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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Novo Fenômeno

Frankel é o assunto do momento no turfe mundial. Sábado passado, ele arrasou a parceira nas 2000 Guineas inglesas de uma forma impressionante – o vídeo está aí abaixo. A vantagem de 6 corpos no disco de chegada foi a segunda maior da história da carreira, segundo o Ninho do Albatroz., confimando um favoritismo de 1,50 - desde 1974, este clássico não tinha favoritos de menos de 2 por 1.
A dúvida agora é se ele vai ao Derby de Epsom, para depois tentar o Arco do Triunfo, ou se fica ao redor da milha. Vários comentaristas acharam que Frankel chegou cansado – ainda não consegui descobrir as parciais do páreo – e que teria dificuldades nos 2400 metros, principalmente correndo de frente, pressionado por pacemakers.
Segundo seu treinador Henry Cecil, ele diminuiu no final por “estar com sono”, dada a falta de adversários. Para correr o Derby, no entanto, Cecil acredita ser necessário testar o craque no Dante Stakes, tradicional prova preparatória em 2000 metros que acontecerá na próxima quinta, proporcionando, portanto, apenas 12 dias de breve descanso a Frankel – parece realmente uma aventura ousada.
Caso desista do Derby, o futuro de Frankel deve ser triturar os rivais nas provas de meia distância do calendário inglês – St. James Palace (junho), Falmouth Stakes (julho), Sussex Stakes (agosto) – e atravessar o atlântico para a consagração na Breeders Cup, Mile ou Classic.
Seja qual for o direcionamento da campanha, o nome do craque já está gravado na história do turfe inglês. Agora é tentar conquistar o mundo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quase...


Faltou muito pouco para Zenyatta. Ela veio voando, mas não alcançou Blame, que acabou confirmando os comentários pré-páreo que o apontavam como maior adversário da campeã. Mike Smith chorou e se culpou – se o blog fosse em inglês, dava pra fazer um trocadilho mais direto – mas não me parece ter sido dele a responsabilidade pela derrota. Zenyatta simplesmente não chegou a tempo, um risco que ela e Mike Smith correram várias vezes, um risco que qualquer animal atropelador sempre irá correr.
A derrota não desmerece em nada a campeã, e já existe uma campanha para reparar a injustiça do ano passado e coroar Zenyatta horse of the year, apesar do berro antecipado do proprietário de Blame. A BC Classic de 2010 foi a carreira em que eu mais torci sem estar envolvido como proprietário ou amigo de algum envolvido. Infelizmente, não deu, e a imagem de Zenyatta engolindo a raia, mas Blame resistindo, foi tão marcante que tive que consultar o resultado para lembrar quem foi terceiro (Fly Down), já que Lookin At Lucky, que mostrou a cara na reta, acabou em quarto, e Quality Road nem ligeiro foi.
A história do turfe está repleta de grandes craques que um dia perderam, pelos mais variados motivos. Zenyatta agora se junta a eles.

Goldikova Tri


Na metade da curva, parecia que ela estava um pouco longe dos ponteiros, e Oliver Peslier já estava tendo que se mexer. A possibilidade de fracasso sumiu da cabeça de todos logo na entrada da reta, quando Goldikova “largou dali” e destruiu a parceria. Ganhou na hora e da forma que quis, marcando ainda mais seu lugar na história. Gio Ponti veio no final para fazer segundo – corre muito, mas deu azar de pegar Zenyatta pela frente num ano, e Goldikova no outro. O terceiro foi de The Usual Q.T. e o quarto foi de Paco Boy, que corria bastante no final, mas nunca ameaçou a dupla.
Antes do clímax da BC, ainda houve a Mile vencida por Dakota Phone, uma pule de 38,70, que livrou um focinho gordo sobre Morning Line. Uma surpresa, considerando que a campanha do ganhador era toda construída no sintético. O terceiro foi de Gayego, e o favorito Tizway correu pouco.
A BC Turf não contou com o favorito Workforce, ficando reduzida a 7 competidores. A explicação oficial foi o estado muito duro da pista, mas dizem que o pessoal da Juddmonte preferiu não expor um ganhador de Epsom Derby e Arco do Triunfo a um possível fracasso, já que ele dava mostras de ter sentido a viagem. Ganhou então outro europeu, Dangerous Midge, de currículo ainda modesto (apenas um Grupo 3), mas que vinha evoluindo, na boa direção de Lanfranco Dettori. Champ Pegasus foi o segundo, e Behkabad, alçado à condição de favorito, não passou de terceiro.
O maior momento da Breeders Cup ainda estava por vir.

sábado, 6 de novembro de 2010

Primeiro Show


Se Uncle Mo era uma bela promessa, agora é uma indiscutível realidade. Fácil ganhador da BC Juvenile, já garantiu o Eclipse Award de melhor dois anos, e o favoritismo antecipado para o Kentucky Derby. Acompanhando com facilidade o train movido por Riveting Reason, com seu jóquei John Velásquez olhando para trás, o favorito entrou na reta dominando e tirou para longe de Boys At Tosconova, que igualmente chegou bem na frente dos demais na briga pela dupla. O terceiro foi Rogue Romance, com Biondetti em quarto.
A tarde da Breeders Cup já tem o seu primeiro show.

As Sprints


As versões areia e grama da BC Sprint acabaram sendo diferentes no seu desfecho. Na areia, ganhou de ponta a ponta Big Drama (foto), acertando bem a pisada na baliza 1 e não sendo realmente ameaçado no percurso. Seus escoltantes acabaram sendo, pela ordem, Hamazing Destiny, Smiling Tiger e Supreme Summit. O favorito Girolamo não conseguia acompanhar o train, e abandonou o páreo na metade da reta. Kinsale King, conforme comentado, não visto em carreira no dirt.
Na Turf Sprint, vitória de Chamberlain Bridge, a sua primeira em provas de grupo, em fortíssima arremetida nos últimos 200 metros. Central City, que comandou as ações, acabou na dupla, depois de resistir aos ataques de Bridgetown, que deu impressão e cansou, acabando em quarto (o terceiro foi Unzip Me). Os tordilhos que eu havia comentado, Silver Timber e California Flag, chegaram no meio do bolo, com o primeiro tendo reta infeliz – com mais sorte, poderia ter brigado pela dupla.

Juvenile Turf 2010


Nada de europeus, a Juvenile Turf ficou nos Estados Unidos, na fantástica atropelada de Pluck, corrido longe na última colocação por Garret Gomez. Em segundo, Soldat, que avançou pelas balizas internas. Willcox Inn foi terceiro e Madman Diaries, que ponteou até a entrada da reta, o quarto.A curiosidade é que os dois ganhadores das Juvenile Turf – Pluck e More Than Real – são da mesma cocheira e vinham trabalhando de parelha.

Dia Histórico


Hoje, Churchill Downs será palco de mais um capítulo da história do turfe, certamente um dos mais memoráveis, por bem ou por mal. Zenyatta e Goldikova estarão buscando a consagração, e suas eventuais derrotas serão igualmente lembradas por anos.
A tarde da Breeders Cup começa com a Juvenile Turf, carreira de prognóstico dificílimo. Eu ia até pular e começar os comentários no páreo seguinte, mas por obrigação vou usar uma lógica simplista: grama é pista para europeu, e o melhor deles parece ser Master Of Hounds, terceiro no Racing Post Trophy, principal carreira de potros da Inglaterra. As BC Juvenile, no entanto, costumam ser bem mais complicadas do que isso, especialmente as da grama.
A seguir, uma BC Sprint também difícil. Big Drama vem de dois segundos importantes, mas segundo os handicapers americanos, a baliza um tem baixo índice de ganhadores nos 1200 areia de Churchill Downs. Ao lado dele, irá partir Girolamo, da Godolphin, que curiosamente foi extendido da milha para a BC Classic no ano passado, mas depois parou e reapareceu dez meses depois em distâncias curtas. Vem de ganhar o Vosburgh em Belmont, o que certamente o credencia como força da prova. Inscrição curiosa aqui é a de Kinsale King, ganhador da Dubai Golden Shaheen em março, e que depois foi à Inglaterra tentar fortíssimas disputas na grama, tendo chegado em terceiro no Golden Jubilee em Royal Ascot, fracassando a seguir na July Cup. Como sua campanha anterior em solo americano era toda no sintético, parece estranho que ele não esteja na Turf Sprint.
A prova dos velocistas de grama, na seqüência, é outra pedreira para indicar alguma coisa. Silver Timber parece ter leve destaque, mas convém não desprezar o atual campeão California Flag, mesmo com seu fracasso na última.
A BC Juvenile promete uma demonstração de grande classe. Falam maravilhas de Uncle Mo, que impressionou nas suas duas vitórias, entre elas o Champagne Stakes em Belmont. Ele terá que provar que corre de verdade, pois terá em Boys At Tosconova, ganhador do Hopeful em Saratoga, um forte rival. J. B.´s Thunder, que também já tem grupo 1 na ficha, é outro que merece respeito. Vindo de vencer o Criterium de Milão, Biondetti, da Godolphin, é outra possível surpresa. Quero ver também como se sairá o campeão peruano Murjan, apesar de entender que ele terá tudo (mudança de hemisfério, de trem de carreira, de turma) contra.
Chegaremos, então, à BC Mile. Impossível marcar contra o tri de Goldikova (foto). Impossível torcer contra ela, sendo um turfista admirador de craques. O páreo terá, no entanto, um campo altamente qualificado, a começar por Gio Ponti, segundo na Classic em 2009, e que preferiu brigar pela vitória na grama. Tem também Paco Boy, excelente milheiro europeu, mas freguês da estrela da carreira. Importante citar também Sidney´s Candy, que depois de fracassar no Kentucky Derby (quando era um dos favoritos), voltou a correr bem e vem de vitória em grupo 2, e a égua Proviso, que talvez tenha fugido da Filly & Mare Turf pela distância (suas vitórias tem sido ao redor da milha), e acabou pegando a pior baliza em uma turma de primeiríssima.
A Dirt Mile também promete equilíbrio. Tizway, que vem de duas ótimas carreiras em Belmont, é o retrospecto. Here Comes Bem vem de quatro seguidas, a última em grupo 1. Gayego e Crown Of Thorns que brigaram pela vitória na Sprint passada, merecem consideração, apesar do pupilo da Godolphin parecer estar declinando, e o C.O.T. ter campanha baseada no sintético. Ainda convém considerar Morning Line e, como pensamento mágico, Mine That Bird, que não vence desde que surpreendeu o mundo do turfe no Kentucky Derby do ano passado.
A BC Turf é, ao mesmo tempo, fácil e difícil de marcar. Se prevalecer a categoria, ganha Workforce, secundado por Behkabad. Os dois no entanto, acabam de correr um extenuante Arco do Triunfo, e principalmente o favorito já parece ter dado mostras de não gostar de correr em intervalos apertados de tempo. O problema é que sair desta dupla, em páreo de apenas oito, é tarefa difícil. Debussy, outro que tem categoria, veio do velho continente ganhar o Arlington Million, voltou para Newmarket, correu o Champion Stakes em 16/10 (foi terceiro), e vinte dias depois, está inscrito em Churchill Downs. Desculpe, mas cavalo não é comissário de bordo. Entre os americanos, não dá para procurar muita classe, mas Champ Pegasus deve ser o que vai chegar.
Chega, então, o grande momento: Zenyatta em busca da consagração definitiva. Difícil precisar o que significam suas vitórias apertadas contra as fêmeas. Parece que ela corre somente o necessário para ganhar, e vai precisar superar um campo mais forte e uma reta mais curta. Vou torcer por ela. Seu principal inimigo parece ser Quality Road, o cavalo do train violentíssimo e dos recordes, que deve largar comandando as ações da baliza 1. Bem por fora, larga outro candidato, o badalado Lookin At Lucky, que não levou a última Juvenile por má direção de Garret Gomez, barrado depois do percurso acidentado do Kentucky Derby. Com Martin Garcia up, L.A.L. não perdeu mais, levando o Preakness, o Haskell e o Indiana Derby. Por puro palpite, eu não acredito muito nele. Convém lembrar de Blame, que vem de bater Quality Road no Whitney, e de Haynesfield, que vem de vencer Blame no Jockey Club Gold Cup.
É um festival de classe absoluta. Tomara que seja também o dia da consagração de Zenyatta. Ela merece.

O Dia das Fêmeas


Era um dia de favoritonas: Midday, considerada a grande barbada do festival na Filly & Mare Turf; Blind Luck, tentando na Ladies Classic o que não conseguiu na Juvenile Fillies do ano passado; Winter Memories defendendo uma curta invencibilidade na Juvenile Fillies Turf; e a tordilha Informed Decision tentando o bi na Filly & Mare Sprint. Decepção para todas, nenhuma levou. No primeiro dia da Breeders Cup, as estrelas previamente destacadas acabaram não brilhando.
Os páreos da BC começaram com a Marathon. Vou concordar com os especialistas: é um páreo sem nenhuma classe, chega a ser um crime o seu ganhador entrar para o rol dos campeões de Breeders Cup. Venceu Eldaafer, com Prince Will I Am cruzando o disco em segundo, mas sendo desclassificado e ficando fora do marcador, pela “tourada” que promoveu na última curva – os americanos, ao contrário dos franceses, punem os prejuízos absurdos. Com isso, Gabriel´s Hill subiu para segundo e A.U. Miner, o mais prejudicado, para terceiro – seu jóquei Calvin Borel ficou tão irritado que partiu pra porrada na repesagem. Na confusão, o brasileiro Alcomo acabou em quinto - havia sido o sexto em carreira – em atuação mediana.
Na Juvenile Fillies Turf, a favoritona Winter Memories perdeu, reclamou e não levou. A vitória ficou com More Than Real, bem conduzida de Garret Gómez, que soube fechar licitamente a porta da favorita na entrada da reta. Mesmo com curvas fechadas, venceu a potranca da baliza 11.
Na Filly & Mare Sprint, decepção total de Informed Decision, que nunca esteve no páreo – na última curva, o narrador chegou a destacar que ela havia ficado para último. Venceu com firmeza Dubai Majesty, que vinha de bater a favorita em Keeneland, levando seus proprietários a pagar uma suplementação de 90 mil dólares para correr a BC.
A Juvenile Fillies, como seria lógico, não tinha uma força destacada. Acabou sendo um duelo entre as duas mais faladas, com Awesome Feather, invicta em 5 atuações em Calder, superando R Heat Lightning depois de uma briga intensa na reta. Segundo o site da BC, a ganhadora chegou a Churchill Downs com o status de melhor potranca da Flórida, e saiu como melhor da América.
Na Filly & Mare Turf, a derrota da favoritona Midday foi definida pelo seu jóquei como “sem desculpas”. Atual campeã da prova, ganhadora dos recentes Yorkshire Oaks e Prix Vermeille (este, no festival do Arco), veio junto com a ganhadora Shared Account (foto), teve pelo menos 300 metros para passar, e acabou perdendo de cabeça. Também agarrada, Keertana chegou em terceiro, com a japonesa Red Desire, a mesma que bateu Glória de Campeão na preparatória da Dubai World Cup, em quarto. A ganhadora foi mais uma bomba na tarde, pule de 47 por 1.
Para encerrar, acabou prevalecendo na Ladies Classic a égua que derrotou Rachel Alexandra em abril, mas que depois disso fez três segundos em Grupo 1, Unrivaled Belle. Muito bem conduzida por Kent Desormeaux, dominou a carreira na entrada da reta e resistiu sem maiores sustos ao tropel final da favorita Blind Luck. O sinal amarelo foi ligado para os atropeladores: a reta de Churchill Downs é mais curta do que muitos estão acostumados.
Amanhã, um show de craques: Zenyatta tentando fazer (mais) história, Goldikova idem, além de Workforce. O sábado promete.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Breeders Cup 2010



Desta vez, não consegui estudar antes o programa. Dentro de 3 minutos, começa o festival da Breeders Cup 2010, com a Marathon, e a presença do brasileiro Alcomo. No momento, 7 cavalos tem pules parecidas, e Alcomo é um deles.
Mais tarde, comento os páreos - além da presença brasileira, minha curiosidade é ver Blind Luck, favorita derrotada na Juvenile Fillies do ano passado, voltando para tentar a Ladies Classic igualmente como preferida dos analistas. E tem ainda Midday, a grande barbada do festival, nos 2000 grama...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Goldikova


Foi um fim de semana de shows nas pistas, e a vitória de Goldikova no Prix de La Foret foi um deles. E diziam que ela não gostava muito da pista macia...
Além do show da campeã, que deve ir aos Estados Unidos tentar o tri da Breeders Cup Mile, espetacular também foi a direção do Olivier Peslier. Não se apavorou ao ficar para segundo, tirou a campeã da cerca e deu a partida na hora certa para dominar a carreira e aparar a atropelada de Paco Boy.Vejam o vídeo no You Tube (http://www.youtube.com/watch?v=Cu-_dSiqSlE) - como agora eles (os vídeos) estão com resolução cada vez melhor, ficam também mais pesados e ultrapassam o limite de tamanho máximo que o blog permite...

domingo, 3 de outubro de 2010

Zenyatta De Novo


Zenyatta ganhou mais uma, chegando à décima nona vitória da sua invicta campanha. Sempre parece que não vai dar, mas ela parece saber onde fica o espelho, e corre sempre o suficiente para alcançar e superar suas rivais.
Sua vigésima apresentação deve ser a tentativa de bi na Breeders Cup Classic, que seria a tentativa de chegar a 3 BCs, já que ela ganhou a prova das fêmeas em 2008. Seja qual for o resultado, ela merece ser eleita horse of the year, reparando a injustiça do ano passado.
Se vencer, serão 20 em 20, e ela estará definitivamente na galeria dos grandes de toda a história do turfe.
Para quem quiser apreciar o vídeo, o link é http://www.youtube.com/watch?v=6dq8fAQ6yjo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dezoito

Zenyatta manteve a invencibilidade na sua décima oitava atuação. Não sei se é recorde americano ou mundial entre fêmeas, e também não conheço tanto assim a história do turfe, mas ela está, sem dúvida, entre as maiores de todos os tempos.
Mike Smith mais uma vez deu vantagem, mas fica difícil criticar um jóquei que sempre acaba ganhando, mesmo dando alguns sustos.
Notem no vídeo que Zenyatta domina de orelha em pé - parece que ela sabe exatamente o que precisa correr para vencer cada carreira.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Últimas do Turfe

Com a Copa do Mundo começando, deixarei o turfe em segundo plano. Já não comentei o Belmont Stakes, não mencionei os derbys francês e de Epsom (vitória espetacular de Workforce), e também não irei escrever sobre o reaparecimento de Rachel Alexandra, que ocorrerá no próximo sábado em Churchill Downs. Após ser injustamente eleita horse of the year 2009, ela fracassou nas duas atuações em 2010, e tenta apagar a impressão de castigo divino. Dizem que está tinindo, quebrando os relógios nas matinais, voltando ao seu melhor estado. Veremos no sábado...
No turfe nacional, a mesma tristeza. Elogiei aqui Too Friendly, o ganhador mais impressionante de uma prova de grupo 1 na semana do São Paulo.... foi pego no anti-doping. Mais uma triste mancha no turfe brasileiro, cada vez mais deprimente. O cavalo do Santa Maria de Araras não foi o único flagrado, a égua Ladyttore, terceira colocada no Osaf também "dançou". Com certeza, vários outros animais também tomaram substâncias proibidas e acabaram escapando por sorte, porque seus materiais coletados não foram sorteados para exame, ou por haverem tomado medicações mais modernas. O treinador Roberto Morgado Neto, aliás, a família Morgado, é ultrareincidente no assunto, como são também outros renomados profissionais que vivem eternamente no ciclo punição-usar nome de laranja-volta triunfal-punição... No caso específico dos Morgado, é laranjada em família: pai-filho-neto-filho-pai... Por sinal, se colocarmos no Google "Roberto Morgado Neto", a primeira notícia que aparece é "CC suspende Roberto...", datada de 28/12/2005, por medicação no cavalo Martino, também do Araras.
Chega por uns tempos, vou me concentrar na África do Sul.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Volta Triunfal de Luiz Duarte

O São Paulo 2010 foi de Luiz Duarte, de volta ao Brasil depois de vários anos montando no Sudeste Asiático. Ele levou três clássicos, incluindo as duas provas principais. Deve ter calado definitivamente a boca dos seus críticos cariocas, já que ganhou o páreo principal e a milha com cavalos de proprietários do Rio...
As provas de Grupo 1 começaram no sábado com a vitória de Que Milionária no Osaf, um páreo que “não tinha ganhador”. A pupila do Petrochinski agradeceu a grama leve, que a possibilitou correr desferrada para conquistar a maior vitória da sua campanha. Em segundo chegou Hostellerie, outra égua de 4 anos que até então não havia brilhado em provas de grupo. A favorita Top Note, largando pela baliza 18, fez esforço inicial para conseguir fazer a diagonal no final da reta oposta e sumiu na reta final.
No ABCPCC, a prova de velocidade, muito trabalho para a comissão de corridas, que teve que analisar por mais de 15 minutos a reta de frente para decidir o resultado final. Ganhou Jeton de Luxo, potro preparado no Paraná, que vinha de duas vitórias em ótimos tempos. Apanhando boa partida, livrou luz e foi levado para a cerca externa por Altair Domingos, vencendo com firmeza, mas gerando a reclamação de Gallian, o segundo na corrida, que largava pela última baliza. A comissão considerou (acertadamente) que o vencedor tinha luz quando cruzou a frente do seu adversário e confirmou a sua vitória. Gallian é que acabou desclassificado para quinto, já que no lance com o ganhador, acabou vindo para dentro e se chocando com Tick Tock, que acabou em quinto, apenas meio corpo atrás do segundo. Assim, a ordem de chegada oficial estabeleceu Jaguarão em segundo, Última Palavra em terceiro (eram os dois que estavam nas balizas internas, longe da confusão), e o reclamante Tick Tock em quarto, com Gallian fora da quadrifeta.
No domingo, o Juliano Martins teve a vitória de Xin Xu Lin, potro que tinha apenas uma atuação (vitoriosa) em março, em 1000 metros. Trazido para a milha, acompanhou em segundo o ritmo imposto por Armas e Flores para dominar bem na reta, possibilitando a segunda vitória de grupo 1 da carreira da aprendiz Jeane Alvez. O ponteiro acabou em quarto, suplantado por Uareoutlaw e Calling Elvis, dois dos mais cotados. Mais uma vitória, também, para Estanislau Petrochinski, único treinador de São Paulo a vencer provas de grupo na semana máxima paulista.
Na milha do Presidente da República, um passeio do favorito Too Friendly. O único trabalho do Duarte foi faze-lo sair, em menos de 200 metros de corrida, da incômoda baliza 18 para a cerca interna, dosando, a partir daí, o ritmo do pupilo do Santa Maria de Araras até o disco. Depois de vencer o Juliano Martins em 2009, Too Friendly leva seu segundo grupo 1 em Cidade Jardim, novamente de ponta a ponta.
No GP São Paulo, muita emoção na chegada e o mérito inegável de Luiz Duarte. Nos 300 finais, Rockwell dominou e parecia ter liquidado a fatura, quando Sal Grosso, que havia avançado sempre pelas balizas internas, foi arrancado pelo Duarte por fora do ponteiro para dominar e agüentar a carga violentíssima de Hong Kong e Moryba, que voavam baixo mais abertos. Cem metros antes da chegada, Sal Grosso estava perdendo, e provavelmente 30 metros depois teria entrado terceiro, mas no disco, quem levou foi ele, evidenciando o cálculo de percurso perfeito do Duarte. A vitória do bom potro do TNT, ganhador da primeira prova da tríplice coroa carioca e bem colocado nas outras duas, foi a sexta consecutiva de um animal de 3 anos no São Paulo, conseqüência natural do êxodo dos melhores cavalos para o Hemisfério Norte – que deve ser o destino de Sal Grosso no segundo semestre.A parte ruim da festa foi o movimento de apostas, de R$ 1.003.915, 6% abaixo do ano passado e 13% abaixo de 2008. Em valores nominais, foi o pior resultado dos últimos 8 anos. Se aplicarmos correção pelo IPCA nos números de anos anteriores, o movimento do São Paulo foi o pior da história, 76% abaixo do que se apostou em 1995, o melhor ano da história recente. Ou seja, se o turfe brasileiro não achar um novo caminho, tende a morrer aos poucos.

sábado, 15 de maio de 2010

Grandes Dias


É um fim de semana de grandes festas turfísticas. Por aqui, o GP São Paulo e seu festival de clássicos começando hoje, com os tradicionais GPs Osaf (éguas) e ABCPCC (velocidade). Nos Estados Unidos, a segunda prova da tríplice coroa.
O Preakness tem perdido progressivamente, como todo mundo vem comentando, seu brilho e qualidade técnica. Apenas duas semanas depois do Kentucky Derby (como sempre foi), ele acaba sendo cada vez mais apenas o passo intermediário do derby winner rumo à coroa, enfrentando um campo sempre mais vazio e menos qualificado do que o derrotado em Churchill Downs. Geralmente, o resultado do Preakness apenas alimenta a expectativa no Belmont Stakes, aí sim com fatos novos – distância maior, animais preparados apenas para a terceira prova, etc. Nos últimos 40 anos, 16 ganhadores do Derby repetiram na segunda prova, o que torna Super Saver óbvio favorito para hoje. Parece que apenas o azarado Lookin At Lucky e o tordilho Paddy O´Prado podem ser inimigos. Apenas três candidatos, panorama bem diferente do que escrevi semana retrasada.
Em São Paulo, o Osaf costuma ser bem equilibrado, e como eu já não acertava muito quando acompanhava de perto as corridas de Cidade Jardim, agora, que eu não tenho assistido muita coisa, fica difícil dar palpite. Entre as mais novas (são várias com chances), Top Note parece ser a melhor – vem de ganhar em 119´1. Entre as mais velhas, é bom respeitar Hope, que sempre chega.
No velocidade, Última Palavra busca o bi e Jaguarão tenta a desforra do ano passado, ambos largando lado a lado nas balizas internas. Bem por fora, larga o potro Gallian (foto), com sua espetacular ficha de 5 vitórias e um segundo nas seis apresentações da sua curta campanha. A dúvida é a grama, que ele encara pela primeira vez. Para mim, ele não vai estranhar e deve conquistar seu primeiro grupo 1.
Amanhã, comento o São Paulo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Caminho Mais Curto


Mais uma vez Calvin Borel, a terceira em quatro anos. De novo, pelo caminho mais curto, aproveitando tudo junto à cerca para liquidar a fatura na entrada da reta. O Kentucky Derby é de Super Saver, que havia perdido o Arkansas Derby no detalhe, mas chegou pronto na hora que importava. Mesmo considerando o péssimo estado da raia, o tempo foi fraco 124´4, quase dois segundos pior do que Mine That Bird marcou em condições semelhantes, no ano passado, e o pior tempo dos últimos 40 anos em pista sloppy. No fim das contas, parece ser uma geração nivelada, que dificilmente proporcionará um tríplice coroado.
Na segunda posição, chegou voando baixo Ice Box, o que mais corria no final. Pagou o preço de ter ficado exagerademente longe, na penúltima posição em quase todo o percurso. Anotem o nome dele para o Belmont Stakes, com reta mais longa e 400 metros a mais. Em terceiro, o tordilho Paddy O´Prado, perdendo a dupla no último pulo. Na quarta colocação, Make Music For Me, que mesmo corrido em último, fez a curva final quase na arquibancada do Churchill Downs. Não se ouviu falar em Stately Victor na carreira, Line Of David e American Lion figuraram apenas nos primeiros metros, e Sidney´s Candy acompanhou em segundo o trem movido por Conveyance, mas já demonstrava não ter mais nada a fazer na seta dos 1000 finais. Lookin At Lucky de novo sofreu grandes prejuízos, desta vez na partida, mas uma análise mais isenta obrigatoriamente tem que destacar que Ice Box estava do seu lado e sofreu praticamente a mesma coisa. Como diz um amigo meu, enquanto alguns terminam com o dinheiro, outros ficam com as histórias...
Em duas semanas, teremos o Preakness, com um campo menos numeroso, mas igualmente um páreo em aberto.

sábado, 1 de maio de 2010

Mais Uma Briga Pelas Rosas


Chegamos ao primeiro sábado de maio, dia do centenário Kentucky Derby. Assim como no ano passado, quando não tivemos Quality Road, a principal estrela acabou ficando de fora – Eskenderya, o impressionante ganhador do Wood Memorial, sofreu lesão no boleto e teve sua ausência anunciada na semana passada. Desta vez, ao contrário do que falei em 2009 (errando, como todo mundo, já que ninguém poderia prever a vitória de Mine That Bird), vejo muitos candidatos à vitória.
Quem mais me impressionou nas preparatórias foi Sidney´s Candy, fácil ganhador do Santa Anita Derby. Acredito que o ganhador do Kentucky Derby costuma ser um potro que vem evoluindo e chega em Churchill Downs no último furo, e este parece ser o caso de Sidney´s Candy (foto), que vem numa seqüência de três vitórias, correndo cada vez mais. Fala-se que o favorito deve ser o Eclipse Award winner Lookin At Lucky, muito prejudicado no derby californiano, quando finalizou em terceiro. Contra ele, a estatística contundentemente negativa de apenas um campeão juvenil ter vencido o Kentucky Derby nos últimos 30 anos (Street Sense, em 2007). Parece também que Lookin At Lucky é um potro azarado, sempre tendo algo contra nos grandes dias, vide a sua derrota na BC Juvenille (e a de Santa Anita também, é claro). Além disso, quem viu a sua última corrida é obrigado a concordar que naquele dia ele não venceria Sidney´s Candy, com ou sem prejuízos.
Além dos californianos, o leque de opções para hoje é bastante amplo. Entre os front runners, deveremos ter American Lion, firme ganhador do Illinois Derby, agüentando sempre os ataques do favorito Yawanna Twist. Outro que ganhou preparatória brigando contra tudo e contra todos foi Line Of David, que resistiu no Arkansas Derby aos ataques de Super Saver e Dublin, também inscritos hoje, para vencer por meia cabeça, depois de ter imprimido parciais fortes em todo o percurso.
No grupo dos atropeladores, estão o ganhador do Florida Derby, Ice Box, e o campeão do Louisiana Derby, Mission Impazible. Outro que arrematou correndo muito foi o surpreendente vencedor do Blue Grass Stakes (a preparatória de Churchill Downs), Stately Victor. Hoje, ele não deve pagar os mesmos 40/1, e terá muita chance de aproveitar a provável briga na frente.
Falam ainda da potranca Devil May Care, cujo sucesso eu duvido. Para uma fêmea derrotar os machos, tem que ser uma força dominante entre as do seu sexo, o que não é o caso de DMC. Acho que ela teria chance no Oaks de ontem, espetacularmente vencido por Blind Luck, a californiana que perdeu a BC Juvenille e o título de campeã juvenil, mas que veio se redimir em Churchill Downs com uma violenta atropelada. Hoje, o páreo deve ser mesmo dos machos. Difícil é saber qual deles.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Campeão


Estou escrevendo este post atrasado, pois estou de férias no Estados Unidos, e o tempo tem sido curto.
O turfe brasileiro está em festa com a sua maior conquista em todos os tempos: Glória de Campeão levou a Dubai World Cup de forma sensacional, brigando com a polícia e resistindo até o disco para ganhar por toque de focinho o maior prêmio já obtido por um cavalo brasileiro (a vantagem fica clara na imagem do espelho, na parte de cima da foto ao lado). Foi uma vitória da ousadia somada ao bom planejamento. Sonhar grande é fundamental e dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno, mas o que diferencia os realizadores dos meros sonhadores é a capacidade de planejar passo a passo como chegar lá, executando o planejamento com disciplina e tendo autocrítica para corrigir rumos quando necessário.
O fato curioso da World Cup ficou por conta da comemoração do jóquei de Lizard's Desire, segundo colocado, focalizado pela tv durante quase dois minutos, até que o fotochart revelasse a pequena vantagem do cavalo brasileiro. Correram pouco o americano Gio Ponti e o francês Vision D'Etat.
Não consegui assisitir a maioria dos páreos, e consegui escapar do prejuízo graças ao horário de abertura do Turf. Como a agência ainda estava fechada, não joguei nos dois cavalos que achava as indicações mais firmes do festival. California Flag perdeu a Al Quoz Sprint no final, depois de pontear com folga. Desert Party fracassou inapelavelmente na Godolphin Mile, pagando o preço da fórmula longa inatividade + reaparecimento em páreo fraco + inscrição logo em seguida em páreo mais forte e distância maior.
A partir daí, o Turf abriu e consegui assistir dois páreos antes de tomar o rumo de outros compromissos. Coincidentemente, foram os únicos dois páreos que acertei no festival. No UAE Derby, deu a dobradinha de Mike De Kock, com a vitória do favorito Musir, secundado pela sua companheira Raihana. Na Golden Shaheen, venceu o americano Kinsale King, com Rocket Man em segundo. Achei muito ruim a condução dada ao representante de Singapura, que pulou bem, mas foi recolhido na metade da curva, ficando no bloco intermediário. Quando tentou buscar a vitória, encontrou tráfego e só conseguiu deslanchar nos últimos 100 metros, perdendo por meio corpo. O favorito Gayego mostrou mais uma vez que "não gosta de dinheiro", pois sempre decepciona nas grandes ocasiões.
Não assisti a Duty Free, vencida por Al Shemali, e só vi a Sheema Classic em replay. Na primeira, se confirmou a minha previsão de indicar cinco cavalos e não colocar nenhum no placê. Na segunda, venceu Dar Re Mi, mas também acho que houve uma má condução decisiva, a da japonesa Red Desire, segunda colocada. Com melhor percurso, teria vencido.
A festa se encerrou, então, com a comemoração brasileira. Parabéns a Stephan Friborg, proprietário corajoso, e a Tiago Josué Pereira, jóquei iniciado no Cristal, e que muitas vitórias já teve pela minha blusa.
Quando retornar ao Brasil, tento incluir o vídeo do páreo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dubai 2010


Muito já falei sobre o carnival de Dubai nos anos anteriores, então fica desnecessário explicar o que significa para o mundo do turfe. Este ano, duas novidades: um páreo a mais no programa, e as disputas no recém inaugurado hipódromo de Meydan, em pista sintética, ao invés da areia de Nad Al Sheba, o que muda bastante as principais provas. Além disso, shows de Santana e Elton John – os sheiks não tem limites quando o assunto é mostrar poder econômico.
O páreo “novidade” é o segundo, o Al Quoz Sprint, em 1200 grama, após a tradicional abertura com cavalos árabes. Todos sabem que gosto de favoritos, e aqui tem um que me agrada muito, o tordilho Califórnia Flag, fácil ganhador da Breeders Cup Turf Sprint, e depois quinto na Cathaway Pacific Hong Kong Sprint, a menos de dois corpos do ganhador. Tem a melhor ficha, e os americanos costumam dominar as provas de velocidade em Dubai. Só perde se estranhar muito alguma coisa (raia diferente, viagem, etc.).
Na Godolphin Mile, vou acreditar novamente em Desert Party, favoritão do UAE Derby do ano passado, que acabou perdendo para seu companheiro Regal Ransom. Depois disso, fracassou no Kentucky Derby e veio reaparecer apenas em 4/3, já em Meydan, ganhando páreo em 1200. Não é exatamente o planejamento de campanha que eu faria, voltar depois de dez meses em 1200, para ser inscrito 23 dias depois numa milha, em turma bem mais forte, mas acho que ele é bem superior à turma e ganha igual. Se perder, nunca mais leva o meu.
No UAE Derby, acho que a prova está entre 3 animais. Impossível não respeitar duas inscrições do sul-africano Mike De Kock, o favorito Musir, ganhador do UAE 2000 Guineas, e a potranca Raihana, ganhadora do Oaks, ambos originários do país da copa, mas já defendendo as cores de um membro da família Maktoum. A campanha na origem credencia mais o potro, ganhador de grupo 1 por lá, enquanto a potranca tinha campanha comum em seu país. O inimigo está em família, o invicto Mendip, da Godolphin, com vitória na estréia em Kempton Park e duas em Meydan. Irão participar também os brasileiros Oroveso e Uncle Tom, que tentarão colocações.
A Golden Shaheen costumava ser o paraíso dos americanos enquanto era corrida no dirt. No sintético, teremos um páreo duro, com três forças aparentes. Deve ser favorito o sempre esperado Gayego, quarto na BC Sprint em chegada incrível, mas que reapareceu em Meydan com um apenas razoável segundo lugar. De Santa Anita, vem Kinsale King, credenciado por duas vitórias recentes em provas de grupo, como grande rival. Impossível desprezar, também, Rocket Man, dono de oito vitórias (inclusive grupo 1) e um segundo em Singapura, sem escolher raia. Páreo duro.
A Dubai Duty Free, como sempre, é um dos páreos mais complicados do festival. Vou falar em cinco cavalos e tenho chance de não colocar nenhum nem no placê. Imbongi, cotado a 9/2, tem boa campanha na Inglaterra e parece adaptado à grama de Meydan. Good Ba Ba, criado pelo Santa Maria de Araras, ganhou em dezembro a HK Mile, e mesmo tendo corrido menos nas duas últimas e já sendo um cavalo de 8 anos, parece ser uma opção viável. Courageous Cat vem dos Estados Unidos com um segundo para ninguém menos que Goldikova na BC Mile. Alexandros, da Godolphin, já teve seus bons momentos em pistas inglesas. Presvis, favorito de 4/1, foi segundo para Gladiatorus na Duty Free passada, e também tem grande chance. Ou seja, prefiro não opinar.
Na Sheema Classic, o páreo de 2.400 metros, grama, outra pedreira. Reaparece o campeão do ano passado Eastern Anthem, depois de campanha produtiva na Alemanha, inclusive com segundo no Prix Von Baden. O seu escoltante em 2009 também está aqui – Spanish Moon, depois de perder por focinho a Sheema passada, ganhou duas de grupo na França, fez bom quarto na BC Turf e voltou a perder páreo incrível na HK Vase, novamente por focinho. O incansável Youmzain, pessimamente corrido no ano passado, volta com Kieren Fallon no dorso, uma melhora significativa em relação a Richard Hills, seu jóquei de várias “ensacadas”. É um cavalo que já entrou para a história do turfe, pelo simples fato de ter secundado Zarkava e Sea The Stars em dois Arcos memoráveis. Parece, entretanto, que ele não gosta de ganhar – sua última vitória foi junho de 2008. A Godolphin acredita aqui em Cavalryman, terceiro no Arco, muito próximo de Youmzain. Meu voto, no entanto, é para Presious Passion, que larga e prende o pé. Como todos os citados antes correm de trás, ele pode conseguir o que quase fez na BC Turf – largar e acabar (perdeu para Conduit por meio corpo).
Na World Cup (a foto acima é da taça), os americanos costumam dominar, mas a mudança para o sintético pode transformar tudo. Ainda me obrigo a indicar Gio Ponti, que após ter secundado Zenyatta na BC Classic, descansou e levou uma carreira para chegar em Dubai no último furo. Conseqüentemente, é preciso respeitar muito Twice Over, terceiro na mesma BC, e ganhador de grupo 1 na Inglaterra. Há muita fé em Gitano Hernando, com boas vitórias em hipódromos ingleses secundários e grupo 1 em Santa Anita. Vision D´Etat é outro de grande categoria – após fracassar no Arco, levou a HK Cup. Fala-se ainda na japonesa Red Desire, ganhadora do preparatório – se ela tem chance, não podemos esquecer do nosso guerreiro Glória de Campeão, alcançado por ela no último pulo...Enfim, acho que será um festival mais categorizado do que no ano passado – melhores cavalos, mais emoções.

quinta-feira, 18 de março de 2010

As Americanas e Uma Brasileira


As fêmeas dominaram o turfe americano em 2009, com Rachel Alexandra reinando soberana em sua geração (e também vencendo os machos de mais idade), e Zenyatta esmagando todos que apareceram em seu caminho, fechando o ano com a histórica vitória na Breeders Cup Classic. Rachel acabou eleita horse of the year, uma escolha injusta, já que ela fugiu do confronto máximo na BC. Os proprietários de Zenyatta arriscaram e foram campeões nas pistas, os de Rachel Alexandra “ficaram na moita” e foram aclamados pela crítica...
No fim de semana passado, as duas estrelas reapareceram, em hipódromos diferentes. Zenyatta manteve sua invencibilidade, conquistando uma fácil 15ª vitória. Rachel Alexandra acabou decepcionando e sendo derrotada pela brasileira Zardana (foto), colocando um ponto de interrogação ainda maior no seu Eclipse Award. Foi a primeira vez desde 1998 que o horse of the year perdeu em sua primeira atuação após o título – com a devida ressalva, é claro, de que a maioria não corre mais depois da consagração, pois vai para a reprodução.
O histórico feito da égua brasileira acontece no seu melhor momento nos Estados Unidos, após ela ter vencido um grupo 2 em dezembro passado. Zardana prova, assim, que tem muita categoria, e não apenas a precocidade que havia mostrado no Brasil. Rachel Alexandra passa a ter a continuidade de sua campanha posta em dúvida – seus responsáveis afirmam que não há previsão de quando ele voltará a correr. O duelo das máquinas parece cada vez mais distante de acontecer nas pistas.