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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Abu Deu Tri


O sonho do bicampeonato mundial acabou precocemente para os colorados, e a Inter de Milão fez o básico, impondo sua maior qualidade e o peso da sua camiseta contra coreanos e congoleses, conquistando assim seu sonhado tri mundial, já que o bi estava em um lugar distante na memória, há 35 anos – neste meio tempo, o rival Milan ganhou cinco Champions e três mundiais.
Sobre a derrota do Inter de Porto Alegre, muito já foi falado, entre opinões acertadas e algumas besteiras. Até a festa no embarque rumo aos Emirados já levou a culpa, em palpite do ex-colorado Lúcio, que além de infelicidade, demonstrou ignorância história, já que em 2006 a mesma manifestação foi saudada como “energia positiva” para o time.
O Inter não perdeu por salto alto ou menosprezo, talvez o único fator psicológico que tenha influenciado tenha sido o nervosismo após levar o primeiro gol. Na verdade, o Inter “confirmou seus trabalhos”, atuando no Mundial da mesma forma que em seus últimos jogos no Brasileiro: com posse de bola, mas extrema dificuldade de concluir e fazer gols; com problemas defensivos visíveis, do goleiro que não defende um único chute razoavelmente perigoso à dupla de zaga lenta e pesada, passando pela insegurança das bolas nas costas do Nei. O Inter que enfrentou o Mazembe não foi diferente do que perdeu para o Avaí ou empatou com o Vitória em pleno Beira Rio, mas o “planejamento” da Diretoria e Comissão Técnica varreu sistematicamente os problemas para baixo do tapete, e os defeitos apareceram no momento mais inesperado.
Claro que todo este post poderia ser diferente se o Sobis aproveita aquela chance clara no início do jogo, ou se o Giuliano empata na metade do segundo tempo, mas qualquer competição funciona da mesma maneira: os mais preparados sempre estarão mais perto da vitória do que aqueles que cometeram erros na sua preparação. Quem faz tudo 100% certo, pode perder um jogo ou um título, mas quem deixa de fazer o seu 100%, certamente perde com muito mais freqüência.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Chegou a Hora

O Mundial de Clubes começa para o Inter daqui a pouco. Pelo pouco que vi do Mazembe (uma parte do segundo tempo), parece ser um adversário forte fisicamente, mas muito ingênuo e limitado tecnicamente. As estréias dos sulamericanos nunca costumam ser tranquilas, mas acho que a do Inter deve ser excessão a essa regra.
Neste momento, o filme de 2006 está passando na cabeça. Espero que 2010 também deixe grandes lembranças, como a do vídeo abaixo - estádio de Yokohama, minutos antes de começar Inter x Barcelona, o clima era este...

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Melhor do Mundo, Finalmente


O Barcelona finalmente conseguiu o título que lhe faltava, o de campeão mundial, em uma decisão emocionante, que parecia perdida. Um gol aos 44 minutos do segundo tempo e a virada na prorrogação consagraram Messi, o melhor jogador do mundo em 2009, e Guardiola, o treinador de melhores resultados como iniciante da história do futebol europeu.
Foi um jogo dramático, apesar de alguns momentos de baixa qualidade. De cara, defini a minha torcida para os argentinos, primeiro pelo rateio que pagavam no Sporting Bet, um convidativo 8,50 que me fez arriscar alguns trocados, mesmo sabendo da missão difícil que teriam. Depois, pela cena da entrada em campo, com um time de branco ao lado Barcelona, revivendo grandes memórias de 2006. O primeiro tempo parecia a repetição de um filme, com o Barça tendo a posse da bola, mas o Estudiantes chegando ao gol em um cruzamento da esquerda, não interceptado pelo Pujol, e brilhantemente cabeceado pelo centroavante Bosseli para fazer 1x0 para os argentinos. O Barcelona errava passes, começava a ficar nervoso com o juiz (que erradamente deixara de marcar um pênalti claro sobre Xavi), e parecia começar a reviver um pesadelo em vermelho e branco. Ao comentar o jogo com amigos, no intervalo, observei que o preparo físico seria crucial para a vitória argentina, pois o Estudiantes precisaria conseguir manter a intensa marcação da primeira etapa. O Sporting Bet, naquele momento, continuava apostando no Barça, indicando-lhe um favoritismo de 2,50 para vencer ainda no tempo normal, e de 1,60 para ficar com o título.
Na volta do intervalo, Guardiola começou a fazer diferença, ao substituir o meiocampista Keita pelo atacante Pedro, o talismã catalão. O Barcelona passou a ter, na prática, quatro atacantes em intensa movimentação, confundindo a marcação argentina e criando as chances de gol que não haviam aparecido até então. Foram vinte minutos de muita pressão, até que o nervosismo pelo gol que não saía começasse a pesar. A partir da segunda metade do segundo tempo, o Estudiantes, mesmo cansando visivelmente (principalmente Veron), parecia que ia resistir, pois o Barça começava a tentar simplificar, lançando bolas na área. Após os 35 do segundo tempo, o zagueiro Pique virou centroavante, em clara demonstração do desespero dos europeus. Acabaria sendo ele que, aos 44 do segundo, ganharia de Cellay (até então um monstro na zaga) na cabeça, escorando para Pedro, sozinho, também cabecear e encobrir o nanico goleiro Albil, empatando o jogo e levando a decisão para a prorrogação. Duríssimo golpe para o Estudiantes: o técnico Sabella continha o choro, a torcida, até então espetacular, parava de cantar, os jogadores baixavam a cabeça.
Na prorrogação, o ataque x defesa continuou, até que Messi escorou com o peito o cruzamento de Daniel Alves para definir o jogo e sair vibrando muito. Um prêmio ao argentino que nunca jogou por lá, que foi chamado de “craque do Playstation” após insucessos dos hermanos nas eliminatórias. Um prêmio também à ousada mudança de Guardiola no intervalo, indo para o tudo ou nada, e ficando com tudo. Se eu achava que ele não comemorava por soberba, tive que engolir o que falei, pois o treinador caiu em choro copioso na hora da cerimônia de premiação. Faltou ao Estudiantes segurar um pouco mais a bola, arriscar um pouco mais no contrataque, manter um pouco mais o “gás” (correr 90 minutos nos Emirados Árabes não é tão fácil quanto correr os mesmos 90 no frio do Japão). Faltou até um pouco de sorte, já que no último lance do jogo, Desabato cabeceou a milímetros do poste esquerdo de Victor Valdez, não conseguindo o empate heróico. Mereceu o Barcelona, pela qualidade, pela busca incessante da vitória, e por querer, mais do que nenhum europeu, o título que lhe faltava.
Fiquei sem o dinheiro, mas com toda a história para contar...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Terceira Chance


No sábado, o Barcelona terá sua terceira chance de chegar ao título mundial, e, pela primeira vez, não vai pegar um brasileiro na decisão. Na terça, o Estudiantes venceu o Pohang Steelers, da Coréia do Sul, em jogo que não assisti, e de forma tranqüila, segundo os comentários. Desde que a Fifa implantou o novo formato, foi a classificação mais fácil de um sulamericano, apesar do placar magro de 2x1, já que logo após marcar o segundo gol, no início do segundo tempo, os argentinos ficaram com um jogador a mais, e acabariam a partida com três a mais. Nos melhores momentos, o meu destaque fica para o gol do Pohang, validado de forma incrível pelo bandeirinha, apesar de pelo menos três jogadores estarem visivelmente adiantados (http://www.youtube.com/watch?v=xFeqINtr-xs).
Ontem, assisti a vitória tranqüila do Barcelona sobre o Atlante, apesar dos mexicanos terem saído na frente. No final, o jogo lembrou muito a semifinal do Barça com o América, em 2006: toques de calcanhar, dribles, clima de show. Os mexicanos não aprenderam, ainda, que existe muita diferença entre um time jogar fechado e jogar recuado. O Atlante esperava o Barcelona aquém da linha divisória, mas dava muitos espaços. O lance do segundo gol é emblemático, reparem o tempo que o Ibrahimovic tem para dominar, girar e achar Messi entrando livre na área (http://www.youtube.com/watch?v=HQQhrWxB6b4).
No sábado, obviamente, a final será um jogo diferente, o Barça não terá moleza contra o bem organizado time do Estudiantes. Eu geralmente torço pelos sulamericanos, ainda mais depois de ver a soberba dos europeus escancarada em imagens como a do técnico Guardiola, que quase não comemorou os gols do seu time. No sábado, dependendo do andamento da partida, vou abrir uma exceção e ser solidário com o Barcelona, não por causa do futebol bonito, nem por pena do clube que está para sempre na história do Inter. Meu motivo é uma lembrança de 2006, quando encontramos, na véspera da final, dois espanhóis no Monte Fuji. Um deles, o que está bem no meio da foto acima, me disse estar preocupado com o que poderia acontecer no dia seguinte, pois apesar da imprensa espanhola levar de barbada aquela decisão, ele sabia que jamais seria fácil ser campeão sobre um time brasileiro. Por uma casualidade do destino, quando embarquei de volta para o Brasil, dois dias depois do jogo, nosso “amigo” catalão, quando nos reconheceu entrando no avião, levantou da poltrona que já ocupava e nos aplaudiu, reconhecendo o mérito da vitória do Inter. Um gesto nobre, de muito espírito esportivo, que eu provavelmente não seria capaz de ter se houvesse perdido.
No sábado, então, vou torcer que o vencedor não seja beneficiado por uma arbitragem incompetente, algo que anda cada vez mais comum, infelizmente. Que vença o melhor, o que não significa, necessariamente, o mais virtuoso. Enfim, que ganhe aquele que mais merecer, e que a sua torcida aproveite os momentos que eu um dia aproveitei – menos, é claro, o Monte Fuji, que vai estar longe de Abu Dhabi.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mais Um Mundial


Ontem, mais uma decisão de Mundial Interclubes, a 29ª promovida no Japão. Assisti 17 destas, e as do século XXI têm sido duelos Davi x Golias, ao contrário do equilíbrio que houve em boa parte dos confrontos dos anos 80 e 90. Esta talvez tenha sido a que começou com maior favoritismo para os europeus em toda a história - o site Sportingbet c0tava o Manchester United a 1,30, o que quase me levou a jogar uns trocados na LDU (rateio de 10 por 1).
Em campo, dois tempos bem distintos. No primeiro, uma LDU encolhida e sem conseguir ficar com a bola no pé foi bombardeada pelos ingleses. O Manchester alternava as tabelas do trio Cristiano Ronaldo - Tevez - Rooney com lançamentos longos dos volantes Anderson e Carrick e chegava com facilidade ao gol equatoriano. Contei dez oportunidades de gol, quatro delas claríssimas, mas a bola não entrou, e o primeiro tempo terminou mesmo 0x0. Os equatorianos perderam uma chance incrível logo a 3 minutos, com Campos na linha da pequena área desviando um cruzamento para fora. O momento "videocassetadas" foi a entrada de quatro japinhas com a maca para tentar retirar o goleiro Cevallos, machucado.

No segundo tempo, tudo mudou. O zagueiro Vidic deu uma cotovelada num equatoriano logo aos 3 minutos e foi expulso, desarrumando o time inglês e animando a LDU, que já parecia ter voltado do intervalo mais tranquila. Com dez homens, o técnico Alex Ferguson optou por tirar Tevez e recompor a zaga com Evans, perdendo força ofensiva. Dos 15 aos 25 minutos, os equatorianos tiveram o seu momento na partida. O argentino Manso quase acertou de longe aos 17, e teve a bola do jogo nos pés ao puxar um contrataque aos 26, muito parecido com o gol do Inter em 2006. Ao contrário do Iarley contra o Barcelona, Manso não "pifou" Bieler na cara do gol quando teve a chance, preferindo carregar mais um pouco, armar o chute, hesitar e demorar a definir, sendo desarmado por Anderson. O castigo veio logo em seguida, aos 28, quando Cristiano Ronaldo rolou para Rooney bater de chapa no canto, definindo o mundial.

Ganhou o elenco milionário, de maior qualidade. Para os sul-americanos, sempre haverá possibilidade de surpreender, desde que joguem fechados e aproveitem as poucas chances que irão aparecer.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Uma Final Diferente


Foi, sem dúvida, uma final diferente. Pouquíssimas vezes, o Japão assistiu uma decisão de Mundial Inter-Clubes com tantos gols, consagrando o campeão de forma tão absoluta. Apenas Flamengo, em 81, e o próprio Milan, em 90, haviam vencido com placares elásticos – ambos, por 3x0. Com os 4x2 de hoje, o Milan derrotou inapelavelmente o Boca Juniors, tornando-se o primeiro tetra campeão mundial.
Ao contrário do que se esperava, não foi uma final de forte marcação. Houve, sim, um posicionamento defensivo das duas equipes no primeiro tempo, com sete jogadores do meio para trás, e jogadas de ataque construídas sempre por poucos jogadores. Milan e Boca nunca atacavam com mais de cinco jogadores ao mesmo tempo. O Milan abriu o placar num contra-ataque de dois jogadores contra quatro defensores argentinos. Kaká, após bater prensado na zaga, achou Inzaghi livre na cara do gol para fazer 1x0. Menos de dois minutos depois, o Boca cobrou rápido um escanteio, e Morel Rodrigues cruzou para Palacio cabecear sozinho e empatar. No gol de empate do Boca, só dois jogadores argentinos estavam na grande área, superando sete defensores distraídos do Milan.
Se já havia espaços no primeiro tempo, o segundo do Milan, marcado por Nesta aos 4 do segundo tempo, tratou de aumenta-los. Perdendo, o Boca se lançou ao ataque, avançando os laterais, principalmente o Ibarra. Com liberdade para armar os contra-ataques, Kaká deitou e rolou, e o Milan aumentou para 4x1. O Boca ainda descontou no final, mas saiu de Yokohama com um duro castigo nas costas. De positivo, os argentinos tiveram uma grande atuação de Palacio, que lutou sozinho para tentar resolver os problemas ofensivos do time, e a postura de torcida, que não parou de cantar nem com a goleada já consolidada. Faltou para o Boca mais marcação, e, sem dúvida, faltou o Riquelme. Neri Cardozo, encarregado da articulação, esteve apagadíssimo.
O novo campeão Milan foi um time objetivo, que teve um Seedorf voltando a jogar bem. Nesta final, teve também a estrela de Inzaghi, mais oportunista e efetivo que Gilardino. E, claro, teve Kaká jogando muito, sendo tão decisivo quanto se esperava.Um último parêntesis: impossível não comentar a alma de retranqueiro do treinador Carlo Ancelotti, que ganhava o jogo por 4x1, ainda tinha onze jogadores em campo (Kaladze ainda não tinha sido expulso), e substituiu o seu único atacante – Inzaghi – pelo Cafu. Ganhou, é campeão do mundo, mas merece uma cornetada.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Milan Também na Final


Enfrentando os donos da casa, o Milan confirmou seu favoritismo e está na final do Mundial Interclubes contra o Boca Juniors. Brilhou Kaká, autor das melhores jogadas, inclusive a do gol de Seedorf, aos 23 do segundo tempo.
Os italianos entraram com a sua formação usual, apenas mudando o lateral esquerdo em relação ao time que vem sendo titular – Jankulovski, menos talhado para o apoio, substituiu Serginho. A novidade de Carlo Ancelotti foi posicionar a linha de zagueiros e a dos três volantes um pouco mais próxima do campo adversário, fazendo em alguns momentos uma pressão na saída de bola do Urawa Reds. O primeiro tempo foi totalmente controlado pelo Milan, que não correu nenhum risco, mas, como de hábito, criou pouco. A grande chance surgiu aos 23, quando Kaká deu uma de suas tradicionais arrancadas e colocou Seedorf na cara do gol, mas o holandês concluiu fraco, em cima do goleiro.
No segundo tempo, o Milan continuou sem abrir mão da sua filosofia, mas conseguiu desde o início concluir mais. Nos primeiros 15 minutos, Seedorf perdeu mais duas grandes chances, em passes de Kaká e Jankulovski. O Urawa respondeu com sua melhor conclusão, um chute de Washington defendido por Dida. Quando o jogo parecia que ia tornar-se mais franco, Kaká, em mais uma jogada individual, arrancou pela esquerda e serviu Seedorf, entrando na marca do pênalti para abrir o placar. Daí em diante, um Milan bem postado na defesa prendeu a bola, fez o tempo passar, e ainda teve mais duas chances, sempre em jogadas individuais de Kaká, que Pirlo e Seedorf desperdiçaram.
O Milan mostrou a sua conhecida cara, um time que prioriza a segurança defensiva, joga com apenas um atacante (hoje, mais uma vez, quando Ancelotti colocou Inzaghi, tirou o atacante que estava em campo, Gilardino), e espera que as soluções ofensivas saiam de alguma jogada individual do Kaká, ou dos passes do Pirlo.
Acredito numa final de muita marcação e jogo muito concentrado no meio de campo. Ontem, falei das possibilidades do Boca explorar as costas do Serginho, mas Ancelotti parece estar prevenido, hoje já escalou Jankulovski, que apóia menos e marca melhor, podendo ainda aparecer no domingo com Maldini na lateral, ainda mais preso na marcação. O Milan deve ser ainda mais cauteloso contra a equipe Argentina.A final do domingo não tem favorito, e será decidida pela atuação de Kaká. Se ele conseguir jogar, o Milan ganha. Se ele sucumbir à marcação, ganha o Boca.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Boca na Final


Estreando no Mundial de Clubes, o Boca passou apertado pelo Etoile du Sahel. Cardozo fez o único gol do jogo no primeiro tempo, repetindo a história de dificuldades dos campeões da Libertadores na estréia, desde a mudança de formato do mundial.
Sem Riquelme, o Boca entrou em campo com um 4-4-2 cauteloso, com três volantes – Vargas mais centralizado, Battaglia pela direita, Banega pela esquerda – e um meia (Cardozo) de pouca aproximação nos homens da frente, os eternos Palermo e Palacio. Errando muitos passes, o Boca pouco criou. Como o time tunisiano marcava forte, mas saía pouco, o primeiro tempo foi bastante amarrado, com pouquíssimos lances de perigo. O Boca acabou encontrando o gol aos 36, após uma bola alta sobrar para Palermo no meio de campo, e o centroavante demonstrar grande rapidez de raciocínio, ligando Palacio de primeira na ponta esquerda. Ao entrar na área marcado por dois, Palácio esperou a chegada de Cardozo, colocando-o na cara do gol, no bico da pequena área. O chute saiu cruzado, violento, pelo alto, aliviando os argentinos. De resto, o primeiro tempo teve uma chance clara do Etoile aos 43, desperdiçada pelo bom atacante Chermiti, e uma falta cruzada pelo Boca aos 47, que ninguém conseguiu cabecear.
O segundo tempo ganhou em movimentação, pois os africanos saíram para tentar o empate, passaram a ter o domínio territorial, já que o Boca recuava para tentar o contra-ataque, e tiveram três boas conclusões antes dos 20 minutos. A apreensão Argentina aumentou com a expulsão de Vargas, tomando ingênuo segundo amarelo ao entrar de sola num jogador tunisiano na meia-lua de ataque do Boca. Curiosamente, os argentinos cresceram com um a menos, recuando todos os seus jogadores de meio para a própria intermediária e abusando do lançamento longo para Palacio. Teve três grandes momentos, uma cabeçada de Palermo raspando aos 31, um pênalti claríssimo não marcado em Gonzalez (substituiu Cardozo) aos 34, e uma jogada individual de Palacio aos 41. Os africanos, parecendo cansados, só conseguiram criar uma grande chance, quando Gilson Silva cabeceou sozinho no segundo pau, aos 43, mas jogou para fora.
No final, foi curioso constatar a diferença de percepção dos jornalistas brasileiros – SporTV e EPSN Brasil – que transmitiam a partida, para quais o Boca “jogou muito pouco”, e dos argentinos, para quem o Boca “ganhou bem, mesmo com um a menos”.
Não se enganem, o Boca vai incomodar muito o Milan. Sente falta, é verdade, de um meio de campo com mais aproximação, pois os três volantes saem pouco - Banega pareceu ser o único dos três com qualidade para atacar. Cardozo, que deveria ser o camisa 10, foi tímido, apesar do gol. Quando o Boca precisa buscar o resultado, tem dificuldades. Quando enfrentar o Milan, no entanto, o Boca deve jogar como gosta, fechado, deixando apenas Palacio e Palermo para os contra-ataques. Se conseguir uma marcação eficiente em Kaká, como o Inter fez com Ronaldinho Gaúcho, pode surpreender. No lugar do Miguel Angel Russo, eu “grudaria” o Cardozo no Pirlo, para matar a saída de bola do Milan para o ataque, e abriria o Palacio nas costas do Serginho. Assim, poderia mais uma vez derrotar o favorito europeu.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Opinião Formada


Conforme o prometido, vi a terceira partida do Milan em seis dias. Em casa, contra o Celtic, pela última rodada da fase de classificação da Champions League. Os escoceses precisavam do empate para não depender do resultado do Shaktar Donetsk, que recebia o Benfica. Os italianos, já classificados, também garantiriam o primeiro lugar e a vantagem de decidir em casa nas oitavas com um empate.
Com o mesmo esquema de sempre, a novidade do Milan era a defesa toda reserva. Dida, Nesta, Serginho e parceiros, poupados para o mundial. Do meio para frente, no entanto, força máxima, com Inzaghi desta vez começando o jogo, na tentativa de bater o recorde de gols em competições européias. O que se viu foi um primeiro tempo ruim, apenas uma conclusão razoavelmente perigosa de Seedorf, e vaias para o Milan na saída para o intervalo.
No segundo tempo, esperava ver o Milan mudar a formação tática, apresentar uma variação mais ofensiva, mas o treinador Ancelotti não abriu mão do seu esquema. Com um pouco mais de vontade, o Milan criou duas chances, aproveitando a segunda – aos 24, Inzaghi fez o gol do recorde, após boa trama de Kaká e Cafu. O Celtic, mesmo sendo beneficiado pela derrota do Shaktar até aquele momento, abriu um pouco o seu ferrolho defensivo, dando chance ao Milan de produzir bastante nos 20 minutos finais. Brocchi, substituindo Seedorf, apareceu mais para o jogo, com dois bons chutes de fora da área. Kaká ainda perdeu gol feito nos descontos, depois de arrancar do meio de campo e driblar o goleiro. No final, 1x0 para o Milan e todo mundo feliz, com o Celtic classificado pelo resultado paralelo.
O Milan, em resumo, é um time pouco criativo. Joga, como já disse em outras ocasiões, em um 4-3-2-1, mantendo uma primeira linha de quatro, sempre com Serginho sendo o homem que apóia mais, enquanto o lateral direito (Oddo ou Bonera) fica mais fixo. Ontem, com a defesa reserva, usou o mesmo sistema, mas com Cafu saindo mais pela direita, e Favalli sendo o lateral mais defensivo. A linha de três volantes, quando atacada, mantém os limitados Gattuso e Ambrosini cobrindo as laterais e saindo pouco, e Pirlo mais centralizado. Quando o Milan tem a bola, Pirlo vira o armador, com todo o jogo passando por ele. Nas três partidas que vi, ele só foi bem em alguns momentos do primeiro tempo contra o Benfica, criando uma dependência do brilho individual dos meias. Como Seedorf não está bem, sobra tudo para o Kaká. Se ele tiver espaço como no segundo tempo de ontem, pode desequilibrar qualquer jogo. Tem sido, no entanto, muito marcado – parece óbvio que o Boca deva fazer a mesma coisa. No ataque, um homem invariavelmente isolado. Acho que Inzaghi é mais perigoso, mais oportunista que Gilardino, mas qualquer um dos dois carece de mais ajuda.Se o Milan é só isso que mostrou nas últimas três partidas, vai ter dificuldades em Tóquio. Parece uma equipe fácil de ser marcada, e vulnerável quando atacada nas costas do lateral que avança. O banco parece pobre, pelo menos se Ancelotti continuar abraçado na sua estrutura tática. Sua principal alternativa tem sido o francês Gourcuff, que lembra fisicamente o Cristiano Ronaldo, mas com a bola no pé se encarrega de apagar rapidamente esta associação. Ancelotti teria alternativas para ousar mais, como usar Gilardino e Inzaghi juntos, ou utilizar Cafu e Serginho avançando ao mesmo tempo, cobertos pelos três volantes. Não acredito, no entanto, em ousadias do treinador italiano. Vejo, portanto, o Boca Juniors com grandes possibilidades, ainda mais se o Milan desenterrar Ronaldo, o ex-fenômeno, que anda pedindo para sair na metade do primeiro tempo em jogo festivo, e se machucou no aquecimento contra o Benfica...

domingo, 2 de dezembro de 2007

Milan, De Novo


Milan, de novo, agora pelo campeonato italiano e jogando em casa – o que não tem sido muita vantagem, já que a equipe ainda não ganhou nenhuma dentro do San Siro pelo nacional. O adversário, a vice-líder Juventus, de Buffon, Nedved e Trezeguet.
Novamente, a mesma estrutura tática, o 4-3-2-1 que a equipe vem utilizando. As diferenças em relação ao jogo contra o Benfica, apenas pontuais: o volta do suspenso Ambrosini como um dos três volantes, e a entrada de Oddo na lateral direita, no lugar de Bonera. Desta vez, um time ainda menos criativo, já que Pirlo está mal. A melhor chance do primeiro tempo é da Juve, um chute na trave de Trezeguet.
No segundo tempo, poucas mudanças. Duas substituições, por volta dos quinze minutos, a entrada do quarentão Maldini no lugar de Serginho (de novo), e a troca do atacante isolado por outro – Inzaghi no lugar de Gilardino. Os milaneses têm duas boas chances, um voleio de Kaká após cruzamento da direita, e um lançamento direto do zagueiro Khaladze encontrando Inzaghi livre atrás da defesa – em ambas, a conclusão acaba sendo em cima de Buffon.
Em resumo, muito pouco para um pretendente a campeão do mundo. Um time sem imaginação, principalmente quando Pirlo está errando mais passes do que acertando, e quando Kaká está muito marcado – o que tem acontecido em todos os jogos. O lado esquerdo da defesa, nas costas do Serginho, parece ser o ponto mais vulnerável, o caminho das pedras para os adversários. Quando entra o Maldini, a marcação melhora por ali, mas acaba o apoio pelo flanco. O ataque de um homem só, seja Gilardino ou Inzaghi, pouco assusta.
Ainda quero ver o Milan mais uma vez, mas o meu favorito, hoje, seria o Boca, mesmo sem Riquelme, que não foi pré-inscrito no Mundial.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Uma Prévia do Milan


Na quarta-feira de muitos jogos pela Champions League, escolhi ver o atual campeão Milan, para formar minhas opiniões para o Mundial de Clubes que vem por aí. Saindo para enfrentar o Benfica, lanterna da chave, o treinador Ancelotti iniciou a partida com o mesmo esquema que a equipe vem adotando, uma espécie de 4-3-2-1. Uma linha de quatro zagueiros, com Serginho avançando mais pela lateral esquerda, três volantes, dois deles mais fixos e o Pirlo com liberdade para armar a equipe, Kaká e Seedorf como meias de chegada, Gilardino fixo na frente.
Nos primeiros quinze minutos, Pirlo conseguia buscar jogo na intermediária do seu time sem marcação, o que proporcionou aos italianos começarem melhor e saírem na frente, em belo chute do próprio. A partir daí, o Benfica entendeu a dinâmica do jogo, adiantou a marcação e o Milan foi progressivamente sumindo. O empate veio em seguida, aos 20, gol do uruguaio Maxi Pereira. Forçando o jogo em cima do Serginho, o Benfica terminou o primeiro tempo sendo mais perigoso.
No intervalo, Maldini entrou no lugar do lateral brasileiro, passando a ficar mais fixo na marcação. Na terceira substituição, a entrada de Oddo no lugar do apagado Seedorf, o Milan adotou o velho retrancão italiano, com duas linhas de quatro bem recuadas, Kaká tentando ser a válvula de escape e o Gilardino cada vez mais isolado. Só teve duas grandes chances no finalzinho, depois que o treinador Camacho, do Benfica, tirou um zagueiro para colocar o americano Freddy Adu.
A primeira impressão é de um time muito dependente da articulação do Pirlo e do brilho individual dos meias, especialmente Kaká. Hoje, muito marcados, eles pouco produziram. Ainda terei, no entanto, a oportunidade de ver o Milan mais duas vezes antes de Tóquio, no clássico contra a Juventus (sábado) e no encerramento da primeira fase da Champions, na próxima terça, contra os escoceses do Celtic. Até lá, fico sem escolher o meu favorito para o Mundial.