terça-feira, 31 de março de 2009

Dubai 2009

Mais uma bela festa nas arábias, com a 14ª edição da Dubai World Cup e mais cinco grandes prêmios que pretendem reunir a nata do turfe mundial. Este ano, não foi bem assim, pois os campos das seis provas saíram um pouco mais fracos que nos anos anteriores, especialmente o páreo principal, que não conseguiu atrair nenhuma estrela realmente de primeira linha na raia e distância (2000 metros – areia) preferida dos americanos. Pode-se dizer que não havia um grande astro nesta World Cup simplesmente porque este astro não existe nos Estados Unidos, pelo menos entre os cavalos de 4 anos e mais idade, já que os de 3 anos estão focados no Kentucky Derby, mas, de qualquer forma, pareceu ter sido a mais fraca versão do GP mais rico do mundo.
O festival começou com dobradinha do Sheik Maktoum na Godolphin Mile (1600 metros, prova de Grupo 2). Firme vitória de ponta a ponta do favorito Two Step Salsa, com seu parceiro Gayego atropelando no final para formar a dupla. Em terceiro, afastado, o chileno Don Renato, que pouco vinha mostrando em Dubai até então.
No UAE Derby, também de Grupo 2, nova dobradinha da Godolphin, mas desta vez com sabor amargo. Regal Ransom também triunfou de ponta a ponta, derrotando por meio corpo Desert Party, favoritão escolhido pelo jóquei oficial do sheik Lamfranco Dettori. O argentino Soy Libriano, de boa campanha em Maronãs, foi terceiro sem ameaçar. Mesmo fazendo ponta e dupla, o sheik deve ter saído decepcionado com a performance de Desert Party, de quem se esperava uma vitória arrasadora que lhe desse status de pretendente real ao Kentucky Derby. Perdendo em Dubai, ele pode nem sequer chegar a correr a principal prova da geração nos states.
Na Dubai Golden Shaheen, o páreo de velocidade, Big City Man mostrou valentia para resistir ao ataque final da favorita Indian Blessing, a melhor velocista fêmea dos Estados Unidos. Corrida como barbada por Edgar Prado, Indian Blessing dava a impressão que passaria por cima do ponteiro, mas acabou “batendo na trave”. Diabolical, da Godolphin, completou a trifeta.
A Dubai Duty Free foi o único dos páreos do festival que não consegui assistir. Foi mais uma corrida vencida de ponta a ponta, desta vez por Gladiatorus, conduzido por Ahmed Ajtebi, o primeiro jóquei nascido em Dubai a conseguir projeção no turfe mundial. O inglês Presvis, mesmo largando pela baliza 16, formou a dupla, com Alexandros, da Godolphin, na trifeta. Decepcionou a japonesa Vodka, que cansou ao tentar seguir o ganhador.
A Dubai Sheema Classic, em 2400 grama, sempre foi um reduto europeu. Em 2009, parecia que o irlandês Youmzain, vice-campeão do Arco do Triunfo, e o francês Doctor Dino, sobravam na turma. Antes do páreo, o Tinho Kessler (www.tkos.blogspot.com) me alertou para a corrida desfavorável que Youmzain teria, precisando atropelar em uma reta mais curta do que está acostumado, dirigido pelo pouco categorizado Richard Hills. Sabias palavras: Hills fez percurso péssimo, mantendo Youmzain em último colado à cerca, o que obviamente resultou em ficar sem passagem em boa parte da reta. Quando esta apareceu, o favorito conseguiu chegar a tempo de ficar apenas com o quarto lugar, a dois corpos dos três cavalos que decidiram o páreo no fotochart – venceu Eastern Anthem, outro irlandês, na segunda vitória seguida de Ajtebi. Purple Moon e Spanish Moon chegaram a seguir, agarrados no ganhador. Doctor Dino decepcionou por completo.
Na World Cup, os holofotes estavam voltados para Albertus Maximus, ganhador da Breeders Cup Dirt Mile, sob o qual pairava, no entanto, a dúvida em relação a sua capacidade de chegar bem aos 2000 metros. Falhando o favorito, surgiam o ídolo japonês (embora americano de nascimento) Casino Drive e o cavalo “da casa” My Indy como opções. Em carreira, entretanto, o que se viu foi bem diferente.
O americano Well Armed, terceiro na World Cup passada, mas que vinha correndo pouco na Califórnia, largou e acabou, vencendo por vários corpos, sem tomar conhecimento dos adversários. My Indy, após correr boa parte do percurso em segundo, perdeu as pernas na metade da reta. Albertus Maximus, que corria em quarto algo contrariado pelo seu jóquei Alan Garcia, morreu totalmente, chegando descolocado. Casino Drive não foi visto em nenhum momento. A dupla (e um prêmio de U$ 1,5 milhões) de coube então, surpreendentemente, ao brasileiro Glória de Campeão, que participou ativamente em todo o percurso, figurando sempre em terceiro junto aos paus. Na reta, enquanto os outros iam ficando pelo caminho, o brasileiro manteve o ritmo, sem ameaçar jamais o ganhador, mas também sem chance de perder o segundo lugar.
Ainda não consegui descobrir se Well Armed venceu pela maior diferença da história da Dubai World Cup. No vídeo abaixo, fica o desafio de tentar contar por quantos corpos ele ganhou.

sábado, 14 de março de 2009

O Latinoamericano é Brasileiro


Cidade Jardim viveu seu grande dia dos últimos anos, sediando a 25ª edição do Gran Premio Asociación Latinoamericana de Jockey Clubes e Hipódromos, com dotação recorde de 250 mil dólares – 156 mil ao proprietário do vencedor. Pena que boa parte dos visitantes tenha desistido de vir ao Brasil – de fora, tivemos os quatro representantes chilenos, um americano representando o Peru, e apenas um dos classificados argentinos, Life Of Victory, campeão do último Pellegrini, tido como o melhor deles. Defendendo as cores nacionais, seis animais, selecionados a custa de muita polêmica, como já falamos aqui.
Foi um belo espetáculo. Na partida, o americano/peruano Zeide Isaac foi para a ponta, imprimindo um ritmo forte e livrando cinco corpos para Quick Road, o mais velho dos nossos representantes. Quando alcançou a grande curva, Zeide Isaac viu a sua vantagem diminuir para dois corpos, com Quick Road aproximando-se com facilidade, trazendo junto Life Of Victory e Flymetothemoon, outro brasileiro, que avançava por dentro já balançado por Jorge Ricardo. Na altura dos 800 finais, Flymetothemoon tropeçou violentamente, derrubando Ricardinho e outros dois brasileiros que evoluíam do bloco intermediário, Quadriball e Negro da Gaita – ironia do destino, já que seus proprietários brigaram tanto para estar no Latino. Ao entrarem pela reta final, Quick Road e Life Of Victory davam impressão de vitória, com o brasileiro inicialmente dominando por dentro, mas sendo rapidamente superado pelo argentino. Quando o campeão do Pellegrini parecia aclamado o ganhador, surgiu em longa atropelada Hot Six, o ganhador da seletiva carioca, para vencer com firmeza por dois corpos. Em uma reação surpreendente, Zeide Isaac, que parecia “morto” ao ser dominado na metade da reta, voltou para cima de Life Of Victory, retomando a segunda posição. O argentino ainda perdeu o terceiro para Des Moines, o brasileiro menos cotado. Completou o placar premiado a chilena Raja Diabla, com Quick Road cansando e ficando em sexto.

Com Hot Six, o Brasil manteve sua invencibilidade em casa e premiou o Haras J. B. Barros com o tricampeonato da prova como criador – já tinha vencido dois Latinos com Much Better. Premiou também o Stud Estrela Energia, seu proprietário, um dos maiores investidores do combalido turfe brasileiro. O destino acabou sendo mais uma vez irônico, pois tanto se discutiu quais cavalos representariam melhor o Brasil, mas acabou vencendo justamente o ganhador da seletiva que foi corrida em condições normais. Ganhou aquele que estava em melhor forma no momento, e não os que tinham mais títulos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Os Ingleses, De Novo


A Champions League se desenha mais uma vez inglesa. Quatro dos oito finalistas da maior competição européia são da terra do Príncipe Charles, os mesmos Manchester United, Chelsea, Liverpool e Arsenal que chegaram às quartas de final no ano passado.
O Chelsea classificou-se na terça, empatando em 2x2 com a Juventus, em Turim. Com Gus Hiddink no lugar de Felipão, voltou a ter cara de time, mesmo ainda tendo alguns jogadores importantes em má fase – Drogba, pelo menos, voltou a fazer gols. Também na terça, o Liverpool atropelou o Real Madrid com um histórico 4x0. Os Reds vem mantendo a mesma base nos últimos anos, e brigarão pelo título se não perderem jogadores chave – Gerrard e Fernando Torres – por lesão.
Na quarta, o campeão Manchester bateu a Inter de Milão, que mais uma vez fica pelas oitavas. Foi um jogo curioso: a equipe inglesa entrou em campo com um esquema tático que poderia ser taxado até de 4-2-4, já que incluía Berbatov, Rooney, Cristiano Ronaldo e Giggs. Na prática, Sir Alex Ferguson tentou armar as famosas duas linhas de quatro, formando a segunda linha com os volantes Carrick e Scholes mais centralizados, Giggs aberto na esquerda e Ronaldo na direita. Não funcionou: apesar de sair ganhando logo aos 4 minutos (Vidic, de cabeça, aproveitando cobrança de escanteio), o Manchester saiu do primeiro tempo sob desconfiança da torcida, que já começava a “cornetear” discretamente ante o domínio da Inter. No segundo tempo, o Manchester acabou confirmando a vitória na qualidade individual dos seus craques, com Cristiano Ronaldo cabeceando cruzamento preciso de Rooney. O atual campeão não está fazendo grandes partidas, mas tem muita gente para decidir em lampejos individuais.
O último inglês a carimbar o passaporte foi o Arsenal, que perdeu para a Roma pelo mesmo 1x0 que havia feito no jogo de ida, avançando nos pênaltis. Passou “arranhando”, mas estava sem seu principal jogador, o espanhol Fábregas, e sem o homem de referência do ataque, o togolês Adebayor. É o menos cotado entre os britânicos.
Adversários? O Barcelona parece ser o maior deles. Despachou com goleada – 5x2 – o Lyon, que continua ganhando tudo na França e nada fora dela. O Bayern de Munique, aos poucos retomando seu espaço como clube de ponta na Europa, também goleou: com os 7x1 sobre o Sporting, fechou a série em 12x1, o maior placar combinado da história do mata-mata da Champions. Não dá para se impressionar muito, os portugueses foram pífios, tanto que quase apanharam da própria torcida na volta para casa. Acho que Bayern pode até incomodar, mas não disputará título. Os outros dois, Villareal e Porto, pouco terão a fazer daqui para frente.Para quem quiser ver os melhores momentos das oitavas, acesse o http://premiergoals.blogspot.com/. Estarão ali o golaço do Messi, mas também o pênalti ridículo cometido pelo Belletti, a presepada da zaga do Sporting no segundo gol do Bayern, o golaço do Anderson Polga (contra, infelizmente) e o pior pênalti já cobrado na história da Champions, o de Vucinic, do Roma. Vale a pena dar uma olhada.

domingo, 8 de março de 2009

Santa Anita 2009

Santa Anita, talvez o mais bonito hipódromo americano, viveu ontem a sua tarde de glória, com mais uma edição do tradicionalíssimo Santa Anita Handicap, a legendária carreira levada às telas de cinema no filme Alma de Herói. No rol dos seus ganhadores, além do Seabiscuit do filme (em 1940), craques como Tiznow, Spetacular Bid e Affirmed (há 30 anos, em recorde, 118´6, que dura até hoje), além do brasileiro Siphon, que fez uma dobradinha com o também brasileiro Sandpit em 1997.
Como aperitivo, tivemos o Santa Anita Oaks, cercado de grande expectativa pela presença da potranca líder de sua geração, a tordilha Stardom Bound. Mais do que vencer, ela tinha que mostrar classe suficiente para enfrentar os machos no Kentucky Derby, como tem sido aventado. A tordilha venceu, mas a mim não convenceu. Foi, é claro, uma demonstração de superioridade sobre as fêmeas, pois seu jóquei Mike Smith fez a curva final totalmente “quadrada” e teve dificuldades para alinhar a tordilha durante a reta. Mesmo assim, ela livrou focinho em um final duríssimo com outras três competidoras. Para enfrentar os machos, no entanto, ela vai precisar mais. Ontem, corria último a pelo menos 10 corpos das ponteiras, que moviam train apenas razoável – as parciais foram de 23´8, 47´5 e 72´1. Para pretender alguma coisa no Derby, vai precisar mostrar que consegue acompanhar ritmos mais vivos. Meu palpite: ela estará, em maio, no Kentucky Oaks, e não do Derby.
Na carreira principal, o campo equilibrado prometia emoção. A distribuição de pesos do Handicap castigava o brasileiro Einstein, ganhador de grupo 1 na grama, escalado para ser o top weight da prova. Os ingleses Zambesi Sun e Champs Elysees, o americano Colonel John (que acabou sendo retirado) e o chileno Matto Mondo pareciam ser seus principais adversários.
Na carreira, Matto Mondo foi para a ponta, mas imprimindo um ritmo menos forte do que o esperado, tendo Cowboy Cal ao seu lado e Einstein na espreita em terceiro. Na virada da reta, o brasileiro dominou a situação e eu passei a olhar para trás, pois só uma atropelada muito violenta derrotaria o brasileiro. Champs Elysees veio forte, mas não a tempo de alcançar Einstein, que ainda ganhou por um corpo. Matto Mondo foi o terceiro, a focinho do segundo colocado, e Momba, que também atropelava forte no final, fechou a quadrifeta.
Foi uma grande vitória para o turfe brasileiro – Einstein é agora ganhador de grupo na grama, areia e pista sintética. Merece parabéns sua treinadora Helen Pitts, por manter Einstein competitivo na esfera máxima aos 7 anos, fato raro no turfe americano. Parabéns também a seus proprietários, que traçaram uma campanha que elevasse o valor do brasileiro como futuro reprodutor, e atingiram os seus objetivos. Principalmente por ser filho de um ganhador do Kentucky Derby (Spend A Buck), Einstein pode tornar-se agora o cavalo brasileiro que mais terá oportunidades na reprodução na terra do Tio Sam.

sábado, 7 de março de 2009

Histórias do Turfe


A Revista Turf Brasil, em função da vitória de Engaging (foto) no GP Estado do Rio de Janeiro, primeira prova da tríplice coroa carioca, ocorrida na semana passada, publicou um breve relato sobre Arambaré, pai do ganhador, e Edemilson Antonio de Souza, titular do Haras Maluga, criador do ganhador. Como já ouvi a história da boca do próprio Edemilson, posso conta-la com mais detalhes.
Arambaré estreou no Cristal confirmando a fama de craque, vencendo com facilidade uma seletiva da antiga Copa ANPC de Potros, no tempo – 1998 - em que esta prova reunia as melhores promessas das novas gerações de potros. Levado ao São Paulo, fracassou na final da mesma, mas após duas vitórias comuns, foi à Gávea ganhar o GP ABCCC, prova de Grupo 1 que consagra o campeão da geração de dois anos carioca. De volta a Cidade Jardim, ganhou, em final eletrizante e por focinho, o GP Ipiranga, primeira prova da tríplice coroa paulista, estabelecendo-se como o líder incontestável da sua geração.
Após o Ipiranga, Edemilson recebeu uma proposta irrecusável: 400 mil dólares pelo cavalo, que iria seguir campanha nos Estados Unidos. “Pensei comigo mesmo: se estão me oferecendo 400 mil, é porque o cavalo vai ganhar em prêmios muito mais do que isso. Então, ao invés de vender, vou primeiro ser tríplice coroado aqui, e eu mesmo levo o Arambaré para os Estados Unidos e ganho ainda mais”, me contou o próprio Edemilson, há quatro anos. O problema é que Arambaré mancou na sua atuação seguinte, o Derby Paulista, perdendo a coroa e tendo que amargar oito meses de recuperação. No retorno, quatro atuações e apenas um bom segundo lugar no GP Presidente da República (Grupo 1) na Gávea, perdendo apenas para Redattore. Ao invés de embolsar os dólares, Edemilson ainda teve que gastar “para fazer um haras para o cavalo”, nas palavras do próprio.
O gasto se revelou, no fim das contas, um belo investimento. Arambaré, que já vinha ganhando fama de reprodutor útil, com 69% dos produtos nascidos chegando a correr, e 88% dos produtos corridos tornando-se ganhadores, passa a ter seu primeiro produto ganhador de Grupo 1 – Ecoute Moi, da mesma geração, já tinha vitória em Grupo 2. Cabe, é claro, a ressalva de que os números de Arambaré são favorecidos porque a maioria dos seus filhos inicia campanha no Cristal, onde é mais fácil ganhar. Mas para o mercado, o que vale é o marketing de um reprodutor ganhador de grupo 1, produtor de grupo 1, e que gera sempre animais ganhadores. A partir de agora, Edemilson irá colher nos leilões do Maluga os frutos da sua aposta.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Latinoamericano da Polêmica


No próximo dia 14 de março, Cidade Jardim receberá o GP mais importante desta década no Brasil, o Gran Premio Latino Americano de Jockeys Clubs. Além da dotação de 250 mil dólares, deverá ser uma reunião dos principais corredores em atividade no continente, o que não vinha acontecendo nas edições anteriores da prova. A indicação dos representantes brasileiros tem sido motivo de muita polêmica – vamos a sua cronologia:
12/01 - O JCB, por estar com sua pista de grama interditada, estabelece uma prova seletiva para o Latino, a ser corrida em Cidade Jardim, no dia 07/02, apenas para animais alojados no Rio de Janeiro. O JCSP, ao contrário, estabelece que o GP Linneo de Paula Machado, a ser corrido na mesma data, será "elemento de apoio para a decisão da Comissão de Corridas referente à indicação de animais que representarão o JCSP" (sic) no Latinoamericano.
02/02 – Negro da Gaita, ganhador do Derby Paulista e segundo colocado no Pellegrini, não é inscrito na seletiva carioca.
04/02 – Sorrentino, ganhador das duas primeiras provas da tríplice coroa paulista, retirado do referido Derby Paulista por febre na semana da corrida, acaba sendo igualmente retirado do GP Linneo de Paula Machado, pelo mesmo motivo.
07/02 – A seletiva carioca, corrida em grama pesada, classifica Hot Six (foto acima), que vinha de secundar Negro da Gaita no Derby, e Flymetothemoon, ganhador de Grupo 1 na Gávea, para cima do próprio Hot Six. O GP paulista, corrido sob dilúvio, tem vitória esmagadora de Quadriball, até então freqüentador de páreos comuns. Agasias, que vinha de vitória em Grupo 2, forma a dupla. Fracassa o favorito Quick Road, prejudicado pelo estado anormal da pista.
09/02 – Com o título de “JCSP considera Negro da Gaita carioca”, o site Raia Leve publica desabafo de Luiz Fernando Dannemann, proprietário do animal, que reclama de “bairrismo” da comissão de corridas paulista e “revanchismo” – sua filha Jéssica é notória crítica da diretoria do JCB - da comissão carioca pela não indicação do seu pupilo.
09 a 13/02 – O Espaço do Leitor do Site Raia Leve recebe dezenas de manifestações favoráveis e contrárias a Negro da Gaita, que rapidamente descambam para um grande bate-boca.
14/02 – O JCSP recebe pré-inscrição de 8 animais para o Latino, dos quais promete selecionar dois.
14/02 – João Hackmaier, veterinário chefe do JCSP, vai ao Paraná examinar Sorrentino – segundo o Raia Leve, confirmando que o animal “está muito bem”.
16/02 – O JCSP decide indicar três, e não apenas dois animais para o Latino: Quick Road, Quadriball e Negro da Gaita, deixando Agasias como primeiro suplente e Sorrentino fora da lista.
17/02 – José Cid Campello Filho, proprietário de Sorrentino, declara “uma ponta de indignação” pela exclusão do seu cavalo, que “em termos de campanha e nível técnico, só fica atrás de Quick Road” (sic).
Em resumo, uma polêmica sem fim. O turfe brasileiro segue tropeçando na própria desorganização e falta de regras claras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Super Bowl XLIII

Ontem, os Estados Unidos viveram a sua grande festa esportiva, mais uma edição do Super Bowl, a 43ª, reunindo o favorito Pittsburgh Steelers e o azarão Arizona Cardinals. Tudo corria na maior normalidade, com o pentacampeão Pittsburgh impondo a força da sua camiseta e um autoritário 20 a 7 no Arizona, debutante em Super Bowls. A equipe de vermelho sentia o peso da decisão, cometendo muitas faltas bobas e cedendo preciosas jardas ao seu adversário. Parecia que ia ser um monótono passeio dos favoritos. Até que veio o último quarto.
Comandados pelo quarter back Kurt Warner, que passou a acertar tudo, os Cardinals reagiram, fizeram 14, abafaram o ataque dos Steelers para chegar a 16, e conseguiram uma espetacular corrida de 64 jardas com Larry Fitzgerald (está no início do vídeo). Faltando 2:37 para o fim, o que parecia impossível havia acontecido: a equipe do Arizona havia virado – 23 x 20. A torcida dos favoritos, maioria absoluta no estádio, estava perplexa – enquanto alguns rezavam, as crianças já começavam a encher os olhos de lágrimas. Warner e Fitzgerald, que chegaram a discutir durante o primeiro tempo, viravam os grandes candidatos a heróis do jogo.
Recomeço de partida, e a vida dos Steelers vai ficando cada vez mais difícil – na primeira tentativa de ataque, uma falta e a penalização que os deixa em first down & 20, ou seja, com 4 chances para evoluir 20 jardas, ao invés das 10 habituais. O quarter back Ben Roethlisberger olha para o relógio, faltam apenas 2:24. Com pequenos avanços, a equipe chega da linha do meio do campo, mas agora resta apenas 1:10. Big Ben, como é chamado o quarter back dos Steelers, precisa tirar um coelho da cartola.
Começa, então, a seqüência de jogadas que vai mudar novamente o dono do troféu. Na segunda das quatro tentativas, Roethlisberger acha Santonio Holmes livre. O wide receiver arranca rumo ao touch down, mas é parado a 5 jardas da zona fatal. O jogo ainda não virou e faltam apenas 49 segundos, mas Pittsburgh tem agora quatro chances para ganhar, ou, pelo menos, tem a possibilidade de chutar de curtíssima distância para empatar o jogo e forçar a primeira prorrogação da história do Super Bowl.
No primeiro down, Big Ben tenta um passe longo e alto, para Santonio Holmes no cantinho esquerdo da end zone, mas este deixa a bola escapar no meio das mãos. Na segunda tentativa, o quarter back repete a jogada, mas agora procurando Holmes no canto direito. O passe igualmente alto e longo viaja e é apanhado pelo receiver, mesmo vigiado por três defensores. Por alguns momentos, o touch down fica dependendo de confirmação dos juízes, apenas valendo caso Santonio Holmes ainda estivesse com os dois pés na end zone no momento do catch. Com a validação, o estádio quase vem abaixo. O replay mostra Larry Fitzgerald no banco repetindo “no, no” com olhar desesperado enquanto Santonio Holmes pula para a recepção mais importante do ano. Não há tempo para mais nada – o Pittsburgh Steelers ganha seu sexto título, tornando-se o maior papão de Super Bowls da história. A camiseta prevaleceu.
O vídeo com os lances decisivos de uma das decisões mais empolgantes do futebol americano está abaixo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Turfe Gaúcho 2009 - Final


O Turfe Gaúcho 2009 acabou em surpresa: venceu True Swank, de criação do Haras Campestre e propriedade de José Idílio Saggin, de Palmeira das Missões. O Haras Gentil Carlesso e o Stud Duplo Ouro, que tinham, somados, seis dos dez inscritos, e três dos quatro finalistas, acabaram duramente derrotados.
A final acabou ficando entre as fêmeas, com First Julia, do Duplo Ouro ameaçando a ganhadora nos primeiros 400 metros, mas acabando por chegar a um corpo e meio na dupla. Consumidor, seu faixa, não deu muita torcida. Tio Colete, a esperança dos Carlesso, mostrou na raia que os boatos sobre problemas físicos após o terno eram verdadeiros – quase caiu por duas oportunidades e finalizou em último.
No pedigree da ganhadora, algumas curiosidades. Sua mãe, Jasaindy, por Fast Gold, teve campanha medíocre nas pistas, com apenas uma vitória em 14 atuações na Gávea. Deve ter sido levada para a reprodução por ser filha da campeã Enable To Loose, ganhadora, entre outros, do GP Presidente da República (G1), a milha do GP São Paulo. No Haras, Jasaindy se revelou: seu primeiro produto Senhor Juli (por Spring Halo) já tem quatro vitórias na Gávea, inclusive um Pesos Especiais. O segundo, a potranca La Chela (por Monsieur Renoir), correu três vezes aos dois anos e ganhou duas, inclusive a Copa Leilões do JCB, prova não graduada, mas com 50 mil reais de prêmio. True Swank, terceiro produto de Jasaindy, já começa colocando em evidência seu pai True Confidence, um Storm Cat importado pelo Haras Campestre.
Se a parte técnica foi boa, o balanço financeiro foi preocupante. Foram apostados aproximadamente 470 mil reais, dos quais 340 mil pelos dois principais postulantes – Carlesso e Duplo Ouro, 170 mil cada um. Comenta-se que eles estariam correndo a penca de forma “livre”, ou seja, quem ganhasse devolvia as apostas do outro, ficando apenas com o prêmio de R$ 100 mil. A matemática é, então, extremamente cruel: quem vencesse teria apostado 170 mil para ganhar, descontada a porcentagem da organização (38%), aproximadamente 291 mil. Devolvendo 170 para o perdedor, seriam 121 mil recebidos para 170 mil apostados, um prejuízo de 49 mil. Com o prêmio, um lucro bruto de 51 mil, de onde ainda faltaria tirar inscrições, comissões para jóquei e treinador, remédios, etc. Ou seja, que ganhasse estaria praticamente “empatando” o investimento. Com a derrota, ambos amargaram violento prejuízo. Da forma como está, o Turfe Gaúcho vai se tornando uma penca inviável a cada ano que passa.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Turfe Gaúcho - II

Definida a final do Turfe Gaúcho 2009 – amanhã, fortes emoções a partir das 18 horas.
No primeiro terno, o favorito Tio Colete, um Dodge do Haras Gentil Carlesso, confirmou sua fama com uma fácil vitória. Foi o potro que mostrou mais velocidade inicial, ganhando sem apanhar em 39´3.
Na segunda eliminatória, outra vitória muito fácil. First Julia, uma First American do Stud Duplo Ouro, ganhou de galope, marcando 39´6 e chegando com uma ação muito vistosa. É forte candidata amanhã, e parece que será ainda melhor com o aumento da distância.
Na terceira eliminatória, ganhou True Swank, produto da primeira geração do americano True Confidence. Precisou apanhar na altura dos 300 finais, mas depois que dominou o terno foi “guardada” pelo seu jóquei para a final. Marcou também 39´3.
No último terno, a única cabeça de chave que perdeu – Linda Pinta demorou a embalar e acabou derrotada por Consumidor, um Confidential Talk que também defende o Stud Duplo Ouro. Marcou o melhor tempo (39´2), mas foi exigido a fundo. Teoricamente, não tem mais nada a melhorar para amanhã, e ainda deve sentir o esforço feito na eliminatória.
Meu palpite: Tio Colete e First Julia devem decidir.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Turfe Gaúcho 2009

Neste fim de semana, o hipódromo do Cristal terá a 40ª edição do Turfe Gaúcho, a penca mais tradicional do Brasil. Já sem o brilho de outras épocas, atraiu 11 confirmações de sete parcerias diferentes - o Stud Duplo Ouro e o Stud Alegretense (este, do organizador da penca Nilton Carlesso) têm três confirmações. Comenta-se que Linda Pinta, uma filha de Top Size que defenderá as cores do Haras Ereporã, tem os melhores trabalhos. Das duas "trincas", fala-se, pelo lado do Duplo Ouro, de First Julia, uma filha de First American, e de Tio Colete, um Dodge, como melhor representante do Alegrete.
No domingo, os ternos (eliminatórias, para quem não conhece o vocabulário das pencas). Na segunda, a grande final.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Últimas do Turfe


Algumas novidades sobre o turfe mundial:
- Natagora – as últimas notícias dão conta que ela teria sido vendida para o Sheik Hamdam, da Shadwell Racing, deixando de exibir nas pistas européias as cores do Stud Estrela Energia. Tudo indica que a tordilha continuará em campanha, pelo menos por enquanto.
- Ranking 2008 – saiu o World Thoroughbred Ranking de 2008, que apesar de contestado por alguns, é o único instrumento de comparação entre cavalos europeus e americanos. A surpresa (pelo menos para mim) foi o quarto lugar de Zarkava. Os cinco primeiros (houve empate na primeira colocação), com a respectiva pontuação, são:
1 – New Approach (Irlanda) – 130 – ganhador do Derby de Epsom.
1 – Curlin (EUA) – 130 – iniciou o ano ganhando a Dubai World Cup, depois correu cada vez menos.
3 – Raven´s Pass (Ingl.) – 129 – ganhador da Breeders Cup Classic.
4 – Zarkava (Fr.) – 128 – invicta, fácil ganhadora do Arco do Triunfo.
5 – Duke Of Marmalade (Irl.) – 127 – ganhou cinco Grupos 1 consecutivos, depois fracassou no Arco e na BC Classic.
- Keeneland – os leilões de Janeiro em Keeneland (EUA) estão fortemente impactados pela crise mundial. Ao fim do terceiro dia, o preço médio dos lotes apresenta queda de 53% em relação ao ano passado, e a mediana, de 50%!
- Granizo – estréia sábado, em Gulfstream Park, na Flórida, o brasileiro Granizo, correndo uma prova de Grupo 3 em 1.200 metros, areia. Trata-se de uma história curiosa: reservado pelo seu criador, o Stud Raça, estreou vencendo fácil na areia de Cidade Jardim, para depois fechar raia em um clássico na grama. Descartado por ter problemas físicos, acabou nas canchas retas, onde perdeu uma penca para Guapo No Más (“o rei da reta” em 2007/2008, entre os cavalos velhos), sendo então negociado com o Stud São Pedro do Rio Grande. Com a nova blusa, ganhou uma forte penca em Alegrete e dois páreos comuns no Tarumã, ambos em 800 metros (foto acima). Vendido para Cidade Jardim, venceu mais dois páreos comuns e uma Prova Especial por larga margem. Vai estrear nos Estados Unidos quase com seis anos, depois de passar por quatro proprietários brasileiros.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Felipão na Corda Bamba


O Chelsea de Felipão acaba de levar 3x0 do Manchester United pelo campeonato inglês, complicando ainda mais a situação do treinador brasileiro – lá na Inglaterra, diz-se que Luiz Felipe Scolari só não perde o emprego porque o magnata Roman Abramovich não quer ter que pagar a pesada multa rescisória.
No clássico de hoje, o que mais impressionou foi a pobreza de soluções ofensivas da equipe de Londres. Com seus meio-campistas (Ballack, Joe Cole, Lampard) muito mal, o Chelsea não criou quase nada e foi inteiramente dominado pelo Manchester, que construiu a goleada no segundo tempo com Cristiano Ronaldo bem aberto pela esquerda, deitando e rolando primeiro sobre Bosingwa, depois sobre Beletti, que o substituiu.
Impressionante também a falta de atitude da equipe azul, levando o narrador da ESPN Brasil a comentar sobre “a quantidade de jogadores andando em campo”. Aparentemente, Felipão não está conseguindo administrar o vestiário cheio de estrelas milionárias, e caminha para ser mais um grande treinador brasileiro a fracassar na Europa. Do jeito que a coisa vai, não seria surpresa se Luiz Felipe Scolari acabasse na seleção brasileira, em busca do hexa em 2010.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Blog do Albatroz

Incluí nos links úteis o blog Ninho do Albatroz, do jornalista Renato Gameiro. Vale a pena dar uma conferida, sempre tem coisas interessantes para quem gosta de turfe. O último post é uma entrevista com o ex-treinador John Veitch, responsável, entre outros, pelo craque Alydar, único cavalo a ser segundo colocado nas três provas da Tríplice Coroa americana. Entre as pérolas da entrevista, a revelação de que Alydar nunca "trocava de mão" ao longo da corrida, e escolha da égua Davona Dale como o melhor animal que ele já treinou.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Novas Promessas


Sete páreos da nova geração, seis deles com status de Prova Especial, e algumas exibições de categoria. No sábado, a maior do fim de semana, na Prova Especial Odyr do Couto, corrida na Gávea. Ganhou muito fácil um potro que eu nem percebi inscrito, Seu Nicão (na foto acima), um filho do sempre útil Notation na excelente velocista Cacique Bar, uns dos primeiros animais brasileiros a tentar a sorte em Dubai (correu a Golden Shaheen) saindo diretamente daqui para lá. Seu Nicão, propriedade do Stud Meio-Século, largou aligeirado, livrou dois corpos na ponta e quando entrou na reta “saiu tirando”, derrotando seus rivais por mais de 10 corpos. Marcou 66´21 para os 1100 areia, boa marca para um estréia na Gávea.
Antes, também na Gávea, a Prova Especial Cidade de Teresópolis ficou reduzida a 4 potrancas, e apresentou uma vitória de ponta a ponta de Dearest Nativity, uma filha de Forever Buck reservada pelo seu criador, o Stud Capitão. A pedra falou, pois a ganhadora abriu pouco apostada e fechou pagando 3,50. O tempo, bem inferior ao dos machos, 67´49. A curiosidade é que Forever Buck foi um dos bons filhos de Spend A Buck nas pistas brasileiras, tendo obtido três vitórias clássicas – Grupo 1, Grupo 3 e Listed. Mesmo com filiação e campanha, teve poucas oportunidades na reprodução, já estando na terceira geração e tendo produzido, nas duas anteriores, apenas 5 filhos, com os quatro que correram tendo obtido vitórias comuns. A vitória de Dearest Nativity pode ser um indicativo de que ele merece mais chances.
Em Cidade Jardim, o sábado apresentou a Prova Especial Eleutério Prado, com nove potrancas, e um páreo comum de potros. Nos machos (em 1100 areia), uma bela estréia de Gallian, um Dodge na líder de sua geração (pelo menos nos primeiros clássicos) Iriscordemel. O ganhador aceitou a briga inicial com Talking Heads (eram os dois mais apostados), mostrando sempre que vinha melhor, e despachando seu perseguidor para vencer em 65´6, boa marca considerando-se que a cronometragem foi manual. Mais um caso em que a pedra falou: Gallian fechou pagando 2,10.
No clássico das potrancas, a favoritona Tradição Gaúcha (abriu pagando 1,30), perdeu na partida, largando muito mal e forçando muito aberta para perseguir a ponteira Dreamworks. Quando as duas cansaram, surgiu voando baixo pela cerca Tell Me True, do Stud Raça, que dominou, mas perdeu em cima do disco para uma atropelada ainda mais tardia e fulminante, de Ijubinha, uma First American do Stud Eternamente Rio. O tempo, de 66´8, bem inferior ao dos machos.
No domingo, Cidade Jardim assistiu três versões da Prova Especial Rafael de Barros Filho, confirmadas nos 1000 metros grama, apesar do estado pesadíssimo da raia. Na primeira, vitória muito fácil do meu indicado Tommasi, um Wild Event do Stud Raça, de ponta a ponta e por quase 9 corpos. Na segunda, o favorito Tenente Dodge corria no meio do bloco e só embalou nos últimos 200 metros para dominar Rio Miranda e Zórico, que brigavam pela vitória. Para encerrar, a primeira vitória de um filho de Hard Buck veio com Ouriço, reservado pelo seu criador, o Haras Old Friends. Mesmo largando pela baliza 1, normalmente o pior terreno quando o retão de Cidade Jardim está pesado, Ouriço ponteou desde a partida, e quando livrou pequena luz, seu piloto Nelito Cunha o trouxe de golpe para fora, folgando progressivamente a partir daí. O desvio gerou protestos do segundo e terceiro lugares, mas a Comissão de Corridas entendeu que havia vantagem suficiente para tal manobra, confirmando o páreo. Os tempos dos páreos foram semelhantes (58´55, 58´50 e 59´06), e coerentes com o estado da raia.No fim das contas, vitórias de fardas tradicionais (Capitão, Eternamente Rio, Raça, Old Friends, Palura) nos clássicos, mas o maior destaque foi mesmo Seu Nicão – o Stud Meio-Século é do treinador André Mion. Entre os que perderam, é bom guardar o nome de Tell Me True, derrotada no último pulo – não é comum uma Nedawi mostrar tanta carreira logo em janeiro, e na areia – e Bonjour, um Romarin do Haras Figueira do Lago que acabou sendo o mais prejudicado por Ouriço (foi terceiro colocado).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os Primeiros Clássicos da Nova Geração


Neste fim de semana, Gávea e Cidade Jardim têm seus primeiros clássicos reservados à nova geração. Neles, poderão estar surgindo craques, apesar da história mostrar que as grandes máquinas geralmente aparecem mais tarde. No primeiro fim de semana de janeiro, destacam-se os mais precoces, que nem sempre confirmam o brilho inicialmente exibido.
Não é a estréia em hipódromos oficiais da geração 2006, pois em dezembro já tivemos uma Prova Especial no Tarumã, vencida em grande estilo por Indomito, um filho de Red Runner, garanhão americano importado por criadores paranaenses, que estréia auspiciosamente sua primeira geração no Brasil, composta de 46 produtos. O potro do Stud Mandrake (investe bastante e sempre compra bem) ganhou por nove corpos em 39´3 para os 700 metros, ficando a meio segundo do recorde.
Na Gávea, já tivemos três páreos comuns em 900 metros, distância que nunca havia sido corrida antes e foi inventada graças à interdição da raia de grama carioca – a Comissão de Corridas preferiu reduzir 100 metros nas tradicionais disputas de 1000 metros grama a utilizar os 1100, como sempre era feito quando os páreos sofriam transferência de pista. Tivemos, assim, três recordistas em seqüência. Desejada Normand (foto acima), filha de Roi Normand na ótima velocista Super Desejada, ganhou a primeira, em 54´90, marcando o primeiro ponto para o Stud Alvarenga. Tchutchuca, que havia sido oferecida pelo Haras Anderson no leilão Top Classic (maio de 2008) em parelha com outra potranca, mas acabou preterida pelo comprador, cravou 54´59. Ponto para o criador e proprietário, e para o reprodutor Dodge, nome fácil entre os primeiros ganhadores das novas gerações. Na semana seguinte, o recorde voltou para o Stud Alvarenga, com True Classic marcando 54´58. A pequena (432 quilos) potranca marcou o primeiro ponto da primeira geração brasileira – 67 produtos – do americano True Confidence, um filho de Storm Cat. Demonstrou também a qualidade que o Alvarenga tem nas mãos – duas vitórias e o segundo lugar de Lady Upshot, favorita contra Tchutchuca.
Amanhã, a Gávea vê os machos pela primeira vez na Prova Especial Odyr do Couto, em 1100 metros. Entre os onze potrinhos que disputarão a liderança da geração, fala-se mais de That´s Now, um First American do Alvarenga, e Belo Runner, um Red Runner dos pernambucanos do Stud São José dos Bastiões. Nunca é bom deixar de lado o Haras Anderson, que irá apresentar Tivoli Park, um Wild Event. Antes, a vez das potrancas – serão apenas seis na Prova Especial Cidade de Teresópolis. A revista Turf Brasil indica Super Hina, por Chocktaw Ridge em Sassy Doll, mais uma do Alvarenga. Raça não lhe falta (é irmã dos clássicos Super Atleta, Super-Forte e Sushi-Bar), mas a boa deve ser sua companheira de farda True Chill, outra True Confidence, preferida pelo líder M. Mazini. Fala-se ainda em Dear Nati, uma Crimson Tide reservada pelo Haras Nacional.
Em Cidade Jardim, a Prova Especial Eleutério Prado, com onze potrancas, e um páreo comum de potros. Como os paulistas instituíram o trabalho obrigatório cronometrado, dá para tentar comparar pelo menos os animais alojados no próprio prado (os que estão em CT informam suas marcas). Nos machos (em 1100 areia), destaque para a primeira atuação de um filho de Hard Buck, Império de Birigui. Os trabalhos, no entanto, são fracos. Quem se destaca no relógio é Talking Heads, um filho de Spring Halo do treinador Luis Carlos Soares, o popular Bolo Fofo. O reprodutor e o treinador são especialistas em precocidade, então é bom respeitar. Cuidado também com a parelha do treinador Mario Campos, Jonathan Fly (por Gregoriano) e Rey Chardonnay (por Redattore). O segundo foi escolha de W. Blandi, devendo ser a melhor opção. O clássico das potrancas, marcado para o retão gramado, deve ser corrido na areia, já que a pista hoje está encharcada. Vale sempre respeitar as fardas tradicionais do Haras Anderson e do Stud Eternamente Rio, mas o trabalho de Tradição Gaúcha, uma Dodge do Stud Palura (também do Bolo Fofo) é pelo menos um segundo melhor do que as outras alojadas no prado.
No domingo, Cidade Jardim assiste três versões da Prova Especial Rafael de Barros Filho. Na primeira, nove potros, dos quais três vêm do Paraná (pouco comentados) e outros três de CTs. Meu palpite é Tommasi, um Wild Event do Stud Raça. Na segunda, seis dos nove são do próprio prado, e as marcas mais uma vez indicam Bolo Fofo e Palura – Tenente Dodge terá contra si, no entanto, a baliza 9 se houver mudança para a pista de areia. No Paraná, comenta-se que Zórico (por Implexo) tem chances. Encerrando a maratona, a versão C tem três representantes do CT de Porto Feliz, e a lógica mandaria indicar a montaria do líder J. Moreira, Quick To Run. Prefiro não acreditar que um filho de Príncipe Taio vai despontar em 1000 metros, menos ainda em 1100 areia. Meu palpite é a dupla Bonjour (um Romarin do Haras Figueira do Lago) e Talk With Me (um Confidential Talk do Anderson). Cuidado ainda com Zelandês, outro paranaense com boas referências.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Retrospectiva 2009 - Turfe

Retrospectiva rápida: Curlin arrasou uma turma fraca em Dubai, tentou provar que podia ser da primeira turma mundial na grama, desistiu rápido, e se arrastou até o recorde mundial de somas ganhas - a pálida Breeders Cup foi um fim de carreira opaco para o que ele fez nas pistas, especialmente na BC 2007.
Seu adversário aos olhos da mídia foi Big Brown, que chegou no Belmont Stakes para ser tríplice coroado e abandonou o páreo na última curva. O duelo entre os dois, anunciado com muita bravata de ambas as partes, acabou não acontecendo.
A Breeders Cup Classic, que costumava ser o desafio final do ano na areia, acabou revelando uma nova realidade ao ser corrida em pista sintética. Os gramáticos da Europa gostaram, e Raven´s Pass, um milheiro, levou a glória dos 2.000 metros para o velho mundo. Ponto de interrogação para o futuro: como ficará o mercado americano e mundial se o grande desafio, que define os grandes campeões em solo americano, passar a ser corrido no all weather track, e não no dirt?
Para encerrar, foi o ano das grandes fêmeas. Zenyatta, Goldikova, e obviamente Zarkava, a grande craque do ano, que acabou coroando sua campanha com uma vitória espetacular no Arco do Triunfo. Para mim, uma das maiores exibições de classe que eu já vi. Basta ver no vídeo, em um páreo de tamanha categoria, como ela esmaga seus adversários nos poucos metros em que tem caminho livre. O show do ano no turfe.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Link

Para quem conhece o Zé Paulista, um link imperdível. www.zeguto.blogspot.com - leiam a declaração de amor para a prancha.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Fim de Ano

Fim de ano com muitas competições paradas e os canais de esportes programando uma infinidade de reprises. Para quem quiser procurar distração, algumas dicas:
- 30/12: último programa da série Jogos Para Sempre, com a final do Mundial de 2005, São Paulo x Liverpool, no Sportv. Terá reprises no dia 31, às 10:30 e 16:30.
- 01/01: para quem gosta de futebol americano, a ESPN mostra o Rose Bowl Game, entre USC e Penn State.
- 03/01: começa a Copa São Paulo de Juniores. A ESPN Brasil transmite Corinthians x Paraibano (16:00) e São Paulo x Ceará (18:30).
- 04/01: mais Copa São Paulo, com Grêmio x Portuguesa (14:00), Taubaté x Nacional (16:00) e Santos x Cene (18:30), todos na ESPN Brasil.
- 04/01: na ESPN, uma sequência com quatro lutas clássicas de Evander Holyfield, a partir das 21:00.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Bobô e a Fonte Nova


De férias na Bahia, tenho acompanhado o noticiário esportivo local, em que a manchete da semana é a situação delicada de Bobô, maior ídolo futebolístico dos baianos, na investigação do desastre da Fonte Nova.
Parte da arquibancada do estádio mais tradicional do nordeste desabou em novembro de 2007, quando o Bahia disputava seu último jogo na Série C, matando 7 torcedores. Desde então, a Fonte Nova está interditada.
A novidade é que documentos provam que o Diretor de Operações da Sudesb, orgão do governo que administra o estádio, encaminhou ao Bobô, Superintendente do órgão, um pedido de "avaliação urgente, no sentido de de providenciarmos todas as questões que envolvem uma interdição" (sic). Bobô, como chefe máximo do órgão, despachou uma autorização de interdição parcial no estádio no dia 11/01/07, mas acabou não efetivando-a. Há ainda um depoimento do Major da PM Elcimar de Alcântara, que alega ter encaminhado dossiê completo a Bobô, destacando a situação crítica da Fonte Nova, que teria sido ignorado por que o Major "não era engenheiro".
Resumindo, todo mundo quer jogar a responsabilidade para Bobô, que vai ter que explicar a falta de medidas concretas.
O fato é que a Fonte Nova estava um lixo há anos, e nada foi feito. Uma situação que não é exclusividade da Bahia, ocorre em vários estadios do futuro país da Copa.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mais Um Mundial


Ontem, mais uma decisão de Mundial Interclubes, a 29ª promovida no Japão. Assisti 17 destas, e as do século XXI têm sido duelos Davi x Golias, ao contrário do equilíbrio que houve em boa parte dos confrontos dos anos 80 e 90. Esta talvez tenha sido a que começou com maior favoritismo para os europeus em toda a história - o site Sportingbet c0tava o Manchester United a 1,30, o que quase me levou a jogar uns trocados na LDU (rateio de 10 por 1).
Em campo, dois tempos bem distintos. No primeiro, uma LDU encolhida e sem conseguir ficar com a bola no pé foi bombardeada pelos ingleses. O Manchester alternava as tabelas do trio Cristiano Ronaldo - Tevez - Rooney com lançamentos longos dos volantes Anderson e Carrick e chegava com facilidade ao gol equatoriano. Contei dez oportunidades de gol, quatro delas claríssimas, mas a bola não entrou, e o primeiro tempo terminou mesmo 0x0. Os equatorianos perderam uma chance incrível logo a 3 minutos, com Campos na linha da pequena área desviando um cruzamento para fora. O momento "videocassetadas" foi a entrada de quatro japinhas com a maca para tentar retirar o goleiro Cevallos, machucado.

No segundo tempo, tudo mudou. O zagueiro Vidic deu uma cotovelada num equatoriano logo aos 3 minutos e foi expulso, desarrumando o time inglês e animando a LDU, que já parecia ter voltado do intervalo mais tranquila. Com dez homens, o técnico Alex Ferguson optou por tirar Tevez e recompor a zaga com Evans, perdendo força ofensiva. Dos 15 aos 25 minutos, os equatorianos tiveram o seu momento na partida. O argentino Manso quase acertou de longe aos 17, e teve a bola do jogo nos pés ao puxar um contrataque aos 26, muito parecido com o gol do Inter em 2006. Ao contrário do Iarley contra o Barcelona, Manso não "pifou" Bieler na cara do gol quando teve a chance, preferindo carregar mais um pouco, armar o chute, hesitar e demorar a definir, sendo desarmado por Anderson. O castigo veio logo em seguida, aos 28, quando Cristiano Ronaldo rolou para Rooney bater de chapa no canto, definindo o mundial.

Ganhou o elenco milionário, de maior qualidade. Para os sul-americanos, sempre haverá possibilidade de surpreender, desde que joguem fechados e aproveitem as poucas chances que irão aparecer.