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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quase...


Faltou muito pouco para Zenyatta. Ela veio voando, mas não alcançou Blame, que acabou confirmando os comentários pré-páreo que o apontavam como maior adversário da campeã. Mike Smith chorou e se culpou – se o blog fosse em inglês, dava pra fazer um trocadilho mais direto – mas não me parece ter sido dele a responsabilidade pela derrota. Zenyatta simplesmente não chegou a tempo, um risco que ela e Mike Smith correram várias vezes, um risco que qualquer animal atropelador sempre irá correr.
A derrota não desmerece em nada a campeã, e já existe uma campanha para reparar a injustiça do ano passado e coroar Zenyatta horse of the year, apesar do berro antecipado do proprietário de Blame. A BC Classic de 2010 foi a carreira em que eu mais torci sem estar envolvido como proprietário ou amigo de algum envolvido. Infelizmente, não deu, e a imagem de Zenyatta engolindo a raia, mas Blame resistindo, foi tão marcante que tive que consultar o resultado para lembrar quem foi terceiro (Fly Down), já que Lookin At Lucky, que mostrou a cara na reta, acabou em quarto, e Quality Road nem ligeiro foi.
A história do turfe está repleta de grandes craques que um dia perderam, pelos mais variados motivos. Zenyatta agora se junta a eles.

sábado, 6 de novembro de 2010

Dia Histórico


Hoje, Churchill Downs será palco de mais um capítulo da história do turfe, certamente um dos mais memoráveis, por bem ou por mal. Zenyatta e Goldikova estarão buscando a consagração, e suas eventuais derrotas serão igualmente lembradas por anos.
A tarde da Breeders Cup começa com a Juvenile Turf, carreira de prognóstico dificílimo. Eu ia até pular e começar os comentários no páreo seguinte, mas por obrigação vou usar uma lógica simplista: grama é pista para europeu, e o melhor deles parece ser Master Of Hounds, terceiro no Racing Post Trophy, principal carreira de potros da Inglaterra. As BC Juvenile, no entanto, costumam ser bem mais complicadas do que isso, especialmente as da grama.
A seguir, uma BC Sprint também difícil. Big Drama vem de dois segundos importantes, mas segundo os handicapers americanos, a baliza um tem baixo índice de ganhadores nos 1200 areia de Churchill Downs. Ao lado dele, irá partir Girolamo, da Godolphin, que curiosamente foi extendido da milha para a BC Classic no ano passado, mas depois parou e reapareceu dez meses depois em distâncias curtas. Vem de ganhar o Vosburgh em Belmont, o que certamente o credencia como força da prova. Inscrição curiosa aqui é a de Kinsale King, ganhador da Dubai Golden Shaheen em março, e que depois foi à Inglaterra tentar fortíssimas disputas na grama, tendo chegado em terceiro no Golden Jubilee em Royal Ascot, fracassando a seguir na July Cup. Como sua campanha anterior em solo americano era toda no sintético, parece estranho que ele não esteja na Turf Sprint.
A prova dos velocistas de grama, na seqüência, é outra pedreira para indicar alguma coisa. Silver Timber parece ter leve destaque, mas convém não desprezar o atual campeão California Flag, mesmo com seu fracasso na última.
A BC Juvenile promete uma demonstração de grande classe. Falam maravilhas de Uncle Mo, que impressionou nas suas duas vitórias, entre elas o Champagne Stakes em Belmont. Ele terá que provar que corre de verdade, pois terá em Boys At Tosconova, ganhador do Hopeful em Saratoga, um forte rival. J. B.´s Thunder, que também já tem grupo 1 na ficha, é outro que merece respeito. Vindo de vencer o Criterium de Milão, Biondetti, da Godolphin, é outra possível surpresa. Quero ver também como se sairá o campeão peruano Murjan, apesar de entender que ele terá tudo (mudança de hemisfério, de trem de carreira, de turma) contra.
Chegaremos, então, à BC Mile. Impossível marcar contra o tri de Goldikova (foto). Impossível torcer contra ela, sendo um turfista admirador de craques. O páreo terá, no entanto, um campo altamente qualificado, a começar por Gio Ponti, segundo na Classic em 2009, e que preferiu brigar pela vitória na grama. Tem também Paco Boy, excelente milheiro europeu, mas freguês da estrela da carreira. Importante citar também Sidney´s Candy, que depois de fracassar no Kentucky Derby (quando era um dos favoritos), voltou a correr bem e vem de vitória em grupo 2, e a égua Proviso, que talvez tenha fugido da Filly & Mare Turf pela distância (suas vitórias tem sido ao redor da milha), e acabou pegando a pior baliza em uma turma de primeiríssima.
A Dirt Mile também promete equilíbrio. Tizway, que vem de duas ótimas carreiras em Belmont, é o retrospecto. Here Comes Bem vem de quatro seguidas, a última em grupo 1. Gayego e Crown Of Thorns que brigaram pela vitória na Sprint passada, merecem consideração, apesar do pupilo da Godolphin parecer estar declinando, e o C.O.T. ter campanha baseada no sintético. Ainda convém considerar Morning Line e, como pensamento mágico, Mine That Bird, que não vence desde que surpreendeu o mundo do turfe no Kentucky Derby do ano passado.
A BC Turf é, ao mesmo tempo, fácil e difícil de marcar. Se prevalecer a categoria, ganha Workforce, secundado por Behkabad. Os dois no entanto, acabam de correr um extenuante Arco do Triunfo, e principalmente o favorito já parece ter dado mostras de não gostar de correr em intervalos apertados de tempo. O problema é que sair desta dupla, em páreo de apenas oito, é tarefa difícil. Debussy, outro que tem categoria, veio do velho continente ganhar o Arlington Million, voltou para Newmarket, correu o Champion Stakes em 16/10 (foi terceiro), e vinte dias depois, está inscrito em Churchill Downs. Desculpe, mas cavalo não é comissário de bordo. Entre os americanos, não dá para procurar muita classe, mas Champ Pegasus deve ser o que vai chegar.
Chega, então, o grande momento: Zenyatta em busca da consagração definitiva. Difícil precisar o que significam suas vitórias apertadas contra as fêmeas. Parece que ela corre somente o necessário para ganhar, e vai precisar superar um campo mais forte e uma reta mais curta. Vou torcer por ela. Seu principal inimigo parece ser Quality Road, o cavalo do train violentíssimo e dos recordes, que deve largar comandando as ações da baliza 1. Bem por fora, larga outro candidato, o badalado Lookin At Lucky, que não levou a última Juvenile por má direção de Garret Gomez, barrado depois do percurso acidentado do Kentucky Derby. Com Martin Garcia up, L.A.L. não perdeu mais, levando o Preakness, o Haskell e o Indiana Derby. Por puro palpite, eu não acredito muito nele. Convém lembrar de Blame, que vem de bater Quality Road no Whitney, e de Haynesfield, que vem de vencer Blame no Jockey Club Gold Cup.
É um festival de classe absoluta. Tomara que seja também o dia da consagração de Zenyatta. Ela merece.

sábado, 15 de maio de 2010

Grandes Dias


É um fim de semana de grandes festas turfísticas. Por aqui, o GP São Paulo e seu festival de clássicos começando hoje, com os tradicionais GPs Osaf (éguas) e ABCPCC (velocidade). Nos Estados Unidos, a segunda prova da tríplice coroa.
O Preakness tem perdido progressivamente, como todo mundo vem comentando, seu brilho e qualidade técnica. Apenas duas semanas depois do Kentucky Derby (como sempre foi), ele acaba sendo cada vez mais apenas o passo intermediário do derby winner rumo à coroa, enfrentando um campo sempre mais vazio e menos qualificado do que o derrotado em Churchill Downs. Geralmente, o resultado do Preakness apenas alimenta a expectativa no Belmont Stakes, aí sim com fatos novos – distância maior, animais preparados apenas para a terceira prova, etc. Nos últimos 40 anos, 16 ganhadores do Derby repetiram na segunda prova, o que torna Super Saver óbvio favorito para hoje. Parece que apenas o azarado Lookin At Lucky e o tordilho Paddy O´Prado podem ser inimigos. Apenas três candidatos, panorama bem diferente do que escrevi semana retrasada.
Em São Paulo, o Osaf costuma ser bem equilibrado, e como eu já não acertava muito quando acompanhava de perto as corridas de Cidade Jardim, agora, que eu não tenho assistido muita coisa, fica difícil dar palpite. Entre as mais novas (são várias com chances), Top Note parece ser a melhor – vem de ganhar em 119´1. Entre as mais velhas, é bom respeitar Hope, que sempre chega.
No velocidade, Última Palavra busca o bi e Jaguarão tenta a desforra do ano passado, ambos largando lado a lado nas balizas internas. Bem por fora, larga o potro Gallian (foto), com sua espetacular ficha de 5 vitórias e um segundo nas seis apresentações da sua curta campanha. A dúvida é a grama, que ele encara pela primeira vez. Para mim, ele não vai estranhar e deve conquistar seu primeiro grupo 1.
Amanhã, comento o São Paulo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Caminho Mais Curto


Mais uma vez Calvin Borel, a terceira em quatro anos. De novo, pelo caminho mais curto, aproveitando tudo junto à cerca para liquidar a fatura na entrada da reta. O Kentucky Derby é de Super Saver, que havia perdido o Arkansas Derby no detalhe, mas chegou pronto na hora que importava. Mesmo considerando o péssimo estado da raia, o tempo foi fraco 124´4, quase dois segundos pior do que Mine That Bird marcou em condições semelhantes, no ano passado, e o pior tempo dos últimos 40 anos em pista sloppy. No fim das contas, parece ser uma geração nivelada, que dificilmente proporcionará um tríplice coroado.
Na segunda posição, chegou voando baixo Ice Box, o que mais corria no final. Pagou o preço de ter ficado exagerademente longe, na penúltima posição em quase todo o percurso. Anotem o nome dele para o Belmont Stakes, com reta mais longa e 400 metros a mais. Em terceiro, o tordilho Paddy O´Prado, perdendo a dupla no último pulo. Na quarta colocação, Make Music For Me, que mesmo corrido em último, fez a curva final quase na arquibancada do Churchill Downs. Não se ouviu falar em Stately Victor na carreira, Line Of David e American Lion figuraram apenas nos primeiros metros, e Sidney´s Candy acompanhou em segundo o trem movido por Conveyance, mas já demonstrava não ter mais nada a fazer na seta dos 1000 finais. Lookin At Lucky de novo sofreu grandes prejuízos, desta vez na partida, mas uma análise mais isenta obrigatoriamente tem que destacar que Ice Box estava do seu lado e sofreu praticamente a mesma coisa. Como diz um amigo meu, enquanto alguns terminam com o dinheiro, outros ficam com as histórias...
Em duas semanas, teremos o Preakness, com um campo menos numeroso, mas igualmente um páreo em aberto.

sábado, 1 de maio de 2010

Mais Uma Briga Pelas Rosas


Chegamos ao primeiro sábado de maio, dia do centenário Kentucky Derby. Assim como no ano passado, quando não tivemos Quality Road, a principal estrela acabou ficando de fora – Eskenderya, o impressionante ganhador do Wood Memorial, sofreu lesão no boleto e teve sua ausência anunciada na semana passada. Desta vez, ao contrário do que falei em 2009 (errando, como todo mundo, já que ninguém poderia prever a vitória de Mine That Bird), vejo muitos candidatos à vitória.
Quem mais me impressionou nas preparatórias foi Sidney´s Candy, fácil ganhador do Santa Anita Derby. Acredito que o ganhador do Kentucky Derby costuma ser um potro que vem evoluindo e chega em Churchill Downs no último furo, e este parece ser o caso de Sidney´s Candy (foto), que vem numa seqüência de três vitórias, correndo cada vez mais. Fala-se que o favorito deve ser o Eclipse Award winner Lookin At Lucky, muito prejudicado no derby californiano, quando finalizou em terceiro. Contra ele, a estatística contundentemente negativa de apenas um campeão juvenil ter vencido o Kentucky Derby nos últimos 30 anos (Street Sense, em 2007). Parece também que Lookin At Lucky é um potro azarado, sempre tendo algo contra nos grandes dias, vide a sua derrota na BC Juvenille (e a de Santa Anita também, é claro). Além disso, quem viu a sua última corrida é obrigado a concordar que naquele dia ele não venceria Sidney´s Candy, com ou sem prejuízos.
Além dos californianos, o leque de opções para hoje é bastante amplo. Entre os front runners, deveremos ter American Lion, firme ganhador do Illinois Derby, agüentando sempre os ataques do favorito Yawanna Twist. Outro que ganhou preparatória brigando contra tudo e contra todos foi Line Of David, que resistiu no Arkansas Derby aos ataques de Super Saver e Dublin, também inscritos hoje, para vencer por meia cabeça, depois de ter imprimido parciais fortes em todo o percurso.
No grupo dos atropeladores, estão o ganhador do Florida Derby, Ice Box, e o campeão do Louisiana Derby, Mission Impazible. Outro que arrematou correndo muito foi o surpreendente vencedor do Blue Grass Stakes (a preparatória de Churchill Downs), Stately Victor. Hoje, ele não deve pagar os mesmos 40/1, e terá muita chance de aproveitar a provável briga na frente.
Falam ainda da potranca Devil May Care, cujo sucesso eu duvido. Para uma fêmea derrotar os machos, tem que ser uma força dominante entre as do seu sexo, o que não é o caso de DMC. Acho que ela teria chance no Oaks de ontem, espetacularmente vencido por Blind Luck, a californiana que perdeu a BC Juvenille e o título de campeã juvenil, mas que veio se redimir em Churchill Downs com uma violenta atropelada. Hoje, o páreo deve ser mesmo dos machos. Difícil é saber qual deles.