quinta-feira, 11 de junho de 2009

Outro Bird

O Belmont Stakes teve outro Bird como herói. Ao invés do derby winner Mine That Bird, ganhou Summer Bird, ganhador de apenas um páreo comum até então e sexto colocado no Derby. O Bird comum ao nome não é coincidência, ambos são filhos de Birdstone, ganhador do Belmont em 2004.
O segundo colocado foi o tordilho Dunkirk, que estabeleceu um ritmo vivo nos primeiros 800 metros, galopado depois em train mais ameno, e que parecia, na entrada da reta, que seria apenas o quarto colocado, pois estava sendo dominado pelo favorito e por Charitable Man, sem falar na atropelada já vistosa do ganhador. Dunkirk reagiu com valentia para garantir a dupla, deixando Mine That Bird apenas em terceiro e Charitable Man, muito prejudicado, em quarto.
Muito se falou, antes e depois do páreo, sobre o ritmo de carreira. Antes, falava-se que o train lento desfavoreceria Mine That Bird. Como o ritmo da corrida não teve nada de lento, a derrota do derby winner só pode ser creditada a duas coisas: precipitação do jóquei Calvin Borel, deixando seu conduzido avançar cedo demais em um páreo com ritmo forte, ou o desgaste natural de correr as três provas da Tríplice Coroa (foi o único dos 4 primeiros em Belmont a faze-lo). Depois, falou-se que Dunkirk estabeleceu parciais muito frenéticas, que teriam eliminado suas chances e favorecido um animal que veio do fundo do pelotão.
Como o Belmont Stakes é meu páreo preferido nos states, analisei as seis últimas edições para dar opinião sobre as parciais do páreo. Observando a tabela que está na parte de baixo do post, vemos que Dunkirk estabeleceu ritmo intenso nos 400 e 800 metros, semelhante apenas a Bob And John em 2006, que acabaria “caindo morto” no Belmont vencido por Jazil. Suas marcas para 1.200 e 1.600 metros foram, no entanto, parecidas com as de Da´Tara, que venceu de ponta a ponta no ano passado. Nos padrões dos últimos seis anos, destoam apenas as parciais de 2007, quando dois animais “caminharam” na ponta e não chegaram, e 2004, quando Stuart Elliot “deu a partida” em Smarty Jones de forma alucinada, botando fora a tríplice coroa.
Dunkirk perdeu por imprimir um ritmo exagerado? Não parece – acho mesmo é que o tordilho não é tudo o que pensam. Mine That Bird teve que avançar cedo porque o páreo estava muito lento, como disse Calvin Borel? Também não– Borel “correu muita barbada”, achou que ganhava na hora que desejasse.
Esta geração de potros americana continua sendo uma incógnita, é difícil afirmar quem é a “máquina”, se é que existe alguma entre os machos, já que Rachel Alexandra é a grande fêmea da América. O Travers Stakes será o início do esclarecimento, que só irá terminar mesmo na Breeders Cup Classic.












sábado, 6 de junho de 2009

O Belmont Stakes


Hoje é dia da 141ª edição do Belmont Stakes, última prova da Tríplice Coroa americana. Uma grande festa popular, que costuma levar um mínimo de 50 mil pessoas ao hipódromo – foram 120 mil em 2004, quando Birdstone estragou a festa de Smarty Jones. Por dez dólares, é possível entrar no térreo da tribuna principal, sem necessidade de traje especial. Aliás, sem necessidade de traje nenhum, dá para entrar até sem camisa, como mostra a foto acima, tirada por mim em 2005. O povo vai com a família, come cachorro quente, toma cerveja, aposta umas moedas e se diverte. E as moedas de milhares de americanos somadas, dentro e fora do hipódromo, acabam gerando um movimento que beira os 100 milhões de dólares.
Sem Rachel Alexandra, ganhadora do Preakness, o justo favoritismo é do derby winner Mine That Bird. Sua principal ameaça parece ser Charitable Man, que venceu o Belmont Futurity (G2) aos dois anos, teve que parar por sete meses, reapareceu fracassando no Blue Grass Stakes (por isso não indo ao Derby) para depois vencer de forma categórica o Peter Pan Stakes (G2), mês passado. Há esperança também em Dunkirk, tordilho sempre tido como máquina, mas que até agora tem na sua ficha uma derrota para Quality Road no Florida Derby (em tempo recorde, é verdade) e um fracasso no Kentucky Derby, onde tem a desculpa do percurso bastante desfavorável.
Fala-se que o principal inimigo de Mine That Bird deve ser o ritmo de carreira, mais lento que nas duas provas anteriores. Há também o inegável desgaste de correr as três coroas. Para mim, ele já mostrou que tem categoria para superar tudo isso, e deve vencer.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ganhou o Barcelona

Ganhou o Barcelona na Champions League, todo mundo já sabe. Escrever sobre notícia velha é brabo, por isso apenas alguns pontos:
- O Manchester não vinha jogando bem, mas ganhava no talento individual dos seus craques. Contra uma equipe igualmente talentosa e mais organizada, foi dominado durante oitenta minutos. Sir Ferguson chegou a ter, no segundo tempo, cinco atacantes em campo (Cristiano Ronaldo, Rooney, Tevez, Berbatov e Giggs, originalmente um ponta agudo), no melhor estilo Abelão.
- Giggs era excelente jogador na década de 90. Hoje, com 35 anos, é um a menos em campo.
- Será que alguém ainda irá cantar que "Obina é melhor que Eto´o"?
- Messi certamente será eleito o melhor do mundo. Por enquanto, não achei nos sites de apostas nada com relação ao prêmio da Fifa. Se encontrar, aviso.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Preakness

Sábado passado, não consegui assistir o Preakness Stakes, segunda prova tríplice coroa americana – estava em São Paulo, envolvido com as corridas ao vivo. Venceu Rachel Alexandra, a melhor potranca da América, batendo os machos, inclusive Mine That Bird, o ganhador do Kentucky Derby. Calvin Borel, piloto do derby winner, preferiu montar Rachel Alexandra e confirmou o acerto da escolha. Mais uma vez, os americanos não terão tríplice coroado, pois Mine That Bird foi o segundo em excelente esforço final.
O vídeo está aí, tirem suas próprias conclusões. Eu não concordo que Mine That Bird poderia ter vencido, como opinaram alguns, se atropelasse pela cerca, a exemplo do que fez em Kentucky. No último sábado em Pimlico, ninguém ganharia da potranca. A terceira prova em Belmont Park deve ter outra história, e Mine That Bird é desde já meu favorito.

terça-feira, 19 de maio de 2009

GP São Paulo - Parte II

Nas primeiras horas de domingo, o GP São Paulo já começou a ser notícia no programa Altas Horas, um esforço da Globo em abrir espaço para a prova que patrocinava. Entrevistados por Serginho Groisman, os jóqueis Nelito Cunha e Josiane Goulart. A pérola, no entanto, ficou por conta do ator Ney Latorraca que, ao ser perguntado se já havia ido ao Jóquei, respondeu que “não era viciado, mas seu avô era”...
Voltando às carreiras, o domingo de três provas de grupo 1 e outros três páreos importantes começou com o Clássico Adil, em 3218 metros. Com apenas cinco competidores, uma vitória fácil do mais categorizado, o tordilho Ocho El Negro, que vinha de um retumbante último lugar a 34 corpos de I Remember. No domingão do São Paulo, no entanto, Ocho El Negro foi corrido com muita calma por Altair Domingos, saindo do último lugar para a tomar de golpe a ponta nos 1400 finais e não mais ser alcançado, deixando o próprio I Remember longe em terceiro.
No GP Juliano Martins, o grupo 1 dos potros de 2 anos, uma vitória esmagadora (e surpreendente) de Too Friendly, do Santa Maria de Araras. Quando todos esperavam o líder da geração Indômito brigando na frente, o ganhador, que corria pela primeira vez na grama, foi quem largou e acabou. Seus escoltantes, Luther e Vasuveda, demonstraram evolução. O segundo mais apostado Tommasi foi o quarto, com o favorito Indômito, corrido mais acomodado, finalizando apenas em quinto.
Na milha do GP Presidente da República, prevaleceu o favorito Kappo Di Tutti, em nova direção tranqüila de Altair Domingos. Foi a quarta consecutiva deste milheiro que ganha cada vez mais firme. Na segunda posição, a égua Mary Rê, em quem eu não acreditava. A seguir, o renascido Snack Bar e o chegador Resende. O tempo foi 6 décimos inferior ao de Too Friendly, o que só serviu para enaltecer ainda mais a vitória do potro.
Chegou, então, o grande momento: o GP São Paulo, talvez com o melhor campo da década. Afinal, seis ganhadores de grupo 1 estavam alinhando em busca da vitória. Um deles, o ganhador do último GP Brasil, Top Hat, comandou as ações, como de hábito, mas acabou esmorecendo na entrada da reta. A briga ficou entre os dois favoritos. Flymetothemoon, que havia derrubado J. Ricardo no Latinoamericano, se apresentou antes, dominando a prova, e resistindo ao ataque final de Hot Six, o ganhador do referido Latino, para vencer por um corpo. O duelo entre os dois, que poderia ser explorado pela mídia na improvável hipótese de ambos correrem o GP Brasil, está agora empatado em 3x3. No último domingo, Flymetothemoon venceu no percurso de Waldomiro Blandi, que trouxe o seu conduzido mais perto dos ponteiros (sétimo / oitavo) e entrou na reta por dentro, achando a passagem pela baliza quatro para dominar o páreo. Hot Six foi corrido por Altair Domingos um pouco longe demais, sempre entre os cinco últimos, e entrou na reta um pouco aberto. Seu bom esforço final não foi suficiente para lhe dar a vitória.
Foi um belo GP São Paulo, com casa cheia (muito curioso e pouco apostador, é verdade) e bom nível no páreo principal. Cidade Jardim pode não estar nos seus dias mais gloriosos, mas pelo menos é um hipódromo bem cuidado, e acaba de realizar duas grandes festas turfísticas no mesmo semestre. Espero que a Gávea deixe de ser a “terra de ninguém” e volte também a ter dias melhores.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

GP São Paulo - Parte I


Há muito a ser contado sobre o GP São Paulo 2009, por isso vou dividir em duas partes. A festa começou na sexta, com seis páreos de qualidade inferior (quatro claimings) e o outrora milionário leilão Top Classic. Com a tão falada crise mundial, o leilão que era sinônimo de preços nas nuvens não mostrou o mesmo fôlego de anos anteriores, proporcionando alguma cenas insólitas. Um exemplo: entrou na pista um lote de potrancas do Haras Mondesir, filhas, respectivamente, de Gilded Time (ganhador das Breeders Cup Juvenille e Sprint) e Roi Normand (pai de inúmeros ganhadores de Grupo 1, Riboletta e Redattore entre eles). Mesmo possuindo linhas baixas igualmente frondosas, as duas mereceram meros R$ 1.300 de parcela. O comprador optou pela filha de Roi Normand, sendo prontamente convidado pelo leiloeiro a ficar também com a outra “pelo mesmo preço”. Ante a negativa do investidor, a filha de Gilded Time, mesmo tendo Fausse Monnaie, uma das maiores reprodutoras da história do turfe brasileiro, como sua terceira mãe (bisavó, para os leigos), retornou à pista, merecendo apenas mil reais de parcela. Não pagou nem as coberturas...
No sábado, começou a disputa na raia. Logo no segundo páreo, uma das minhas dicas se confirmou. Quari For Two, apesar de não ser estreante, reaparecia vindo do Paraná com o baixíssimo rateio de 1,30 na abertura das apostas (acabou fechando em 1,60), credenciado por colocação em prova de grupo aos dois anos, enfrentando agora o páreo de 3 anos sem vitória. Era, no entanto, uma tragédia anunciada – havia sofrido hemorragia violenta nas duas últimas atuações, e correria sem lasix. Estava fácil de identificar a “bomba” da semana... Dito e feito, o favorito paranaense brigou na frente e acabou descolocado – aproveitei para tirar todo o meu prejuízo da sexta.
No GP Osaf, primeira prova de grupo do festival, as principais éguas do Brasil se enfrentaram em um páreo que historicamente proporciona surpresas. Desta vez, prevaleceu a lógica, vencendo Spring Love (foto acima), representante carioca em evolução, que havia vencido prova preparatória do Osaf na Gávea. Fúria Olímpica e Ursula´s Home, que haviam formado (na ordem invertida) a dupla da preparatória paulista, chegaram a seguir.
Encerrando as disputas de grupo 1 do dia, o GP ABCPCC reuniu os principais velocistas do país, com exceção da craque Requebra, amargando um afastamento das pistas para recuperação. As atenções recaíam, então, sobre Taludo, ganhador da mesma prova em 2008, mas que havia corrido pouco no seu reaparecimento, em abril. Na hora da verdade, o favorito pouco produziu. As éguas Última Palavra, pela raia 1, e Sicília, pela cerca externa, comandaram as ações. Nos últimos 100 metros, Jaguarão, outro dos mais cotados, atropelou forte por fora, mas não em tempo de vencer. Última Palavra resistiu, mostrando que o sol que brilhou durante toda a tarde havia secado a parte interna da pista – não por acaso, o outro páreo de 1000 metros do dia também foi vencido pelo animal da baliza 1. Jaguarão mais uma vez “bateu na trave” em provas importantes, e Sicília também repetiu suas atuações, novamente ponteando e esmorecendo quando a parceria fica mais reforçada (acabou em quinto).
Amanhã, comento os páreos de domingo.

domingo, 10 de maio de 2009

Semana de Turfe

Estarei em São Paulo na próxima semana - assuntos profissionais e, é claro, o GP São Paulo. O citado Grande Prêmio promete ser o de melhor nível técnico em muitos anos, com vários animais de categoria que ainda não sairam do Brasil, seja por decisão dos seus proprietários ou da crise do Mormo, doença que fechou as fronteiras brasileiras para exportação.
Para quem vai ou pretende assistir pela televisão, alguns padrões repetidos que identifiquei nos últimos anos. Algumas dicas:
- Se a grama ficar pesada, quem conseguir ficar na cerca externa da reta de chegada leva grande vantagem (é uma dica óbvia, todo mundo sabe, mas nunca é demais repetir). Ou seja, em páreos de 1000 metros, se a grama não estiver leve, é prudente sempre preferir, por exemplo, o número 14 do que o número 2, se o apostador estiver em dúvida.
- Todo ano, existe um cavalo do Paraná que vai estrear no páreo de perdedores devolvendo o dinheiro e vai fracassar. Porque? Não sei, mas é fato. E os malandros de lá vão "aceitar o resto" da suposta barbada e tomar o dinheiro da maioria.
- Esqueça quadrifetas acumuladas, pick 8, etc. É impossível acertar.
- Ao sentar em qualquer ambiente do Jockey, pergunte os preços. Aquele buffet em que todo mundo está comendo pode custar R$ 150...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Notícia Bombástica?

No feriado de 1º de maio, saiu no blog do Milton Neves um post pesado, de grande interesse para o torcida do Inter. Achei que iria repercutir, mas uma semana depois, nada, nenhum comentário na imprensa do pampas. Vou tomar a liberdade de reproduzir apenas as partes principais, pois é um texto longo, sobre o empresário Delcir Sonda, o grande parceiro das contratações coloradas nos últimos tempos:
"...Esse vizinho, que levei pra morar em meu condomínio, é um velho amigo, mas amigo mesmo, em amizade que vem desde 1994.
E estou agora feliz porque ele está desativando - Aleluia!!! - seu castelo de areia futebolístico construído sem nenhuma explicação razoável.Foi uma sangria desatada: todos os seus executivos próximos contra a idéia e ele a favor, embirrado como uma criança ao exigir um brinquedo novo.
Rico, riquíssimo, milionário - dá de 82 a 1 em Juan Figger e de 44 a 3 em J. Háwilla -, o antigo feijãozeiro e caminhoneiro de Herval Grande-RS resolveu de repente ser “empresário de futebol”.
“Foi uma pena”, diziam e dizem diretores de seu Grupo e amigos como eu, Izael Pinto, de Camp, família Separovic Rodrigues do Shopping Frei Caneca, e outros, muitos outros.“Empresário de futebol”, essa praga que aflorou no Brasil depois da Lei Pelé feita por assessores oportunistas e ruins em tudo.
Gaúcho, colorado doente e santista fanático de infância, resolveu entrar para o futebol “porque os clubes estão quebrados, os cartolas são superados,'para passar o tempo', dinheiro não é problema pra mim e não custa nada ajudar a meus dois times necessitados”. Trata-se de um sujeito que jamais se esqueceu dos necessitados da vida: seus supermercados doam semanalmente toneladas de frutas, legumes, bolos, arroz, feijão, macarrao, refrigerantes,pães, doces e leite para 50 entidades filantrópicas do Estado de São Paulo.
Dessa foi a única atividade no Grupo Sonda da qual ele não se desligou enquanto foi ser aventureiro de empresário de futebol para “passar o tempo”.Solteiro, sem filhos, festeiro, amigo, então brincalhão, dono de um império envolvendo dezenas de supermercados, áreas milionárias em Rio das Ostras-RJ, Magé-RJ, Praia Grande-SP (Vai virar aeroporto! Sortudo!), Shopping Center ( tem 40% do maior deles na Zona Norte) e detentor do título de maior vendedor de bebidas por metro quadrado do país, mudou de hábitos e amigos quando o vírus “jogador de futebol” entrou em seu sangue, há mais ou menos três anos. “Desapareceu”.Renata Fan e eu falávamos com ele quatro ou cinco vezes ao dia.Hoje e há anos, são duas ou três vezes...ao semestre! Deixou o Grupo alimentício nas mãos de profissionais.
E foi ser “executivo de futebol” na rua Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. A mesma da MSI. Quem conheceu dá nota 10 para as instalações das duas.
A MSI e a DIS. Kia abandonou tudo, de repente. Luz, telefone, condomínio, funcionários e o assessor de imprensa Fernando Mello ficaram a ver navios com a âncora corintiana lá no fundo do brejo. Menos o jornalista, o resto deve ter sido quitado, creio. Lá na DIS, restaram dois Andrés. Demitidos uns 10. Inclusive Stéfano “Teté” Giordano, um palmeirense boleiro. As salas alugadas, devem ser devolvidas logo. O advogado da empresa, Dr. Ernando, envolvido no stress momentâneo, morreu de infarto na quarta-feira e foi sepultado na quinta. A ordem agora é repassar os percentuais de D´Alessandro, Nilmar, Renteria, Rafael Sóbis, Thiago Neves, participações em Dentinho e André Santos, “mico” Bolaños e Neymar. Esse já tem até parceiro que “sub-locou” os 40% adquiridos junto ao pai do garoto promissor.
E as outras 70 ou 80 “revelações”? A metade dos garotos “descambou“, parou, sumiu. Os outros, Deus está vendo o que faz e um ou outro ainda pode explodir. Mas as despesas concernentes não cessam. E o irmão de meu amigo e parceiro comercial de décadas, Sr. Idi, hoje em check-up no Sírio Libanês, não quer ver jogador de futebol nem pintado de ouro e nem se for um Pelé ressuscitado com 18 anos.
Enfim, são detalhes exclusivos, particulares e carinhosos de minha parte em relação ao ocaso de uma aventura que não deveria nem ter começado, por desnecessário. Quem ficou trilionário vendendo comida e saúde, e partindo do menos zero, não precisa e não precisava se envolver nesse mundo escuro e de dinheiro até maldito manipulado por mãos não sagradas e impuras. Mas essa coisa de comprar e vender jogador é lotérica, difícil, e os supostos valores envolvidos nas transferências de atletas têm mãos demais no meio dos caminhos, encruzilhadas e labirintos. E mãos dotadas de 50 dedos cada, de homens cujos olhos são do tamanho de um King Kong. Ah, mas houve “os lucros milionários” nas vendas de Breno, Rafael Sóbis e de outras transferências que “enriqueceram” o “novo mecenas”. Cascata, no frigir dos ovos, das despesas e impostos com tudo somado aos ”efeitos colaterais”, o conjunto geral da obra acabou por contabilizar um belíssimo prejuízo profissional, financeiro e pessoal.
Delcir Sonda, meu amigo, amigo de minha esposa e de meus filhos, meu vizinho sem família - sua paixão são seus dez cachorrinhos malteses -, não irá gostar desse relato-crônica que escrevo feliz e triste. Triste porque estava na cara que tudo isso e aquilo não ia dar em boa coisa, por falta de experiência, know-how ou background. Foi um modismo. E o que teve de aproveitador que deitou e rolou em cima do entusiasmo juvenil e do deslumbramento do “novo líder” dos empresários do futebol brasileiro, hein? E feliz, porque, agora, o velho Delcir de ontem será o amigo de sempre de tanta gente e só torcedor colorado e santista, notável vendedor de comida e um sujeito obediente e não resistente aos médicos.
...
Então, Delcir, chega de jogador, ouça o Dr. Flávio, o Idi, o Leleco, o Izael e viva mais 50 anos. Mas só torcendo pelo Inter e pelo Santos e vendendo comida e saúde em seu conglomerado. Afinal, foi esse o trajeto que Deus lhe destinou. Pra que se desviar do bom caminho e rumar em direção a um abismo até físico?"
Cortei a introdução e a parte que está com três pontinhos, pois eram desnecessárias para o entendimento da história - quem quiser ler na íntegra, o site é blog.miltonneves.ig.com.br.
A dúvida é: qual o impacto desta notícia para o Internacional? Hoje, a notícia foi de que o clube estaria negociando com o "mico Bolanõs" citado por Milton Neves. A desistência do Sonda representaria a venda de jogadores importantes? Ou assumir possíveis "bombas", para que o ex-parceiro livre o seu dinheiro?
É esperar para ver.

domingo, 3 de maio de 2009

Kentucky Derby - Depois

Errei quase tudo que previ para o Kentucky Derby. Paciência, dar palpites é assim mesmo, se eu acertasse sempre já seria milionário. Além do mais, quem poderia prever o tamanho da bomba que explodiu em Churchill Downs?
Venceu Mine That Bird, um filho de Birdstone, aquele que estragou a tríplice coroa de Smarty Jones no Belmont Stakes de 2004. Bastou o ilustre desconhecido cruzar o disco para que a TV americana começasse a procurar por histórias curiosas para enriquecer a transmissão. Nisso, os americanos dão aula para o mundo, em menos de cinco minutos aquele que era “ninguém” já tinha virado um novo ídolo. Mine That Bird, o Canadian Juvenille Champion, comprado por U$ 9,5 mil (isso mesmo, mil e não milhões) em um leilão, vendido por U$ 400 mil após sua campanha canadense aos dois anos, e que havia se preparado para Kentucky correndo o inexpressivo Sunland Derby, no Novo México, e finalizado em quarto!
Além do cavalo, a TV não se cansou de enaltecer a excelente condução de Calvin Borel, ou Bo-Rail, como é conhecido pela sua predileção por trazer seus animais sempre junto à cerca interna. Foi por ali que ele passou com o ganhador, como mostra o vídeo abaixo, em um percurso irrepreensível. Imediatamente veio a comparação com a direção dada pelo mesmo Borel em 2007 para Street Sense, também ganhando o Derby após correr sempre junto aos paus, ao contrário da maioria dos jóqueis americanos, que costumam fazer correr na curva por fora, perdendo terreno precioso.
Mas, e os outros? Pioneer Of The Nile mostrou boa adaptação ao dirt e fez segundo. Na curva, vinha terceiro com o jóquei “de banquinho”, dando nítida impressão que seria o vencedor. Na hora da verdade, no entanto, não tinha ação de ganhador, e por muito pouco não perde o segundo para Musket Man. Em quarto, Papa Clem, o único daqueles que eu anunciei não gostar que acabou figurando. Aliás, só acertei mesmo minha previsão sobre a parelha da Godolphin. Regal Ransom mostrou a farda figurando em segundo até a entrada da reta, quando esmoreceu totalmente. Seu companheiro Desert Party igualmente fracassou.
Fracasso também dos meus (e do público apostador) dois favoritos. Friesan Fire, o mais jogado por haver vencido o Louisiana Derby em um lamaçal semelhante ao de ontem, nunca esteve no páreo. O tordilho Dunkirk sofreu bastante durante o percurso, e acabou não se apresentando na hora da verdade.
Ganhou, no fim das contas, o cavalo que estava tinindo no dia certo. A grande dúvida agora é que o Mine That Bird irá fazer no Preakness e no Belmont. Por enquanto, ninguém o vê como um possível tríplice coroado. Ele terá que mostrar que venceu por méritos seus, e não pelo fraco desempenho dos outros. Procurei buscar uma “luz” comparando o tempo de ontem com o dos ganhadores anteriores. Mine That Bird assinalou o segundo pior tempo da década, 122´66, o que poderia ser um indicativo de fraqueza. Comparando o ganhador de ontem apenas com os que venceram nas mesmas condições de pista (“sloppy”, na classificação americana), no entanto, Mine That Bird marcou melhor do que Smarty Jones em 2004 (124´06) e Go For Gin em 1994 (123´60). São apenas três ocorrências desta condição nos últimos 35 anos, mas não deixa de ser uma informação a ser considerada. Resposta, mesmo, só no Preakness, dentro de duas semanas.

sábado, 2 de maio de 2009

Kentucky Derby - Antes

Quando me preparava para escrever este post, resolvi dar uma última conferida nas notícias de Kentucky, e acabei surpreendido pelo forfait de última hora de I Want Revenge, meu favorito. Mais uma importante deserção, depois das saídas de The Pamplemouse e, principalmente, Quality Road. O páreo, assim, parece ficar resumido a um trio: Pioneer Of The Nile, Friesan Fire e Dunkirk.
Pioneer Of The Nile vem ganhando com firmeza na Califórnia e deve ser o favorito nas apostas. Sua última vitória no Santa Anita Derby foi firme, mas não impressionante. Além disso, vinha desenvolvendo sua campanha em pistas sintéticas, podendo estranhar a areia de Churchill Downs. Merece respeito, sem dúvida, mas não o vejo como ganhador das rosas.
Friesan Fire venceu muito fácil o Louisiana Derby, corrido em pista pesada. Se repetir aquela corrida, brigará pela vitória. Para quem gosta de estatísticas, no entanto, é importante considerar que nos últimos 45 anos, apenas um ganhador da carreira de hoje veio diretamente do trial da Lousiana, Grindstone, em 1996.
Para alguns, o destino parece estar desenhando a consagração de Dunkirk, o animal que mais caro custou a seus proprietários entre os confirmados para hoje, U$ 3,7 milhões. Na condição de favorito, secundou Quality Road no Florida Derby, perdendo por dois corpos para recorde. Pelo critério de classificação, total de prêmios ganhos em provas de grupo, estava fora do campo da prova, aguardando desistências. Elas apareceram, e o tordilho terá a oportunidade de vencer sua primeira prova de grupo justamente no Kentucky Derby.
Entre os possíveis candidatos, aparecem também General Quarters, ganhador do Blue Grass Stakes, Papa Clem, que venceu o Arkansas Derby, e a parelha da Godolphin, Regal Ransom e Desert Party, que fez a dobradinha da casa no Derby de Dubai. Não creio em nenhum destes, principalmente nos cavalos do sheik, que ainda não conseguiu mostrar ao mundo que é possível vencer um Kentucky Derby trazendo animais de outro continente.
Mesmo com as grandes perdas em seu campo, será um grande Derby.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Paradoxo


O futebol é curioso. Na terça, falei que meu palpite para a Champions League era “o Chelsea fará a final”. Paradoxalmente, assisti Barcelona 0x0 Chelsea e minhas convicções ficaram um pouco abaladas. Pois é, o Chelsea conseguiu importante empate fora de casa, irá decidir a vaga em Stamford Bridge, mas passei a não confiar tanto na equipe de Guus Hiddink.
O problema é que para anular a decantada força ofensiva do Barça, a equipe inglesa fez uma retranca pouca vezes vista na Champions em jogos de clubes candidatos ao título. Para quem lembra da final do Mundial de 2006, o Chelsea enfrentou o Barcelona com uma postura muito mais defensiva do que o Inter em Yokohama. Nove jogadores com a exclusiva função de marcar (entre eles Lampard e Ballack), Malouda aberto pelo flanco para acompanhar Daniel Alves, e apenas Drogba isoladíssimo na frente. O marfinense teve a sua “bola do Gabiru” aos 38 do primeiro tempo, quando aproveitou uma recuada curta de Rafa Marques para entrar na cara de Victor Valdez e chutar em cima do goleiro. No rebote, ainda tentou dar um leve toque por cima para tirar o goleiro da jogada e entrar com bola e tudo, mas Valdez conseguiu interceptar. Foi a única chance clara do Chelsea.
O Barcelona realmente parou na forte marcação dos ingleses, tendo apenas três chances claras, todas no segundo tempo – aos 24, em grande jogada individual de Eto´o, aos 45, quando Bojan cabeceou incrivelmente para fora um cruzamento que o encontrou livre na pequena área, e aos 47, quando Hleb teve oportunidade semelhante à de Drogba, mas igualmente desperdiçou, cara a cara com Peter Chech. No restante da partida, muita posse de bola com pouca penetração, obrigando os espanhóis a tentarem chutes de fora da área. O que abalou minha convicção foi justamente isto: o Chelsea mostrou que consegue, sim, parar o fantástico ataque do Barcelona. Para isso, no entanto, tem que abdicar totalmente de jogar. Deu pena, por exemplo, de ver Lampard jogar na própria intermediária correndo atrás de Iniesta e Xavi – correu tanto que acabou sendo substituído pelo Belletti, em uma clara demonstração das intenções de Hiddink.
Em Londres, o Chelsea não poderá e não conseguirá jogar assim, até porque o 0x0 não classifica. A impressão que ficou é que se tentar jogar de igual para igual com o Barcelona, perde. Será um jogo de volta muito interessante. Curiosidade: o Barça é favorito à classificação no Sporting Bet (1,60 x 2,20 do Chelsea) e no William Hill (1,73 x 2,00).
Não assisti a outra semifinal, Manchester x Arsenal. Os atuais campeões ganharam por 1x0, e todo mundo disse que saiu barato para os londrinos – Almunia foi eleito o melhor em campo. De qualquer forma, vencer sem levar gol em casa é uma bela vantagem. Agora já saio de cima do muro: acho que o Manchester fará novamente a final. Aliás, eu e meio mundo – o Sporting Bet está cotando a classificação do Manchester em 1,25, e o William Hill em 1,28.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Decisões na Europa


Hoje tem Barcelona x Chelsea, abrindo as semifinais da Champions League. Como já disse antes, será a primeira vez que verei o Barça em ação no campeonato. Estou curioso para saber como o trio ofensivo Messi - Henry - Eto´o irá se comportar perante uma equipe experiente em decisões. Meu palpite é que eles não terão moleza, e que o Chelsea fará a final.
Amanhã, Manchester United x Arsenal. Os atuais campeões precisarão jogar mais do que estão fazendo para levar o bi. A chance dos londrinos dependerá do número de ausências nas duas partidas da semi - por enquanto, já está confirmado que o zagueiro Gallas e o armador Rosicky estão fora do restante da temporada, e que Van Persie e Clichy dificilmente enfrentam o Manchester amanhã. O goleiro Almunia e o atacante Adebayor andaram desfalcando a equipe, mas retornaram no último domingo e devem jogar. O Arsenal pode ser uma surpresa positiva, mas pode igualmente ser o "papelão" das semifinais. Aqui, vou ficar em cima do muro.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Estrela Forte

Para ganhar uma tríplice coroa em qualquer hipódromo de primeira linha do mundo, é necessário possuir um animal de exceção. Além disso, é preciso ter um planejamento correto, uma equipe (treinador, veterinário, jóquei) competente e alguma sorte. Muitos craques perderam suas tríplices coroas por detalhe, para chegar lá tudo precisa dar certo. O Stud Torna Surriento não chegou lá com sua Smile Jenny – com o perdão da piadinha, não teve “estrela”.
Quem levou as duas provas de grupo 1 do feriado de Tiradentes na Gávea foi o Stud Estrela Energia, o grande destaque dos últimos meses. Depois de ganhar o Latinoamericano e obter excelente segundo na Dubai World Cup, o Estrela Energia somou um Derby Carioca e um GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro, a terceira prova da tríplice coroa de potrancas, a sua coleção de títulos. Méritos para o novo treinador G. Duarte, que assumiu o lugar do consagrado Cosme Morgado Neto e melhorou rapidamente os resultados.
No Derby Carioca, Gibson atropelou forte para derrotar o azarão Le Roi S´Amuse e Engaging, o mais consistente nas três provas da tríplice coroa. Decepção total do favorito Negro Da Gaita, que não deslanchou na reta final e chegou descolocado. Curiosamente, Gibson é um filho do excepcional Roi Normand em Eletrizada, uma égua que teve como seu primeiro produto a craque Luzette, nascida em 1990 e múltipla ganhadora de provas de grupo, entre elas o Zélia Gonzaga de 1994. De lá para cá, Eletrizada produziu apenas mais um ganhador de grupo, Nitidezza, da geração 92, que venceu um Grupo 3. Quinze anos depois, ela volta a ter um filho graduado na esfera máxima.
Entre as fêmeas, mais Estrela Energia, tirando a tríplice coroa de Smile Jenny. Venceu Estrela Anki, em excelente condução de Marcelo Almeida. Mantendo sua conduzida sempre na baliza 1 e correndo até a entrada da reta em último, Almeida aproveitou a passagem que se abriu para atropelar por dentro e derrotar a favorita por cabeça. Smile Jenny perdeu uma carreira de chorar, realmente no detalhe. Seu percurso, ao contrário da ganhadora, foi sempre por fora de todas, perdendo precioso terreno, principalmente na primeira curva. Uma desvantagem de pelo menos 20 metros, decisiva em um páreo perdido por cabeça. A crítica recaiu sobre o jóquei Jean Pierre, que vinha em boa fase, mas talvez tenha sentido o peso da responsabilidade e optado por ficar sempre por fora para não sofrer nenhum prejuízo. É compreensível, pois seria seu primeiro grande momento da carreira. Talvez um jóquei mais experiente tivesse a tranqüilidade de economizar terreno, aproveitando as balizas internas, esperando a passagem abrir, para “dar a partida” na hora certa, principalmente se considerarmos que só corriam nove potrancas. Faltou um detalhe, faltou estrela.
O vídeo está aí, para quem quiser ter a sua própria opinião. Como chovia muito, a visibilidade não é muito boa. Smile Jenny é a que larga na baliza 9, e na reta oposta pode ser identificada pelo arminho branco.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Dia de Derby

Hoje é dia de festa na Gávea, com a realização do GP Cruzeiro do Sul, o Derby Carioca. Felizmente, a reforma da pista de grama foi concluída em tempo, e teremos a prova máxima da geração no seu terreno habitual. Sem possibilidade de haver um tríplice coroado, já que Engaging e Uragano Point levaram as duas primeiras coroas, o destaque é o reaparecimento de Negro Da Gaita, ganhador do Derby Paulista, na condição de grande favorito. Ganhar os dois derbys é uma façanha rara, que não ocorre desde 1986, quando Grimaldi venceu conduzido pelo lendário Juvenal Machado. Poderemos ter, portanto, um momento para ficar na história.
Quem também pode fazer história é Smile Jenny, que corre o GP Zelia Gonzaga Peixoto de Castro em busca do título de tríplice coroada. Venceu fácil as duas primeiras provas em pista de areia, e como também ganhou na sua única atuação na grama (na Copa dos Leilões), tem tudo para confirmar. Terá, no entanto, uma grande adversária em Tanta Hora, que venceu três provas de grupo no tapete verde e figurou bem nas duas primeiras provas, mesmo largando em balizas desfavoráveis. Pode ser a pedra no sapato da favorita.
Teremos ainda duas provas preparatórias para o festival do GP São Paulo, mas isto é assunto para outra ocasião.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mudam Os Favoritos?

A rodada de ida das quartas da Champions League abalou o anunciado – inclusive por mim - domínio absoluto dos times ingleses. Se as fases finais de 2008 serviram apenas para definir em qual cidade da Inglaterra a taça iria ficar, a decisão de 2009 parece estar tomando outros rumos, basicamente por dois motivos: Barcelona e Manchester United.
O campeão Manchester complicou a sua classificação ao empatar em casa por 2x2 com o Porto, na terça passada. Mais do que o resultado, o que acendeu a luz vermelha em Old Trafford foi a fraca atuação do time da casa – o que não chega a ser novidade, vide o que este blog escreveu em 12/03 (“... o atual campeão não está fazendo grandes partidas...”, etc.). Assisti apenas o segundo tempo da partida (o primeiro terminou 1x1), e os ingleses não conseguiram em nenhum momento dominar o jogo. Tiveram uma grande chance de bola parada - um escanteio cabeceado por Vidic e defendido espetacularmente pelo brasileiro Elton – e fizeram seu gol, mais uma vez, em lance de talento individual. Rooney recebeu cobrança de lateral e deu um toque de calcanhar para trás, encontrando Tevez livre para marcar. Eram 40` do segundo tempo, e parecia que o brilho dos craques ia resolver mais uma vez, mas o Porto, que jogara de igual para igual toda a partida, foi buscar o empate aos 44, com Gonzáles recebendo livre pelo lado esquerdo do ataque para colocar na saída de Van De Saar. O problema do time de Sir Ferguson me parece a indefinição de um padrão tático – basta comparar as formações utilizadas do meio para frente nas duas últimas partidas da Champions, ambas em casa (para fins de comparação, vou listar a segunda linha de quatro e o ataque):
11/03 x Internazionale – Cristiano Ronaldo, Scholes, Carrick e Giggs. Berbatov e Rooney. Praticamente um 4-2-4.
07/04 x Porto -Fletcher, Scholes, Carrick e Park; Cristiano Ronaldo e Rooney. Berbatov estava machucado, mas Giggs e Tevez ficaram no banco, resultando em um amontoado de volantes.
Se o atual campeão está jogando menos do que o esperado, o Barcelona surpreende cada vez mais com vitórias contundentes – 4x0 no Bayern na quarta, virtualmente garantindo vaga na semi, foi a última demonstração de força dos espanhóis. Ainda não vi o Barça jogar – por não inclui-lo na lista de candidatos ao título, estava optando por outras partidas de mesmo horário. Os elogios da imprensa, no entanto, são grandes, e o trio ofensivo Messi – Henry – Eto´o parece estar muito afinado. Hoje, é impossível deixar o Barcelona de fora da lista de reais pretendentes.
Na semifinal, os espanhóis pegarão um inglês, e a última quarta apontou o Chelsea como classificado mais provável. Em março, eu já havia dito que o time de Londres tinha voltado a ter cara de time. Na última quarta, em Liverpool, o time do holandês Gus Hiddink dominou o jogo com autoridade, não se abalou com o gol sofrido logo a 5 minutos, e impôs um duro 3x1 sobre a equipe vermelha. Poderia ter saído com uma vitória ainda mais elástica, pois Drogba, que marcou o terceiro gol, perdeu três chances na cara do goleiro. O que mudou radicalmente no Chelsea não foi o desenho tático, como andam dizendo. Mudou a postura da equipe, agora “mordendo” o tempo todo, ao contrário da atitude apática da época de Felipão. Alguns jogadores importantes voltaram a jogar bem, principalmente, no jogo de Liverpool, o alemão Ballack, que vinha muito mal. E Hiddink preferiu apostar na recuperação de Drogba escalando o africano sempre desde o início – com Felipão, ele ficou 13 vezes no banco.
O último duelo – Villareal x Arsenal – pendeu para o lado inglês, já que os londrinos empataram em 1x1 fora de casa. Também não vi o jogo, mas os comentários foram de um bom segundo tempo dos ingleses, superando seus desfalques (Van Persie, Eduardo da Silva, Diaby e Rosicky ficaram na Inglaterra, Almunia e Gallas saíram machucados ainda no primeiro tempo) e buscando o empate com um golaço de Adebayor (vídeo abaixo). Crescendo na hora decisiva, o Arsenal poderá ser a surpresa da Champions, principalmente se parar de perder jogadores importantes por lesão.
A partir de amanhã, se definem os quatro semifinalistas, mas as decisões mais tensas devem ocorrer na quarta, com Porto x Manchester e Arsenal x Villareal. Para quem gosta de apostas, deixo a dica do Barcelona, cuja vitória paga, no Sportingbet, 2,30.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Ecos do Centenário


O Internacional conseguiu comemorar seu centenário como queria, com festa dentro e fora do campo.
Na sexta, o foguetório da virada teve aproximadamente 5 mil pessoas e foi um bom início de festa, serviu para animar a torcida. Faltou um pouquinho mais de capricho nos detalhes, pois o telão que deveria mostrar a contagem regressiva "engasgou" na hora. Como curiosidade, o nome mais gritado pela torcida foi, surpreendentemente, Uh Fabiano.
No sábado, a caminhada teve 25 a 30 mil colorados, numa mobilização impressionante. Não compareci, vencido pela ressaca da sexta. Também não fui na festa, mas prometo comparecer no dia 17 de dezembro, que vai ser de graça.
No domingo, o principal, o Inter venceu o Grenal e eliminou o Grêmio. Alguns pontos que precisar ficar claros:
- Se Gauchão não valesse nada, o Celso Roth estaria na casamata do Grêmio hoje, contra o Aurora.
- Os penaltis seguiram a sequência lógica da arbitragem brasileira acomodadora. Gaciba não marcou penalti no Leo porque estava 0x0, marcou no Tcheco porque não havia dado o anterior, e marcou penalti no Nilmar porque havia dado um pro Grêmio. O que realmente houve nos lances é o que menos importa, é mais fácil entender a forma de pensar do juiz brasileiro. E o Gaciba é considerado o melhor...
- Jogador entra para a história quando é decisivo, resolvendo as coisas quando precisa-se dele. Com mais um gol do Índio em Grenais, espero que parem de votar no Gamarra pro melhor Inter de todos os tempos.

terça-feira, 31 de março de 2009

Dubai 2009

Mais uma bela festa nas arábias, com a 14ª edição da Dubai World Cup e mais cinco grandes prêmios que pretendem reunir a nata do turfe mundial. Este ano, não foi bem assim, pois os campos das seis provas saíram um pouco mais fracos que nos anos anteriores, especialmente o páreo principal, que não conseguiu atrair nenhuma estrela realmente de primeira linha na raia e distância (2000 metros – areia) preferida dos americanos. Pode-se dizer que não havia um grande astro nesta World Cup simplesmente porque este astro não existe nos Estados Unidos, pelo menos entre os cavalos de 4 anos e mais idade, já que os de 3 anos estão focados no Kentucky Derby, mas, de qualquer forma, pareceu ter sido a mais fraca versão do GP mais rico do mundo.
O festival começou com dobradinha do Sheik Maktoum na Godolphin Mile (1600 metros, prova de Grupo 2). Firme vitória de ponta a ponta do favorito Two Step Salsa, com seu parceiro Gayego atropelando no final para formar a dupla. Em terceiro, afastado, o chileno Don Renato, que pouco vinha mostrando em Dubai até então.
No UAE Derby, também de Grupo 2, nova dobradinha da Godolphin, mas desta vez com sabor amargo. Regal Ransom também triunfou de ponta a ponta, derrotando por meio corpo Desert Party, favoritão escolhido pelo jóquei oficial do sheik Lamfranco Dettori. O argentino Soy Libriano, de boa campanha em Maronãs, foi terceiro sem ameaçar. Mesmo fazendo ponta e dupla, o sheik deve ter saído decepcionado com a performance de Desert Party, de quem se esperava uma vitória arrasadora que lhe desse status de pretendente real ao Kentucky Derby. Perdendo em Dubai, ele pode nem sequer chegar a correr a principal prova da geração nos states.
Na Dubai Golden Shaheen, o páreo de velocidade, Big City Man mostrou valentia para resistir ao ataque final da favorita Indian Blessing, a melhor velocista fêmea dos Estados Unidos. Corrida como barbada por Edgar Prado, Indian Blessing dava a impressão que passaria por cima do ponteiro, mas acabou “batendo na trave”. Diabolical, da Godolphin, completou a trifeta.
A Dubai Duty Free foi o único dos páreos do festival que não consegui assistir. Foi mais uma corrida vencida de ponta a ponta, desta vez por Gladiatorus, conduzido por Ahmed Ajtebi, o primeiro jóquei nascido em Dubai a conseguir projeção no turfe mundial. O inglês Presvis, mesmo largando pela baliza 16, formou a dupla, com Alexandros, da Godolphin, na trifeta. Decepcionou a japonesa Vodka, que cansou ao tentar seguir o ganhador.
A Dubai Sheema Classic, em 2400 grama, sempre foi um reduto europeu. Em 2009, parecia que o irlandês Youmzain, vice-campeão do Arco do Triunfo, e o francês Doctor Dino, sobravam na turma. Antes do páreo, o Tinho Kessler (www.tkos.blogspot.com) me alertou para a corrida desfavorável que Youmzain teria, precisando atropelar em uma reta mais curta do que está acostumado, dirigido pelo pouco categorizado Richard Hills. Sabias palavras: Hills fez percurso péssimo, mantendo Youmzain em último colado à cerca, o que obviamente resultou em ficar sem passagem em boa parte da reta. Quando esta apareceu, o favorito conseguiu chegar a tempo de ficar apenas com o quarto lugar, a dois corpos dos três cavalos que decidiram o páreo no fotochart – venceu Eastern Anthem, outro irlandês, na segunda vitória seguida de Ajtebi. Purple Moon e Spanish Moon chegaram a seguir, agarrados no ganhador. Doctor Dino decepcionou por completo.
Na World Cup, os holofotes estavam voltados para Albertus Maximus, ganhador da Breeders Cup Dirt Mile, sob o qual pairava, no entanto, a dúvida em relação a sua capacidade de chegar bem aos 2000 metros. Falhando o favorito, surgiam o ídolo japonês (embora americano de nascimento) Casino Drive e o cavalo “da casa” My Indy como opções. Em carreira, entretanto, o que se viu foi bem diferente.
O americano Well Armed, terceiro na World Cup passada, mas que vinha correndo pouco na Califórnia, largou e acabou, vencendo por vários corpos, sem tomar conhecimento dos adversários. My Indy, após correr boa parte do percurso em segundo, perdeu as pernas na metade da reta. Albertus Maximus, que corria em quarto algo contrariado pelo seu jóquei Alan Garcia, morreu totalmente, chegando descolocado. Casino Drive não foi visto em nenhum momento. A dupla (e um prêmio de U$ 1,5 milhões) de coube então, surpreendentemente, ao brasileiro Glória de Campeão, que participou ativamente em todo o percurso, figurando sempre em terceiro junto aos paus. Na reta, enquanto os outros iam ficando pelo caminho, o brasileiro manteve o ritmo, sem ameaçar jamais o ganhador, mas também sem chance de perder o segundo lugar.
Ainda não consegui descobrir se Well Armed venceu pela maior diferença da história da Dubai World Cup. No vídeo abaixo, fica o desafio de tentar contar por quantos corpos ele ganhou.

sábado, 14 de março de 2009

O Latinoamericano é Brasileiro


Cidade Jardim viveu seu grande dia dos últimos anos, sediando a 25ª edição do Gran Premio Asociación Latinoamericana de Jockey Clubes e Hipódromos, com dotação recorde de 250 mil dólares – 156 mil ao proprietário do vencedor. Pena que boa parte dos visitantes tenha desistido de vir ao Brasil – de fora, tivemos os quatro representantes chilenos, um americano representando o Peru, e apenas um dos classificados argentinos, Life Of Victory, campeão do último Pellegrini, tido como o melhor deles. Defendendo as cores nacionais, seis animais, selecionados a custa de muita polêmica, como já falamos aqui.
Foi um belo espetáculo. Na partida, o americano/peruano Zeide Isaac foi para a ponta, imprimindo um ritmo forte e livrando cinco corpos para Quick Road, o mais velho dos nossos representantes. Quando alcançou a grande curva, Zeide Isaac viu a sua vantagem diminuir para dois corpos, com Quick Road aproximando-se com facilidade, trazendo junto Life Of Victory e Flymetothemoon, outro brasileiro, que avançava por dentro já balançado por Jorge Ricardo. Na altura dos 800 finais, Flymetothemoon tropeçou violentamente, derrubando Ricardinho e outros dois brasileiros que evoluíam do bloco intermediário, Quadriball e Negro da Gaita – ironia do destino, já que seus proprietários brigaram tanto para estar no Latino. Ao entrarem pela reta final, Quick Road e Life Of Victory davam impressão de vitória, com o brasileiro inicialmente dominando por dentro, mas sendo rapidamente superado pelo argentino. Quando o campeão do Pellegrini parecia aclamado o ganhador, surgiu em longa atropelada Hot Six, o ganhador da seletiva carioca, para vencer com firmeza por dois corpos. Em uma reação surpreendente, Zeide Isaac, que parecia “morto” ao ser dominado na metade da reta, voltou para cima de Life Of Victory, retomando a segunda posição. O argentino ainda perdeu o terceiro para Des Moines, o brasileiro menos cotado. Completou o placar premiado a chilena Raja Diabla, com Quick Road cansando e ficando em sexto.

Com Hot Six, o Brasil manteve sua invencibilidade em casa e premiou o Haras J. B. Barros com o tricampeonato da prova como criador – já tinha vencido dois Latinos com Much Better. Premiou também o Stud Estrela Energia, seu proprietário, um dos maiores investidores do combalido turfe brasileiro. O destino acabou sendo mais uma vez irônico, pois tanto se discutiu quais cavalos representariam melhor o Brasil, mas acabou vencendo justamente o ganhador da seletiva que foi corrida em condições normais. Ganhou aquele que estava em melhor forma no momento, e não os que tinham mais títulos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Os Ingleses, De Novo


A Champions League se desenha mais uma vez inglesa. Quatro dos oito finalistas da maior competição européia são da terra do Príncipe Charles, os mesmos Manchester United, Chelsea, Liverpool e Arsenal que chegaram às quartas de final no ano passado.
O Chelsea classificou-se na terça, empatando em 2x2 com a Juventus, em Turim. Com Gus Hiddink no lugar de Felipão, voltou a ter cara de time, mesmo ainda tendo alguns jogadores importantes em má fase – Drogba, pelo menos, voltou a fazer gols. Também na terça, o Liverpool atropelou o Real Madrid com um histórico 4x0. Os Reds vem mantendo a mesma base nos últimos anos, e brigarão pelo título se não perderem jogadores chave – Gerrard e Fernando Torres – por lesão.
Na quarta, o campeão Manchester bateu a Inter de Milão, que mais uma vez fica pelas oitavas. Foi um jogo curioso: a equipe inglesa entrou em campo com um esquema tático que poderia ser taxado até de 4-2-4, já que incluía Berbatov, Rooney, Cristiano Ronaldo e Giggs. Na prática, Sir Alex Ferguson tentou armar as famosas duas linhas de quatro, formando a segunda linha com os volantes Carrick e Scholes mais centralizados, Giggs aberto na esquerda e Ronaldo na direita. Não funcionou: apesar de sair ganhando logo aos 4 minutos (Vidic, de cabeça, aproveitando cobrança de escanteio), o Manchester saiu do primeiro tempo sob desconfiança da torcida, que já começava a “cornetear” discretamente ante o domínio da Inter. No segundo tempo, o Manchester acabou confirmando a vitória na qualidade individual dos seus craques, com Cristiano Ronaldo cabeceando cruzamento preciso de Rooney. O atual campeão não está fazendo grandes partidas, mas tem muita gente para decidir em lampejos individuais.
O último inglês a carimbar o passaporte foi o Arsenal, que perdeu para a Roma pelo mesmo 1x0 que havia feito no jogo de ida, avançando nos pênaltis. Passou “arranhando”, mas estava sem seu principal jogador, o espanhol Fábregas, e sem o homem de referência do ataque, o togolês Adebayor. É o menos cotado entre os britânicos.
Adversários? O Barcelona parece ser o maior deles. Despachou com goleada – 5x2 – o Lyon, que continua ganhando tudo na França e nada fora dela. O Bayern de Munique, aos poucos retomando seu espaço como clube de ponta na Europa, também goleou: com os 7x1 sobre o Sporting, fechou a série em 12x1, o maior placar combinado da história do mata-mata da Champions. Não dá para se impressionar muito, os portugueses foram pífios, tanto que quase apanharam da própria torcida na volta para casa. Acho que Bayern pode até incomodar, mas não disputará título. Os outros dois, Villareal e Porto, pouco terão a fazer daqui para frente.Para quem quiser ver os melhores momentos das oitavas, acesse o http://premiergoals.blogspot.com/. Estarão ali o golaço do Messi, mas também o pênalti ridículo cometido pelo Belletti, a presepada da zaga do Sporting no segundo gol do Bayern, o golaço do Anderson Polga (contra, infelizmente) e o pior pênalti já cobrado na história da Champions, o de Vucinic, do Roma. Vale a pena dar uma olhada.

domingo, 8 de março de 2009

Santa Anita 2009

Santa Anita, talvez o mais bonito hipódromo americano, viveu ontem a sua tarde de glória, com mais uma edição do tradicionalíssimo Santa Anita Handicap, a legendária carreira levada às telas de cinema no filme Alma de Herói. No rol dos seus ganhadores, além do Seabiscuit do filme (em 1940), craques como Tiznow, Spetacular Bid e Affirmed (há 30 anos, em recorde, 118´6, que dura até hoje), além do brasileiro Siphon, que fez uma dobradinha com o também brasileiro Sandpit em 1997.
Como aperitivo, tivemos o Santa Anita Oaks, cercado de grande expectativa pela presença da potranca líder de sua geração, a tordilha Stardom Bound. Mais do que vencer, ela tinha que mostrar classe suficiente para enfrentar os machos no Kentucky Derby, como tem sido aventado. A tordilha venceu, mas a mim não convenceu. Foi, é claro, uma demonstração de superioridade sobre as fêmeas, pois seu jóquei Mike Smith fez a curva final totalmente “quadrada” e teve dificuldades para alinhar a tordilha durante a reta. Mesmo assim, ela livrou focinho em um final duríssimo com outras três competidoras. Para enfrentar os machos, no entanto, ela vai precisar mais. Ontem, corria último a pelo menos 10 corpos das ponteiras, que moviam train apenas razoável – as parciais foram de 23´8, 47´5 e 72´1. Para pretender alguma coisa no Derby, vai precisar mostrar que consegue acompanhar ritmos mais vivos. Meu palpite: ela estará, em maio, no Kentucky Oaks, e não do Derby.
Na carreira principal, o campo equilibrado prometia emoção. A distribuição de pesos do Handicap castigava o brasileiro Einstein, ganhador de grupo 1 na grama, escalado para ser o top weight da prova. Os ingleses Zambesi Sun e Champs Elysees, o americano Colonel John (que acabou sendo retirado) e o chileno Matto Mondo pareciam ser seus principais adversários.
Na carreira, Matto Mondo foi para a ponta, mas imprimindo um ritmo menos forte do que o esperado, tendo Cowboy Cal ao seu lado e Einstein na espreita em terceiro. Na virada da reta, o brasileiro dominou a situação e eu passei a olhar para trás, pois só uma atropelada muito violenta derrotaria o brasileiro. Champs Elysees veio forte, mas não a tempo de alcançar Einstein, que ainda ganhou por um corpo. Matto Mondo foi o terceiro, a focinho do segundo colocado, e Momba, que também atropelava forte no final, fechou a quadrifeta.
Foi uma grande vitória para o turfe brasileiro – Einstein é agora ganhador de grupo na grama, areia e pista sintética. Merece parabéns sua treinadora Helen Pitts, por manter Einstein competitivo na esfera máxima aos 7 anos, fato raro no turfe americano. Parabéns também a seus proprietários, que traçaram uma campanha que elevasse o valor do brasileiro como futuro reprodutor, e atingiram os seus objetivos. Principalmente por ser filho de um ganhador do Kentucky Derby (Spend A Buck), Einstein pode tornar-se agora o cavalo brasileiro que mais terá oportunidades na reprodução na terra do Tio Sam.

sábado, 7 de março de 2009

Histórias do Turfe


A Revista Turf Brasil, em função da vitória de Engaging (foto) no GP Estado do Rio de Janeiro, primeira prova da tríplice coroa carioca, ocorrida na semana passada, publicou um breve relato sobre Arambaré, pai do ganhador, e Edemilson Antonio de Souza, titular do Haras Maluga, criador do ganhador. Como já ouvi a história da boca do próprio Edemilson, posso conta-la com mais detalhes.
Arambaré estreou no Cristal confirmando a fama de craque, vencendo com facilidade uma seletiva da antiga Copa ANPC de Potros, no tempo – 1998 - em que esta prova reunia as melhores promessas das novas gerações de potros. Levado ao São Paulo, fracassou na final da mesma, mas após duas vitórias comuns, foi à Gávea ganhar o GP ABCCC, prova de Grupo 1 que consagra o campeão da geração de dois anos carioca. De volta a Cidade Jardim, ganhou, em final eletrizante e por focinho, o GP Ipiranga, primeira prova da tríplice coroa paulista, estabelecendo-se como o líder incontestável da sua geração.
Após o Ipiranga, Edemilson recebeu uma proposta irrecusável: 400 mil dólares pelo cavalo, que iria seguir campanha nos Estados Unidos. “Pensei comigo mesmo: se estão me oferecendo 400 mil, é porque o cavalo vai ganhar em prêmios muito mais do que isso. Então, ao invés de vender, vou primeiro ser tríplice coroado aqui, e eu mesmo levo o Arambaré para os Estados Unidos e ganho ainda mais”, me contou o próprio Edemilson, há quatro anos. O problema é que Arambaré mancou na sua atuação seguinte, o Derby Paulista, perdendo a coroa e tendo que amargar oito meses de recuperação. No retorno, quatro atuações e apenas um bom segundo lugar no GP Presidente da República (Grupo 1) na Gávea, perdendo apenas para Redattore. Ao invés de embolsar os dólares, Edemilson ainda teve que gastar “para fazer um haras para o cavalo”, nas palavras do próprio.
O gasto se revelou, no fim das contas, um belo investimento. Arambaré, que já vinha ganhando fama de reprodutor útil, com 69% dos produtos nascidos chegando a correr, e 88% dos produtos corridos tornando-se ganhadores, passa a ter seu primeiro produto ganhador de Grupo 1 – Ecoute Moi, da mesma geração, já tinha vitória em Grupo 2. Cabe, é claro, a ressalva de que os números de Arambaré são favorecidos porque a maioria dos seus filhos inicia campanha no Cristal, onde é mais fácil ganhar. Mas para o mercado, o que vale é o marketing de um reprodutor ganhador de grupo 1, produtor de grupo 1, e que gera sempre animais ganhadores. A partir de agora, Edemilson irá colher nos leilões do Maluga os frutos da sua aposta.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Latinoamericano da Polêmica


No próximo dia 14 de março, Cidade Jardim receberá o GP mais importante desta década no Brasil, o Gran Premio Latino Americano de Jockeys Clubs. Além da dotação de 250 mil dólares, deverá ser uma reunião dos principais corredores em atividade no continente, o que não vinha acontecendo nas edições anteriores da prova. A indicação dos representantes brasileiros tem sido motivo de muita polêmica – vamos a sua cronologia:
12/01 - O JCB, por estar com sua pista de grama interditada, estabelece uma prova seletiva para o Latino, a ser corrida em Cidade Jardim, no dia 07/02, apenas para animais alojados no Rio de Janeiro. O JCSP, ao contrário, estabelece que o GP Linneo de Paula Machado, a ser corrido na mesma data, será "elemento de apoio para a decisão da Comissão de Corridas referente à indicação de animais que representarão o JCSP" (sic) no Latinoamericano.
02/02 – Negro da Gaita, ganhador do Derby Paulista e segundo colocado no Pellegrini, não é inscrito na seletiva carioca.
04/02 – Sorrentino, ganhador das duas primeiras provas da tríplice coroa paulista, retirado do referido Derby Paulista por febre na semana da corrida, acaba sendo igualmente retirado do GP Linneo de Paula Machado, pelo mesmo motivo.
07/02 – A seletiva carioca, corrida em grama pesada, classifica Hot Six (foto acima), que vinha de secundar Negro da Gaita no Derby, e Flymetothemoon, ganhador de Grupo 1 na Gávea, para cima do próprio Hot Six. O GP paulista, corrido sob dilúvio, tem vitória esmagadora de Quadriball, até então freqüentador de páreos comuns. Agasias, que vinha de vitória em Grupo 2, forma a dupla. Fracassa o favorito Quick Road, prejudicado pelo estado anormal da pista.
09/02 – Com o título de “JCSP considera Negro da Gaita carioca”, o site Raia Leve publica desabafo de Luiz Fernando Dannemann, proprietário do animal, que reclama de “bairrismo” da comissão de corridas paulista e “revanchismo” – sua filha Jéssica é notória crítica da diretoria do JCB - da comissão carioca pela não indicação do seu pupilo.
09 a 13/02 – O Espaço do Leitor do Site Raia Leve recebe dezenas de manifestações favoráveis e contrárias a Negro da Gaita, que rapidamente descambam para um grande bate-boca.
14/02 – O JCSP recebe pré-inscrição de 8 animais para o Latino, dos quais promete selecionar dois.
14/02 – João Hackmaier, veterinário chefe do JCSP, vai ao Paraná examinar Sorrentino – segundo o Raia Leve, confirmando que o animal “está muito bem”.
16/02 – O JCSP decide indicar três, e não apenas dois animais para o Latino: Quick Road, Quadriball e Negro da Gaita, deixando Agasias como primeiro suplente e Sorrentino fora da lista.
17/02 – José Cid Campello Filho, proprietário de Sorrentino, declara “uma ponta de indignação” pela exclusão do seu cavalo, que “em termos de campanha e nível técnico, só fica atrás de Quick Road” (sic).
Em resumo, uma polêmica sem fim. O turfe brasileiro segue tropeçando na própria desorganização e falta de regras claras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Super Bowl XLIII

Ontem, os Estados Unidos viveram a sua grande festa esportiva, mais uma edição do Super Bowl, a 43ª, reunindo o favorito Pittsburgh Steelers e o azarão Arizona Cardinals. Tudo corria na maior normalidade, com o pentacampeão Pittsburgh impondo a força da sua camiseta e um autoritário 20 a 7 no Arizona, debutante em Super Bowls. A equipe de vermelho sentia o peso da decisão, cometendo muitas faltas bobas e cedendo preciosas jardas ao seu adversário. Parecia que ia ser um monótono passeio dos favoritos. Até que veio o último quarto.
Comandados pelo quarter back Kurt Warner, que passou a acertar tudo, os Cardinals reagiram, fizeram 14, abafaram o ataque dos Steelers para chegar a 16, e conseguiram uma espetacular corrida de 64 jardas com Larry Fitzgerald (está no início do vídeo). Faltando 2:37 para o fim, o que parecia impossível havia acontecido: a equipe do Arizona havia virado – 23 x 20. A torcida dos favoritos, maioria absoluta no estádio, estava perplexa – enquanto alguns rezavam, as crianças já começavam a encher os olhos de lágrimas. Warner e Fitzgerald, que chegaram a discutir durante o primeiro tempo, viravam os grandes candidatos a heróis do jogo.
Recomeço de partida, e a vida dos Steelers vai ficando cada vez mais difícil – na primeira tentativa de ataque, uma falta e a penalização que os deixa em first down & 20, ou seja, com 4 chances para evoluir 20 jardas, ao invés das 10 habituais. O quarter back Ben Roethlisberger olha para o relógio, faltam apenas 2:24. Com pequenos avanços, a equipe chega da linha do meio do campo, mas agora resta apenas 1:10. Big Ben, como é chamado o quarter back dos Steelers, precisa tirar um coelho da cartola.
Começa, então, a seqüência de jogadas que vai mudar novamente o dono do troféu. Na segunda das quatro tentativas, Roethlisberger acha Santonio Holmes livre. O wide receiver arranca rumo ao touch down, mas é parado a 5 jardas da zona fatal. O jogo ainda não virou e faltam apenas 49 segundos, mas Pittsburgh tem agora quatro chances para ganhar, ou, pelo menos, tem a possibilidade de chutar de curtíssima distância para empatar o jogo e forçar a primeira prorrogação da história do Super Bowl.
No primeiro down, Big Ben tenta um passe longo e alto, para Santonio Holmes no cantinho esquerdo da end zone, mas este deixa a bola escapar no meio das mãos. Na segunda tentativa, o quarter back repete a jogada, mas agora procurando Holmes no canto direito. O passe igualmente alto e longo viaja e é apanhado pelo receiver, mesmo vigiado por três defensores. Por alguns momentos, o touch down fica dependendo de confirmação dos juízes, apenas valendo caso Santonio Holmes ainda estivesse com os dois pés na end zone no momento do catch. Com a validação, o estádio quase vem abaixo. O replay mostra Larry Fitzgerald no banco repetindo “no, no” com olhar desesperado enquanto Santonio Holmes pula para a recepção mais importante do ano. Não há tempo para mais nada – o Pittsburgh Steelers ganha seu sexto título, tornando-se o maior papão de Super Bowls da história. A camiseta prevaleceu.
O vídeo com os lances decisivos de uma das decisões mais empolgantes do futebol americano está abaixo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Turfe Gaúcho 2009 - Final


O Turfe Gaúcho 2009 acabou em surpresa: venceu True Swank, de criação do Haras Campestre e propriedade de José Idílio Saggin, de Palmeira das Missões. O Haras Gentil Carlesso e o Stud Duplo Ouro, que tinham, somados, seis dos dez inscritos, e três dos quatro finalistas, acabaram duramente derrotados.
A final acabou ficando entre as fêmeas, com First Julia, do Duplo Ouro ameaçando a ganhadora nos primeiros 400 metros, mas acabando por chegar a um corpo e meio na dupla. Consumidor, seu faixa, não deu muita torcida. Tio Colete, a esperança dos Carlesso, mostrou na raia que os boatos sobre problemas físicos após o terno eram verdadeiros – quase caiu por duas oportunidades e finalizou em último.
No pedigree da ganhadora, algumas curiosidades. Sua mãe, Jasaindy, por Fast Gold, teve campanha medíocre nas pistas, com apenas uma vitória em 14 atuações na Gávea. Deve ter sido levada para a reprodução por ser filha da campeã Enable To Loose, ganhadora, entre outros, do GP Presidente da República (G1), a milha do GP São Paulo. No Haras, Jasaindy se revelou: seu primeiro produto Senhor Juli (por Spring Halo) já tem quatro vitórias na Gávea, inclusive um Pesos Especiais. O segundo, a potranca La Chela (por Monsieur Renoir), correu três vezes aos dois anos e ganhou duas, inclusive a Copa Leilões do JCB, prova não graduada, mas com 50 mil reais de prêmio. True Swank, terceiro produto de Jasaindy, já começa colocando em evidência seu pai True Confidence, um Storm Cat importado pelo Haras Campestre.
Se a parte técnica foi boa, o balanço financeiro foi preocupante. Foram apostados aproximadamente 470 mil reais, dos quais 340 mil pelos dois principais postulantes – Carlesso e Duplo Ouro, 170 mil cada um. Comenta-se que eles estariam correndo a penca de forma “livre”, ou seja, quem ganhasse devolvia as apostas do outro, ficando apenas com o prêmio de R$ 100 mil. A matemática é, então, extremamente cruel: quem vencesse teria apostado 170 mil para ganhar, descontada a porcentagem da organização (38%), aproximadamente 291 mil. Devolvendo 170 para o perdedor, seriam 121 mil recebidos para 170 mil apostados, um prejuízo de 49 mil. Com o prêmio, um lucro bruto de 51 mil, de onde ainda faltaria tirar inscrições, comissões para jóquei e treinador, remédios, etc. Ou seja, que ganhasse estaria praticamente “empatando” o investimento. Com a derrota, ambos amargaram violento prejuízo. Da forma como está, o Turfe Gaúcho vai se tornando uma penca inviável a cada ano que passa.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Turfe Gaúcho - II

Definida a final do Turfe Gaúcho 2009 – amanhã, fortes emoções a partir das 18 horas.
No primeiro terno, o favorito Tio Colete, um Dodge do Haras Gentil Carlesso, confirmou sua fama com uma fácil vitória. Foi o potro que mostrou mais velocidade inicial, ganhando sem apanhar em 39´3.
Na segunda eliminatória, outra vitória muito fácil. First Julia, uma First American do Stud Duplo Ouro, ganhou de galope, marcando 39´6 e chegando com uma ação muito vistosa. É forte candidata amanhã, e parece que será ainda melhor com o aumento da distância.
Na terceira eliminatória, ganhou True Swank, produto da primeira geração do americano True Confidence. Precisou apanhar na altura dos 300 finais, mas depois que dominou o terno foi “guardada” pelo seu jóquei para a final. Marcou também 39´3.
No último terno, a única cabeça de chave que perdeu – Linda Pinta demorou a embalar e acabou derrotada por Consumidor, um Confidential Talk que também defende o Stud Duplo Ouro. Marcou o melhor tempo (39´2), mas foi exigido a fundo. Teoricamente, não tem mais nada a melhorar para amanhã, e ainda deve sentir o esforço feito na eliminatória.
Meu palpite: Tio Colete e First Julia devem decidir.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Turfe Gaúcho 2009

Neste fim de semana, o hipódromo do Cristal terá a 40ª edição do Turfe Gaúcho, a penca mais tradicional do Brasil. Já sem o brilho de outras épocas, atraiu 11 confirmações de sete parcerias diferentes - o Stud Duplo Ouro e o Stud Alegretense (este, do organizador da penca Nilton Carlesso) têm três confirmações. Comenta-se que Linda Pinta, uma filha de Top Size que defenderá as cores do Haras Ereporã, tem os melhores trabalhos. Das duas "trincas", fala-se, pelo lado do Duplo Ouro, de First Julia, uma filha de First American, e de Tio Colete, um Dodge, como melhor representante do Alegrete.
No domingo, os ternos (eliminatórias, para quem não conhece o vocabulário das pencas). Na segunda, a grande final.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Últimas do Turfe


Algumas novidades sobre o turfe mundial:
- Natagora – as últimas notícias dão conta que ela teria sido vendida para o Sheik Hamdam, da Shadwell Racing, deixando de exibir nas pistas européias as cores do Stud Estrela Energia. Tudo indica que a tordilha continuará em campanha, pelo menos por enquanto.
- Ranking 2008 – saiu o World Thoroughbred Ranking de 2008, que apesar de contestado por alguns, é o único instrumento de comparação entre cavalos europeus e americanos. A surpresa (pelo menos para mim) foi o quarto lugar de Zarkava. Os cinco primeiros (houve empate na primeira colocação), com a respectiva pontuação, são:
1 – New Approach (Irlanda) – 130 – ganhador do Derby de Epsom.
1 – Curlin (EUA) – 130 – iniciou o ano ganhando a Dubai World Cup, depois correu cada vez menos.
3 – Raven´s Pass (Ingl.) – 129 – ganhador da Breeders Cup Classic.
4 – Zarkava (Fr.) – 128 – invicta, fácil ganhadora do Arco do Triunfo.
5 – Duke Of Marmalade (Irl.) – 127 – ganhou cinco Grupos 1 consecutivos, depois fracassou no Arco e na BC Classic.
- Keeneland – os leilões de Janeiro em Keeneland (EUA) estão fortemente impactados pela crise mundial. Ao fim do terceiro dia, o preço médio dos lotes apresenta queda de 53% em relação ao ano passado, e a mediana, de 50%!
- Granizo – estréia sábado, em Gulfstream Park, na Flórida, o brasileiro Granizo, correndo uma prova de Grupo 3 em 1.200 metros, areia. Trata-se de uma história curiosa: reservado pelo seu criador, o Stud Raça, estreou vencendo fácil na areia de Cidade Jardim, para depois fechar raia em um clássico na grama. Descartado por ter problemas físicos, acabou nas canchas retas, onde perdeu uma penca para Guapo No Más (“o rei da reta” em 2007/2008, entre os cavalos velhos), sendo então negociado com o Stud São Pedro do Rio Grande. Com a nova blusa, ganhou uma forte penca em Alegrete e dois páreos comuns no Tarumã, ambos em 800 metros (foto acima). Vendido para Cidade Jardim, venceu mais dois páreos comuns e uma Prova Especial por larga margem. Vai estrear nos Estados Unidos quase com seis anos, depois de passar por quatro proprietários brasileiros.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Felipão na Corda Bamba


O Chelsea de Felipão acaba de levar 3x0 do Manchester United pelo campeonato inglês, complicando ainda mais a situação do treinador brasileiro – lá na Inglaterra, diz-se que Luiz Felipe Scolari só não perde o emprego porque o magnata Roman Abramovich não quer ter que pagar a pesada multa rescisória.
No clássico de hoje, o que mais impressionou foi a pobreza de soluções ofensivas da equipe de Londres. Com seus meio-campistas (Ballack, Joe Cole, Lampard) muito mal, o Chelsea não criou quase nada e foi inteiramente dominado pelo Manchester, que construiu a goleada no segundo tempo com Cristiano Ronaldo bem aberto pela esquerda, deitando e rolando primeiro sobre Bosingwa, depois sobre Beletti, que o substituiu.
Impressionante também a falta de atitude da equipe azul, levando o narrador da ESPN Brasil a comentar sobre “a quantidade de jogadores andando em campo”. Aparentemente, Felipão não está conseguindo administrar o vestiário cheio de estrelas milionárias, e caminha para ser mais um grande treinador brasileiro a fracassar na Europa. Do jeito que a coisa vai, não seria surpresa se Luiz Felipe Scolari acabasse na seleção brasileira, em busca do hexa em 2010.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Blog do Albatroz

Incluí nos links úteis o blog Ninho do Albatroz, do jornalista Renato Gameiro. Vale a pena dar uma conferida, sempre tem coisas interessantes para quem gosta de turfe. O último post é uma entrevista com o ex-treinador John Veitch, responsável, entre outros, pelo craque Alydar, único cavalo a ser segundo colocado nas três provas da Tríplice Coroa americana. Entre as pérolas da entrevista, a revelação de que Alydar nunca "trocava de mão" ao longo da corrida, e escolha da égua Davona Dale como o melhor animal que ele já treinou.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Novas Promessas


Sete páreos da nova geração, seis deles com status de Prova Especial, e algumas exibições de categoria. No sábado, a maior do fim de semana, na Prova Especial Odyr do Couto, corrida na Gávea. Ganhou muito fácil um potro que eu nem percebi inscrito, Seu Nicão (na foto acima), um filho do sempre útil Notation na excelente velocista Cacique Bar, uns dos primeiros animais brasileiros a tentar a sorte em Dubai (correu a Golden Shaheen) saindo diretamente daqui para lá. Seu Nicão, propriedade do Stud Meio-Século, largou aligeirado, livrou dois corpos na ponta e quando entrou na reta “saiu tirando”, derrotando seus rivais por mais de 10 corpos. Marcou 66´21 para os 1100 areia, boa marca para um estréia na Gávea.
Antes, também na Gávea, a Prova Especial Cidade de Teresópolis ficou reduzida a 4 potrancas, e apresentou uma vitória de ponta a ponta de Dearest Nativity, uma filha de Forever Buck reservada pelo seu criador, o Stud Capitão. A pedra falou, pois a ganhadora abriu pouco apostada e fechou pagando 3,50. O tempo, bem inferior ao dos machos, 67´49. A curiosidade é que Forever Buck foi um dos bons filhos de Spend A Buck nas pistas brasileiras, tendo obtido três vitórias clássicas – Grupo 1, Grupo 3 e Listed. Mesmo com filiação e campanha, teve poucas oportunidades na reprodução, já estando na terceira geração e tendo produzido, nas duas anteriores, apenas 5 filhos, com os quatro que correram tendo obtido vitórias comuns. A vitória de Dearest Nativity pode ser um indicativo de que ele merece mais chances.
Em Cidade Jardim, o sábado apresentou a Prova Especial Eleutério Prado, com nove potrancas, e um páreo comum de potros. Nos machos (em 1100 areia), uma bela estréia de Gallian, um Dodge na líder de sua geração (pelo menos nos primeiros clássicos) Iriscordemel. O ganhador aceitou a briga inicial com Talking Heads (eram os dois mais apostados), mostrando sempre que vinha melhor, e despachando seu perseguidor para vencer em 65´6, boa marca considerando-se que a cronometragem foi manual. Mais um caso em que a pedra falou: Gallian fechou pagando 2,10.
No clássico das potrancas, a favoritona Tradição Gaúcha (abriu pagando 1,30), perdeu na partida, largando muito mal e forçando muito aberta para perseguir a ponteira Dreamworks. Quando as duas cansaram, surgiu voando baixo pela cerca Tell Me True, do Stud Raça, que dominou, mas perdeu em cima do disco para uma atropelada ainda mais tardia e fulminante, de Ijubinha, uma First American do Stud Eternamente Rio. O tempo, de 66´8, bem inferior ao dos machos.
No domingo, Cidade Jardim assistiu três versões da Prova Especial Rafael de Barros Filho, confirmadas nos 1000 metros grama, apesar do estado pesadíssimo da raia. Na primeira, vitória muito fácil do meu indicado Tommasi, um Wild Event do Stud Raça, de ponta a ponta e por quase 9 corpos. Na segunda, o favorito Tenente Dodge corria no meio do bloco e só embalou nos últimos 200 metros para dominar Rio Miranda e Zórico, que brigavam pela vitória. Para encerrar, a primeira vitória de um filho de Hard Buck veio com Ouriço, reservado pelo seu criador, o Haras Old Friends. Mesmo largando pela baliza 1, normalmente o pior terreno quando o retão de Cidade Jardim está pesado, Ouriço ponteou desde a partida, e quando livrou pequena luz, seu piloto Nelito Cunha o trouxe de golpe para fora, folgando progressivamente a partir daí. O desvio gerou protestos do segundo e terceiro lugares, mas a Comissão de Corridas entendeu que havia vantagem suficiente para tal manobra, confirmando o páreo. Os tempos dos páreos foram semelhantes (58´55, 58´50 e 59´06), e coerentes com o estado da raia.No fim das contas, vitórias de fardas tradicionais (Capitão, Eternamente Rio, Raça, Old Friends, Palura) nos clássicos, mas o maior destaque foi mesmo Seu Nicão – o Stud Meio-Século é do treinador André Mion. Entre os que perderam, é bom guardar o nome de Tell Me True, derrotada no último pulo – não é comum uma Nedawi mostrar tanta carreira logo em janeiro, e na areia – e Bonjour, um Romarin do Haras Figueira do Lago que acabou sendo o mais prejudicado por Ouriço (foi terceiro colocado).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os Primeiros Clássicos da Nova Geração


Neste fim de semana, Gávea e Cidade Jardim têm seus primeiros clássicos reservados à nova geração. Neles, poderão estar surgindo craques, apesar da história mostrar que as grandes máquinas geralmente aparecem mais tarde. No primeiro fim de semana de janeiro, destacam-se os mais precoces, que nem sempre confirmam o brilho inicialmente exibido.
Não é a estréia em hipódromos oficiais da geração 2006, pois em dezembro já tivemos uma Prova Especial no Tarumã, vencida em grande estilo por Indomito, um filho de Red Runner, garanhão americano importado por criadores paranaenses, que estréia auspiciosamente sua primeira geração no Brasil, composta de 46 produtos. O potro do Stud Mandrake (investe bastante e sempre compra bem) ganhou por nove corpos em 39´3 para os 700 metros, ficando a meio segundo do recorde.
Na Gávea, já tivemos três páreos comuns em 900 metros, distância que nunca havia sido corrida antes e foi inventada graças à interdição da raia de grama carioca – a Comissão de Corridas preferiu reduzir 100 metros nas tradicionais disputas de 1000 metros grama a utilizar os 1100, como sempre era feito quando os páreos sofriam transferência de pista. Tivemos, assim, três recordistas em seqüência. Desejada Normand (foto acima), filha de Roi Normand na ótima velocista Super Desejada, ganhou a primeira, em 54´90, marcando o primeiro ponto para o Stud Alvarenga. Tchutchuca, que havia sido oferecida pelo Haras Anderson no leilão Top Classic (maio de 2008) em parelha com outra potranca, mas acabou preterida pelo comprador, cravou 54´59. Ponto para o criador e proprietário, e para o reprodutor Dodge, nome fácil entre os primeiros ganhadores das novas gerações. Na semana seguinte, o recorde voltou para o Stud Alvarenga, com True Classic marcando 54´58. A pequena (432 quilos) potranca marcou o primeiro ponto da primeira geração brasileira – 67 produtos – do americano True Confidence, um filho de Storm Cat. Demonstrou também a qualidade que o Alvarenga tem nas mãos – duas vitórias e o segundo lugar de Lady Upshot, favorita contra Tchutchuca.
Amanhã, a Gávea vê os machos pela primeira vez na Prova Especial Odyr do Couto, em 1100 metros. Entre os onze potrinhos que disputarão a liderança da geração, fala-se mais de That´s Now, um First American do Alvarenga, e Belo Runner, um Red Runner dos pernambucanos do Stud São José dos Bastiões. Nunca é bom deixar de lado o Haras Anderson, que irá apresentar Tivoli Park, um Wild Event. Antes, a vez das potrancas – serão apenas seis na Prova Especial Cidade de Teresópolis. A revista Turf Brasil indica Super Hina, por Chocktaw Ridge em Sassy Doll, mais uma do Alvarenga. Raça não lhe falta (é irmã dos clássicos Super Atleta, Super-Forte e Sushi-Bar), mas a boa deve ser sua companheira de farda True Chill, outra True Confidence, preferida pelo líder M. Mazini. Fala-se ainda em Dear Nati, uma Crimson Tide reservada pelo Haras Nacional.
Em Cidade Jardim, a Prova Especial Eleutério Prado, com onze potrancas, e um páreo comum de potros. Como os paulistas instituíram o trabalho obrigatório cronometrado, dá para tentar comparar pelo menos os animais alojados no próprio prado (os que estão em CT informam suas marcas). Nos machos (em 1100 areia), destaque para a primeira atuação de um filho de Hard Buck, Império de Birigui. Os trabalhos, no entanto, são fracos. Quem se destaca no relógio é Talking Heads, um filho de Spring Halo do treinador Luis Carlos Soares, o popular Bolo Fofo. O reprodutor e o treinador são especialistas em precocidade, então é bom respeitar. Cuidado também com a parelha do treinador Mario Campos, Jonathan Fly (por Gregoriano) e Rey Chardonnay (por Redattore). O segundo foi escolha de W. Blandi, devendo ser a melhor opção. O clássico das potrancas, marcado para o retão gramado, deve ser corrido na areia, já que a pista hoje está encharcada. Vale sempre respeitar as fardas tradicionais do Haras Anderson e do Stud Eternamente Rio, mas o trabalho de Tradição Gaúcha, uma Dodge do Stud Palura (também do Bolo Fofo) é pelo menos um segundo melhor do que as outras alojadas no prado.
No domingo, Cidade Jardim assiste três versões da Prova Especial Rafael de Barros Filho. Na primeira, nove potros, dos quais três vêm do Paraná (pouco comentados) e outros três de CTs. Meu palpite é Tommasi, um Wild Event do Stud Raça. Na segunda, seis dos nove são do próprio prado, e as marcas mais uma vez indicam Bolo Fofo e Palura – Tenente Dodge terá contra si, no entanto, a baliza 9 se houver mudança para a pista de areia. No Paraná, comenta-se que Zórico (por Implexo) tem chances. Encerrando a maratona, a versão C tem três representantes do CT de Porto Feliz, e a lógica mandaria indicar a montaria do líder J. Moreira, Quick To Run. Prefiro não acreditar que um filho de Príncipe Taio vai despontar em 1000 metros, menos ainda em 1100 areia. Meu palpite é a dupla Bonjour (um Romarin do Haras Figueira do Lago) e Talk With Me (um Confidential Talk do Anderson). Cuidado ainda com Zelandês, outro paranaense com boas referências.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Retrospectiva 2009 - Turfe

Retrospectiva rápida: Curlin arrasou uma turma fraca em Dubai, tentou provar que podia ser da primeira turma mundial na grama, desistiu rápido, e se arrastou até o recorde mundial de somas ganhas - a pálida Breeders Cup foi um fim de carreira opaco para o que ele fez nas pistas, especialmente na BC 2007.
Seu adversário aos olhos da mídia foi Big Brown, que chegou no Belmont Stakes para ser tríplice coroado e abandonou o páreo na última curva. O duelo entre os dois, anunciado com muita bravata de ambas as partes, acabou não acontecendo.
A Breeders Cup Classic, que costumava ser o desafio final do ano na areia, acabou revelando uma nova realidade ao ser corrida em pista sintética. Os gramáticos da Europa gostaram, e Raven´s Pass, um milheiro, levou a glória dos 2.000 metros para o velho mundo. Ponto de interrogação para o futuro: como ficará o mercado americano e mundial se o grande desafio, que define os grandes campeões em solo americano, passar a ser corrido no all weather track, e não no dirt?
Para encerrar, foi o ano das grandes fêmeas. Zenyatta, Goldikova, e obviamente Zarkava, a grande craque do ano, que acabou coroando sua campanha com uma vitória espetacular no Arco do Triunfo. Para mim, uma das maiores exibições de classe que eu já vi. Basta ver no vídeo, em um páreo de tamanha categoria, como ela esmaga seus adversários nos poucos metros em que tem caminho livre. O show do ano no turfe.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Link

Para quem conhece o Zé Paulista, um link imperdível. www.zeguto.blogspot.com - leiam a declaração de amor para a prancha.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Fim de Ano

Fim de ano com muitas competições paradas e os canais de esportes programando uma infinidade de reprises. Para quem quiser procurar distração, algumas dicas:
- 30/12: último programa da série Jogos Para Sempre, com a final do Mundial de 2005, São Paulo x Liverpool, no Sportv. Terá reprises no dia 31, às 10:30 e 16:30.
- 01/01: para quem gosta de futebol americano, a ESPN mostra o Rose Bowl Game, entre USC e Penn State.
- 03/01: começa a Copa São Paulo de Juniores. A ESPN Brasil transmite Corinthians x Paraibano (16:00) e São Paulo x Ceará (18:30).
- 04/01: mais Copa São Paulo, com Grêmio x Portuguesa (14:00), Taubaté x Nacional (16:00) e Santos x Cene (18:30), todos na ESPN Brasil.
- 04/01: na ESPN, uma sequência com quatro lutas clássicas de Evander Holyfield, a partir das 21:00.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Bobô e a Fonte Nova


De férias na Bahia, tenho acompanhado o noticiário esportivo local, em que a manchete da semana é a situação delicada de Bobô, maior ídolo futebolístico dos baianos, na investigação do desastre da Fonte Nova.
Parte da arquibancada do estádio mais tradicional do nordeste desabou em novembro de 2007, quando o Bahia disputava seu último jogo na Série C, matando 7 torcedores. Desde então, a Fonte Nova está interditada.
A novidade é que documentos provam que o Diretor de Operações da Sudesb, orgão do governo que administra o estádio, encaminhou ao Bobô, Superintendente do órgão, um pedido de "avaliação urgente, no sentido de de providenciarmos todas as questões que envolvem uma interdição" (sic). Bobô, como chefe máximo do órgão, despachou uma autorização de interdição parcial no estádio no dia 11/01/07, mas acabou não efetivando-a. Há ainda um depoimento do Major da PM Elcimar de Alcântara, que alega ter encaminhado dossiê completo a Bobô, destacando a situação crítica da Fonte Nova, que teria sido ignorado por que o Major "não era engenheiro".
Resumindo, todo mundo quer jogar a responsabilidade para Bobô, que vai ter que explicar a falta de medidas concretas.
O fato é que a Fonte Nova estava um lixo há anos, e nada foi feito. Uma situação que não é exclusividade da Bahia, ocorre em vários estadios do futuro país da Copa.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mais Um Mundial


Ontem, mais uma decisão de Mundial Interclubes, a 29ª promovida no Japão. Assisti 17 destas, e as do século XXI têm sido duelos Davi x Golias, ao contrário do equilíbrio que houve em boa parte dos confrontos dos anos 80 e 90. Esta talvez tenha sido a que começou com maior favoritismo para os europeus em toda a história - o site Sportingbet c0tava o Manchester United a 1,30, o que quase me levou a jogar uns trocados na LDU (rateio de 10 por 1).
Em campo, dois tempos bem distintos. No primeiro, uma LDU encolhida e sem conseguir ficar com a bola no pé foi bombardeada pelos ingleses. O Manchester alternava as tabelas do trio Cristiano Ronaldo - Tevez - Rooney com lançamentos longos dos volantes Anderson e Carrick e chegava com facilidade ao gol equatoriano. Contei dez oportunidades de gol, quatro delas claríssimas, mas a bola não entrou, e o primeiro tempo terminou mesmo 0x0. Os equatorianos perderam uma chance incrível logo a 3 minutos, com Campos na linha da pequena área desviando um cruzamento para fora. O momento "videocassetadas" foi a entrada de quatro japinhas com a maca para tentar retirar o goleiro Cevallos, machucado.

No segundo tempo, tudo mudou. O zagueiro Vidic deu uma cotovelada num equatoriano logo aos 3 minutos e foi expulso, desarrumando o time inglês e animando a LDU, que já parecia ter voltado do intervalo mais tranquila. Com dez homens, o técnico Alex Ferguson optou por tirar Tevez e recompor a zaga com Evans, perdendo força ofensiva. Dos 15 aos 25 minutos, os equatorianos tiveram o seu momento na partida. O argentino Manso quase acertou de longe aos 17, e teve a bola do jogo nos pés ao puxar um contrataque aos 26, muito parecido com o gol do Inter em 2006. Ao contrário do Iarley contra o Barcelona, Manso não "pifou" Bieler na cara do gol quando teve a chance, preferindo carregar mais um pouco, armar o chute, hesitar e demorar a definir, sendo desarmado por Anderson. O castigo veio logo em seguida, aos 28, quando Cristiano Ronaldo rolou para Rooney bater de chapa no canto, definindo o mundial.

Ganhou o elenco milionário, de maior qualidade. Para os sul-americanos, sempre haverá possibilidade de surpreender, desde que joguem fechados e aproveitem as poucas chances que irão aparecer.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Clube do Povo

Voltei, depois de longa inatividade.
Voltei para elogiar a eleição do Inter. Ganhou o candidato da situação, o presidente Píffero, que fez mandato ruim, marcado pela bravata sem resultados, que assumiu campeão do mundo, começou a Libertadores do possível bi com Rafael Santos e Ediglê na zaga, acabou eliminado na primeira fase, e terminou salvo pelo título da Sul-Americana.
A eleição o fez presidente do centenário, mas também definiu um conselho 60/40 entre situação e oposição. A chapa dos anônimos elegeu 23 conselheiros, reafirmando que o Inter é o clube do povo.