No turfe nacional, a mesma tristeza. Elogiei aqui Too Friendly, o ganhador mais impressionante de uma prova de grupo 1 na semana do São Paulo.... foi pego no anti-doping. Mais uma triste mancha no turfe brasileiro, cada vez mais deprimente. O cavalo do Santa Maria de Araras não foi o único flagrado, a égua Ladyttore, terceira colocada no Osaf também "dançou". Com certeza, vários outros animais também tomaram substâncias proibidas e acabaram escapando por sorte, porque seus materiais coletados não foram sorteados para exame, ou por haverem tomado medicações mais modernas. O treinador Roberto Morgado Neto, aliás, a família Morgado, é ultrareincidente no assunto, como são também outros renomados profissionais que vivem eternamente no ciclo punição-usar nome de laranja-volta triunfal-punição... No caso específico dos Morgado, é laranjada em família: pai-filho-neto-filho-pai... Por sinal, se colocarmos no Google "Roberto Morgado Neto", a primeira notícia que aparece é "CC suspende Roberto...", datada de 28/12/2005, por medicação no cavalo Martino, também do Araras.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Últimas do Turfe
No turfe nacional, a mesma tristeza. Elogiei aqui Too Friendly, o ganhador mais impressionante de uma prova de grupo 1 na semana do São Paulo.... foi pego no anti-doping. Mais uma triste mancha no turfe brasileiro, cada vez mais deprimente. O cavalo do Santa Maria de Araras não foi o único flagrado, a égua Ladyttore, terceira colocada no Osaf também "dançou". Com certeza, vários outros animais também tomaram substâncias proibidas e acabaram escapando por sorte, porque seus materiais coletados não foram sorteados para exame, ou por haverem tomado medicações mais modernas. O treinador Roberto Morgado Neto, aliás, a família Morgado, é ultrareincidente no assunto, como são também outros renomados profissionais que vivem eternamente no ciclo punição-usar nome de laranja-volta triunfal-punição... No caso específico dos Morgado, é laranjada em família: pai-filho-neto-filho-pai... Por sinal, se colocarmos no Google "Roberto Morgado Neto", a primeira notícia que aparece é "CC suspende Roberto...", datada de 28/12/2005, por medicação no cavalo Martino, também do Araras.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
A Volta Triunfal de Luiz Duarte
O São Paulo 2010 foi de Luiz Duarte, de volta ao Brasil depois de vários anos montando no Sudeste Asiático. Ele levou três clássicos, incluindo as duas provas principais. Deve ter calado definitivamente a boca dos seus críticos cariocas, já que ganhou o páreo principal e a milha com cavalos de proprietários do Rio...
As provas de Grupo 1 começaram no sábado com a vitória de Que Milionária no Osaf, um páreo que “não tinha ganhador”. A pupila do Petrochinski agradeceu a grama leve, que a possibilitou correr desferrada para conquistar a maior vitória da sua campanha. Em segundo chegou Hostellerie, outra égua de 4 anos que até então não havia brilhado em provas de grupo. A favorita Top Note, largando pela baliza 18, fez esforço inicial para conseguir fazer a diagonal no final da reta oposta e sumiu na reta final.
No ABCPCC, a prova de velocidade, muito trabalho para a comissão de corridas, que teve que analisar por mais de 15 minutos a reta de frente para decidir o resultado final. Ganhou Jeton de Luxo, potro preparado no Paraná, que vinha de duas vitórias em ótimos tempos. Apanhando boa partida, livrou luz e foi levado para a cerca externa por Altair Domingos, vencendo com firmeza, mas gerando a reclamação de Gallian, o segundo na corrida, que largava pela última baliza. A comissão considerou (acertadamente) que o vencedor tinha luz quando cruzou a frente do seu adversário e confirmou a sua vitória. Gallian é que acabou desclassificado para quinto, já que no lance com o ganhador, acabou vindo para dentro e se chocando com Tick Tock, que acabou em quinto, apenas meio corpo atrás do segundo. Assim, a ordem de chegada oficial estabeleceu Jaguarão em segundo, Última Palavra em terceiro (eram os dois que estavam nas balizas internas, longe da confusão), e o reclamante Tick Tock em quarto, com Gallian fora da quadrifeta.
No domingo, o Juliano Martins teve a vitória de Xin Xu Lin, potro que tinha apenas uma atuação (vitoriosa) em março, em 1000 metros. Trazido para a milha, acompanhou em segundo o ritmo imposto por Armas e Flores para dominar bem na reta, possibilitando a segunda vitória de grupo 1 da carreira da aprendiz Jeane Alvez. O ponteiro acabou em quarto, suplantado por Uareoutlaw e Calling Elvis, dois dos mais cotados. Mais uma vitória, também, para Estanislau Petrochinski, único treinador de São Paulo a vencer provas de grupo na semana máxima paulista.
Na milha do Presidente da República, um passeio do favorito Too Friendly. O único trabalho do Duarte foi faze-lo sair, em menos de 200 metros de corrida, da incômoda baliza 18 para a cerca interna, dosando, a partir daí, o ritmo do pupilo do Santa Maria de Araras até o disco. Depois de vencer o Juliano Martins em 2009, Too Friendly leva seu segundo grupo 1 em Cidade Jardim, novamente de ponta a ponta.
No GP São Paulo, muita emoção na chegada e o mérito inegável de Luiz Duarte. Nos 300 finais, Rockwell dominou e parecia ter liquidado a fatura, quando Sal Grosso, que havia avançado sempre pelas balizas internas, foi arrancado pelo Duarte por fora do ponteiro para dominar e agüentar a carga violentíssima de Hong Kong e Moryba, que voavam baixo mais abertos. Cem metros antes da chegada, Sal Grosso estava perdendo, e provavelmente 30 metros depois teria entrado terceiro, mas no disco, quem levou foi ele, evidenciando o cálculo de percurso perfeito do Duarte. A vitória do bom potro do TNT, ganhador da primeira prova da tríplice coroa carioca e bem colocado nas outras duas, foi a sexta consecutiva de um animal de 3 anos no São Paulo, conseqüência natural do êxodo dos melhores cavalos para o Hemisfério Norte – que deve ser o destino de Sal Grosso no segundo semestre.A parte ruim da festa foi o movimento de apostas, de R$ 1.003.915, 6% abaixo do ano passado e 13% abaixo de 2008. Em valores nominais, foi o pior resultado dos últimos 8 anos. Se aplicarmos correção pelo IPCA nos números de anos anteriores, o movimento do São Paulo foi o pior da história, 76% abaixo do que se apostou em 1995, o melhor ano da história recente. Ou seja, se o turfe brasileiro não achar um novo caminho, tende a morrer aos poucos.
sábado, 15 de maio de 2010
Grandes Dias

O Preakness tem perdido progressivamente, como todo mundo vem comentando, seu brilho e qualidade técnica. Apenas duas semanas depois do Kentucky Derby (como sempre foi), ele acaba sendo cada vez mais apenas o passo intermediário do derby winner rumo à coroa, enfrentando um campo sempre mais vazio e menos qualificado do que o derrotado em Churchill Downs. Geralmente, o resultado do Preakness apenas alimenta a expectativa no Belmont Stakes, aí sim com fatos novos – distância maior, animais preparados apenas para a terceira prova, etc. Nos últimos 40 anos, 16 ganhadores do Derby repetiram na segunda prova, o que torna Super Saver óbvio favorito para hoje. Parece que apenas o azarado Lookin At Lucky e o tordilho Paddy O´Prado podem ser inimigos. Apenas três candidatos, panorama bem diferente do que escrevi semana retrasada.
Em São Paulo, o Osaf costuma ser bem equilibrado, e como eu já não acertava muito quando acompanhava de perto as corridas de Cidade Jardim, agora, que eu não tenho assistido muita coisa, fica difícil dar palpite. Entre as mais novas (são várias com chances), Top Note parece ser a melhor – vem de ganhar em 119´1. Entre as mais velhas, é bom respeitar Hope, que sempre chega.
No velocidade, Última Palavra busca o bi e Jaguarão tenta a desforra do ano passado, ambos largando lado a lado nas balizas internas. Bem por fora, larga o potro Gallian (foto), com sua espetacular ficha de 5 vitórias e um segundo nas seis apresentações da sua curta campanha. A dúvida é a grama, que ele encara pela primeira vez. Para mim, ele não vai estranhar e deve conquistar seu primeiro grupo 1.
terça-feira, 19 de maio de 2009
GP São Paulo - Parte II
Voltando às carreiras, o domingo de três provas de grupo 1 e outros três páreos importantes começou com o Clássico Adil, em 3218 metros. Com apenas cinco competidores, uma vitória fácil do mais categorizado, o tordilho Ocho El Negro, que vinha de um retumbante último lugar a 34 corpos de I Remember. No domingão do São Paulo, no entanto, Ocho El Negro foi corrido com muita calma por Altair Domingos, saindo do último lugar para a tomar de golpe a ponta nos 1400 finais e não mais ser alcançado, deixando o próprio I Remember longe em terceiro.
No GP Juliano Martins, o grupo 1 dos potros de 2 anos, uma vitória esmagadora (e surpreendente) de Too Friendly, do Santa Maria de Araras. Quando todos esperavam o líder da geração Indômito brigando na frente, o ganhador, que corria pela primeira vez na grama, foi quem largou e acabou. Seus escoltantes, Luther e Vasuveda, demonstraram evolução. O segundo mais apostado Tommasi foi o quarto, com o favorito Indômito, corrido mais acomodado, finalizando apenas em quinto.
Na milha do GP Presidente da República, prevaleceu o favorito Kappo Di Tutti, em nova direção tranqüila de Altair Domingos. Foi a quarta consecutiva deste milheiro que ganha cada vez mais firme. Na segunda posição, a égua Mary Rê, em quem eu não acreditava. A seguir, o renascido Snack Bar e o chegador Resende. O tempo foi 6 décimos inferior ao de Too Friendly, o que só serviu para enaltecer ainda mais a vitória do potro.
Chegou, então, o grande momento: o GP São Paulo, talvez com o melhor campo da década. Afinal, seis ganhadores de grupo 1 estavam alinhando em busca da vitória. Um deles, o ganhador do último GP Brasil, Top Hat, comandou as ações, como de hábito, mas acabou esmorecendo na entrada da reta. A briga ficou entre os dois favoritos. Flymetothemoon, que havia derrubado J. Ricardo no Latinoamericano, se apresentou antes, dominando a prova, e resistindo ao ataque final de Hot Six, o ganhador do referido Latino, para vencer por um corpo. O duelo entre os dois, que poderia ser explorado pela mídia na improvável hipótese de ambos correrem o GP Brasil, está agora empatado em 3x3. No último domingo, Flymetothemoon venceu no percurso de Waldomiro Blandi, que trouxe o seu conduzido mais perto dos ponteiros (sétimo / oitavo) e entrou na reta por dentro, achando a passagem pela baliza quatro para dominar o páreo. Hot Six foi corrido por Altair Domingos um pouco longe demais, sempre entre os cinco últimos, e entrou na reta um pouco aberto. Seu bom esforço final não foi suficiente para lhe dar a vitória.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
GP São Paulo - Parte I

No sábado, começou a disputa na raia. Logo no segundo páreo, uma das minhas dicas se confirmou. Quari For Two, apesar de não ser estreante, reaparecia vindo do Paraná com o baixíssimo rateio de 1,30 na abertura das apostas (acabou fechando em 1,60), credenciado por colocação em prova de grupo aos dois anos, enfrentando agora o páreo de 3 anos sem vitória. Era, no entanto, uma tragédia anunciada – havia sofrido hemorragia violenta nas duas últimas atuações, e correria sem lasix. Estava fácil de identificar a “bomba” da semana... Dito e feito, o favorito paranaense brigou na frente e acabou descolocado – aproveitei para tirar todo o meu prejuízo da sexta.
No GP Osaf, primeira prova de grupo do festival, as principais éguas do Brasil se enfrentaram em um páreo que historicamente proporciona surpresas. Desta vez, prevaleceu a lógica, vencendo Spring Love (foto acima), representante carioca em evolução, que havia vencido prova preparatória do Osaf na Gávea. Fúria Olímpica e Ursula´s Home, que haviam formado (na ordem invertida) a dupla da preparatória paulista, chegaram a seguir.
Encerrando as disputas de grupo 1 do dia, o GP ABCPCC reuniu os principais velocistas do país, com exceção da craque Requebra, amargando um afastamento das pistas para recuperação. As atenções recaíam, então, sobre Taludo, ganhador da mesma prova em 2008, mas que havia corrido pouco no seu reaparecimento, em abril. Na hora da verdade, o favorito pouco produziu. As éguas Última Palavra, pela raia 1, e Sicília, pela cerca externa, comandaram as ações. Nos últimos 100 metros, Jaguarão, outro dos mais cotados, atropelou forte por fora, mas não em tempo de vencer. Última Palavra resistiu, mostrando que o sol que brilhou durante toda a tarde havia secado a parte interna da pista – não por acaso, o outro páreo de 1000 metros do dia também foi vencido pelo animal da baliza 1. Jaguarão mais uma vez “bateu na trave” em provas importantes, e Sicília também repetiu suas atuações, novamente ponteando e esmorecendo quando a parceria fica mais reforçada (acabou em quinto).
Amanhã, comento os páreos de domingo.