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sábado, 6 de novembro de 2010

Dia Histórico


Hoje, Churchill Downs será palco de mais um capítulo da história do turfe, certamente um dos mais memoráveis, por bem ou por mal. Zenyatta e Goldikova estarão buscando a consagração, e suas eventuais derrotas serão igualmente lembradas por anos.
A tarde da Breeders Cup começa com a Juvenile Turf, carreira de prognóstico dificílimo. Eu ia até pular e começar os comentários no páreo seguinte, mas por obrigação vou usar uma lógica simplista: grama é pista para europeu, e o melhor deles parece ser Master Of Hounds, terceiro no Racing Post Trophy, principal carreira de potros da Inglaterra. As BC Juvenile, no entanto, costumam ser bem mais complicadas do que isso, especialmente as da grama.
A seguir, uma BC Sprint também difícil. Big Drama vem de dois segundos importantes, mas segundo os handicapers americanos, a baliza um tem baixo índice de ganhadores nos 1200 areia de Churchill Downs. Ao lado dele, irá partir Girolamo, da Godolphin, que curiosamente foi extendido da milha para a BC Classic no ano passado, mas depois parou e reapareceu dez meses depois em distâncias curtas. Vem de ganhar o Vosburgh em Belmont, o que certamente o credencia como força da prova. Inscrição curiosa aqui é a de Kinsale King, ganhador da Dubai Golden Shaheen em março, e que depois foi à Inglaterra tentar fortíssimas disputas na grama, tendo chegado em terceiro no Golden Jubilee em Royal Ascot, fracassando a seguir na July Cup. Como sua campanha anterior em solo americano era toda no sintético, parece estranho que ele não esteja na Turf Sprint.
A prova dos velocistas de grama, na seqüência, é outra pedreira para indicar alguma coisa. Silver Timber parece ter leve destaque, mas convém não desprezar o atual campeão California Flag, mesmo com seu fracasso na última.
A BC Juvenile promete uma demonstração de grande classe. Falam maravilhas de Uncle Mo, que impressionou nas suas duas vitórias, entre elas o Champagne Stakes em Belmont. Ele terá que provar que corre de verdade, pois terá em Boys At Tosconova, ganhador do Hopeful em Saratoga, um forte rival. J. B.´s Thunder, que também já tem grupo 1 na ficha, é outro que merece respeito. Vindo de vencer o Criterium de Milão, Biondetti, da Godolphin, é outra possível surpresa. Quero ver também como se sairá o campeão peruano Murjan, apesar de entender que ele terá tudo (mudança de hemisfério, de trem de carreira, de turma) contra.
Chegaremos, então, à BC Mile. Impossível marcar contra o tri de Goldikova (foto). Impossível torcer contra ela, sendo um turfista admirador de craques. O páreo terá, no entanto, um campo altamente qualificado, a começar por Gio Ponti, segundo na Classic em 2009, e que preferiu brigar pela vitória na grama. Tem também Paco Boy, excelente milheiro europeu, mas freguês da estrela da carreira. Importante citar também Sidney´s Candy, que depois de fracassar no Kentucky Derby (quando era um dos favoritos), voltou a correr bem e vem de vitória em grupo 2, e a égua Proviso, que talvez tenha fugido da Filly & Mare Turf pela distância (suas vitórias tem sido ao redor da milha), e acabou pegando a pior baliza em uma turma de primeiríssima.
A Dirt Mile também promete equilíbrio. Tizway, que vem de duas ótimas carreiras em Belmont, é o retrospecto. Here Comes Bem vem de quatro seguidas, a última em grupo 1. Gayego e Crown Of Thorns que brigaram pela vitória na Sprint passada, merecem consideração, apesar do pupilo da Godolphin parecer estar declinando, e o C.O.T. ter campanha baseada no sintético. Ainda convém considerar Morning Line e, como pensamento mágico, Mine That Bird, que não vence desde que surpreendeu o mundo do turfe no Kentucky Derby do ano passado.
A BC Turf é, ao mesmo tempo, fácil e difícil de marcar. Se prevalecer a categoria, ganha Workforce, secundado por Behkabad. Os dois no entanto, acabam de correr um extenuante Arco do Triunfo, e principalmente o favorito já parece ter dado mostras de não gostar de correr em intervalos apertados de tempo. O problema é que sair desta dupla, em páreo de apenas oito, é tarefa difícil. Debussy, outro que tem categoria, veio do velho continente ganhar o Arlington Million, voltou para Newmarket, correu o Champion Stakes em 16/10 (foi terceiro), e vinte dias depois, está inscrito em Churchill Downs. Desculpe, mas cavalo não é comissário de bordo. Entre os americanos, não dá para procurar muita classe, mas Champ Pegasus deve ser o que vai chegar.
Chega, então, o grande momento: Zenyatta em busca da consagração definitiva. Difícil precisar o que significam suas vitórias apertadas contra as fêmeas. Parece que ela corre somente o necessário para ganhar, e vai precisar superar um campo mais forte e uma reta mais curta. Vou torcer por ela. Seu principal inimigo parece ser Quality Road, o cavalo do train violentíssimo e dos recordes, que deve largar comandando as ações da baliza 1. Bem por fora, larga outro candidato, o badalado Lookin At Lucky, que não levou a última Juvenile por má direção de Garret Gomez, barrado depois do percurso acidentado do Kentucky Derby. Com Martin Garcia up, L.A.L. não perdeu mais, levando o Preakness, o Haskell e o Indiana Derby. Por puro palpite, eu não acredito muito nele. Convém lembrar de Blame, que vem de bater Quality Road no Whitney, e de Haynesfield, que vem de vencer Blame no Jockey Club Gold Cup.
É um festival de classe absoluta. Tomara que seja também o dia da consagração de Zenyatta. Ela merece.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Campeão


Estou escrevendo este post atrasado, pois estou de férias no Estados Unidos, e o tempo tem sido curto.
O turfe brasileiro está em festa com a sua maior conquista em todos os tempos: Glória de Campeão levou a Dubai World Cup de forma sensacional, brigando com a polícia e resistindo até o disco para ganhar por toque de focinho o maior prêmio já obtido por um cavalo brasileiro (a vantagem fica clara na imagem do espelho, na parte de cima da foto ao lado). Foi uma vitória da ousadia somada ao bom planejamento. Sonhar grande é fundamental e dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno, mas o que diferencia os realizadores dos meros sonhadores é a capacidade de planejar passo a passo como chegar lá, executando o planejamento com disciplina e tendo autocrítica para corrigir rumos quando necessário.
O fato curioso da World Cup ficou por conta da comemoração do jóquei de Lizard's Desire, segundo colocado, focalizado pela tv durante quase dois minutos, até que o fotochart revelasse a pequena vantagem do cavalo brasileiro. Correram pouco o americano Gio Ponti e o francês Vision D'Etat.
Não consegui assisitir a maioria dos páreos, e consegui escapar do prejuízo graças ao horário de abertura do Turf. Como a agência ainda estava fechada, não joguei nos dois cavalos que achava as indicações mais firmes do festival. California Flag perdeu a Al Quoz Sprint no final, depois de pontear com folga. Desert Party fracassou inapelavelmente na Godolphin Mile, pagando o preço da fórmula longa inatividade + reaparecimento em páreo fraco + inscrição logo em seguida em páreo mais forte e distância maior.
A partir daí, o Turf abriu e consegui assistir dois páreos antes de tomar o rumo de outros compromissos. Coincidentemente, foram os únicos dois páreos que acertei no festival. No UAE Derby, deu a dobradinha de Mike De Kock, com a vitória do favorito Musir, secundado pela sua companheira Raihana. Na Golden Shaheen, venceu o americano Kinsale King, com Rocket Man em segundo. Achei muito ruim a condução dada ao representante de Singapura, que pulou bem, mas foi recolhido na metade da curva, ficando no bloco intermediário. Quando tentou buscar a vitória, encontrou tráfego e só conseguiu deslanchar nos últimos 100 metros, perdendo por meio corpo. O favorito Gayego mostrou mais uma vez que "não gosta de dinheiro", pois sempre decepciona nas grandes ocasiões.
Não assisti a Duty Free, vencida por Al Shemali, e só vi a Sheema Classic em replay. Na primeira, se confirmou a minha previsão de indicar cinco cavalos e não colocar nenhum no placê. Na segunda, venceu Dar Re Mi, mas também acho que houve uma má condução decisiva, a da japonesa Red Desire, segunda colocada. Com melhor percurso, teria vencido.
A festa se encerrou, então, com a comemoração brasileira. Parabéns a Stephan Friborg, proprietário corajoso, e a Tiago Josué Pereira, jóquei iniciado no Cristal, e que muitas vitórias já teve pela minha blusa.
Quando retornar ao Brasil, tento incluir o vídeo do páreo.