre Morning Line. Uma surpresa, considerando que a campanha do ganhador era toda construída no sintético. O terceiro foi de Gayego, e o favorito Tizway correu pouco.
A BC Turf não contou com o favorito Workforce, ficando reduzida a 7 competidores. A explicação oficial foi o estado muito duro da pista, mas dizem que o pessoal da Juddmonte preferiu não expor um ganhador de Epsom Derby e Arco do Triunfo a um possível fracasso, já que ele dava mostras de ter sentido a viagem. Ganhou então outro europeu, Dangerous Midge, de currículo ainda modesto (apenas um Grupo 3), mas que vinha evoluindo, na boa direção de Lanfranco Dettori. Champ Pegasus foi o segundo, e Behkabad, alçado à condição de favorito, não passou de terceiro.
O maior momento da Breeders Cup ainda estava por vir.

sábado, 6 de novembro de 2010

Dia Histórico


Hoje, Churchill Downs será palco de mais um capítulo da história do turfe, certamente um dos mais memoráveis, por bem ou por mal. Zenyatta e Goldikova estarão buscando a consagração, e suas eventuais derrotas serão igualmente lembradas por anos.
A tarde da Breeders Cup começa com a Juvenile Turf, carreira de prognóstico dificílimo. Eu ia até pular e começar os comentários no páreo seguinte, mas por obrigação vou usar uma lógica simplista: grama é pista para europeu, e o melhor deles parece ser Master Of Hounds, terceiro no Racing Post Trophy, principal carreira de potros da Inglaterra. As BC Juvenile, no entanto, costumam ser bem mais complicadas do que isso, especialmente as da grama.
A seguir, uma BC Sprint também difícil. Big Drama vem de dois segundos importantes, mas segundo os handicapers americanos, a baliza um tem baixo índice de ganhadores nos 1200 areia de Churchill Downs. Ao lado dele, irá partir Girolamo, da Godolphin, que curiosamente foi extendido da milha para a BC Classic no ano passado, mas depois parou e reapareceu dez meses depois em distâncias curtas. Vem de ganhar o Vosburgh em Belmont, o que certamente o credencia como força da prova. Inscrição curiosa aqui é a de Kinsale King, ganhador da Dubai Golden Shaheen em março, e que depois foi à Inglaterra tentar fortíssimas disputas na grama, tendo chegado em terceiro no Golden Jubilee em Royal Ascot, fracassando a seguir na July Cup. Como sua campanha anterior em solo americano era toda no sintético, parece estranho que ele não esteja na Turf Sprint.
A prova dos velocistas de grama, na seqüência, é outra pedreira para indicar alguma coisa. Silver Timber parece ter leve destaque, mas convém não desprezar o atual campeão California Flag, mesmo com seu fracasso na última.
A BC Juvenile promete uma demonstração de grande classe. Falam maravilhas de Uncle Mo, que impressionou nas suas duas vitórias, entre elas o Champagne Stakes em Belmont. Ele terá que provar que corre de verdade, pois terá em Boys At Tosconova, ganhador do Hopeful em Saratoga, um forte rival. J. B.´s Thunder, que também já tem grupo 1 na ficha, é outro que merece respeito. Vindo de vencer o Criterium de Milão, Biondetti, da Godolphin, é outra possível surpresa. Quero ver também como se sairá o campeão peruano Murjan, apesar de entender que ele terá tudo (mudança de hemisfério, de trem de carreira, de turma) contra.
Chegaremos, então, à BC Mile. Impossível marcar contra o tri de Goldikova (foto). Impossível torcer contra ela, sendo um turfista admirador de craques. O páreo terá, no entanto, um campo altamente qualificado, a começar por Gio Ponti, segundo na Classic em 2009, e que preferiu brigar pela vitória na grama. Tem também Paco Boy, excelente milheiro europeu, mas freguês da estrela da carreira. Importante citar também Sidney´s Candy, que depois de fracassar no Kentucky Derby (quando era um dos favoritos), voltou a correr bem e vem de vitória em grupo 2, e a égua Proviso, que talvez tenha fugido da Filly & Mare Turf pela distância (suas vitórias tem sido ao redor da milha), e acabou pegando a pior baliza em uma turma de primeiríssima.
A Dirt Mile também promete equilíbrio. Tizway, que vem de duas ótimas carreiras em Belmont, é o retrospecto. Here Comes Bem vem de quatro seguidas, a última em grupo 1. Gayego e Crown Of Thorns que brigaram pela vitória na Sprint passada, merecem consideração, apesar do pupilo da Godolphin parecer estar declinando, e o C.O.T. ter campanha baseada no sintético. Ainda convém considerar Morning Line e, como pensamento mágico, Mine That Bird, que não vence desde que surpreendeu o mundo do turfe no Kentucky Derby do ano passado.
A BC Turf é, ao mesmo tempo, fácil e difícil de marcar. Se prevalecer a categoria, ganha Workforce, secundado por Behkabad. Os dois no entanto, acabam de correr um extenuante Arco do Triunfo, e principalmente o favorito já parece ter dado mostras de não gostar de correr em intervalos apertados de tempo. O problema é que sair desta dupla, em páreo de apenas oito, é tarefa difícil. Debussy, outro que tem categoria, veio do velho continente ganhar o Arlington Million, voltou para Newmarket, correu o Champion Stakes em 16/10 (foi terceiro), e vinte dias depois, está inscrito em Churchill Downs. Desculpe, mas cavalo não é comissário de bordo. Entre os americanos, não dá para procurar muita classe, mas Champ Pegasus deve ser o que vai chegar.
Chega, então, o grande momento: Zenyatta em busca da consagração definitiva. Difícil precisar o que significam suas vitórias apertadas contra as fêmeas. Parece que ela corre somente o necessário para ganhar, e vai precisar superar um campo mais forte e uma reta mais curta. Vou torcer por ela. Seu principal inimigo parece ser Quality Road, o cavalo do train violentíssimo e dos recordes, que deve largar comandando as ações da baliza 1. Bem por fora, larga outro candidato, o badalado Lookin At Lucky, que não levou a última Juvenile por má direção de Garret Gomez, barrado depois do percurso acidentado do Kentucky Derby. Com Martin Garcia up, L.A.L. não perdeu mais, levando o Preakness, o Haskell e o Indiana Derby. Por puro palpite, eu não acredito muito nele. Convém lembrar de Blame, que vem de bater Quality Road no Whitney, e de Haynesfield, que vem de vencer Blame no Jockey Club Gold Cup.
É um festival de classe absoluta. Tomara que seja também o dia da consagração de Zenyatta. Ela merece.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dubai 2010


Muito já falei sobre o carnival de Dubai nos anos anteriores, então fica desnecessário explicar o que significa para o mundo do turfe. Este ano, duas novidades: um páreo a mais no programa, e as disputas no recém inaugurado hipódromo de Meydan, em pista sintética, ao invés da areia de Nad Al Sheba, o que muda bastante as principais provas. Além disso, shows de Santana e Elton John – os sheiks não tem limites quando o assunto é mostrar poder econômico.
O páreo “novidade” é o segundo, o Al Quoz Sprint, em 1200 grama, após a tradicional abertura com cavalos árabes. Todos sabem que gosto de favoritos, e aqui tem um que me agrada muito, o tordilho Califórnia Flag, fácil ganhador da Breeders Cup Turf Sprint, e depois quinto na Cathaway Pacific Hong Kong Sprint, a menos de dois corpos do ganhador. Tem a melhor ficha, e os americanos costumam dominar as provas de velocidade em Dubai. Só perde se estranhar muito alguma coisa (raia diferente, viagem, etc.).
Na Godolphin Mile, vou acreditar novamente em Desert Party, favoritão do UAE Derby do ano passado, que acabou perdendo para seu companheiro Regal Ransom. Depois disso, fracassou no Kentucky Derby e veio reaparecer apenas em 4/3, já em Meydan, ganhando páreo em 1200. Não é exatamente o planejamento de campanha que eu faria, voltar depois de dez meses em 1200, para ser inscrito 23 dias depois numa milha, em turma bem mais forte, mas acho que ele é bem superior à turma e ganha igual. Se perder, nunca mais leva o meu.
No UAE Derby, acho que a prova está entre 3 animais. Impossível não respeitar duas inscrições do sul-africano Mike De Kock, o favorito Musir, ganhador do UAE 2000 Guineas, e a potranca Raihana, ganhadora do Oaks, ambos originários do país da copa, mas já defendendo as cores de um membro da família Maktoum. A campanha na origem credencia mais o potro, ganhador de grupo 1 por lá, enquanto a potranca tinha campanha comum em seu país. O inimigo está em família, o invicto Mendip, da Godolphin, com vitória na estréia em Kempton Park e duas em Meydan. Irão participar também os brasileiros Oroveso e Uncle Tom, que tentarão colocações.
A Golden Shaheen costumava ser o paraíso dos americanos enquanto era corrida no dirt. No sintético, teremos um páreo duro, com três forças aparentes. Deve ser favorito o sempre esperado Gayego, quarto na BC Sprint em chegada incrível, mas que reapareceu em Meydan com um apenas razoável segundo lugar. De Santa Anita, vem Kinsale King, credenciado por duas vitórias recentes em provas de grupo, como grande rival. Impossível desprezar, também, Rocket Man, dono de oito vitórias (inclusive grupo 1) e um segundo em Singapura, sem escolher raia. Páreo duro.
A Dubai Duty Free, como sempre, é um dos páreos mais complicados do festival. Vou falar em cinco cavalos e tenho chance de não colocar nenhum nem no placê. Imbongi, cotado a 9/2, tem boa campanha na Inglaterra e parece adaptado à grama de Meydan. Good Ba Ba, criado pelo Santa Maria de Araras, ganhou em dezembro a HK Mile, e mesmo tendo corrido menos nas duas últimas e já sendo um cavalo de 8 anos, parece ser uma opção viável. Courageous Cat vem dos Estados Unidos com um segundo para ninguém menos que Goldikova na BC Mile. Alexandros, da Godolphin, já teve seus bons momentos em pistas inglesas. Presvis, favorito de 4/1, foi segundo para Gladiatorus na Duty Free passada, e também tem grande chance. Ou seja, prefiro não opinar.
Na Sheema Classic, o páreo de 2.400 metros, grama, outra pedreira. Reaparece o campeão do ano passado Eastern Anthem, depois de campanha produtiva na Alemanha, inclusive com segundo no Prix Von Baden. O seu escoltante em 2009 também está aqui – Spanish Moon, depois de perder por focinho a Sheema passada, ganhou duas de grupo na França, fez bom quarto na BC Turf e voltou a perder páreo incrível na HK Vase, novamente por focinho. O incansável Youmzain, pessimamente corrido no ano passado, volta com Kieren Fallon no dorso, uma melhora significativa em relação a Richard Hills, seu jóquei de várias “ensacadas”. É um cavalo que já entrou para a história do turfe, pelo simples fato de ter secundado Zarkava e Sea The Stars em dois Arcos memoráveis. Parece, entretanto, que ele não gosta de ganhar – sua última vitória foi junho de 2008. A Godolphin acredita aqui em Cavalryman, terceiro no Arco, muito próximo de Youmzain. Meu voto, no entanto, é para Presious Passion, que larga e prende o pé. Como todos os citados antes correm de trás, ele pode conseguir o que quase fez na BC Turf – largar e acabar (perdeu para Conduit por meio corpo).
Na World Cup (a foto acima é da taça), os americanos costumam dominar, mas a mudança para o sintético pode transformar tudo. Ainda me obrigo a indicar Gio Ponti, que após ter secundado Zenyatta na BC Classic, descansou e levou uma carreira para chegar em Dubai no último furo. Conseqüentemente, é preciso respeitar muito Twice Over, terceiro na mesma BC, e ganhador de grupo 1 na Inglaterra. Há muita fé em Gitano Hernando, com boas vitórias em hipódromos ingleses secundários e grupo 1 em Santa Anita. Vision D´Etat é outro de grande categoria – após fracassar no Arco, levou a HK Cup. Fala-se ainda na japonesa Red Desire, ganhadora do preparatório – se ela tem chance, não podemos esquecer do nosso guerreiro Glória de Campeão, alcançado por ela no último pulo...Enfim, acho que será um festival mais categorizado do que no ano passado – melhores cavalos, mais emoções.