domingo, 10 de janeiro de 2010

A Copa Africana


A Copa Africana de Nações começa hoje, em Angola, e já virou notícia pelo atentado terrorista contra a delegação de Togo, cujo ônibus foi metralhado por rebeldes separatistas do país anfitrião. O continente africano continua sendo palco de disputas milenares entre etnias, mas será, a partir das 17:00, palco de disputas esportivas de bom nível. Serão 15 seleções (Togo desistiu), com a presença de quase todos os classificados para a Copa do Mundo, já que a qualificação para a Copa Africana foi considerada pelo resultado dos grupos das eliminatórias do mundial. Além dos 5 ganhadores de vaga na África do Sul-2010, os segundos e terceiros dos cinco grupos disputam o torneio continental. Assim, não consegui descobrir se a África do Sul está fora do torneio africano porque perdeu a vaga no campo, ou porque não participou das eliminatórias, já que é o país sede do mundial.
O grupo A começa com o jogo de abertura entre a dona da casa Angola e Mali. É uma partida fundamental para o desfecho do grupo, o mais equilibrado do torneio. Os angolanos não têm um grande retrospecto na CAN, nunca tendo chegado além das quartas de final, mas na competição africana, o fator local costuma pesar. Além disso, possuem um grupo experiente, que conseguiu dois empates na última Copa do Mundo, só perdendo para Portugal por 1x0. Seus destaques são Flávio, aquele que fez gol no Inter no Mundial de Clubes de 2006, e hoje joga na Arábia Saudita, e Mantorras, há muitos anos jogando no Benfica. Mali tem um time fortíssimo no papel, com suas estrelas jogando em times de primeira linha da Europa – Diarra (Real Madrid), Keitá (Barcelona), Kanouté (Sevilha) e Sissoko (Juventus) são alguns exemplos, mas nunca conseguiu resultados relevantes. É o grande ponto de interrogação da CAN. Completam o grupo a Argélia, que já foi campeã em 1990 e estará no mundial, e a zebra Malawi, que chega à competição africana apenas pela segunda vez em 27 edições, trazendo um retrospecto de 5 derrotas nas últimas 6 partidas. Com 3 candidatos para duas vagas, esta chave é a que promete mais emoção.
O grupo B, com a desistência de Togo, ficou restrito a três equipes, e Burkina Fasso deve dançar, pois tem o time mais inexperiente, e pegou dois classificados para o mundial. Gana, que já ganhou quatro CANs, vem comandada por Essien, do Chelsea, mantendo a mesma base que chegou às oitavas no último mundial. Costa do Marfim tem o time mais badalado, com Drogba, Kalou e cia. No mundial da Alemanha, foi a única seleção a ter todos os 23 convocados atuando fora do seu país. A partir de amanhã, poderemos conferir nosso adversário na Copa.
O grupo C também tem duas forças destacadas. A Nigéria, que levou duas CANs e tem a tradição de ter se classificado para 4 das últimas 5 Copas do Mundo, e vem comandada por mais um jogador do Chelsea, Obi Mikel. O Egito é o maior ganhador da competição africana, com seis títulos, sendo atual bicampeão. Vem tentar uma reabilitação após ter perdido a vaga para Copa do Mundo para a rival Argélia em jogo extra. Completam o grupo o Moçambique, que nunca passou da primeira fase na CAN e tem um grupo em que a maioria dos jogadores (13) atua em equipes africanas, e Benin, que chega pela terceira vez à fase final da competição, e cujos jogadores, em sua maioria, atuam em equipes de pequeno porte da França.
No grupo D, o favoritismo é de Camarões, do artilheiro Eto´o. Na briga pelo seu quinto título, os camerunenses enfrentarão Gabão, que tem como maior destaque Cousin, do Hull City, da Inglaterra, na estréia. No outro jogo da chave, a tradicional Tunísia, que esteve nas três últimas Copas do Mundo, busca sua reabilitação, depois de perder a vaga para o Mundial da África e trocar de técnico. Seu adversário é o país com a história mais triste, a Zâmbia, que viu sua geração de ouro morrer em desastre de avião, em 93, vitimando 18 jogadores e a comissão técnica. Naquele ano, mesmo tendo que remontar o time, a equipe comandada pelo astro Kalusha Bwalya, autor de 3 dos 4 gols na histórica goleada sobre a Itália (nas Olimpíadas de 88), que não estava no fatídico vôo, chegou ao último jogo das eliminatórias precisando apenas de um empate contra o Marrocos fora de casa, mas acabou derrotada por 1x0. Diz a lenda que houve um pênalti claro não marcado para o time de Bwalya no finalzinho do jogo, mas o fato é que eles acabaram mesmo fora do mundial. Agora, possuem uma equipe menos talentosa, onde o mais conhecido é Christopher Katongo, que joga no Arminia Bielefeld, da Alemanha.
Os dois primeiros de cada chave avançam para as quartas de final, onde já deveremos ter cruzamentos “quentes”, e uma boa prévia das possibilidades africanas no Mundial.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Sheik e o Manchester City


Com o futebol em ritmo de volta das férias (ou dos feriados, na Europa), a notícia que mais chamou atenção foi “Magnata salda dívidas de R$ 855 milhões do City”, publicada hoje no Lancenet. Foi tomar a liberdade de “roubar o texto”, para não perder tempo reescrevendo:
“O Manchester City (ING) anunciou na noite de terça-feira que, graças a investimentos diretos de seu dono, o xeque Mansour, zerou sua dívida de 305 milhões de libras (R$ 845 milhões). Foi o primeiro balanço financeiro do clube revelado desde sua aquisição pelo magnata árabe, em agosto de 2008.
Os números revelam grande prejuízo do City na última temporada. Até maio do ano passado, o clube registrou perdas de cem milhões de libras (R$ 277 milhões) - justificadas, principalmente, pelos cerca de 200 milhões de libras (R$ 554 milhões) gastos em reforços.
Para salvar as contas do City, o xeque Mansour reinvestiu o valor da dívida no próprio clube. Segundo o diretor financeiro Graham Wallace, a injeção direta de capital do magnata já estava prevista no planejamento feito após a aquisição.
- A decisão dos proprietários de conversão da dívida em capital está de acordo com sua estratégia financeira previamente declarada. É uma notícia fantástica para os torcedores do Manchester City, que possui agora uma base financeira segura – explicou”.
O sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan (foto) é um dos filhos do sultão de Abu Dhabi, o mais rico dos Emirados Árabes. Quem já conhece o modus operandi dessa turma no turfe (onde os Maktoum, de Dubai são os maiores investidores) sabe que eles têm recursos ilimitados para reinvestir dezenas de vezes, e não enjoam da brincadeira, ou pelo menos nunca enjoaram até hoje. Ou seja, a torcida do Manchester City pode ter a esperança concreta que o dinheiro de Abu Dhabi vai, um dia, formar um time capaz de grandes conquistas, como Roman Abramovich conseguiu no Chelsea. Para onde irá o futebol com esses investimentos milionários? Só o tempo irá nos dizer...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Piada do Mês


Esta época de final de ano, com a maioria dos campeonatos de futebol encerrados ou sendo paralisados para as festas de fim de ano, produz algumas pérolas, já que, na falta de notícias, alguns jornalistas começam a divulgar qualquer tipo de boato, com ou sem fundamento.
Hoje, saiu no Lancenet a peróla do mês: o Botafogo teria um plano em andamento para contratar Ronaldinho Gaúcho!!!
Segundo a notícia, o negócio foi inviabilizado pelo veto de Silvio Berlusconi, “para evitar perda de prestígio” (sic).
A dúvida é se Ronaldinho iria fazer dupla de ataque com o André Lima ou com o Vitor Simões...

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Melhor do Mundo, Finalmente


O Barcelona finalmente conseguiu o título que lhe faltava, o de campeão mundial, em uma decisão emocionante, que parecia perdida. Um gol aos 44 minutos do segundo tempo e a virada na prorrogação consagraram Messi, o melhor jogador do mundo em 2009, e Guardiola, o treinador de melhores resultados como iniciante da história do futebol europeu.
Foi um jogo dramático, apesar de alguns momentos de baixa qualidade. De cara, defini a minha torcida para os argentinos, primeiro pelo rateio que pagavam no Sporting Bet, um convidativo 8,50 que me fez arriscar alguns trocados, mesmo sabendo da missão difícil que teriam. Depois, pela cena da entrada em campo, com um time de branco ao lado Barcelona, revivendo grandes memórias de 2006. O primeiro tempo parecia a repetição de um filme, com o Barça tendo a posse da bola, mas o Estudiantes chegando ao gol em um cruzamento da esquerda, não interceptado pelo Pujol, e brilhantemente cabeceado pelo centroavante Bosseli para fazer 1x0 para os argentinos. O Barcelona errava passes, começava a ficar nervoso com o juiz (que erradamente deixara de marcar um pênalti claro sobre Xavi), e parecia começar a reviver um pesadelo em vermelho e branco. Ao comentar o jogo com amigos, no intervalo, observei que o preparo físico seria crucial para a vitória argentina, pois o Estudiantes precisaria conseguir manter a intensa marcação da primeira etapa. O Sporting Bet, naquele momento, continuava apostando no Barça, indicando-lhe um favoritismo de 2,50 para vencer ainda no tempo normal, e de 1,60 para ficar com o título.
Na volta do intervalo, Guardiola começou a fazer diferença, ao substituir o meiocampista Keita pelo atacante Pedro, o talismã catalão. O Barcelona passou a ter, na prática, quatro atacantes em intensa movimentação, confundindo a marcação argentina e criando as chances de gol que não haviam aparecido até então. Foram vinte minutos de muita pressão, até que o nervosismo pelo gol que não saía começasse a pesar. A partir da segunda metade do segundo tempo, o Estudiantes, mesmo cansando visivelmente (principalmente Veron), parecia que ia resistir, pois o Barça começava a tentar simplificar, lançando bolas na área. Após os 35 do segundo tempo, o zagueiro Pique virou centroavante, em clara demonstração do desespero dos europeus. Acabaria sendo ele que, aos 44 do segundo, ganharia de Cellay (até então um monstro na zaga) na cabeça, escorando para Pedro, sozinho, também cabecear e encobrir o nanico goleiro Albil, empatando o jogo e levando a decisão para a prorrogação. Duríssimo golpe para o Estudiantes: o técnico Sabella continha o choro, a torcida, até então espetacular, parava de cantar, os jogadores baixavam a cabeça.
Na prorrogação, o ataque x defesa continuou, até que Messi escorou com o peito o cruzamento de Daniel Alves para definir o jogo e sair vibrando muito. Um prêmio ao argentino que nunca jogou por lá, que foi chamado de “craque do Playstation” após insucessos dos hermanos nas eliminatórias. Um prêmio também à ousada mudança de Guardiola no intervalo, indo para o tudo ou nada, e ficando com tudo. Se eu achava que ele não comemorava por soberba, tive que engolir o que falei, pois o treinador caiu em choro copioso na hora da cerimônia de premiação. Faltou ao Estudiantes segurar um pouco mais a bola, arriscar um pouco mais no contrataque, manter um pouco mais o “gás” (correr 90 minutos nos Emirados Árabes não é tão fácil quanto correr os mesmos 90 no frio do Japão). Faltou até um pouco de sorte, já que no último lance do jogo, Desabato cabeceou a milímetros do poste esquerdo de Victor Valdez, não conseguindo o empate heróico. Mereceu o Barcelona, pela qualidade, pela busca incessante da vitória, e por querer, mais do que nenhum europeu, o título que lhe faltava.
Fiquei sem o dinheiro, mas com toda a história para contar...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Terceira Chance


No sábado, o Barcelona terá sua terceira chance de chegar ao título mundial, e, pela primeira vez, não vai pegar um brasileiro na decisão. Na terça, o Estudiantes venceu o Pohang Steelers, da Coréia do Sul, em jogo que não assisti, e de forma tranqüila, segundo os comentários. Desde que a Fifa implantou o novo formato, foi a classificação mais fácil de um sulamericano, apesar do placar magro de 2x1, já que logo após marcar o segundo gol, no início do segundo tempo, os argentinos ficaram com um jogador a mais, e acabariam a partida com três a mais. Nos melhores momentos, o meu destaque fica para o gol do Pohang, validado de forma incrível pelo bandeirinha, apesar de pelo menos três jogadores estarem visivelmente adiantados (http://www.youtube.com/watch?v=xFeqINtr-xs).
Ontem, assisti a vitória tranqüila do Barcelona sobre o Atlante, apesar dos mexicanos terem saído na frente. No final, o jogo lembrou muito a semifinal do Barça com o América, em 2006: toques de calcanhar, dribles, clima de show. Os mexicanos não aprenderam, ainda, que existe muita diferença entre um time jogar fechado e jogar recuado. O Atlante esperava o Barcelona aquém da linha divisória, mas dava muitos espaços. O lance do segundo gol é emblemático, reparem o tempo que o Ibrahimovic tem para dominar, girar e achar Messi entrando livre na área (http://www.youtube.com/watch?v=HQQhrWxB6b4).
No sábado, obviamente, a final será um jogo diferente, o Barça não terá moleza contra o bem organizado time do Estudiantes. Eu geralmente torço pelos sulamericanos, ainda mais depois de ver a soberba dos europeus escancarada em imagens como a do técnico Guardiola, que quase não comemorou os gols do seu time. No sábado, dependendo do andamento da partida, vou abrir uma exceção e ser solidário com o Barcelona, não por causa do futebol bonito, nem por pena do clube que está para sempre na história do Inter. Meu motivo é uma lembrança de 2006, quando encontramos, na véspera da final, dois espanhóis no Monte Fuji. Um deles, o que está bem no meio da foto acima, me disse estar preocupado com o que poderia acontecer no dia seguinte, pois apesar da imprensa espanhola levar de barbada aquela decisão, ele sabia que jamais seria fácil ser campeão sobre um time brasileiro. Por uma casualidade do destino, quando embarquei de volta para o Brasil, dois dias depois do jogo, nosso “amigo” catalão, quando nos reconheceu entrando no avião, levantou da poltrona que já ocupava e nos aplaudiu, reconhecendo o mérito da vitória do Inter. Um gesto nobre, de muito espírito esportivo, que eu provavelmente não seria capaz de ter se houvesse perdido.
No sábado, então, vou torcer que o vencedor não seja beneficiado por uma arbitragem incompetente, algo que anda cada vez mais comum, infelizmente. Que vença o melhor, o que não significa, necessariamente, o mais virtuoso. Enfim, que ganhe aquele que mais merecer, e que a sua torcida aproveite os momentos que eu um dia aproveitei – menos, é claro, o Monte Fuji, que vai estar longe de Abu Dhabi.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fundo do Poço?

O turfe brasileiro parece estar chegando ao fundo do poço. O escândalo do momento é a suspensão de vários treinadores pegos no antidoping e punidos com penas duríssimas. Dulcino Guignoni, o maior ganhador de provas de grupo na última década, que já está suspenso desde agosto, viu agora seu substituto R.M. Lima também “cair”. Pior ainda, seu filho Leandro, que estava atuando em Cidade Jardim, responsável pela tropa de grandes proprietários cariocas que para lá migraram, já foi pego em quatro casos, fora os que ainda estão esperando contraprova. Já está suspenso por 900 dias (dois anos e meio), e pode piorar. Com o escândalo, Lineo de Paula Machado resolveu expulsar Guignoni (o pai), seu treinador de longa data, do CT Vale do Itajara.
Na Gávea, a punição foi para Zezinho Pedrosa e os treinadores que lhe emprestaram o nome após uma suspensão, Renato Nascimento e Edson Ricardo. A comissão de corridas carioca considerou que os repetidos casos de doping da cocheira de Pedrosa, e a transferência dos cavalos (no papel) para outros treinadores, que acabariam igualmente flagrados, era falta gravíssima, e cassou a matrícula dos três, que ficam, assim, impedidos de exercerem a profissão.
O problema é que os casos são nebulosos. Guignoni sempre foi enaltecido como grande campeão, e repentinamente é o maior vilão do turfe brasileiro. Concordo com o que diz Renato Gameiro em seu blog, não há dúvidas que Guignoni era o alvo, e seu filho, o instrumento para atingi-lo. Resta saber porque, de uma hora para outra, todo mundo se voltou contra ele. Quanto a sua saída do Vale do Itajara, lamentável a postura do titular do Haras São José & Expedictus, fritando o profissional que lhe trouxe tantas vitórias. Duvido muito que um proprietário trabalhe uma década com um treinador sem conhecer seus “métodos de trabalho”. Em português mais claro, se Guignoni sempre dopou os cavalos, seus patrões com certeza sabiam, e foram covardes em atirar o treinador aos leões. Se o fato foi ocasional, os proprietários deveriam ter sido solidários com o profissional, aguardando uma completa apuração do ocorrido antes de tomar uma medida tão drástica.
Aí entra, então, o caso de Zezinho Pedrosa. Os proprietários que possuem cavalos com ele estando usando todos os canais possíveis para expressar indignação com o que eles chamam de “perseguição”. Segundo dizem, tudo começou quando uma égua treinada pelo Pedrosa apareceu retirada de um páreo da qual seria franca favorita, com o pedido de forfait contendo uma assinatura claramente falsificada do treinador. Pedrosa denunciou o fato, o forfait foi cancelado, a égua correu e ganhou. A partir daí, começaram a pipocar os casos de doping contra ele e seus substitutos, até a cassação. Seria, portanto, uma represália ao fato do treinador ter “furado” algum esquema e denunciado os funcionários envolvidos. Algo como “mexeu com as pessoas erradas”. Seja qual for a explicação, é muito estranho que o JCB tenha saído da complacência absoluta para o rigor extremo em tão pouco tempo.
O resumo de tudo é que o turfe brasileiro caminha tristemente para o buraco, em um processo que parece irreversível.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

BC Classic 2009 - Depois


A BC Classic deste ano já entrou para a história. Zenyatta manteve sua invencibilidade (14 vitórias!) e se tornou a primeira fêmea a ganhar a Classic. Deve ser eleita, com toda justiça, horse of the year, um prêmio a seus proprietários, que decidiram tentar fazer história, ao invés de ganhar com facilidade a Ladies Classic, no dia anterior.
Desta vez, Mike Smith foi perfeito no dorso da craque. Sabendo que não poderia dar para os machos as mesmas vantagens que concede no percurso contra as fêmeas, correu sempre por dentro até a entrada da reta, quando deixou Zenyatta vir para a linha 5. Toda grande conquista tem um pouco de sorte, e a invicta teve a felicidade de achar terreno livre para abrir, já que o páreo se dividiu em dois blocos, com cinco cavalos a sua frente, brigando pela vitória, e os demais abandonando o páreo atrás dela. Mais ainda, Twice Over, que estava por fora dela, fez correr antes, permitindo que Smith tirasse a craque ainda mais por fora e iniciasse sua avassaladora atropelada.
Zenyatta ganhou por um corpo, dando a nítida impressão que corre sempre o suficiente para vencer, seja qual for a turma. Em segundo, chegou Gio Ponti, em excelente atuação. Twice Over foi ótimo terceiro, e Summer Bird igualmente chegou bem em quarto. Colonel John fechou o marcador. Decepção total foi a corrida de Rip Van Winkle, que figurou em segundo apenas até a última curva. Ao contrário da ganhadora, que parecia um lutador de vale tudo pronto para entrar no octágono, o europeu não mostrava estar no seu melhor estado, quando focalizado no paddock.
Quem estava em Oak Tree conta que Goldikova, após sua vitória consagradora na BC Mile, estava terrivelmente desgastada no retorno à cocheira. Ao final da última corrida de sua campanha, Zenyatta parecia que nem havia corrido, caminhando tranqüilamente de orelhas em pé, sabedora de que havia feito a sua parte.

BC Turf 2009 - Depois


A BC Turf marcou outro bicampeonato, o de Conduit (foto), bem conduzido por Ryan Moore, que soube se mexer na hora certa para dominar o ponteiro Presious Passion nos últimos 50 metros e ganhar por meio corpo. O segundo colocado, aliás, fez uma carreira impressionante, tirando mais de 15 corpos na ponta ao imprimir parciais violentas (45´1 e 69´2), para depois diminuir inteligentemente o ritmo na reta oposta. Na entrada da reta, o piloto Elvis Trujillo trazia Presious Passion com apenas um corpo de vantagem, dando a nítida impressão de que abandonaria o páreo, mas o cavalo tinha a energia inteligentemente guardada para reagir ao ataque do favorito e endurecer muito a carreira. Se houve vários ganhadores brilhantes na BC, Presious Passion foi, com certeza, o mais brilhante segundo colocado. Em terceiro, chegou a égua Dar Re Mi, com Red Rocks em quarto.

BC Dirt Mile 2009 - Depois


A Dirt Mile foi outro páreo que me desgraçou no festival da Breeders Cup. Afirmei que Mastercraftsman era a grande barbada do final de semana, e apostei nele com a mesma convicção que escrevi aqui. O favoritão não teve boa partida, mas não acho que isso tenha sido decisivo para determinar seu pálido quarto lugar. Afinal, na altura dos 300 metros finais, seu jóquei Johnny Murtagh teve a oportunidade de lança-lo por dentro de Midshipman, que ponteava desde a partida, e assim o fez, mas o cavalo não respondeu ao seu chamado. Murtagh ainda reclamou de prejuízos, mas a reta de frente mostrou que não houve nada – a minha impressão foi de que o tordilho favorito se assustou com a passagem estreita e “refugou”.
Venceu Furthest Land (na foto, de boné vermelho), pule altíssima, e que eu modestamente havia indicado como terceira opção. Bem corrido por Julien Leparoux, sempre em terceiro, dominou Midshipman para conquistar a maior vitória de sua campanha. Ready´s Echo, em forte atropelada, ainda tomou o segundo do potro da Godolphin, que mostrou estar recuperando o padrão de carreira que já o fez ganhador da BC Juvenile, no ano passado.
Aidan O´Brien, que preferiu evitar o enfrentamento com Goldikova, acabou sofrendo mais uma decepção. Um fim de semana para o irlandês esquecer.

BC Mile 2009 - Depois


Errei feio na BC Mile: acreditava que Goldikova (foto) tinha, entre todos os grandes favoritos, a maior possibilidade de fracasso, e que a chance de acertar uma Pick-4 de bom rateio seria exclui-la do jogo e rechear o bilhete com pules mais altas. Na largada do páreo, já vi que a minha análise estava equivocada, já que a favorita, ao contrário do que eu esperava, decidiu não brigar na frente, onde Gladiatorus e Cowboy Cal moviam um pace fortíssimo. Largando bem por fora, O. Peslier optou por parar a craque e se posicionar mais por dentro, em último, para depois evoluir sempre em penúltimo na reta oposta, e arrancar para a vitória nos últimos 300 metros. Uma aula de leitura da carreira, e de como correr um favorito que larga em baliza desfavorável. Um bicampeonato maiúsculo para a grande craque européia.
Nas demais colocações, os americanos Corageous Cat, Justenuffhumor e Court Vision. Decepcionou Delegator, que deu alguma impressão na entrada da reta, mas depois sumiu (foi o 5º), assim como Zacinto, o outro europeu cotado, que sem lasix, não disse a que veio.

BC Juvenile 2009 - Depois


A BC Juvenile foi mais um exemplo da infelicidade de alguns jóqueis americanos, desta vez, no caso, Garret Gomez, novamente mal na direção de um favorito. Qualquer aprendiz sabe que, ao largar em baliza muito por fora, tendo uma curva para contornar logo em seguida, como é o caso dos 1700 em Oak Tree, é necessário tomar uma decisão: ou forçar, para conseguir chegar para dentro rapidamente, ou, parar e deixar o pelotão passar, vindo para as balizas internas nas últimas colocações. O pior dos mundos é ficar no meio do bloco, e ter que fazer as curvas sempre por fora de todos, exatamente o que fez Gomez.
Lookin At Lucky, largando da raia 13, e contornando as curvas sempre bem aberto, acabou perdendo sua invencibilidade por cabeça. Ganhou Vale Of York (foto), em joqueada de Ahmed Ajtebi que fez o que manda o figurino: sempre por dentro, virou a reta colado aos paus, e quando percebeu que Kent Desormeaux (em Piscitelli) iria fechar o seu “corredor”, arredou para a linha 4 para conquistar a única Breeders Cup da Godolphin em 2009.
O terceiro lugar foi de Noble´s Promise, e o quarto, de Piscitelli. Muito jogado, D´Funnybone não figurou, como eu havia previsto – cavalos de areia realmente tem dificuldades de adaptação ao sintético de Oak Tree.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

BC Sprint 2009 - Depois


A Turf Sprint já era, antes de correr, o páreo que menos me interessava. Acreditava, como indiquei aqui, que Lord Shanakill, pelas turmas que corria na Europa, poderia ser uma lucrativa surpresa, mas ele acabou “molhando” na reta final. Ganhou fácil o tordilho California Flag, largando e acabando com a carreira de curvas para os dois lados, lomba abaixo.
A Sprint do sintético foi sensacional, com o perdão do trocadilho. Isso porque o favorito Zensational largou um pouco devagar pela baliza 1, não conseguiu tomar a ponta, teve que correr terceiro e desapareceu na reta final. Cost Of Freedom, de campanha desenvolvida na Costa Oeste, ponteou a carreira até os últimos 30 metros (e teve papel decisivo, ao largar pela raia 2 e fechar a porta do favorito no início), mas acabou apenas em terceiro, superado por Dancing In Silks, que em sua primeira atuação em provas de grupo, acabou levando logo um Grupo 1, e Crown Of Thorns, que voava por fora e, com mais 10 metros, seria o vencedor. Em quarto, dando muita impressão por dentro, chegou Gayego. Uma foto quádrupla para primeiro, com uma diferença de apenas cabeça, de Dancing In Silks (na foto, o de boné verde) até Gayego.
Aparecia a primeira “bomba” da tarde, mas não seria a última.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

BC Juvenile Turf 2009 - Depois


Grama é terreno para europeu, e não para americano. Na BC Juvenile Turf, vitória para o europeu de melhor ficha, Pounced, na condução sob medida de Lanfranco Dettori, aproveitando tudo por dentro, para arredar para a linha 2 na entrada da reta e dominar Bridgetown, que ponteou a prova desde a partida e confirmou o segundo. O favorito Interactif foi o terceiro próximo, tendo avançado junto com o ganhador, que vinha de segundo no Criterium francês. Decepção para Viscount Nelson, trazido por Aidan O´Brien sem lasix...
Na direção de Dettori, mais uma prova de que vir por dentro economiza terreno, algo que os jóqueis americanos insistem em desconhecer.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

BC Ladies Classic 2009 - Depois


A Ladies Classic fechou a minha sexta de prejuízos com a vitória de Life Is Sweet, em forte atropelada. Minha escolhida, a tordilha Careless Jewell, fez um train violentíssimo na frente, para “cair dura” na entrada da reta. A ganhadora, corrida em último, passou de viagem para ganhar por três corpos. Mushka, também corrida na expectativa, formou a dupla, com Music Note repetindo o terceiro do ano passado. Corrida estranha de Cocoa Beach, que deu impressão e parou “de golpe”, com seu jóquei aparentemente desistindo da carreira.
Resumo da sexta da Breeders Cup: front runners fracassando no sintético, nenhum favorito confirmando e eu ficando sem as fichas.

BC Filly & Mare Sprint 2009 - Depois


Na FM Sprint, deu a dupla mais certa do fim de semana, mas na ordem invertida. Venceu Informed Decision (foto), corrida sempre em segundo por Julien Leparoux, para dominar Free Flying Soul, uma das grandes bombas do páreo, que ponteou e ainda agüentou o terceiro. A favorita Ventura ficou apenas em segundo, e todo mundo criticou a condução de Garret Gómez, por ter ficado muito longe da sua única real inimiga.
Ventura chegou a dar impressão de vitória, mas me pareceu que Leparoux, enquanto tinha luz, deu uma saidinha para fora e defendeu bem (e de forma lícita) a carreira. As chances de bicampeonato ficavam mesmo para o sábado...

BC Filly & Mare Turf 2009 - Depois


O páreo das éguas na grama e distância foi para a Europa, com a vitória da boa potranca Midday (foto). Méritos totais para o jóquei Thomas Queally, que correu a ganhadora sempre perto do bloco da frente, enquanto Visit puxava o train, avançou sempre colado aos paus, já tomando o terceiro na curva, e dominou nos 250 finais. Não consigo entender porque a maioria dos jóqueis americanos não consegue fazer um percurso por dentro...
Chegaram atropelando três americanas, Pure Clan, a favorita Forever Together e Magical Fantasy, pela ordem. A tordilha campeã do ano passado poderia ter conseguido algo melhor, se não tivesse ficado tão longe, e pelo menos neste páreo eu acertei na minha análise sobre o Leparoux.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

BC Juvenile Fillies 2009 - Depois


A Juvenile Fillies corrida na areia começou uma seqüência de vitórias (e boas direções) de Julien Leparoux, calando a minha boca. Venceu She Be Wild, dominando a carreira pela cerca interna. Em segundo, Beautician, de quem eu havia destacado que os enormes prejuízos sofridos na carreira anterior deveriam ser apagados. A favorita Blind Luck foi apenas a terceira, apesar de ter dado impressão de vitória. Como grande crime da tarde, o quarto lugar de Biofuel, com o brasileiro Eurico Rosa a bordo. Quando a canadense embalou, sofreu um primeiro prejuízo, e foi quase derrubada no segundo, na altura dos 150 metros finais. Chegou a menos de dois corpos da ganhadora, com muita ação, sendo a provável campeã, não fossem os prejuízos. O vídeo da carreira merece ser visto (http://www.youtube.com/watch?v=oI-fqVzHZgE).
Always A Princess, minha segunda indicação, ponteou e cansou, começando a dar um outro indício, de que a raia sintética não estava favorecendo os front runners.

BC Juvenile Fillies Turf 2009 - Depois


A Juvenile Fillies Turf foi um mano a mano entre Rose Catherine e Tapitsfly (acima, na única foto que consegui). A primeira, que acabará de sair do perdedor, mas em ótima marca, moveu o train, sempre perseguida pela tordilha (minha segunda indicação), que dominou na metade da reta para vencer por meio corpo. Após jogar firme em Mastery e errar, aqui acabei acertando, mas ganhando menos do que deveria. No caminho da minha mesa para o guichê de apostas, mudei meu jogo de vencedor para show, deixando de aproveitar uma pule de 10,80 para cobrar uma de 3,00.
O terceiro ficou com a atropeladora House Of Grace, e o quarto, com Hatheer, corrida sempre em terceiro ao longo do percurso. Começava a fracassar o contingente de favoritos de Aidan O´Brien, já que Lillie Langtry nada produziu – segundo o TTKOS, apareceu com uma fratura de joelho depois do páreo.

BC Marathon 2009 - Depois


O festival da Breeders Cup começou com a Marathon e vitória européia, mas não dos favoritos. Ganhou Man Of Iron, que tinha até então apenas colocações de pouco brilho em provas de grupo 3. Foi a única vitória do treinador Aidan O´Brien, casualmente do único de seus pupilos que correu medicado com lasix. Méritos para a excelente condução de Johnny Murtagh, avançando sempre colado aos paus para fulminar na hora certa (focinho foi a diferença) o veterano Cloudy´s Knight, cujo jóquei, a meu ver, deu a partida cedo demais, ainda na curva. O favorito Mastery foi o terceiro, sem chegar a dar impressão. Father Time e Nite Light nada produziram – este último, confirmando minha previsão.
O resultado final acabou confirmando a opinião dos experts (que eu não concordava, até então) de que a Marathon era desprovida de classe. Um ganhador de pouca expressão, apenas avalizado pelo fato de ser irmão de Rags To Riches.

sábado, 7 de novembro de 2009

BC Classic 2009 - Antes


A Classic parece ser uma festa preparada para Zenyatta (foto) (5/2), a invicta craque californiana. O problema é que hoje não será contra éguas, e sim contra os melhores machos dos Estados Unidos, reforçados por Rip Van Winkle (7/2), provavelmente o segundo melhor cavalo em atividade na Europa. No páreo de hoje, se Mike Smith continuar dando vantagem no percurso, como habitualmente faz, ela terá chances remotas. Com bom percurso, vai chegar perto, mas não creio que vença.
Comenta-se que RVW tem problemas nos cascos, mas sua categoria me leva a indica-lo para frente. Gosto muito das chances de Summer Bird (9/2), que depois do Belmont só não conseguiu bater Rachel Alexandra. Está correndo muito, e como já falei aqui, do jeito que seu jóquei preferir. Nunca correu no sintético, mas tem bons trabalhos na própria pista de hoje, sendo, para mim, um grande rival hoje. É preciso respeitar (para colocações) Quality Road (12/1), apesar de não conhecer o sintético. O derby winner Mine That Bird (12/1) correu menos quando experimentou a raia de Oak Tree.
Meu resumo: Rip Van Winkle – Summer Bird - Zenyatta.